2.4.11

já deram o golpe de Estado e nem anunciaram no site da presidência?


Cavaco, PSD e CDS estudam hipótese de pedir empréstimo urgente do FMI?

(Manchete do Expresso de hoje)

Cavaco, PSD e CDS? Afinal, parece que nem era preciso fazer eleições. Segundo esta imprensa tão amiga, o núcleo duro da Junta de Salvação Nacional já está em funcionamento. Tendo reparado que nem um programa de governo conseguiam fazer em condições, parece que decidiram passar a governar, mesmo sem programa, a partir das catacumbas dos pastéis de Belém (que servem de ração de combate, bien évidemment).

robôs na cidade





O Festival Nacional de Robótica, que teve a sua 1ª edição em 2001, tem como objectivo a promoção da Ciência e da Tecnologia junto dos jovens dos ensinos básico, secundário e superior, bem como do público em geral, através de competições de robôs. O Festival, que decorre todos os anos numa cidade diferente, inclui ainda um Encontro Científico onde investigadores nacionais e estrangeiros da área da Robótica se reúnem para apresentar os mais recentes resultados da sua actividade.
O Festival Nacional de Robótica é, actualmente, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Robótica.
Entre 6 e 10 de Abril, teremos a 11ª edição, no Instituto Superior Técnico.

1.4.11

esta é mesmo de primeiro de abril


Passo a transcrever.

COMISSÃO EUROPEIA
DIRECÇÃO GERAL INFORMÁTICA

MEDIDAS DE PROTEÇÃO DA COMISSÃO EUROPEIA CONTRA CIBER-ATAQUES


Em consequência da proliferação de ataques contra sites electrónicos da Comissão Europeia, a Direcção-Geral de Informática, de acordo com a Secretaria-Geral e a DG Recursos Humanos e Segurança, irá proceder à reintrodução de máquinas de escrever na instituição. Esta medida será acompanhada pela eliminação progressiva (“phasing out”), até ao final de 2011, de todos os computadores pessoais da Comissão Europeia.
Toda a correspondência entre departamentos e com o exterior será, imperativamente, efectuada pelo via epistolar clássica: pelo envio de uma carta dactilografada – ou manuscrita, se for caso disso, e com o acordo da hierarquia – ao(s) destinatário(s). O processamento do correio gerado por este novo procedimento ficará a cargo da nova Direcção-Geral MAIL, que terá sede no Luxemburgo. O pessoal da DG MAIL garantirá a continuidade da comunicação no seio da Comissão.
Um concurso ad hoc para recrutamento de pessoal deverá garantir que a instituição passe a dispor do número suficiente de especialistas em triagem de correio. O anúncio deste concurso será publicado em 2012 e incidirá sobre o recrutamento de 1.200 funcionários da UE-27. Os testes incluem um teste específico, com base no raciocínio em situações reais.
Os serviços que tenham uma necessidade imperiosa de comunicar por via electrónica ("e-mail") podem continuar a fazê-lo, respeitando o seguinte procedimento: todos os pedidos de utilização do e-mail devem ser fundamentados e assinados pelo chefe da unidade em questão (ou seu substituto); o pedido deve ser enviada à DG MAIL, por correio interno, usando o formulário apropriado; uma vez processado o pedido, o documento que constitui o objecto do envio de "e-mail" deve ser enviado para o Luxemburgo, para encaminhamento; o e-mail resultante deste procedimento terá uma versão impressa, que ficará à guarda do departamento que solicitou o seu envio, para efeitos de classificação e arquivo; sendo recebida uma resposta do destinatário, o processo descrito acima é efectuado em sentido inverso.
No caso das comunicações que exigem mais velocidade, um stock de fac-símiles ("faxes") será disponibilizado aos Comissários, Gabinetes e Directores Gerais.
O stock de máquinas de escrever, actualmente à disposição da instituição, voltará gradualmente ao serviço. A ordem de alocação de máquinas de escrever respeitará a cadeia de comando: os Comissários serão fornecidos em primeiro lugar, seguido pelos Gabinetes, Directores Gerais, Directores Gerais Adjuntos, Directores, Chefes de Unidade, etc.
Para proteger a Comissão Europeia contra qualquer ameaça informática fluindo pela rede de distribuição de energia eléctrica, as máquinas de escrever fornecidos aos funcionários serão mecânicas: as máquinas eléctricas serão reservadas aos Comissários, respectivos gabinetes, e Directores Gerais, a pedido, e serão alimentadas por baterias e acumuladores portáteis independentes do circuito eléctrico dos edifícios da Comissão.
Fim de transcrição.

