Sombras na caverna:
«Lembro-me de, em tempos mais heróicos, imaginar um centauro a dirigir a economia, provocando com a sua parte equídea toda a irracionalidade que é patente aos olhos de toda a gente.»José Ames, no Persona
«O tempo é um dispositivo que impede que tudo aconteça de uma vez.» (Bergson)
«Lembro-me de, em tempos mais heróicos, imaginar um centauro a dirigir a economia, provocando com a sua parte equídea toda a irracionalidade que é patente aos olhos de toda a gente.»José Ames, no Persona
E o que a frase quer dizer, não é verdade, é que ou os alunos ensinam o mestre, que não sabe tudo e já se esqueceu, por exemplo, do maravilhoso mundo da infância e da aventura que é explorar esse mundo, ou é o mestre que ensina o que os miúdos não podem saber, sobretudo, porque ainda não têm idade para isso, numa relação assimétrica que nada tem a ver com o que se passa na vida política, onde entram conceitos como o de democracia, de igualdade ou dos direitos da pessoa.Integramente, aqui: O dilema do mestre-escola.
Hoje li em "O Público" a crónica dum médico psiquiatra que observa, como outros já o fizeram antes, uma certa infantilização na nossa sociedade, pelo facto de, nas últimas décadas, só ouvirmos falar em direitos e nunca da outra face dos direitos que são os deveres e as obrigações. "E, mesmo que sejam dadas todas as oportunidades, se porventura houver alguém que não alcança uma aspiração, isso raramente é atribuído a um fracasso pessoal, mas a uma discriminação, mesmo que muitas vezes nem sequer tenha havido qualquer esforço para se obter sucesso." O resultado é uma "baixa tolerância à frustração".
Agora que a vaga de protestos contra o modelo de avaliação dos professores se parece ter desfeito e, com o novo ministério, os sindicatos alcançaram tudo o que pretendiam, conseguindo, recentemente, que a progressão na carreira fosse completamente desligada do mérito, todos podemos ver que o que estava desde o início em questão não era o modelo, mas a própria avaliação.