14.6.08

morte

10:00

A morte é a promessa: estar todo num lugar,
permanecer na transparência rápida do ser
E perguntar será para ti responder

Ruy Belo, alguns verso em Ácidos e Óxidos

13.6.08

tristeza

10:00

Feliz aquele que administra sabiamente
a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias
Podem passar os meses e os anos nunca lhe faltará


Ruy Belo, a começar A Mão no Arado

12.6.08

a luta continua


Sócrates admite que sentiu "o Estado vulnerável" durante a paralisação dos camionistas. Mota Amaral explicou que, por opção, o PSD "nada disse" durante a crise dos combustíveis para "não dificultar o trabalho do Governo" e por o partido "não cavalgar a onda de todos os descontentamentos" na rua. E depois criticou o Executivo pela incapacidade em prever as consequências dos consecutivos aumentos dos preços dos combustíveis e de ficar, a partir de agora, "vulnerável a pressões idênticas". Para o ex-presidente da Assembleia da República, Sócrates deveria ter "formulado, a tempo, um plano de contingência".

O tão católico João Bosco, que um dia disse do alto da presidência do Parlamento que o 69 era um número curioso, deu, a crer nos relatos, uma lição de hipocrisia política em vários andamentos.
Primeiro, o PSD não falou para não atrapalhar o governo. Mas podia ter falado para o apoiar - ou, contra o que declarou anteriormente a dama de ferro, o PSD é capaz de criticar mas não é capaz de apoiar o governo quando isso é necessário?
Segundo, criticou a falta de previsão do governo num ponto - crise da energia e dos bens alimentares - em que, pelos vistos, todo o mundo, e não só Portugal, teve "falta de previsão". Só quem pode ficar calado, como o PSD, é que pode falar da falta de previsão dos que estão montados no cavalo e têm de fazer alguma coisa.
Terceiro, e para acabar bem, lembra que a partir de agora o governo está sujeito a pressões idênticas - quer dizer: se mais algum sector quer aproveitar, venha também para a rua fazer o mesmo, porque o governo está vulnerável. Não se esqueçam! Olhem a oportunidade! É assim como quando o Professor Marcelo diz: "eu não diria isto e aquilo, mas alguém pode vir e dizer isso mesmo". E entretanto já disse. E lembrou. E deu a dica. E mostrou como se pode continuar o circo.
Os deputados do PS parece que aplaudiram. Eles lá sabem. Melhor do que eu, certamente, que ando aqui aos bonés.

retóricas

14:04

Alguns me dizem que eu adiro à "retórica do esforço" e que ela é uma retórica de direita. Chamam retórica do esforço aquela minha conversa sobre a necessidade de trabalhar mais e melhor, produtividade, exigência, rigor, patati patata...
Duas coisas sobre isso.
Primeiro ponto, atendendo a que costuma haver uma certa conotação negativa para o uso do termo "retórica". "Retórica" remete para o facto de, por vezes, na comunicação não importar apenas o conteúdo (o que se diz) mas também a forma (como se diz). Assim sendo, "retórica" é coisa que, mais ou menos elaborada, tem de acontecer sempre na comunicação entre humanos.
Segundo ponto, e este é o meu ponto. É um curioso sinal dos tempos que a "retórica do esforço" seja considerada de direita. É que a esquerda (uma parte da esquerda) há muitos anos que tinha/teve/tem uma retórica de esforço. Lembram-se da "emulação socialista"? Era o conceito operacionalizado pelo leninismo para ensinar o proletariado que era preciso dar o litro para aumentar sempre e mais a produtividade para acelerar a construção do socialismo e, logo logo logo, o próprio comunismo. Mas isso era quando a esquerda comunista estava (ou se preparava para estar) no poder. E quando, por isso, queria obter resultados. Agora, essa mesma esquerda, porque vive apenas do poder de ser contra o poder, porque não ambiciona a nenhuma verdadeira responsabilidade de concretizar, acha que a "retórica do esforço" é de direita.
Outro conceito das esquerdas originadas em formas várias de comunismo é um conceito que também pode ser considerado próximo da "retórica do esforço". É o conceito de "homem novo". Mas este, sendo (quase?) metafísico, vai mais longe do que a própria emulação socialista.
Um ponto interessante para reflexão é o seguinte: uma das coisas que distinguia a social-democracia (ou socialismo democrático) das correntes mais infectadas pelo leninismo era que as correntes social-democratas eram muito mais cépticas quanto a essas teses (ía escrever tretas) de emulação socialista e homem novo. Agora está a coisa virada de pernas para o ar. Será?

a derrota dos vencedores

09:30

[Camionistas suspendem paralisação.]

