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10.11.14

zoroastrismo em bd.



Uma viagem recente ao Irão tornou-nos um pouco mais familiares com essa religião ancestral, o Zoroastrismo, que é algo mais (ou algo menos) do que o fascínio que despertou em alguns pensadores ocidentais.
Dado que sempre apreciei a Banda Desenhada como veículo de conhecimento, considero uma sorte ter topado com este álbum, Ainsi se tut Zarathoustra (Assim se calou Zaratustra), de Nicolas Wild, publicado pela La boîte à bulles (2013). Sob uma história policial, que faz como se fosse a principal linha da narrativa, apresenta-nos uma visão histórica do Zoroastrismo como religião e umas pinceladas políticas e sociais da realidade complexa da comunidade zoroastra no mundo, incluindo a sua influência na Índia.
É claro que uma parte não dispicienda do meu prazer nesta leitura passa pelo reconhecimento em desenho de lugares que tive a oportunidade de visitar recentemente. Ajuda, assim, a acompanhar a minha base de fotografias e a consolidar as minhas notas de viagem.
Para quem seja capaz de ler francês, deixo esta recomendação de leitura. Ainsi se tut Zarathoustra obteve o Prémio France Info da BD de actualidade e de reportagem, edição 2014.

Deixo duas páginas da obra para se aperceberem do estilo gráfico. (Clicar para ampliar.)




9.11.12

crescer atrás da cortina de ferro, de Peter Sís.


Sendo hoje 9 de Novembro, e por estas razões, justifica-se comemorar com Banda Desenhada.

***

O álbum que hoje nos faz falar é de Peter Sís, que escreve e desenha The Wall, Growing Up Behind the Iron Curtain, no título do original norte-americano de 2007, publicado pela Frances Foster Books. A edição que possuo é italiana, de Setembro de 2008, na editora Rizzoli.




Peter Sís cresceu na Checoslováquia comunista e apresenta-nos mais uma obra da vaga de obras de BD que pensam e divulgam a história contemporânea recente a partir dos olhos de uma criança. Em 1982, Peter Sís foi a Los Angeles para trabalhar num filme para o governo checo e, uma vez lá, optou pelo exílio - como muitos outros foram fazendo ao longo da história.




A história que nos conta, apesar de tentar partir do olhar de uma criança, é densa - e o autor faz alguma coisa para nos levar para mão, fornecendo vários elementos de contexto. Não é, contudo, história que um adolescente desprevenido possa compreender cabalmente como quem lê "histórias aos quadradinhos" ...




Graficamente, o que temos como elemento básico são desenhos a preto e branco, sugerindo uma atmosfera cinzenta - política, cultural e socialmente cinzenta. Muitos dos desenhos têm pormenores a uma única cor, o vermelho - funcionando o vermelho quase sempre como marca do poder comunista, por exemplo nas bandeiras, nos símbolos (foice e martelo, estrela), no lenço ao pescoço da "farda" dos pioneiros. Dado este ponto de partida, os poucos elementos fortemente coloridos são marcas de ruptura, normalmente festiva ou pelo menos "agitada", de momentos em que a contestação às normas imperantes é vivida como um gozo suplementar da vida. A cor é o outro lado da vida (do muro): "tudo o que vem do Ocidente parece colorido". A cor é também o que distingue os desenhos que Sís faz desde miúdo.




As duas páginas inteiras que reproduzimos de seguida, constituindo uma única imagem, aparecem na narração da Primavera de Praga. A Primavera de Praga foi, em 1968, uma tentativa do partido comunista local para seguir uma via democrática para o socialismo, afastando-se da ortodoxia soviética. Esta imagem, com esse colorido pop, e por contraste com o preto e branco com pormenores de vermelho do grafismo dominante, dá uma conotação fortemente festiva a essa possibilidade de liberdade, possibilidade que foi frustrada pela invasão dos tanques do Pacto de Varsóvia, o bloco militar do leste comunista da Europa liderado pela União Soviética.




