21.6.08

The Trap: What Happened to Our Dream of Freedom, Episódio 2

15:30


The Trap: What Happened to Our Dream of Freedom é um documentário de Adam Curtis que passou pela primeira vez na BBC em Março de 2007. O documentário faz uma viagem por algumas ideias "bizarras" (embora muito "científicas") que estão presentes em ferramentas muito aceites como úteis para pensar a sociedade dos humanos. Trata-se, por exemplo, de reflectir sobre a "teoria dos jogos" como modelo da natureza humana em sociedade.
O documentário passou em três sessões de cerca de 60 minutos cada. Estamos aqui a divulgar, um de cada vez, esses três episódios (cada um dividido em 6 peças de cerca de 10 minutos cada). A publicação de cada episódio incluirá uma "introdução" ao mesmo, editada a partir daqui.

Estamos a fazer isto espaçadamente, porque sabemos que os nossos leitores têm mais que fazer do que passar horas frente a este blogue.
Divulgámos aqui o primeiro episódio.
Hoje é a vez do segundo de três episódios.



Segundo episódio: "The Lonely Robot" (18 de Março 2007)

O segundo episódio defende a teoria de que uma combinação de drogas como Prozac e de listas de sintomas psicológicos de depressão ou ansiedade são instrumentos para normalizar comportamentos e tornar os seres humanos mais previsíveis, como máquinas. Isso seria consequência do “mercado do auto-diagnóstico”, baseado em sintomas e não em causas reais. O que se passa é que pessoas com flutuações humorais perfeitamente normais se diagnosticam a si próprias como anormais, apresentando-se depois em consultórios psiquiátricos com esses diagnósticos onde, sem serem estudadas as suas histórias pessoais, são medicadas. O resultado é que muitas pessoas foram objecto de modificação comportamental e mental, por meio de drogas, sem qualquer necessidade médica rigorosa.

O Ax Fight - um famoso estudo antropológico do povo Yanomamo, da Venezuela, realizado por Tim Asch e Napoleon Chagnon - foi reexaminado e as suas conclusões baseadas num determinismo genético foram postas em causa. Outros investigadores foram chamados para verificar as conclusões e sugeriram que o que foi observado eram comportamentos alterados pela presença de uma equipa de filmagem e pela entrega (por esses estranhos) de catanas a apenas algunsdos homens da tribo. Curtis, o autor do documentário, questionou Chagnon mas este ficou irritado e abandonou a entrevista protestando.

O episódio também mostra Richard Dawkins propondo a sua teoria do "gene egoísta". Mostrando imagens produzidas ao longo de duas décadas, torna patente como essas ideias reducionistas acerca do comportamento têm sido absorvidas pela cultura dominante. Curtis explica como, com a descrição "robótica" da humanidade, junto com a aparente validação dada pelos geneticistas, a Teoria dos Jogos ganhou cada vez mais peso juntos dos “engenheiros de sociedade”.


O programa entra depois em aspectos mais directamente políticos (dos EUA e do Reino Unido), procurando mostrar aspectos negativos, na prática, de concepções teóricas acerca do “mercado livre”. Por exemplo, é analisado o uso indiscriminado de metas cuja quantificação é puramente artificial. Isso acontece quando (exemplos no episódio) a polícia reclassifica dezenas de infracções penais como "ocorrências suspeitas" para baixar as estatísticas do crime. Ou com alguns expedientes dos hospitais NHS, quando criaram um lugar não oficial de "Enfermeira Olá", cuja única tarefa era saudar os recém-chegados a fim de reivindicar para fins estatísticos que o doente tinha sido "visto", embora nenhum tratamento ou mesmo exame tivesse ocorrido durante o encontro; ou quando tiraram as rodas de carrinhos de transporte de doentes para os reclassificar como camas; ou quando reclassificaram corredores como enfermarias – tudo para embelezar as estatísticas.
Na secção "A morte da mobilidade social", Curtis também descreve a forma como a teoria do mercado livre foi aplicada à educação: como os “rankings” de estabelecimentos desvirtuaram o lugar da escola no tecido social.

Curtis conclui este episódio lembrando os únicos seres humanos cujo comportamento pode ser conforme aos pressupostos da Teoria dos Jogos: os economistas – e, talvez, alguns psicopatas.