Anda por aí albém interessado?

última hora


Passos Coelho acaba de anunciar que, se ganhar as eleições, ele será primeiro-ministro mas Sócrates terá um gabinete em S. Bento para continuar a governar o país durante pelo menos 4 anos.

A explicação que foi avançada é tripla. Primeiro, segundo a leitura constitucional de Cavaco Silva, no último discurso antes do dia das mentiras, qualquer um tem legitimidade para fazer o que Passos quer fazer mas não consegue, sendo que o PR dá cobertura a tudo e até já nem quer ser informado nem nada. Segundo, de qualquer modo Passos não faz a mais pequena ideia do que seja "chamar o FMI" e, se tiver de falar com eles, teme ficar na posição negocial de querer despedir mais funcionários públicos do que o próprio FMI acha necessário. Terceiro, para tentar manter uma linha de rumo qualquer depois de chegar ao governo (no pressuposto de que vai conseguir escolher um dos seus programas eleitorais antes das eleições), Passos necessita continuar focado em Sócrates: esse é o seu farol e, sem essa obsessão, teme-se que entre em apatia política.


hoje é 1 de Abril


O Público (1 de Abril!!!) noticia que Louçã proporá ao BE uma moção que abre as portas a uma aliança com o PCP. Pode bem ser uma mentira de 1 de Abril, mas merece uma reflexão, mesmo assim.
A reacção imediata de um apoiante do PS seria de receio, vendo aí uma majoração do capital eleitoral da esquerda da esquerda: tudo o resto ficando igual, essa aliança, com os mesmos votos, alcançaria mais eleitos, aumentando o seu peso relativo no conjunto da esquerda. Não obstante, vendo as coisas por outro ângulo, isso removeria aquele que é talvez o principal obstáculo táctico a um diálogo do PS com a esquerda da esquerda, vistas as coisas desse lado: quer o BE quer o PCP temem sempre olhar para o lado do PS, receando, qualquer deles, ser imediatamente acusado de traição traição traição à pátria pelo concorrente nessas águas.
Dado que somos muito dados a elaboradas explicações ideológicas para tudo e mais alguma coisa, ficamos desconfortáveis em admitir estas explicações comezinhas para o comportamento dos partidos. Só que, verdade verdadinha, é destas coisinhas pequenas que comem os motores destas máquinas de debulhar vontades.