A representação dessa invasão segue o plano gráfico dominante: preto e branco com o vermelho do poder a salpicar: neste caso os elementos vermelhos são os tanques invasores espalhados pela cidade como um vírus que toma conta de um corpo.




Esta obra de BD não é de leitura imediata para quem esteja demasiado alheado do contexto da época e de algumas referências históricas. Vemos abaixo a referência a um concerto dos Beach Boys, de uma pequena tournée que fizeram por aquelas bandas alguns meses depois da invasão antidemocrática, a qual teve o condão de ainda dar um pequeno sopro à esperança de que talvez não se tivessem fechado todas as portas.




Nos desenhos que se seguem, que são parte de uma sequência um pouco maior, há uma luta entre o preto e branco do grafismo dominante, representando o cinzentismo do regime, e a cor como representante da expressão que alguns tentaram que fosse livre. Os grafitos que os anónimos tentam pintar nas paredes são coloridos e as peripécias do confronto com a polícia - entre pintar e apagar, e voltar a pintar - são um ir e vir entre a sobrevivência e a extinção da cor.








A queda do Muro de Berlim, datada de 9 de Novembro de 1989, é o fim desta história. Uma história que, neste álbum, passa pela insurreição popular na Hungria em 1956, esmagada pelos "aliados" soviéticos; pela construção do próprio Muro em 1961; pela crise dos mísseis em Cuba em 1962; pela visita do Presidente Kennedy dos EUA a Berlim em Junho de 1963 e pelo assassinato desse mesmo presidente em Dallas mais tarde nesse mesmo ano; pelo papel de Alexander Dubcek, líder do partido comunista checoslovaco em 1968 e verdadeiro herói da Primavera de Praga, quando "tudo parecia possível"; depois do fim, ou depois do princípio do fim, pelos estudantes checos Jan Palach e Jan Zajic que se imolaram pelo fogo no centro de Praga "para despertar a nação da letargia"; pela Carta 77, o grupo dissidente formado em 1977 e que contaria com alguns dos heróis da futura revolução democrática. A queda do Muro de Berlim é o fim desta longa e amarga história, um fim que não é só uma data, mas um conjunto de datas para várias revoluções no leste europeu, assinaladas junto a estes desenhos (mas aqui não visíveis). É um fim apropriado para uma narrativa que não é só uma história da Checoslováquia recente - mas uma história de uma parte importante da Europa e das suas vicissitudes num período de cerca de meio século.

É um pouco pena que a narrativa seja, do ponto de vista ideológico, um pouco unilateral - como se todas as desgraças do mundo tivessem a cor vermelha. Por exemplo, logo no início dá-se como definição de "comunismo": um sistema de governo em que o Estado controla toda a actividade social e económica. Mas o regime fascista nazi também era isso, pelo que a definição não faz o trabalho de uma definição. Além disso esquece-se que a história do leste europeu é também a história das derrotas que sofreram certos sectores dos partidos comunistas que tentaram a via democrática. A "insurreição popular" na Hungria de 1956 tinha a cumplicidade da liderança comunista, que foi afastada por pressão e acção soviética. E o mesmo aconteceu na própria Checoslováquia com a Primavera de Praga. E, se é para fazer história, mesmo aos quadradinhos, talvez fosse bem não ver só certas coisas e esquecer sempre outras. Por outro lado, certas coisas que se denunciam como se fossem exclusivas das ditaduras comunistas - não o são. Ser obrigatório fazer parte da organização de juventude do regime, nós por cá também sabemos o que isso é (foi). O mesmo para as actividades da polícia política, da censura. Certas coisas até existem ou existiram em países democráticos, como a obrigatoriedade de hastear a bandeira nas festas oficiais (eu já vivi num país onde isso era assim e ninguém considerava repressivo).
Mas será justo fazer este tipo de críticas a uma obra de BD? Porque não, pergunto eu. A BD é coisa séria. Às vezes, como neste caso, está a apresentar uma visão da história recente, de uma história que ainda interessa muito à compreensão do presente. E, nesse caso, o rigor que se pode exigir é o que se exige a qualquer obra séria.