The Trap #2 - The Lonely Robot (part 1 of 6)





The Trap #2 - The Lonely Robot (part 2 of 6)






The Trap #2 - The Lonely Robot (part 3 of 6)





The Trap #2 - The Lonely Robot (part 4 of 6)





The Trap #2 - The Lonely Robot (part 5 of 6)





The Trap #2 - The Lonely Robot (part 6 of 6)




20.6.08

estudantada

16:51

Comissão Europeia vai estudar medidas fiscais para combater aumento do preço do crude.


O que é certo é que a cimeira dos líderes europeus mostrou que não há líderes na Europa actualmente. Há muitos capazes de fazer muito barulho, como o presidente francês, que continua o estilo chiraquiano de distribuir ameaças por toda a gente (países que ele considera mais pequenos) como método para resolver os problemas do mundo. Mas esse barulho, se serve para alguma coisa, será apenas para calar os que tinham algumas ideias viáveis e necessárias, como o PM português que parece que queria propor uma resposta ousada à crise dos combustíveis - mas ficou embrulhado na fumaça.
A meu ver isto mostra que eu tinha alguma razão quando desconfiava da pressa com que se estava a fazer um alargamento tão grande em tão pouco tempo. Os inimigos da Europa, que apostaram no alargamento para evitar o aprofundamento, jogaram bem. E podem estar a ganhar.
Entretanto, encomendam-se estudos à Comissão Europeia. Que estudem, que estudem...

imigrantes: é preciso avisar toda a gente

11:51

Porque a Europa anda a fazer tolices graves em matéria de imigração, cedendo à facilidade de alisar o pêlo aos que andam na história às arrecuas, é preciso estar alerta.
Indo por quem sabe mais disso do que eu, aconselho vivamente uma visita ao blogue Inclusão e Cidadania e a leitura atenta do post NÃO À DIRECTIVA RETORNO.

sondagem pós-referendo na Irlanda...

11:22

..., realizada para avaliar das razões dos que votaram "sim" ou "não", e dos que se abstiveram, mostra algumas coisas interessantes.
Para me concentrar apenas num exemplo, a larga maioria dos que votaram "não" são de opinião que esse resultado negativo coloca a Irlanda numa posição de força negocial face aos outros Estados Membros na óptica de uma renegociação do Tratado.
Comentário: esse é um método que outros Estados Membros (por exemplo o Reino Unido) seguem à mesa das negociações no seio das próprias instituições: negociar até ao fim um equilíbrio cuja aceitação muitas vezes custa os olhos da cara às outras partes e - depois do "fim" - colocar novas exigências como "tudo ou nada" (se não me dão mais isto e aquilo, nada feito). Basicamente, uma atitude negocial de permanente chantagem. Esse método, transposto para o suporte do mecanismo referendário, é ainda mais perverso. A razão pela qual desejo que não se dê de novo um prémio ao "não" irlandês é esta: premiar os que fazem chantagem connosco é dar-lhes luz verde para prosseguirem na mesma via em novas ocasiões.

[UE vai ter de esperar até Outubro para solução do caso irlandês.]

operações encobertas


Unidade Especial de Polícia sem dinheiro para comprar fardas .

O detalhe da notícia corre assim: «Está instalada a polémica na Unidade Especial de Polícia (UEP) da PSP. O fardamento é a causa principal de um caso caricato que não se sabe até quando irá durar. A UEP é constituída por cinco forças policiais que recentemente foram unificadas. Cada uma dessas forças possui uma farda exclusiva, que irá continuar a envergar, uma vez que não há orçamento para vestir de igual os cerca de dois mil polícias que integram este novo corpo.»

Caramba, mas esse método é o ideal para operações encobertas! Quando a Unidade Especial de Polícia intervir ninguém ficará a saber que são eles! Genial (mas não contem a ninguém, se não lá vai o truque).

(Já agora: quando se está sempre a reclamar cortes no orçamento, pode também estar-se sempre a protestar por faltar dinheiro aqui e ali? Ou, ao contrário, quando se está sempre a protestar por faltar dinheiro aqui e ali, pode depois estar-se sempre a pedir contenção na despesa? De onde pensam as pessoas que vem o dinheiro? Do céu?)

Gilberto Madaíl...