Mas muitas maleitas continuam.

Em termos económicos, muitas empresas vão continuar durante muito tempo a pagar o rombo que estes dias representaram.

Em termos de sociedade, continua vivo mais um sinal das nossas fraquezas. Além de um Estado fraco, temos uma "sociedade civil" fraca. Quer dizer: temos poucos meios de permitir às pessoas "comuns" que pensem em conjunto e em conjunto procurem soluções para os problemas.

Os sindicatos são, na sua maioria, débeis e míopes. As associações patronais estão, na sua maioria, atrasadas duas revoluções industriais.
Para sair do âmbito da luta de classes: quando falamos de ambiente ou defesa do consumidor temos uma situação bizarra. Os ecologistas começam a ser vítimas do seu sucesso, porque por vezes usam a força que têm (e ainda bem) com excessiva ligeireza e não parecem inclinados a prestar contas, mais tarde, do bom fundamento do barulho que fizeram contra certos projectos. E talvez as pessoas já tenham começado a contabilizar também os seus excessos. Na defesa do consumidor encontramos um contra-exemplo da miséria nacional em termos de capacidade associativa: a DECO, que se impôs ao longo dos anos a partir de meia dúzia de boas vontades esclarecidas e se tornou uma instituição.

Mas há poucas instituições dessas. As pessoas não se dão ao trabalho de investir na força de se associarem, o que implica estudar os assuntos, considerar os interesses diversos, conceber e testar soluções, apresentar propostas - e deixar escrutinar tudo isso.

Ora, o que há em vez disso? A rua. As manifestações legítimas, um direito inalienável. As manifestações ilegítimas, incluindo os atentados às liberdades que se exercem no espaço público, atentados que deviam ser reprimidos. Mas, como não são, ainda parecem uma alternativa funcional à participação da cidadania responsável. E, aparecendo este acordo com os camionistas como uma vitória (mesmo que parcial) desse uso ilegítmo da rua, isto é uma derrota do Estado de direito, da democracia, da cidadania. Uma derrota celebrada, do lado partidário, pelos irresponsáveis que gostam de brincar às barricadas como método caça-votos.

11.6.08

futebol e o resto


Portugal é a primeira equipa nos quartos-de-final.

Fico contente.
Mas convém lembrar: isso não é fruto da sorte, é fruto do trabalho. Trabalho continuado, não apenas nos 90 minutos. Esforço e qualidade. É assim em outros sectores da vida nacional. Mas não é assim nos sectores onde só se pensa em protestar e solicitar... um apoiozinho se faz favor.

"Para uma ecologia dos ambientes institucionais"


A quinta conferência do Ciclo "Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais" terá lugar na próxima segunda-feira, 16 de Junho, pelas 17:30. Intitulada "Para uma ecologia dos ambientes institucionais", será proferida por Viriato Soromenho Marques, Professor Catedrático de Filosofia na Universidade de Lisboa.

A conferência terá lugar no Anfiteatro do Complexo Interdisciplinar, Instituto Superior Técnico (campus da Alameda). Mais informação sobre localização aqui.


Mais informações sobre o ciclo de conferências.


Enquadramento desta conferência na temática do Ciclo



Está actualmente em desenvolvimento no ISR/IST uma abordagem aos sistemas de múltiplos robots que procura ultrapassar três grandes esquecimentos da Inteligência Artificial clássica: o esquecimento do corpo, o esquecimento dos outros, o esquecimento do mundo. Essa abordagem assenta na ideia de que um “ambiente institucional” pode representar parte significativa da “inteligência acumulada” de uma comunidade: aquilo que a comunidade foi construindo como conjunto de soluções para lidar com os seus condicionalismos e objectivos. Isso inclui instituições formais, organizações, normas, convenções, “visões do mundo” ou “ideologias”, por exemplo. Falamos de “ambiente institucional” para referir o conjunto de formas de coordenação (instituições) de que uma dada sociedade se dotou para que a actividade dos indivíduos seja, além de compatível com a sobrevivência da comunidade, convergente para a prossecução de objectivos comuns.