Como o autor escreve no posfácio: alguns terão dificuldade em compreender que as coisas eram mesmo assim. Estamos a falar de história recente, mesmo muito recente, e muito próxima geograficamente. É também por isso que livros destes são um serviço prestado à memória cívica. Mas parece que não têm muito público em Portugal... Ou há por aí edições que eu desconheça (o que não seria de estranhar, porque sou um mero leigo curioso)?

(Republicação)


10.4.12

crónicas desenhadas.



Acabei de ler, aos poucos que a vida não está para bonecos, Chroniques de Jérusalem, de Guy Delisle (Edições Delcourt, colecção Shampoing, Novembro 2011). No Festival de Angoulême 2012 ganhou o prémio para o melhor álbum, a juntar à aclamação e outras distinções que Delisle tem vindo a acumular.


Guy Delisle tem uma linha de trabalho que passa por observar e reportar o que se vive em sítios distantes: distantes pela geografia, pela diferença ou pelos obstáculos culturais e políticos que se interpõem entre os mais entre nós e esses locais. Uma parte importante da compreensão da sua obra é sempre o entender como é que se passou a sua aproximação a esses espaços.



Nunca li com suficiente atenção nenhuma das suas obras anteriores, pelo que não as vou comentar. Contudo, li e vi este trabalho com suficiente atenção para o recomendar. Escrever sobre Israel e a Palestina, a partir de uma vivência de um ano no local, foi certamente desafiante.


Delisle toma partido, mas nunca toma partido contra a nossa inteligência: não trata de nos impor coisas, embora manifestamente tenha um critério na escolha dos pontos de observação. Genericamente, é mais fácil estar do lado dos mais oprimidos, mas isso nunca é feito como se o mundo fosse a preto e branco.


É importante notar que Delisle não é um turista, embora não se passe a ser um indígena por viver um ano num sítio. De qualquer modo impõe-se o facto de ele procurar, insistindo no que não é facilitado, no que teima em se esconder: o que, aliás, é um aspecto central do retrato de situação que fica traçado.



A história, claro, não se dá a ver aos olhos meramente presentes. É preciso alargar tempo e espaço, coisa que Delisle faz bem, didacticamente mesmo, apesar do risco de que essa operação pudesse redundar num empecilho ao trabalho artístico. Esse perigo não se concretiza, ajudado Delisle pela aparente ingenuidade do seu desenho, que nos faz transitar calmamente entre o quotidiano mais corriqueiro e a lição, sem solução de continuidade e, mesmo assim, sem sobressalto.


A montra de excessos está lá e Delisle não lhe foge. Mas não mete tudo no mesmo saco: toma o seu tempo. São muitas páginas de crónicas curtas, variadas, misturando os altos e baixos de uma vida de expatriado, os imprevistos de homem doméstico com filhos, a turbulência política e social, a convivência variada numa terra de variações muitas, o artista incompreendido porque a BD ainda não chegou a todo o lado, o quotidiano que existe do lado de quem vive na mó de baixo, as excursões ideais aos tempos bíblicos, o rendilhado de grupos religiosos. Tanta coisa - e um álbum com muito espaço para tudo.


E soluções gráficas muito engenhosas para explicar a complexidade do lugar.



Quadrinhos como fotografias turísticas, às vezes - mas, a maior parte das vezes, o autor e desenhador é mais participante do que turista. E isso a dar uma dimensão "os cinco de Enid Blyton para adultos".


Um álbum comovente.


Com o qual se aprende, também.

Por enquanto, acho que só existe em francês. Os outros, algum tempo terão de esperar. Talvez não muito.