um presidente conveniente

11:19

O Presidente da República, falando ontem ao país, empurrou para o governo agora em gestão a tarefa de chamar o FMI. Tirando os rendilhados, é isso que diz neste passo:
Nos termos constitucionais, o pedido de demissão do Primeiro-Ministro, que hoje aceitei, implica a demissão do Governo, o qual se manterá em funções para assegurar a gestão dos negócios públicos.
A actuação do Governo fica, portanto, a partir de hoje, circunscrita à prática dos actos estritamente necessários à gestão dos assuntos do Estado.
Mantendo-se em funções para assegurar a gestão dos negócios públicos, o Governo não está impedido de praticar os actos necessários à condução dos destinos do País, tanto no plano interno, como no plano externo, dever tanto mais acrescido quanto o momento que atravessamos é de grande exigência e responsabilidade. Neste contexto, compete ao Governo actuar de forma imparcial e transparente na utilização dos recursos do Estado.
Quero publicamente, perante os Portugueses, garantir que o actual Governo contará com todo o meu apoio para que não deixem de ser adoptadas as medidas indispensáveis a salvaguardar o superior interesse nacional e assegurar os meios de financiamento necessários ao funcionamento da nossa economia. No mesmo sentido, apelo a uma atitude de cooperação responsável por parte dos partidos da Oposição.
Acho que valia a pena recordar agora a forma escandalizada como forças diversas reagiram, no passado, a decisões de outros governos de gestão, facilmente acusados de abusarem das suas competências nessas circunstâncias. O foco do debate costumava ser a justificação de que esses actos eram actos de gestão corrente, não implicando decisões propriamente políticas.
Agora, porque é conveniente, diz-se que uma decisão da gravidade de contratar os termos de uma ajuda internacional pode ser considerada "gestão corrente". Ignorando olimpicamente que esse tópico foi central no próprio espoletar da crise política. É que não é só pedir a massa: é preciso assumir compromissos quanto às politicas a seguir, que os "benfeitores" exigem para nos "estender a mão".
Parece, infelizmente, que o PR, com esta mensagem, está a querer "simplificar" as coisas para facilitar a vida aos seus amigos do PSD: está a querer que seja o governo do PS a fazer aquilo o PSD poderá ter provocado com esta gestão da crise. Cavaco Silva está a agir, demasiado descaradamente, como elemento da estratégia eleitoral do PSD, que consiste em obrigar o PS a fazer aquilo que o PSD quer que aconteça, mas sem ter de assumir as respectivas responsabilidades. Comparado com isto, o episódio das acções do BPN ou a trapalhada da Casa da Gaivota são mero entretenimento. Este episódio consagra, na história desta república democrática, a mais despudorada manipulação do exercício presidencial para obter lucros partidários.

31.3.11

parece que o FMI acha que não se deve diabolizar Passos Coelho

promessas, estas são das sérias

as máquinas voadoras já não são o que costumavam ser


Estes "quadricópteros" (algo como helicópteros com quatro "ventoinhas") jogam mesmo pingue-pong?



blogues no feminino? a sério?


O Crónicas do Rochedo diz que são "blogs no feminino". Refere-se aos blogues embalando as horas, Só falta um 31 na minha vida e O trapo, virou seda.
O que são blogues no feminino? Vão lá espreitar e digam coisas.
Entretanto, se um blogue é coisa de ser no feminino ou no masculino, agora que está a acabar o mês do dia que se diz da Mulher, vão espreitar, por exemplo: f-world, Catharsis, esta senhora artista, esta poetisa agreste, e..., e..., e depois digam-me se é por serem "femininas" que esses blogues são o que são.

(Carlos, isto não é uma provocação. É pescar na rede!)

30.3.11

ah, os mercados, pois, os mercados

14:12

Regulador inglês propõe mudanças aos anúncios de Internet.
Especifica o Diário Económico: «A Ofcom, entidade reguladora das telecomunicações do Reino Unido, propõe uma nova forma de medir a velocidade da Internet, de forma a proteger os consumidores da publicidade enganosa. O regulador britânico, um dos mais influentes da Europa, pretende que as operadoras passem a referir nos anúncios a velocidade efectivamente atingida por metade dos seus clientes, em vez de indicarem apenas os valores máximos. O objectivo é defender o consumidor da publicidade enganosa das operadoras, visto que a velocidade anunciada nem sempre corresponde aos valores reais.As recomendações do regulador britânico são frequentemente seguidas pelos congéneres europeus, entre os quais a Autoridade Nacional das Comunicações (Anacom).»