..., presidente da Federação Portuguesa de Futebol, vai agora começar a pensar se deve renovar o contrato com Scolari, cometendo mais uma vez a proeza de ter um grande seleccionador de nível internacional e dar-se ao luxo de tratá-lo como um potencial desempregado à espera da compaixão do patrão.
Ah, já me esquecia: desta vez Scolari tratou da vida dele a tempo e horas e deixou Madail com a sua mania das grandezas a abanar a cabeça no deserto da sua pequenez.
Parabéns, Scolari.

Post Scriptum aos meus amigos intelectuais: eu posso gostar de futebol, posso. Também não sei tocar piano e gosto de ouvir.

machina speculatrix em vídeo


As tartarugas artificiais de Grey Walter, às quais está directamente ligado o título deste blogue, foram aqui apresentadas logo no início deste projecto: aqui e aqui. Contudo, esses animats (animais artificiais) só se compreendem bem quando os vemos em movimento. Mas são raras as imagens em movimento dessas criaturas artificias. São raras - mas existem!
Deixamos aqui um pequeno excerto de um programa de televisão, "Future Shock", de 1972, da autoria de Alvin Toffler (com narração de Orson Wells!) em que vemos pequenas amostras da "vida" das tartarugas.




19.6.08

euro 2008: a minha táctica...


... teria sido esta!


(Numa igreja em Buenos Aires. Foto de Porfírio Silva.)

governo italiano aprova imposto "Robin dos Bosques"...


... sobre as empresas petrolíferas, destinado ao financiamento de famílias de baixos rendimentos atingidas pelo aumento dos preços da energia e dos alimentos. O governo Berlusconi incluíu a medida numa proposta de orçamento trienal aprovada ontem, mas que ainda terá de ser apresentada ao parlamento. O ministro da Economia disse aos jornalistas que o dinheiro obtido por via deste imposto será utilizado em parte para ajudar os idosos a comprar comida e a pagar menos pela electricidade. A associação de empresas petrolíferas da Itália denunciou a medida como "punitiva".
Só os governos da direita populista é que podem fazer estas coisas?
Os governos de esquerda estão proibidos de tal coisa?

[Igreja sente falta de capacidade para responder às famílias necessitadas.]

pê ésse dê

mouseland


Sugiro uma espreitadela ao blogue mouseland_jogos e cultura digital_cinema_música.

Uma janela sobre as tentativas para compreender algumas relações entre real e virtual, natural e artificial, corpos-mentalizados e mentes-corpóreas. Talvez uma passagem para a outra margem. Algumas afinidades com os temas de base desta Machina Speculatrix, apesar dos "temas de base" por vezes ficarem um bocado na retaguarda. Tudo por culpa da realidade, desta vez...

18.6.08

guerras da memória

09:00

[Além do mais, que sirva esta posta de saudação ao projecto
Caminhos da Memória.]


Há quem pense que a memória é uma espécie de "armazém" onde estão guardadas umas entidades ou registos, as memórias, e que recordar é ir buscar tais registos de modo a poder recuperar algum tipo de descrição objectiva do que se passou em algum momento no passado. Muito se tem estudado, ao nível da memória individual, como essa ideia é simplista, mesmo errada. O que recordamos depende muito dos processos de reelaboração que estão virados mais para as nossas perspectivas actuais do que para um passado histórico objectivo a que poderíamos aceder como quem "vai buscar coisas ao armazém". Também ao nível da memória colectiva se tem procurado compreender esses mecanismos em que o passado (como nos lembramos do passado) é mediado pelo presente e pelas nossas perspectivas. Damos de seguida um exemplo.

No final dos anos 1970, poucos anos depois da derrota americana no Vietname, foi decidido construir um Memorial aos respectivos Veteranos. O concurso de projectos para o efeito foi ganho por Maya Lin, uma estudante de arquitectura de 21 anos que assim ficou em primeiro lugar num lote imenso de 1421 projectos apresentados.
O Memorial viria a ser construído em Washington, D.C. segundo a ideia de Maya Lin: uma enorme estrutura de granito polido com a forma de um V alongado, semi-enterrada, com a inscrição dos nomes dos mortos na guerra. Uma espécie de grande lápide tumular.