Guy Delisle tem um sítio na web com muita informação interessante.
Dentro desse sítio tem um sector dedicado às suas Crónicas de Jerusalém.
E dentro desse sector tem um magnífico recanto onde fornece informação complementar sobre alguns dos aspectos desta obra, incluindo fotografias e vídeos dos motivos originais de algumas cenas.
E ainda existe o blogue que Guy Delisle manteve durante o ano que por lá passou.


21.1.12

Cadernos da Rússia. Cadernos da Ucrânia.


Já sabem os visitantes desta casa que aprecio Banda Desenhada, embora não possa dedicar-lhe tanto tempo como gostaria. (Na verdade, cada vez demoro mais tempo a ler um bom álbum de BD - e não ponho os olhos em cima de maus exemplares. É que cada vez é maior a consciência da complexidade do olhar, tendo de deter-me para não avançar demasiado depressa, na voracidade pela história, que me faria perder enorme parte de tudo o que o teatro desenhado tem para ser visto.) É assim que volto, de quando em vez, com umas anotações de uso comum.

Desta vez, venho com Igort, cujo verdadeiro nome civil é Igor Tuveri, um desenhador italiano, educado na cultura russa e que agora vive em Paris. Mencionarei duas das suas obras onde ilumina a história profunda da União Soviética e da Rússia actual como duas realidades políticas onde muito é diferente para muito não ter mudado tanto assim (com as minhas desculpas pelo tom à la Il Gattopardo). Dois álbuns ligados, um já do ano passado, outro acabado de sair.

Em «Les Cahiers Ukrainiens. Mémoires du temps de l'URSS» (Futuropolis, saído em 2010, edição corrigida em 2011) , Igort conta a história da grande fome de 1932-1933, chamada Holodomor, que para alguns se tratou realmente de um genocídio. Para isso, Igort usa duas fontes bem diferentes. Por um lado, testemunhos pessoais. Por outro lado, os arquivos de época da polícia política. Obtém, deste modo, uma mistura de estilos que alguns dizem poder chamar-se "uma comédia" (à italiana).


Em «Les Cahiers Russes. La guerre oubliée du Caucase» (Futuropolis, 2012), Igort segue os passos da jornalista Anna Politkovskaïa e a questão tchetchena para nos mostrar como funciona a "democracia" russa.



Para fazerem uma primeira apreciação gráfica, ficam de seguida mais alguma pranchas destes álbuns.


«Les Cahiers Ukrainiens. Mémoires du temps de l'URSS»







«Les Cahiers Russes. La guerre oubliée du Caucase»









23.11.11

BD e alta política.



Saiu na Casterman já este semestre, saiu entretanto em português no Brasil: 12 Septembre, l'Amérique d'après. Organizado por Pascal Dellanoy e Jean-Christophe Ogier, não é exactamente um álbum de Banda Desenhada, mas é um livro com banda desenhada, com ilustração e com textos de gente desse mundo, dos dois lados do Atlântico, a reflectir sobre o mundo depois do 11 de Setembro de 2001. Tem textos muito bons, alguns a cair para o intimista, em alguns casos são verdadeiras trocas epistolares, mas em geral num tom de seriedade plural e despretensiosa. Surpreendentemente (para mim), o texto de Art Spiegelman (dos Maus) é de uma banalidade atroz. Uma das belas peças deste conjunto é uma história curta de Joe Sacco (de Palestina), intitulada O projecto Nostradamus, uma ficção política acerca dos EUA num futuro tão distante quanto próximo. Damos apenas uma pequena sequência desta peça (cinco pedaços recortados e desmontados da prancha verdadeira, da versão brasileira).
É só para abrir o apetite.
E depois não se esqueçam: BD é cultura.





19.11.11

BD: Portugal.

23.9.11

simplesmente Portugal.




