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21.12.10

o BPN não existe


Eduardo Pitta, no Da Literatura, por caridade para com os esquecidos que andam por aí a moralizar, relembra:
Ontem, João Semedo voltou a lembrar a peculiar governança do BPN de Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Miguel Cadilhe e outros próceres do cavaquismo. Segundo o deputado do BE, Cavaco Silva e a filha (e, como eles, outros clientes especiais) obtiveram ganhos de 140% nas aplicações feitas. (...)

O que é revelador é que nenhum Cerejo, nenhuma Cabrita, nenhuma Manelona, nenhum Crespo, nenhum justiceiro da bloga, nenhum magistrado de Aveiro, nenhum super-juiz, nenhum colunista das Brigadas Anti-Sócrates (e são 30, os encartados, metade juristas), nenhum Medina, nenhum Duque, nenhum historiador, nenhum jovem turco da República morta, nenhum candidato presidencial, nenhum assessor doublé de repórter na imprensa marron, nenhum representante da Fatah nos media radical-chic, nenhuma das criaturas que formata a opinião... se interesse pelo backstage do banco da Loja P2, perdão, do banco da Sociedade Lusa de Negócios. Decididamente, a fraude do século não comove ninguém.

Na íntegra aqui
.

9.7.10

a banalidade


Eduardo, não é blasfémia. É apenas banalidade. Para quando deixarmos de ir a correr na esteira de qualquer media dúzia de fotografias de paupérrima qualidade, tão somente por as mesmas se acobertarem a uma alusão sem qualquer subtileza a uma suposta blasfémia?

16.6.10

o futebol é uma oportunidade


O Da Literatura tem oferecido aos leitores boas oportunidades de aprender alguma coisa a propósito da localização do Mundial na África do Sul. Está lá mais uma dessas oportunidades, bem fresquinha. Um excerto:

Tendo nascido e vivido até aos 26 anos em Moçambique, ligam-me à África do Sul laços de outros tempos. Hoje com 49 milhões de habitantes, dos quais perto de cinco milhões são brancos (e, desses, 10% portugueses), o país que Mandela arrancou ao apartheid é a maior economia de África, não obstante as gritantes desigualdades sociais e uma taxa de desemprego superior a 40% da população activa. Johannesburg, Pretoria, Durban, Cape Town e Port Elizabeth são (ou eram) cidades com um elevado padrão de vida.

Nos anos 1950-60, Johannesburg era a Nova Iorque dos laurentinos como eu. Rui Knopfli achava que era Paris: «O meu Paris é Johannesburg, / um Paris certamente menos luz, / mais barato e provinciano. / [...] À noite janto no Monparnasse / de Hilbrow, que é o Quartier Latin / do sítio e olho essas mulheres / excêntricas e belíssimas / de pullover e slacks helanca / e esses beatniks barbudos / excêntricos e feiíssimos, / tudo com o ar sincero / mas pouco convincente do made in USA. / [...] Depois do turkish coffee meto-me / até ao Cul de Sac e fico-me / a ouvir o sax maravilhado / de Kippie Moeketsi. O jazz, sim, / é genuíno e tem um bite / todo local. O néon e a madrugada / silenciosa, o asfalto molhado, / a luz da aurora e a luz dos reclamos / misturando-se, a minha solidão, / aconteceriam assim em Paris. / Aqui ninguém sabe quem sou, / aqui a minha importância é zero. / Em Paris também.» (cf. Máquina de Areia, 1964; o poema é de 1962)

Íntegro, aqui.

23.4.10

caro Eduardo Pitta:


Escrever, sobre a falada nomeação de Carlos Costa para governador do Banco de Portugal, que «Não se lhe conhecem ligações partidárias», tem um pequeno problema de português. É o "se" de "não se lhe conhecem". É que esse elemento dá assim um ar, simultaneamente, de vagueza e generalidade. Só que, se há por aí (muito) quem não conheça tais ligações, alguns ainda se lembram dos anos de Carlos Costa como chefe de gabinete de João de Deus Pinheiro, enquanto Comissário Europeu designado por Cavaco Silva (de Janeiro de 1993 a Setembro de 1999). Claro, o PSD faz agora de conta que não o conhece de lado nenhum... Como é sabido, o chefe de gabinete de um comissário europeu é pessoa completamente desligada das vidas partidárias dos titulares que coadjuvam...
(Evidentemente, Eduardo, não é o único a laborar nessa opinião. Só o escolhi a si, para provocar, por simpatia.)

20.4.10

trinta anos depois...



... há quem tenha memória. Eduardo Pitta tem. É só para não andarmos com a merdosa desculpa do costume, de que não nos lembrávamos. Se não se lembram, estudem, ora a porra. Não venham é fazer de conta que no pasa nada. É só questão de não sermos cúmplices das palavras dúbias.


24.3.10

"a diplomacia não tem estados de alma"



Exactamente, Eduardo Pitta. A coragem não é tomar atitudes - é assumir-lhes as consequências.

(Na altura pensei que era uma vergonha o governo não fazer respeitar a autoridade do Estado. Afinal, estava-se apenas à espera do momento.)