A isto, os ideólogos do mercado-livre-livre-como-uma-pomba dirão: "mas que coisa, sempre a impedirem o mercado de funcionar em liberdade, sempre a imporem mais e mais constrangimentos, mais obrigações para as empresas, em vez de as deixarem trabalhar". Quer dizer, os extremistas do tudo-mercado parecem ter dificuldade em compreender que, em inúmeras situações, os consumidores isolados não têm meios razoáveis para conhecer as características da oferta. Para dar o exemplo deste caso: não posso ser eu a avaliar a velocidade efectiva que conseguem oferecer os diferentes operadores. Para perceber isso, basta começar a pensar o que teriam os consumidores de fazer (e gastar) para proceder à comparação. Os extremistas do mercado gostam de regulação fraca - para ganharem as suas vidinhas mais facilmente à nossa custa. Com a valente colaboração dos ingénuos ideólogos que julgam que a liberdade é a selva.
Vindos de outro lado, outros acham que a regulação é treta capitalista, que serve apenas para dar uma aparência saudável à horripilante existência de empresas privadas em sectores estratégicos. Estratégico deve ser público, deve ser estatal, defendem tais. Claro que as telecomunicações são estratégicas, pelo que, julgam esses tais, deviam ser públicas - e de certeza que a banda larga até se tornaria mais larga, como as largas avenidas dos amanhãs que cantam. Os privados deviam ser remetidos a actividades que não perturbassem grandemente o andar da carruagem. Poderia haver privados a vender castanhas assadas na rua, por exemplo; ou a engraxar sapatos nas praças; mas pouco mais. O resto (o leque do que é estratégico é um leque com muita tendência para abrir) deveria ser público, para evitar "a rapina dos privados". Só tem um pequeno defeito, esta narrativa: em lado nenhum se percebeu que a história fosse tão linear... Mas isso parece muito esquecido.
Entretanto, é destes binómios de oposições simplistas que se alimenta, tantas vezes, o debate político. E isso é uma infelicidade. Porque o "mercado livre" não é um sítio para excursões idealistas - ainda menos se ele estiver plantado nas encruzilhadas das nossas terras e tiver o imenso poder de rasgar ou distorcer outras relações sociais significativas.

28.3.11

tanto tempo a votarem contra e só agora vão começar a pensar o que poderia ser uma alternativa exequível?

22:13

Jorge Bateira, no Ladrões de Bicicletas:
Em seminários de trabalho, eventualmente com o apoio de economistas estrangeiros a convidar, os economistas do PCP, do BE e independentes, [e os militantes do PS desiludidos com a sua actual orientação], fariam um esforço de concretização de uma política económica exequível que, distribuindo com justiça os sacrifícios que forem inevitáveis, evite o desastre financeiro, económico e social que um «governo de pilhagem partilhada» nos vai apresentar como inevitável e merecedor da nossa resignação. Esse esforço de convergência deveria culminar com a candidatura unitária «Convergência e Alternativa».
O título do post, Quem é que os vai derrubar?, diz tudo: "derrubar" parece ser galvanizante. Pela salada recomendada, essa "convergência" só poderia ser anti-europeia. E essa "alternativa", que, apesar de já ter servido para moções de censura e votações de mão dada da "esquerda que tão esquerda é" com o PSD e ao CDS, afinal ainda está por ser inventada ("fariam um esforço de concretização de uma política económica exequível", diz Bateira), exclui claramente o diálogo político com o PS. Não espanta: é isso que a esquerda da esquerda tem feito o tempo todo.

um porta-voz qualificado

20:16

Cavaco Silva diz que principais partidos se comprometem a cumprir metas do défice.
«O Presidente da República disse hoje à Bloomberg que os três principais partidos lhe garantiram que se comprometem a cumprir as metas do défice definidas pelo Governo e a prosseguir a estratégia de consolidação orçamental.»

