6.2.10

Leonard Cohen - Joan of Arc




Now the flames they followed Joan of Arc
as she came riding through the dark;
no moon to keep her armour bright,
no man to get her through this very smoky night.
She said, "I'm tired of the war,
I want the kind of work I had before,
a wedding dress or something white
to wear upon my swollen appetite."

Well, I'm glad to hear you talk this way,
you know I've watched you riding every day
and something in me yearns to win
such a cold and lonesome heroine.
"And who are you?" she sternly spoke
to the one beneath the smoke.
"Why, I'm fire," he replied,
"And I love your solitude, I love your pride."

"Then fire, make your body cold,
I'm going to give you mine to hold,"
saying this she climbed inside
to be his one, to be his only bride.
And deep into his fiery heart
he took the dust of Joan of Arc,
and high above the wedding guests
he hung the ashes of her wedding dress.

It was deep into his fiery heart
he took the dust of Joan of Arc,
and then she clearly understood
if he was fire, oh then she must be wood.
I saw her wince, I saw her cry,
I saw the glory in her eye.
Myself I long for love and light,
but must it come so cruel, and oh so bright?


A liberdade e os seus falsos amigos



Não sei quando é que se cunhou a ideia de que se "se vivem tempos maus para a liberdade de expressão". Não me lembro por exemplo de ter ouvido tal coisa quando o jornalista João Carreira Bom foi dispensado do Expresso por ter escrito uma crónica a chamar rei do tele-lixo a Balsemão - crónica que o então director do Expresso (agora no Sol) disse só ter sido publicada por não a ter lido antes. Ou quando Joaquim Vieira saiu do mesmo jornal por, segundo ele, divergências com o director em relação à redacção de uma notícia sobre Joe Berardo, anunciado accionista da SIC. Ou quando em 2008 Dóris Graça Dias denunciou a não publicação de um seu texto sobre um romance de Miguel Sousa Tavares, cronista do jornal.

Os três casos, mais aquele que ocorreu no DN quando em Agosto de 2004 a direcção de Fernando Lima decidiu não publicar uma crónica minha por ser "política", podem ser qualificados como clássicos atentados à liberdade de expressão. Foram até denunciados como "censura". No entanto, não só não foram pretexto para caracterização de "um clima" como parecem, inexplicavelmente, ter-se varrido da memória dos que, caso do director actual do Expresso, declaram nunca ter visto ou feito algo de parecido.

Quando Henrique Monteiro, que recusou a publicação de uma crítica literária alegando "não se tratar de uma crítica mas de um ataque ao autor", afirma que nunca viu nada de parecido com um director de jornal exprimir dúvidas a um cronista sobre o conteúdo de uma crónica quanto aos factos que imputa a outrem sem ser deles testemunha directa e considera isso "censura" estamos perante aquilo a que se chama double standard. Traduzindo: o que eu faço está sempre acima de suspeita, o que tu fazes é sempre suspeito.

Fernanda Câncio, no Diário de Notícias, ontem

(o resto aqui)



4.2.10

como se fazem os bebés






procuro a minha vida passada

16:41


«É óbvio que não deveria constituir uma surpresa por aí além descobrir que a história da nossa vida incluía um acontecimento, algo de importante, que desconhecemos por completo – que a história da nossa vida é em si mesma, e por si mesma, algo a respeito do qual sabemos muito pouco.»

Philip Roth, Casei com um comunista, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1999, pp. 26-27


3.2.10

«For Whom The Bell Tolls», Metallica and the San Francisco Symphony Orchestra






dão-se alvíssaras

11:30


Dão-se alvíssaras a quem encontrar um escândalo que eu tinha preparado para enlamear o primeiro-ministro. É que tenho um livro para vender e preciso de o vender. Preciso, portanto, de publicidade. E da gratuita, que a vida custa a todos e eu não tenho meios. Preciso de mais um caso, coisa fácil de arranjar, mas desta vez tem de ser acerca de mim. Para isso estava mesmo a jeito. Mas passou, perdi-lhe o momento e tenho mesmo de o recuperar. Pelo que, repito, dou alvíssaras.

(Aproveito, pela imagem junta, para fazer uma recomendação de leitura, catrapiscada no Status Quo, aqui mesmo.)

2.2.10

pingos do "caso" Mário Crespo


Citando Sofia:
«Mário Crespo sabe que o seu artigo é um conjunto de maledicência e do mais puro diz-que-diz, mas muito cuidadoso no que se refere à divulgação do executivo da televisão.»

filhote de robot / criança robótica

11:20


nunca estamos preparados para certas coisas

10:39

Sonata V, de "Sonatas e Interlúdios para piano preparado", de John Cage.


repensar o orçamento

09:20

1.2.10

Invictus, o filme; Mandela, o homem



Sábado passado houve tempo para ir ao cinema. "Invictus", um filme de Clint Eastwood, com Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela e Matt Damon como capitão da equipa sul-africana de rugby. Aconselho: é um filme a ver.
Bom, o filme não é verdadeiramente grande coisa. Muitos clichés (está-se mesmo a ver que os pretinhos e os branquinhos vão dar um abraço ou um aperto de mão quando chegar a hora da salvação), um abuso de técnicas simples de entretenimento e suspense de pacotilha (o tempo da final de rugby parece quase tempo real), aquelas coisas todas que estão desenhadas para sacar uma lagriminha (ou pelo menos um roer de unhas).
Então, por que ir ver? Porque a história é simplesmente fabulosa. É uma história verdadeira, embora pareça que há ali uns pormenores aldrabados, por exemplo o poema do poeta inglês William Ernest Henley (1849–1903) que dá o título ao filme não terá jogado exactamente aquele papel. Mas a história, no essencial real, é extraordinária.
Como extraordinário é Mandela, provavelmente o melhor símbolo de grandeza humana do século XX neste planeta (e talvez também em outros planetas). E aí bate o ponto: estou por tudo para homenagear Mandela e por apoiar homenagens a Mandela. E ele próprio concordou no essencial com este filme, o que me dá certas garantias.
A dificuldade que me parecia mais difícil de ultrapassar era a seguinte: como serei capaz de aceitar a cara de outro tipo a fazer de Mandela, quando a cara do líder histórico nos é tão familiar e presente? Pois, Morgan Freeman consegue isso ao não tentar sobrepor o seu próprio brilho ao brilho solar da personagem interpretada.
Em resumo: um filme médio que é absolutamente a não perder.

Caro Carlos Santos, serve a presente...



Carlos,
Este teu post tem, a meu ver, um defeito comum com outros posts teus dos últimos tempos: critica um dos actores institucionais com responsabilidades na gestão da coisa pública (o governo), mas esquecendo o contexto político da actual governação.
Falar de um governo que, sendo minoritário, está, graças ao tipo de oposição que temos, sempre vulnerável às graçolas e propostas irresponsáveis de mais 4 ou 5 partidos que praticam o quanto pior melhor, que mesmo quando são constrangidos a concordar com qualquer coisa estão sempre à espera da primeira esquina para a facadinha propícia - sem entrares sistematicamente com esse factor em conta: é má análise, a meu ver.
Acho que, escrevendo assim, está a cair num pecadilho que muito criticas (e bem) a outros economistas: pensar (ou fazer de conta que pensas) que a economia é um sistema de comportamentos que pode ser entendido sem o integrar num sistema mais vasto: o político-social em todo o seu esplendor.
Espero que não te tenhas tornado em mais um daqueles economistas que não levantam os olhos da secretária (da mesa de trabalho, quero eu dizer), esquecendo que há muito mais mundo lá fora.
Cumprimentos.