18/02/11

afinal, não são só os deputados no parlamento que abusam da linguagem bárbara, assim poluindo o espaço público que merecia mais elevação


Lê-se no i : «O presidente da Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, acusou hoje o Governo de mentir ao negar que Portugal está em recessão económica, considerando que "estamos em recessão". "Não vale a pena continuarmos a mentir. Não vale a pena pedir sacrificios às pessoas sem lhes dizer a verdade. As pessoas têm de saber para que estão a fazer os sacrificios e não adianta negar que estamos em recessão, porque estamos", afirmou aquele responsável durante a apresentação de resultados do grupo em 2010. Questionado sobre o segredo do sucesso do grupo, que aumentou os lucros em mais de 40 por cento no ano passado, Alexandre Soares dos Santos respondeu: "Os truques é para o [primeiro-ministro] Sócrates. Eles [os políticos] é que gostam de truques. O nosso sucesso assenta em trabalho".»

Há sempre muitas razões para louvar um empresário que faz pela vida, pela sua e pela dos outros, com trabalho e com visão. É o caso deste homem, penso eu. Contudo, a má educação e a pesporrência ficam mal a qualquer um. E assim crescem as provas de que muitas pessoas, competentíssimas no seu domínio, se tornam torpes quando querem fazer-política-como-se-não-quisessem-fazer-política-nenhuma.
O hoje em dia bem sucedido grupo liderado por este senhor já passou por maus bocados num passado não muito distante: teriam gostado, nessa altura, que os achincalhassem publicamente, acusando-os, por exemplo, de falta de clarividência nas escolhas que lhes provocaram as ditas dificuldades?
Que o senhor ache que ele é o único que trabalha, já é lata suficiente. Injuriar, neste caso o PM, acusando-o de mentir quanto à história da recessão, quando a definição técnica de recessão mais consensual entre os economistas é a de um crescimento negativo do produto em dois trimestres consecutivos e Portugal não está nessa situação, é prova do descontrolo comportamental a que chegaram figuras deste país que devemos exigir que se comportem, pelo menos em público, com um mínimo de decência.

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