Pronto, o PR fala à Bloomberg. Mas, aos portugueses, era bom que fossem os próprios portugueses a falar. Quero dizer: os partidos que empurraram o governo, cada vez se percebe menos em nome de quê, e que depois dizem que concordam no essencial com aquilo que chumbaram, ou que até queriam ir mais longe, devem explicar-se. Mero exercício de higiene.

o voo do pássaro robô

amanhã há Machina Enxuta


Depois de Machina Enxuta, número zero, amanhã é dia de Machina Enxuta, número um, a nossa rubrica de debate ao vivo e a cores. Com o editor do Enxuto e comigo mesmo.

um conselho de virtudes


Por indicação do Presidente da República, Bagão Félix vai integrar o Conselho de Estado.

Na sua edição de 16.10.2010, a revista Única (do Expresso) apresentou um trabalho sobre a elaboração do Orçamento de Estado por vários ministros das finanças em exercícios anteriores. É nesse quadro que aparece um depoimento de Bagão Félix, ministro da Segurança Social e do Trabalho de Durão Barroso que passou a ministro das Finanças de Santana Lopes.
Passo a citar.
«No novo posto, e como é tradicional, Bagão Félix começou a ouvir os colegas de executivo, para a elaboração do OE para 2005. Num desses encontros reuniu com o ministro Fernando Negrão, sem se recordar que tinha sido ele o seu sucessor na pasta da Segurança Social. Logo nos minutos iniciais, Bagão Félix começou a demolir severamente muitas das propostas que Negrão trazia escritas. "Lembro-me de lhe dizer que algumas delas nem sequer faziam grande sentido", recorda hoje Bagão Félix. Fernando Negrão foi ouvindo tudo com paciência e serenidade. Até que, numa das observações mais críticas, não aguentou mais: "Vai-me perdoar, senhor ministro, mas permita-me que lhe recorde que eu não alterei uma única linha ao documento que o senhor mesmo escreveu quando estava neste agora meu Ministério, para elaborar o orçamento." Bagão Félix engoliu em seco: "Foi uma lição de vida para mim. Mostra como as coisas mudam, consoante a perspectiva que temos delas", admite o ex-ministro das Finanças.»
Fim de citação.
É extraordinária a lata. Bagão Félix consegue contemplar com "ar filosófico" («foi uma lição de vida»), até com uma certa candura, algo que é um cancro da vida pública: responsáveis que em cada circunstância "acham" o que lhes vai na cabeça como se o mundo "lá fora" fosse apenas cenário, que mudam de "visão" como quem muda de camisa, que fazem o seu papel como se estivessem num grande teatro e não a jogar com a vida de todos nós - e tudo isso "consoante a perspectiva". Assim se percebe como tanta gente anda por aí a dizer certas coisas, como se não tivesse nada a ver com "isto". Nem todos chegam é ao ponto de confessar tão abertamente o que valem as suas opiniões neste momento - já que elas poderiam ser completamente diferentes se estivessem noutra "perspectiva".

(Republicação. As republicações servem para as pessoas não perderem as memórias.)

o FMI já está entre nós?

15:00

Falar verdade é necessário, claro que sim. No entanto, falar verdade não é construir palavras de ordem para manifestações e depois repeti-las até elas parecerem puro senso comum. Esse é, aliás, o método da mentira programada. Um dos exemplos gritantes da técnica da mentira programada é a "teoria" segundo a qual "o FMI já chegou a Portugal, as políticas do governo já são o programa do FMI". Neste caso é relativamente fácil mostrar que se trata de uma mentira, já que podemos comparar o que agora se passa em Portugal com o que a Irlanda e a Grécia estão a ser obrigadas a fazer. Estranhamente ou não, a esquerda da esquerda e o PSD coincidem nessa mentira. Dada a importância desta questão, andava a preparar-me para escrever sobre isso - mas, como alguém se antecipou, mais vale dar a conhecer o que já está escrito. Neste caso, por Pedro T., cuja leitura se recomenda.