Mas a polémica já tinha sido incendiada: alguns, nomeadamente veteranos, consideravam que o Memorial partilhava a visão crítica da guerra que tinha alimentado enormes movimentações durante o decurso da mesma. O “V” parcialmente enterrado lembrava uma horrenda cicatriz e parecia recordar mais as fracturas causada na sociedade americana pela participação na guerra do que propriamente o esforço dos militares. O projecto inicial apresentado por Lin (imagem seguinte) talvez pudesse de facto ser lido desse modo.



Criaram-se organizações contra e a favor das diferentes visões do que devia ser o memorial. O resultado foi a construção de uma “adenda” ao memorial: uma estátua mais convencional representando três soldados combatentes, de origens diferentes: um branco, um negro, um hispânico.



Contudo, esta guerra da memória não ficaria por aqui. Gleena Goodacre viria a suscitar a questão: então e as mulheres que também fizeram a guerra? Dessa questão nasceu o terceiro componente do memorial, já no princípio dos anos 1990: o Memorial às Mulheres na guerra do Vietname.



Este é um dos exemplos que William Hirst e David Manier (*) dão do que se chama “guerras da memória”, que surgem quando memória e identidade se embrenham fortemente: quando a forma como recordamos o passado tem muito a ver com o que queremos no presente e no futuro para a nossa comunidade.

(*) HIRST, William, e MANIER, David, “Towards a psychology of collective memory”, in Memory, 16(3), pp. 183-200 (2008)

17.6.08

www.enxuto.org


O Enxuto apareceu pela primeira vez a dar palavra no passado dia 15 de Abril (pelo menos é o que devemos deduzir se fizermos confiança no que lá consta e está registado). Depois ainda andou em manobras de estabilização, mas agora corre como qualquer atleta de primeiro plano.

Apresentava este programa singelo na primeira mensagem urbi et orbi: «Este blogue destina-se a tratar assuntos relacionados com a língua portuguesa. Para além de ligações a outros blogues e páginas idênticas, pretendemos fazer aqui campanhas mensais para melhorar a qualidade do português e promover debates sobre questões de actualidade.»
E vem subscrito por alguém que de si apenas diz: «Miguel RM - licenciado em História; linguista na administração pública desde 1977.» Sabe a pouco, para quem o conhece. Mas, enfim, é o que ele quer dar a saber ali naquele espaço público.
O que acrescentamos é: se não vos incomoda a qualidade, não percam o enriquecimento de uma visita. Só aconselhamos a primeira. As demais virão pelo gosto dos visitantes.

harakiri

a estratégia da aranha

09:25

[Médicos espanhóis estão a abandonar o interior do país. "Agora, os espanhóis estão a procurar oportunidades de trabalho na sua região de origem", diz o vice-presidente de Profissionais de Saúde Espanhóis em Portugal.]

A crónica falta de médicos em Portugal, que se arrasta há longos anos, é um bom exemplo de um fenómeno que alguns tardam em entender.
Quer dizer: aqueles a quem interessava que houvesse menos médicos do que os necessários (menos oferta do que a procura) conseguiram durante muitos anos condicionar as opções das políticas públicas no sentido de não expandir o sistema de formação desses profissionais. Associados à escassez, assim produzida, vêm outros fenómenos, como o facto de qualquer consulta em Portugal ser muito mais cara do que em muitos países da "Europa rica".
Ora, isto é um exemplo, que todos pagamos, de algo que acontece muitas vezes: o interesse público, na medida em que ele pode ser servido pelo Estado, é maltratado por haver um grupo restrito de interesses que captura os mecanismos de decisão e leva a políticas que são erradas quanto aos seus efeitos para a generalidade das pessoas.
E isto não acontece apenas neste caso. Acontece sempre que algum grupo restrito, que por qualquer razão consegue condicionar o Estado num dado momento, força decisões que todos pagamos apenas em benefício de alguns. Há formas "doces" de fazer esse curto-circuito ao bem comum: influenciar os gabinetes ministeriais, por exemplo. Mas também há formas "abruptas" de fazer o mesmo descaradamente: por exemplo bloquear as vias de comnunicação do país e, sob a ameaça do caos, extrair concessões que todos pagaremos apesar da sua irrazoabilidade.

jardim zen em paris


MONUMENTA 2008, no espaço Promenade do Grand Palais, Paris, entre 7 de Maio e 15 de Junho deste ano. Visita in extremis, na véspera do fim. (Explicação do conceito aqui.)