Uma questão central nesta visão é o tempo. A acumulação de experiência colectiva no “ambiente institucional” faz-se lentamente, geração após geração. Nem tudo o que acumula resultou de deliberação explícita: há normas, ou convenções, ou até organizações, que “emergem” de forma não planeada. Não é possível mudar tudo de um momento para o outro, até porque se pode destruir em pouco tempo o que levou muito tempo a burilar – e talvez nem sempre seja possível recuperar posteriormente certos erros de “rearranjo institucional” apressado. Muitas vezes é difícil antecipar todas as consequências de modificar o ambiente institucional, os riscos de desequilíbrio. Mas isso não deve querer dizer que nada pode ser mudado…

Na economia do Ciclo, esta conferência foi concebida para aprofundar esta problemática a partir de um possível paralelo entre “ambiente natural” e “ambiente institucional”: se o ambiente natural precisa de ser compreendido para ser respeitado, e para não sermos tentados a fazer com ele tudo aquilo que as possibilidades técnicas permitem, não haverá essa necessidade também perante o “ambiente institucional”? Se o ambiente institucional é, até certo ponto, o resultado de uma sedimentação da experiência passada das nossas comunidades, não temos também de ter cuidado com os efeitos perniciosos que poderão ter acções que desgastem esse património? O que podemos aprender, a esse propósito, do que sabemos acerca de civilizações desaparecidas?

então não era um assassino a soldo?


[Camionista que atropelou elemento do piquete foi constituído arguido. Fonte da GNR disse à Lusa que o procurador de serviço terça-feira no Tribunal de Torres Novas entendeu não haver motivo para primeiro interrogatório judicial, uma vez que tudo indica que não se tratou de homicídio premeditado.]

Espero que alguém dê apoio jurídico a este homem que lhe permita demandar nos tribunais os caluniadores que o acusaram publicamente de assassínio cometido voluntariamente. Refiro-me aos que repetidamente declararam que "ele fez de propósito, foi mesmo para matar".

brincar com coisas sérias


Não vou citar endereços na blogosfera, porque não me dou ao trabalho de fazer publicidade a certas coisas. Mas, para os que julgam que exagero quando falo da aliança de várias violências e de vários populismos, de variadas proveniências ideológicas a cozinhar o mesmo caldo - os que julgam que exagero deviam ver um blogue com uma curiosa combinação de ligações ("teoria anti-capitalista", Palestina, Venezuela, "informação alternativa") com uma espécie de cartaz do IRA (Irlanda do Norte, lembram-se?) e, claro, o apoio "revolucionário" à gloriosa luta dos camionistas. E, depois, em rodapé, porque o ecletismo é isso mesmo, não se esquece o ecologismo: pois, e tal, vamos ter de viver sem esta maluqueira do petróleo consumido à toa, mas tem de ser devagar. Ah, claro: neste contexto, que o tal blogue me apelide de nacional-totó até me cheira a elogio. (Mas, claro, vou esforçar-me por chegar a internacional-totó, que sempre será mais fino: talvez algum "exército revolucionário" me queira raptar para fazer avançar esse upgrade...)

a ferrugem da dama de ferro


[Camiões apedrejados na Figueira da Foz e em Cantanhede.]