marés e marinheiros

11:30

Suponho que os portugueses perceberam bem que, no voto contra o PEC, o PSD se moveu por interesse partidário e deixando o interesse nacional em segundo plano. O PS e José Sócrates poderão capitalizar eleitoralmente essa irresponsabilidade da oposição (pelo menos do PSD, que não tem alternativa e se opõe apenas para mostrar o músculo de Passos Coelho e salvar-lhe a pele na refrega interna do seu partido). Até porque, a meu ver, muitos dos portugueses - precisamente dos que estão a fazer sacrifícios - têm a noção que o governo tem estado mobilizado para que o país não se renda e não baixe os braços. Contudo, a saída para esta crise política está muito longe de estar decidida. Se o PS e José Sócrates optarem por uma linguagem de elevada agressividade no combate político, virada principalmente para um ataque sistemático às oposições, acabará por legitimar o estilo consagrado da coligação negativa, que tem precisamente abusado das práticas incendiárias. Quer dizer: as oposições têm seguido o estilo do vale tudo, mas, se o PS responder no mesmo tom, será visto como igual aos outros nesse pecado. E, nessas condições, as pessoas poderão pensar: incendiários por incendiários, que venham novos.
Quero dizer: José Sócrates e o PS têm de mostrar que são capazes de fazer tudo para baixar o clima de confrontação, abrir novas clareiras de diálogo na política portuguesa, descobrir novas possibilidades de convergência, criar linhas de entendimento onde até agora tem predominado o ruído. Suponho que aos eleitores já não interessa muito quem tem liderado o campeonato da vozearia - interessa sim é quem mostre coragem para virar a maré. Até porque, falando em marés: este não é o tempo para praguejar contra o mar, é o tempo de remar com todos os braços disponíveis.

27.3.11

novelas portuguesas

13:21

José Sócrates reeleito líder do PS com 93,3% dos votos, mais 10,59 por cento do que o resultado obtido na eleição de 2009, numa votação directa pelas bases que registou uma taxa de participação a rondar os 90%.

Não se pede aos adversários políticos que se amem. Mas pede-se que se respeitem e usem argumentos razoáveis. E que abandonem a linguagem do ódio, que tanto tem sido incentivada entre nós. Uma das recorrentes lengalengas contra Sócrates tem sido "já nem os socialistas o suportam". Com os resultados da eleição para SG do PS (na qual não participei, informação que dou de borla a alguns dos pirómanos que aqui vêm sem perceber nada do que aqui se passa), suponho que podemos ultrapassar esse patamar de primarismo e passar a outras conversas mais sumarentas.

a tese do abalozinho (post dedicado a certa categoria de esquecidos)

A invocação política do exclusivo da verdade é a forma mais rastejante de mentira.
MFL – [...] E tanto é a partir da receita que agora estamos numa fase em que a receita, por motivos da crise económica, baixa naturalmente, as contas públicas estão pior do que quando o engenheiro Sócrates tomou conta do País. E, portanto, isso significa que, efectivamente, não estavam consolidadas. ‘Tavam com passos positivos, mas não estavam consolidadas, porque a consolidação significa alguma coisa que mesmo que venha um abalo de terra aquilo não se desmorona. Veio um abalozinho de terra e desmoronou-se. Portanto, não estava consolidada.
AL – Esta crise, no que diz respeito a Portugal, na sua opinião, não é um abalo de terra, é um abalozinho?…
MFL – Aaahhh… É um abalo de terra, mas é um abalozinho relativamente aquilo que poderia ter sido caso não estivessem as contas feitas… construídas doutra forma…

O que lemos acima é a transcrição de um excerto da entrevista de MFL à SIC (com Ana Lourenço), a 24 de Junho de 2009, a caminho das eleições legislativas. Isto não é novidade nenhuma. É só por causa de certas pessoas que se comportam como esquecidos profissionais. E por isso dizem que "os outros" mentem.