Cyril Pedrosa, francês luso-descendente, lançou este mês em França o álbum "Portugal". Ainda não lhe pus a unha em cima. Mas não perde pela demora.

5.12.10

o erro do inteligente cavalo Hans


O "inteligente Hans" era um cavalo que, no princípio do século XX, espantou o público dos espectáculos promovidos pelo seu dono: é que o cavalo mostrava-se capaz de realizar operações aritméticas simples. Por exemplo, as parcelas de uma adição eram escritas num cartaz de forma a que o cavalo as visse e ele batia então com os cascos no chão o número de vezes equivalente à soma correcta. Testes realizados mostraram que o cavalo só dava a resposta certa quando o observador do exercício sabia a resposta. Compreendeu-se assim que o cavalo detectava indicações involuntárias do observador (reacções faciais mínimas, por exemplo) quando atingia o número correcto. O Hans era de facto esperto, mas não por saber aritmética: antes por ser capaz de detectar pistas fornecidas involuntariamente pelo comportamento dos humanos, tendo aprendido que isso equivalia a uma recompensa.
O "erro da inteligência de Hans" exemplifica um tópico interessante em filosofa das ciências do artificial. Quando um programa de computador, ou um robot, exibe um comportamento que parece inteligente - há mesmo inteligência na máquina, ou a inteligência que a máquina mostra é apenas o que os humanos lá colocaram e reconhecem como seu?

Bom, a ideia não é alongar-me aqui em considerações de filosofia das ciências do artificial. Mas esta observação era necessária para introduzir o que aqui me traz.


Só há pouco tempo (falha minha) descobri outra obra do muito apreciado Miguel Rocha, Hans - O cavalo inteligente. Para uma apreciação da BD enquanto tal, há por aí críticas interessantes e mais ilustradas pelo conhecimento do que eu poderia fazer. Por exemplo, aqui, aqui, aqui, ou aqui. Mas não esse o ângulo pelo qual quero ler a coisa hoje.

O que venho aqui dizer é que partimos sempre para uma obra com uma pré-compreensão, um pré-conceito, uma expectativa acerca do que vamos encontrar. Quando já lemos o "Ensaio sobre a Cegueira" de Saramago e pegamos em "A Caverna" - temos (eu tive) uma forte desilusão. Que talvez não fosse tão forte se não conhecesse o autor. Outro tipo de decepção, talvez injustificada, foi a que senti com este Hans - O cavalo inteligente. O álbum é bom, como BD, e corresponde ao elevado padrão a que Miguel Rocha nos habituou. Só que, e aqui está o meu engulho, a leitura quase psicanalítica que nos é servida, por muito interessante que seja, deixa-me com pena que tenha deixado de lado questões mais "comezinhas" ligadas ao tema da inteligência não humana. Foi um encontro um tanto ou quanto falhado, por mea culpa. Não deixo, contudo, de aconselhar aos amantes de BD que, sem os mesmos pré-conceitos que eu, se lancem à leitura. Ou releitura.


(Publicado também aqui.)

25.5.10

BD por Espanha


Sou um ignorante da BD que interessa em Espanha. Cheguei recentemente a alguns títulos premiados em terra de nuestros hermanos. Dou hoje conta do álbum Arrugas (rugas) do valenciano Paco Roca (editora Astiberri, 2008), que foi Premio Nacional del Cómic 2008.


A obra é sobre a velhice abandonada em "instituições". Em particular sobre os que padecem de Alzheimer. Têm razão os que dizem que este álbum de banda desenhada prova o poder deste meio de expressão, ao mostrar o que só escrito não nos chegaria tão completo. O desenho é um tanto ingénuo e adocicado, a história é o que já se sabe, mas o tema faz o sucesso do trabalho. Para não dar as imagens mais cruas - e mais importantes -, ficamos pela sequência mais poética do conjunto. A ilustrar uma das características da doença focada nesta obra.

Clicar nas imagens permite vê-las melhor.