A violência organizada no espaço público para coagir os que não têm a mesma opinião que nós, contrariando direitos fundamentais protegidos pela Constituição e pelas leis, é um sinal de barbárie. É um sinal daqueles tempos em que mandam os que mais facilmente recorrem à força bruta. E os que gostam de rebanho: os que, a coberto do grupo, mesmo que sejam ovelhas se tornam lobos.
O grave é que isto vem sendo tolerado há demasiado tempo. Demasiados anos. Com cumplicidades de todos. Desde os partidos dos extremos do arco parlamentar, que gostam de brincar às revoluções para tentar medrar eleitoralmente. Alguns sonhando com revoluções de trazer por casa (os da esquerda). Outros simplesmente sonhando com mais votos (os Paulos Portas). Até aos partidos do centrão, que, quando na oposição, toleram quase tudo o que entala o governo.
Na verdade, o PS não estava bem nessa fotografia: não se esqueçam da figura que fizeram dirigentes desse partido que foram para a ponte juntar-se aos camionistas contra Cavaco. Mas, passado todo este tempo, podíamos ter a esperança de que o PSD ainda fosse "o garante da lei e da ordem" no imaginário dos portugueses. Pelo menos num certo imaginário que só vê lei e ordem em algo que possa ser associado a conservadorismo ou até direita. Podíamos esperar uma atitude pronta e clara do novo PSD. Uma palavra que mostrasse sentido de Estado: a traçar uma fronteira entre o que é admissível num estado de direito e o que não pode ser tolerado. A separar águas. A dizer que o PSD e o trotskismo caviar não esperam o mesmo da rua.
Mas Ferreira Leite fracassou na oportunidade que tinha para uma primeira boa impressão. Mostrou ao que vem: emboscada no silêncio, calada como um rato à espera que o governo não lide facilmente com esta complicação. Apertada entre o populismo reaccionário e o populismo pseudo-revolucionário, deixou passar a hora em que poderia mostrar que raciocina melhor e mais rápido do que Sócrates quando as situações são difíceis. A crise atingiu até aqueles que vêm vestidos de branco, montados num corcel, vender esperanças contra a esperança de uma ética de esforço que tarda em vingar.
"Quem sabe faz a hora, não espera acontecer", nas palavras de outrém. Manuela não sabe, percebeu-se cedo demais. A dama de ferro enferrujou.

10.6.08

violência revolucionária?



Paralisação dos camionistas vai continuar.

Como vampiros, os "revolucionários das barricadas" não hesitam em explorar a morte do colega para ganhar um suplemento de mobilização. Até o filho do homem que morreu (infelizmente: nada consola a perda de uma vida humana) se presta a esse jogo, fazendo acusações que, a não serem provadas, lhe deviam custar caro pela leviandade. Lamento, mas é mesmo assim: este é o resultado da estratégia de promover todo o tipo de convulsões sociais para tentar ganhar uns votos.
Entretanto, a corajosa, valente, arrojada, "dama de ferro" - a nóvel presidente do PSD - está a mostrar todo o esplendor do seu sentido de Estado. Terá Manuela também o seu Pulo do Lobo?

onde está o Estado?

15:19

Participante num piquete de camionistas atropelado mortalmente em Alcanena .

Neste país são muitos os que abusam facilmente da violência. Frontalmente contra a lei. Bloquear estradas ou cortar a circulação ferroviária e partir a cara a quem resiste, ameaçar condutores de veículos que querem usar o direito a circular, montar milícias populares para aterrorizar todos em nomes de boas causas - estamos fartos de ver tudo isso.

Coluna de camiões da Jerónimo Martins escoltada pela polícia na zona da Azambuja.

Infelizmente, a maior parte das vezes, o Estado acobarda-se e não protege os direitos dos que assim são submetidos ao terror da força. É claro que não ajuda o facto de, no passado, dirigentes do PS se terem solidarizado com esse tipo de acções quando o governo era outro. Mas é tempo de o Estado deixar de se esconder e agir: destruir as milícias populares, mesmo que elas se acobertem sob a designação de piquetes de greve, porque elas são apenas o afloramento dos que confundem liberdade com anarquia.
Morreu já um homem. Um atropelamento. Uma violência que gera violência. Ou será que alguém ignora as ameaçam que se fazem, nesses "piquetes de lockout", contra os que não se rendem aos desejos dos manifestantes? Sim. A violência não está na rua apenas hoje, mas já há alguns dias. Com mais conivências do aquelas que seria de esperar.


raças humanas: à atenção de Cavaco Silva

10:29
O texto que se segue é um artigo de Francisco Dionísio, Isabele Gordo, Lounés Chiki, Mónica Bettencourt Dias, Rui Martinho, Sara Magalhães, todos Doutorados em Biologia e investigadores no Instituto Gulbenkian de Ciência, publicado no Público de 3-11-2007, p. 43. Cavaco Silva poderia lê-lo, com vantagem suponho eu: é curto, claro, fundamentado. E talvez possa fazer compreender a certas cabeças que a gravidade do que Cavaco disse não está ao nível da mera gaffe político-divertida.