Esta edição apresenta um trabalho de Richard Serra.
O próprio autor apresenta um paralelo que, para mim, dá uma chave de leitura desta sua obra que me basta. É o paralelo com o jardim zen, em que o nosso ponto de visão do jardim é que dá a leitura do jardim como paisagem múltipla e em devir.


O que vemos a seguir é o jardim zen do templo Ryoan-ji (Quioto, Japão). Jardim de paisagem seca radical. Trata-se de uma composição de quinze rochas rodeadas de pequenas áreas de musgo e uma grande superfície de gravilha penteada, tudo cercado por muros, dentro dos quais não existe qualquer outra vegetação. É um exemplo cimeiro do jardim kare-sansui, jardim seco em que as rochas e a gravilha penteada simbolizam água ou elementos paisagísticos.


(Foto de Porfírio Silva. Novembro de 2005. Clicar para aumentar.)


Temos aqui a planta desse jardim. Aqui se percebe como a composição foi concebida para que nunca se consigam ver ao mesmo tempo todas as quinze rochas, qualquer que seja o ponto de observação escolhido.



Com estes elementos podemos ver a escultura-paisagem-jardim de Serra como uma proposta paralela ao jardim zen, no sentido em que fazemos diversas leituras do que lá está procurando diferentes posicionamentos e experimentando as mudanças no espaço e no tempo que resultam desses diferentes posicionamentos.


(Foto de Porfírio Silva. Junho de 2008. Clicar para aumentar.)


O que, enquanto conjunto de objectos fixos ao solo, parece ter pouco de desafio - ganha outra dinâmica quando nos pomos a experimentar o que muda pelo simples efeito do nosso andarilhar.



(Foto de Porfírio Silva. Junho de 2008. Clicar para aumentar.)

Imagine o que consegue obter deambulando neste espaço. E assim tem o seu jardim-zen de ferro, pois.

Mas talvez com a falta de um elemento: o silêncio.

(Mais sobre jardins zen, e outros jardins japoneses, em Jardins Metafísicos.)

16.6.08

deliciosos revolucionários


Um dos deliciosos revolucionários desta blogosfera do nosso contentamento escrevia recentemente sobre o referendo da Irlanda: E não me venham com a conversa da treta de que a participação não foi elevada… Opinaram agora mais pessoas que todos os parlamentares da Europa postos juntos!!!.

Alguém pode explicar aos deliciosos revolucionários, que continuam a tradição de desprezo pela democracia representativa, a diferença entre um indivíduo-enquanto-indivíduo e um indivíduo-a-desempenhar-uma-função, nomeadamente quando essa função é de representação?
Seria útil, especialmente quando esses mesmos deliciosos revolucionários reivindicam "mais seriedade e humildade" a considerar os seus argumentos. Se o exemplar acima é o protótipo dessa seriedade, estamos conversados, n'est-ce-pas?

quando os filósofos falavam

11:29

Recebi, por bons serviços da "lista filosófica" Lekton, a seguinte mensagem.

Num momento em que a Europa marca passo, a LusoSofia.net acaba de disponibilizar On-Line (mais) um texto já «Clássico do Pensamento Contemporâneo»: A Crise da Humanidade Europeia e a Filosofia [PDF], de Edmund Husserl. É também desta chamada «Conferência de Viena», proferida no dia 7 de Maio de 1935, no Österreicher Museum (Viena), que nasce a derradeira, e para muitos decisiva, obra de E. Husserl, «o seu Testamento Filosófico»: A Crise das Ciências Europeias e a Fenomenologia Transcendental (1936).

É aproveitar.

lógica do diabo

11:17

Presidência da UE considera “arriscado” afirmar que será possível salvar Tratado de Lisboa .

Como nos defendemos dessa realidade simples, de invenção certamente diabólica, que faz com que seja imensamente mais simples destruir do que construir? Quem, se não o diabo, podia ter inventado um mecanismo em que estão sempre em desvantagem os que se movem e em vantagem os que apenas fazem força para travar? Quem? Ninguém melhor do que os humanos, quando enterrados em comunidades políticas que perderam a noção do que isso seja.