Mostrar mensagens com a etiqueta 8. Fotografia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 8. Fotografia. Mostrar todas as mensagens

2.2.15

o problema da biografia.



o problema da biografia

(para o Luís Quintais, a ler O Vidro)


Na noite fresca do jardim,
crendo-se a coberto da desarrumação do mundo,
o anjo mete as mãos por baixo da camisola
sobre os seios quentes da rapariga
e os beijos são lentos e sinceros.
Tudo desacelera.
Tudo o que importa na história universal
contempla com benevolência essa pausa.
A eternidade é uma avaria do instante.

(Imagem e texto © Porfírio Silva)

25.3.14

4.11.12

uma escultura de José Pedro Croft.


Não, não é uma mesa de um laboratório de química. Não é uma bancada de ensaios. Veio desses lados do mundo, mas agora é uma escultura. José Pedro Croft continua a pegar nas peças deste mundo corrente para criar o mobiliário de um outro mundo, do mundo que nos propõe existir se outros olhos existirem. Está, aliás, esta peça como se fosse mostrada sobre um plinto onde as esculturas clássicas eram mostradas: só que, desta vez, o plinto não é um elemento exterior à escultura, parece um suporte da escultura mas faz parte da própria escultura. Aliás, um plinto exterior à escultura, um mero suporte de exibição da escultura, não estaria inclinado. Esse elemento denuncia/anuncia que aquele objecto foi lançado em outra vida.

Foi uma mesa de laboratório de química, mas agora é um ponto de vista. O espelho, que Croft já utilizou outras vezes, não permite um olhar único, nem meramente contemplativo. O espelho modifica a peça, à medida da nossa procura; modifica o espaço onde convivemos com a peça; pede que viajemos à procura do nosso olhar. Vi ali um piano onde só poderia tocar se descobrisse outras teclas que não as teclas de um piano (mas eu não sei tocar piano!). Vi ali um barco com velas num mar revolto a levantar-se das águas (mas eu não sou navegador!), a navegar numa cave bem seca e bem iluminada, sem tempestade à vista. Uma peça quieta pode implicar que nos movamos, pode fazer o mundo girar. Croft tem vindo a fazer-nos isso, esta sua escultura faz-nos isso.

"Dois desenhos, uma escultura", de José Pedro Croft, na Appleton Square. Curadoria de João Silvério. As imagens (fotografias com telemóvel) fi-las para voltar a olhar.










3.6.12

auto-retrato com Skapinakis.


Finalmente arranjei tempo para ir ver a exposição Nikias Skapinakis, Presente e Passado 2012-1950, que está no CCB. Grande exposição, com muita coisa que eu não conhecia.

Nikias Skapinakis, Ilustração para poema erótico de Vitorino Nemésio, 1977


Auto-retrato com ilustração de Nikias Skapinakis para poema erótico de Vitorino Nemésio, ao jeito do período skapinakisiano do cartazismo 

8.3.12

diz, espelho meu.



Li Wei, Liwei falls to 2007.12.27, Beijing 2007

29.2.12

retrato de Portugal.



Aquela que poderia ser uma das mais impressionantes casas barrocas do país é... só fachada. A Casa das Obras, também conhecida por Obras do Fidalgo, fica em Vila Boa de Quires, próximo de Marco de Canaveses, e se é verdade que não passa de uma dramática e imponente ruína, não deixa também de fazer adivinhar o ambicioso projecto pensado para o local há 250 anos.






(Fotos de Porfírio Silva. Janeiro de 2009)




Tivesse sido concluído e, hoje, não haveria grandes dúvidas em considerar o palácio mandado edificar pelo fidalgo António de Vasconcelos Carvalho e Menezes em Vila Boa de Quires, por volta de 1750, como uma das mais belas e imponentes casas construídas em Portugal durante o período barroco. Ficou-se, no entanto, pela fachada. Monumental. Grandiosa. Cenográfica...Mas, mesmo tendo em conta que nos encontramos perante “uma das mais impressionantes construções barrocas do país”, é dramática e inverosimilmente apenas uma fachada...

Conhece-se pouco sobre a história deste insólito monumento. As suas características artísticas, entre as quais se salienta a riquíssima decoração rocaille das portas e janelas, não deixam grandes dúvidas quanto ao arranque da construção em meados do século XVIII. Sabe-se, de resto, que aquando do terramoto de 1755 já decorria a construção.

O fidalgo responsável pela edificação da mansão pensou, seguramente, numa construção de dimensões consideráveis. Tal é evidente não só no impacto que ainda hoje a frontaria transmite, mas também na invulgar espessura das paredes que não raramente atinge os sete palmos. Adivinha-se, portanto, com alguma facilidade o ambicioso projecto pensado para o palácio. A verdade porém é que a edificação se ficou pela fachada.

Mas, que motivos terão levado António de Vasconcelos Carvalho e Menezes, Fidalgo da Casa Real, a suspender a construção?

Não há também respostas para esta questão e as explicações misturam muitas vezes factos reais com outros que possuem já o estatuto de lendários.

Afastada está a hipótese das obras terem terminado por morte do fidalgo uma vez que este faleceu apenas em finais de 1799 numa altura em que a construção há muito estaria parada. Popularmente conta-se que o promotor da obra se teria desinteressado do projecto quando, culminando uma série de acidentes que se vinham registando na construção (e há, de facto, referências à morte de pelo menos um operário por queda “abaixo das obras”), é o próprio arquitecto que, durante uma visita, perde a vida na sequência também de uma queda. Não há, no entanto, qualquer prova histórica da ocorrência deste episódio.