James Watson, prémio Nobel da Medicina, agitou recentemente o mundo ao afirmar que os negros teriam inteligência inferior. A intensidade do debate que se seguiu, com diferentes entidades e personalidades a tomar posição sobre estas afirmações, terá impedido os esclarecimentos necessários sobre o principal conceito subjacente às suas palavras, o de grupos humanos distintos e facilmente identificáveis, em linguagem leiga, o conceito de raças humanas.
Sabemos que há grupos distintos de cães. Um doberman, por exemplo, tem características diferentes das de um caniche. Estas características morfológicas são definidas por informação genética diferente, que é mantida porque cães de um grupo só são cruzados com cães desse mesmo grupo. Estes grupos resultaram de uma vontade humana de separar conjuntos de cães diferentes por várias gerações, impedindo assim o cruzamento entre esses indivíduos, o que levou a uma diferenciação das características de cada grupo, tornada mais óbvia ao longo do tempo. Um outro exemplo de grupos ainda mais distintos é o da couve-de-bruxelas e da couve-flor. Neste campo, como a diferenciação genética é maior, feita ao longo de mais gerações, alguns geneticistas até aceitariam que se trata de “raças diferentes” da mesma espécie de couve.
Mas nenhum grupo humano foi sujeito a estas condições de isolamento. De facto, todos os dados científicos mostram que temos um ancestral comum em África e que desde sempre o constante movimento e a consequente troca de bens, informação cultural e genética impedem que se gerem grupos humanos isolados. É sabido que basta haver migração de poucos indivíduos em cada geração para homogeneizar potenciais diferenças genéticas entre grupos.
A cor da pele é das características mais fáceis de reconhecer nas pessoas e provavelmente por essa razão foi erroneamente utilizada para tentar organizar os humanos por grupos, raças. No entanto, não é por uma característica ser fácil de visualizar, como é o caso da cor da pele, que isso a torna representativa de todo o património genético dessa pessoa, reflectindo todo um leque de outras características com uma componente genética, como, por exemplo, a cor dos olhos. Dependendo da característica genética em questão, um português poderia ser agrupado mais facilmente com um chinês ou um etíope do que com o seu vizinho do lado. Por exemplo, poderá ser melhor para si receber sangue de um etíope que partilha consigo o mesmo grupo sanguíneo, do que receber sangue do seu vizinho do lado pertencente a outro grupo sanguíneo. São tantas as nossas características genéticas e tão variadas que é impossível agrupar-nos em raças.
O conceito de raças humanas ainda faz menos sentido desde que, de há uns 40 anos para cá, os dados mostram que no continente africano está representada quase toda a informação genética dos humanos do nosso planeta. Dado este facto, faz pouco sentido dizer que os negros são um grupo geneticamente diferente de qualquer outro. Assim, se hoje houvesse uma doença que devastasse todos os continentes, a sobrevivência dos africanos garantiria a preservação de quase todo o património genético da nossa espécie. Todos os outros continentes têm uma menor representação daquilo que nós, seres humanos, somos geneticamente. Assim, antropólogos e geneticistas juntam-se hoje em dia para dizer que o conceito de raças humanas não faz sentido.


[PCP quer explicações de Cavaco Silva pela utilização da expressão "dia da raça". ]

9.6.08

de que raça é Cavaco?


Numa insólita confusão entre a designação actual e a que era adoptada pelo anterior regime, o Presidente da República diz que “Hoje eu tenho que sublinhar, acima de tudo, a raça, o dia da raça, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”.

Cavaco Silva faz prédicas a torto e a direito mas vai à Madeira dar o braço ao ditador Jardim, mostra compreensão por tudo que é concepção assistencialista do Estado - e, agora, mostra ignorância (não existem raças humanas, só há uma raça humana) e, ainda por cima, confunde as celebrações do regime salazar-marcelista com as celebrações do regime democrático. Será que estava no Pulo do Lobo quando foi o 25 de Abril e não leu jornais?
Já agora, que raça é que Cavaco pensa que está a comemorar?
Se esta notícia se confirmar, o caso não é para menos: Cavaco devia pedir desculpa aos portugueses. Pelo menos aos que ele pensam que são de "outras raças".