14.2.10

nem tudo é literatura


Eduardo Pitta, no Da Literatura:
Sejamos claros: o actual impasse político não leva a lado nenhum. Nem com Fontes Luminosas, sejam elas promovidas por quem forem, nem a assobiar para o lado com o beneplácito do Presidente da República. Sócrates devia apresentar uma moção de confiança ao Parlamento no dia seguinte à aprovação do OE na especialidade. Se a oposição não tem fibra para aprovar uma moção de censura, o governo deve dar um passo em frente. Assim como assim, o mundo não acaba se tivermos eleições entre o fim de Maio e meados de Junho (cumpridos de forma expedita os prazos constitucionais). Chafurdar no lodaçal é pura perda de tempo.
Texto completo: Eleições, com certeza.

21.1.10

ler

13:43

5.1.10

Da Literatura



Caro Eduardo Pitta,

Chego sempre atrasado às festas. Às festas dos dias 1 de Janeiro de cada ano, mais do que atrasado: meio entorpecido. Não pela excitação do réveillon, que não tem sobre mim esse poder, mas meio entorpecido precisamente pela estranheza de não perceber bem onde está a magia do momento (Thomas Mann põe muito bem no pensamento de Hans Castorp a imagem de que o ponteiro dos segundos avança sem por qualquer modo distinguir quaisquer marcas especiais no mostrador) e de nunca ter dominado aquela técnica de combinar doze passas com doze badaladas. Em suma, o atraso às festas de 1 de Janeiro é um atraso gordo, sempre.
Neste caso, chego atrasado à festa dos cinco anos do Da Literatura, o blogue que agora é só para lavoura das tuas mãos e artes, um blogue colectivo de um conjunto de um só elemento (pouca matemática basta para saber que isto é correcto, independentemente de ser ou não politicamente correcto, coisa que não te importará muito), um blogue que não podemos facilmente guardar numa gaveta definida. Um blogue desintoxicante. O órgão pouco oficial de (terás de que desligar esta expressão do título do livro, porque não quero aqui misturar nenhuma hermenêutica) - dizia eu, o órgão pouco oficial de um exército de um homem só. (Não é o homem que é só; é o exército que é de um homem só.)
Chego atrasado à festa, mas não perco a festa. A festa continua. No Da Literatura. Agora, oficialmente, "o blogue de Eduardo Pitta".
Um abraço, também de parabéns, Caro Eduardo.



11.12.09

atenção aos barcos que volteiam


Como escreve o Eduardo Pitta:

No âmbito do Caso CTT, o Ministério Público acusou 16 pessoas de gestão danosa, branqueamento, participação económica em negócio e outros crimes. Em português: acusou-os de corrupção. Em causa, a venda de dois edifícios, um em Lisboa, outro em Coimbra. Prejuízo: 13,5 milhões de euros.

Um desses 16 arguidos chama-se Carlos Horta e Costa. Foi secretário-geral do PSD durante a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa. Foi nomeado presidente dos CTT em 2002, por decisão de Durão Barroso. Mas como, ao contrário de Armando Vara, Carlos Horta e Costa não nasceu em Vilar de Ossos, nem foi caixa de banco, nem almoça (I Presume!) com sucateiros, os media tratam-no como deviam tratar toda a gente: com respeito. Nada contra.

Ler, na íntegra, Gente fina é outra coisa.

25.11.09

estas coisas são mais simples do que parecem




Tem toda a razão o Eduardo Pitta, do Da Literatura.
Estas coisas são mais simples do que parecem.
Tão simples como isto: os apoiantes - sejam fervorosos apoiantes, simpatizantes moderados, companheiros de estrada, militantes do mal menor, ou qualquer outro grau na escala - dizia eu: os apoiantes deste governo deviam ser proibidos de expressar opiniões em público. Passados à clandestinidade, não, já que convém que continuem a mourejar e estejam bem à vista para melhor identificação e controlo. Mas deviam ser silenciados. Aquilo que é permitido, e aplaudido, e premiado, em qualquer escriba que jure por alma de sua mãe que Sócrates é um filho de p***, é, pelo contrário, um crime de lesa-pátria se ocorrer na pena de qualquer desgraçado que não cumpra o ritual diário de cuspir em cima da "mãozinha". Esta é a cultura que muitos andam por aí a plantar, por variadas vias: desde conversas em família para intelectuais comprometidos em televisões simpáticas, até militantes do insulto soez em caixas de comentários.
À sombra dessa "cultura" medra uma nova classe de pidezinhos de meia tigela: aqueles tipos que googlam o teu nome e depois, pensando que te toparam, à falta de compreensão do que lêem implicam com coisas que não perceberiam nem que comessem enciclopédias ao pequeno almoço. São como aqueles pides que deixavam passar textos retintamente oposicionistas por nem lhes passar pela cabeça o que aquilo queria dizer. E, em geral, fazem isso a coberto de identidades manhosas, nem isso os inibindo de atacar com pedras e ferros os que escrevem sob pseudónimo. Mas, do fundo da sua caverna escura, mostram ter resolvido, afinal com facilidade, o problema da avaliação de desempenho de todas as classes profissionais: qualquer tolo que tenha um ódio cego a Sócrates, ao PS ou a este governo é, apenas por isso, o mais competente avaliador universal de qualquer distraído que ainda não se tenha convertido à mesma religião.

Ah, já me esquecia: isto tem tudo a ver com a minha política de aprovação de comentários aos meus posts. É só para que não venha ninguém ao engano.