Parece que há dirigentes do PS para quem Deng Xiaoping é um modelo a seguir. E por isso querem que o PS alinhe na contra-reforma da legislação laboral. Pelo menos é o que se depreende desta notícia: Sérgio Sousa Pinto e Álvaro Beleza querem ver PS a dialogar na reforma laboral .
Diversamente, para mim, o capitalismo de Estado promovido na China comunista não é (não foi em momento nenhum, nem com Deng Xiaoping) um modelo a seguir por um socialista democrático. Por uma razão simples: contrariamente aos neoliberais, ou aos pretensos liberais economicamente radicais, a "liberdade" económica sem liberdade política e cívica é apenas um truque.
O objetivo do Governo com a contra-reforma da legislação laboral não é melhorar a produtividade e a competitividade da economia, porque essas dependem fundamentalmente dos empresários - e os empresários incompetentes e impreparados são o principal problema da nossa economia.
O objetivo do Governo com a contra-reforma é aumentar o domínio dos patrões sobre os trabalhadores. É aumentar o poder dos poucos sobre os muitos. A ministra do trabalho, e os patrões da CIP e aliados, acreditam na luta de classes. E estão a agir de acordo com a sua visão da luta de classes.
Mas, claro, há sempre quem, mesmo no PS, ache que é boa ideia sacudir os sindicatos - não compreendendo que a extrema-direita está à espreita, também, de poder ser o bicho que rói a maçã sindical.
(Este apontamento publiquei-o primeiramente no Facebook.)
Porfírio Silva, 10 de Maio de 2026


