7.1.10

consensos e opções (entre o velho do Restelo e o Adamastor)



Ricardo Paes Mamede, no Ladrões de Bicicletas, publica hoje uma posta intitulada Não queremos consensos, queremos clareza nas opções. Devo anotar que discordo da alternativa: precisamos de consensos, tanto como precisamos de opções claras. Os consensos em algumas matérias limpam o terreno para que nos possamos focar nas diferenças relevantes, clarificando-as, depurando-as, dando-lhes o sentido que deve ter a política como arte de viver em comum: fazer escolhas colectivas. O que os consensos têm de ser é tão claros como as opções, em vez de nuvens de fumo para nos não vermos uns aos outros.
Contudo, descontada esta divergência, quero assinalar o interesse do texto de Paes Mamede. Para abrir o apetite:
O Governo deveria ser transparente e convincente na sua opção pelas grandes obras (TGV, aeroporto, auto-estradas) – incluindo no esclarecimento da aparente discrepância entre a defesa que tem feito do investimento público e os níveis de execução previstos a este nível. A oposição de Direita deveria deixar claro, justificando devidamente as suas posições, (1) se discorda que o investimento público é indispensável nesta fase, (2) se considera que os grandes investimentos previstos pelo governo deveriam ser cancelados (o que nunca se atreveu a fazer) e (3) se defende que a situação orçamental é tão crítica que exige um programa de ajustamento (não obstante as implicações dessa opção em termos de desemprego) e qual a natureza desse ajustamento. A oposição de Esquerda, que tem deixado clara a defesa do reforço do investimento público na fase actual, deveria esclarecer se se revê ou não nalgum programa de exigência no que toca às despesas e receitas do Estado (reconhecendo que as más decisões nestes domínios contribuem para acelerar a destruição de um Estado capaz de intervir no padrão de desenvolvimento económico e social).

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