Outra possibilidade muitas vezes apontada é a do projecto se ter revelado bastante dispendioso, abalando os recursos financeiros de António Carvalho e Menezes. É possível que esta hipótese tenha algum fundamento. Mas não explica tudo. Pensamos, de resto, que a explicação residirá provavelmente numa conjugação de vários factores onde se deverá ter também em linha de conta o facto do fidalgo não ter tido filhos legítimos “nem ilegítimos”, como salienta o seu testamento. Sem descendentes directos a quem deixar o seu sonhado palácio, ter-se-á desinteressado do projecto deixando a fachada ao seu irmão.

O facto de nenhum dos proprietários seguintes ter equacionado a hipótese de completar o palácio fez com que a ruína se tenha perpetuado no tempo como uma obra inacabada estando, de resto, na origem do nome pela qual é tradicionalmente conhecida: Casas das Obras ou Obras do Fidalgo – uma das mais imponentes e belas construções barrocas do país, mas também um dos seus monumentos mais inverosímeis e patéticos. O suficiente para há algumas décadas um milionário norte-americano ter querido comprar a fachada para a desmontar e erguer, posteriormente, numa sua propriedade na América.

(Excertos do texto, de Joel CLETO e Suzana FARO, "A Casa das Obras em Vila Boa de Quires: É só fachada", in O Comércio do Porto. Revista Domingo, 6 Junho 1999, p.21-22.)

(Republicação. Publiquei este texto aqui a 5 de Janeiro de 2009. Mas, vá lá saber-se por quê, tive ganas de o dizer de novo.)

5.2.12

THOMAS STRUTH: FOTOGRAFIAS 1978 - 2010.


Coube-nos a sorte de ver esta magnífica exposição em Serralves este fim-de-semana que termina. Ficará até 26 de Fevereiro. Aconselhamos, quem goste de fotografia, a não perder. É simplesmente magnífica. O comentário em vídeo que deixamos é sobre a mesma exposição, embora noutras paragens.



O artista fala da sua obra: um interessante documento.

4.1.12

estamos a ser invadidos?




Rua do Loureiro, Coimbra, 13 de Dezembro do ano enterrado.

14.12.11

rua do loureiro.


Coimbra, Rua do Loureiro (e arredores).








A última imagem é da República das Marias do Loureiro.

Tudo isto estava lá ontem. Em ponto.

8.10.11

andam muito políticas, as paredes de Lisboa.




(Adivinham em que prédio estava este?)





Fotos de Porfírio Silva.

15.6.11

olhar para a lua



Em noite de eclipse.


(Certo: tenho de estudar melhor a questão de fotografar a Lua.)

14.6.11

imagens



Nossa Senhora das Dores com S. João Evangelista, Silésia, c. 1500 (vista parcial)


Tríptico com a Família da Virgem Maria, Silésia, princípio do século XVI (pormenor)


Tríptico com a Família da Virgem Maria, Silésia, princípio do século XVI (pormenor)


Tríptico da crucificação, Wrocław, 1498

Museu Nacional, Varsóvia. Fotografias de Porfírio Silva.

13.6.11

grafitos de Varsóvia



Mais visões deste grafito gigante aqui (Facebook).


5.6.11

voar na noite



(1 de Junho de 2011, Terreiro do Paço, abertura das Festas de Lisboa. Mais aqui.)

19.3.11

Lamentamos mas o dia vai longo e os nossos melhores sonhos já foram vendidos


(Foto de Porfírio Silva, algures na China)

Este post era para ser dedicado às forças políticas que estão agora à procura de uma maneira de nos explicar que afinal os portugueses podem aguentar mais sacrifícios. Tanto podem que há quem (essas mesmas forças políticas) esteja mesmo a esforçar-se para garantir que venham aí mais sacrifícios, deitando para o lixo o esforço que os portugueses já estavam a fazer. Este post era para ser dedicado a essas forças, mas não: este post vai, afinal, dedicado às vítimas dessa loucura.

não devias ter insistido para eu tirar o vestido


(Ponte de Lima, Setembro de 2006. Foto de Porfírio Silva)

14.1.11

lisboa ontem à noite


A caminho de ir ouvir o som que fazem os braços de Esa-Pekka Salonen quando se agitam frente a uma orquestra, tive visões assim.





31.12.10

a luz dos olhos teus


Estou de luto.
E não sei rezar. Nem quero, além do mais.
É uma merda, essa é que é essa.
O olho do homem quebrou-se.
E a impotência face à fragilidade é o pão nosso de cada dia.
Não acredito no destino, não praguejo contra os deuses, mas acredito que a porra da genética e um bocado de azar fazem pão amargo.
Não, não morreu ninguém. Quer dizer, este desabafo não é sobre uma morte. Mas morremos um pouco cada vez que sentimos as mãos atadas. E nem sequer se aplica aqui uma consideração sobre a injustiça, porque a injustiça é a má distribuição da justiça e, aqui, não há nada disso: apenas o mundo que gira, os animais (humanos) que são mais difíceis de reparar que os carros de brinquedo (mesmo que sejam de bombeiros de brincar), e uma pontaria excessiva que a vida nos faz aos tomates.
É uma gaita.
Claro que vos desejo um bom 2011. Por que não haveria de o desejar? Não tenho ódios, apesar de às vezes ter lamentos.

























Uma luz sobre um pormenor de uma tinta-da-china de Adriana Molder.
(Foto de Porfírio Silva)