2.7.09

Graz, RoboCup 2009: entrada em competição dos juniores


Hoje foi dia de entrada em competição dos juniores. Uma grande delegação portuguesa cobre todas as modalidades: futebol, busca e salvamento e dança. Ainda é cedo para falar de resultados, mas vale a pena sublinhar dois aspectos sobre o RoboCup Júnior.
Primeiro, o seu inestimável valor educativo, valorizando a educação tecnológica. Segundo, o ramo Júnior deste movimento resolve muito melhor que o ramo sénior a questão da participação feminina – embora muito à custa da modalidade “dança”, onde, em geral, elas dançam mais e melhor do que os seus robôs... Essa circunstância, e uma certa liberdade criativa, faz com que essa modalidade traga um colorido à competição. Procuremos ilustrar isso.



Aspectos das "oficinas" da modalidade de dança do RoboCup Júnior.






A Escola Profissional Cenatex, única representação portuguesa no Futebol Robótico Júnior 2x2, entrou cedo em campo



A Cooptécnica - Gustave Eiffel apresentou à modalidade de dança «The birth of the Dragon», mas talvez o dragão robotizado tenha dançado menos do que as raparigas


A Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas (Guarda) participa também na modalidade de Busca e Salvamento.



A Escola Profissional de Braga parecia estar a pesar conscienciosamente as suas responsabilidades



E o público: no RoboCup o público, na sua diversidade, é sempre outra festa.




Sugiro ainda a leitura da minha outra reportagem, peça de hoje no Ciência Hoje.


quem só sabe comer com as mãos...

é bem visto

os problemas que interessam ao sr. Fernandes



Socialistas centram estratégia na destruição do “falar verdade” de Manuela Ferreira Leite.


Um jornal de referência deveria interessar-se pelo uso adequado do conceito de verdade em política. Que o slogan não esconda uma prática contrária. Mas o sr. Fernandes interessa-se (preocupa-se) é que haja quem faça o trabalho dele. Que ele não faz. Por estar, o sr. Fernandes, a fazer política e não jornalismo. Quando o sr. Fernandes se preocupa com o que politicamente devia ser publicado, e não com informar, quer no seu jornal quer em outros, é porque o sr Fernandes entrou no domínio da farsa. Agora que o preocupe o facto de nem todos estarem na sua farsa - já é delírio.
É bom que o sr. Fernandes comece a compreender que ninguém lhe pagará o frete. Ou por falta de crédito (se ele não atingir as suas metas) ou para evitar convivências indecorosas (mesmo que ele atinja as tais metas).


1.7.09

Primeiro dia do RoboCup 2009 em plena competição



A primeira vez que, estava eu recém-chegado como pós-doc ao Instituto de Sistemas e Robótica(I.S. Técnico), participei no acompanhamento da visita de uma turma do secundário ao laboratório onde se trabalha nos robots futebolistas, aconteceu-me a seguinte troca de palavras.
Depois de o Professor Pedro Lima ter orientado uma exibição dos futebolistas, e dado uma explicação das suas proezas talvez inteligentes, uma das professoras da turma, que era uma professora de filosofia, declarou: "Ah, mas os robots,ao contrário de nós, não têm conceitos". E eu, em resposta, perguntei (que é a melhor forma que os ignorantes têm de argumentar): mas se os conceitos são as ferramentas com que separamos certos aspectos da realidade de outros aspectos, ou distinguimos certas coisas e situações que cabem das que não cabem em certas categorias, se os conceitos afinal são fronteiras que achamos úteis para lidar com alguma espécie de realidade - os robots, que distinguem o que é ou não é uma bola, que distinguem o que é estar dentro ou estar fora do campo, o que é ou não é uma baliza, o que é ou não é um parceiro de equipa, e assim por diante... se os robots fazem todas essas distinções, não terão (pelo menos uma forma rudimentar de) conceitos?
Ainda hoje estou para ouvir a resposta da tal professora, dedicada aos seus alunos, mas talvez demasiado entusiasta do exclusivismo da espécie humana. É que, quando pensamos a sério nos robots, talvez possamos diminuir certos entusiasmos juvenis, mas ao mesmo tempo também percebemos que, lá por serem máquinas, não deixam de desafiar alguns dos nossos preconceitos mais enraizados.
Andar aqui no RoboCup 2009 a ver as tantas coisas variadas que tantos humanos andam a tentar que os robots façam no futuro - levanta questões. Quando os robots estiverem por todo o lado, isso, só por si, não mudará a nossa percepção dessas "coisas"? A ver vamos. Mas tem-se um primeiro vislumbre dessa "selva" aqui neste recinto (ou recintos) onde há quase tantos robots como humanos.

Hoje deixamos apenas algumas ilustrações de coisas que por aqui estão a acontecer.



A equipa ISocRob (da casa que me acolhe) sofre um golo. É a vida!


Prova da modalidade RoboCup@Home. Pouco convincente.
(Em posta anterior apresentei as modalidades.)

Um robot para Busca e Salvamento.

Um jogo dos humanóides da Liga de Plataforma Padrão.

Os humanóides "NAO" precisam de muita afinação...

... e até algum carinho!


Eu cá ainda prefiro os humanóides "livres" (que não são de plataforma padrão).

Como bola colorida entre as mãos de... um estudante de engenharia!

(Expliquei as modalidades e as ligas do RoboCup aqui e aqui.)


eu sei em que condição

30.6.09

pina bausch (1940-2009)





mostrar na oposição o bem que se sabe fazer



PS acusa Ferreira Leite faltar à verdade sobre a venda da rede fixa à PT.


Os governos podem fazer muito mal à economia, em particular a certas empresas em que o Estado tem alguma intervenção accionista, estragando-lhes negócios e prejudicando o seu desenvolvimento. Isto todos compreendem. O que nem todos parecem compreender é que as oposições podem causar o mesmo dano, podem também ser impecilhos dos negócios legítimos de empresas com ambições legítimas. Mas para ver isso basta abrir os olhos.


RoboCup 2009 quase a começar

Agora já de Graz, verifico que está tudo em grande azáfama a preparar os últimos detalhes (ou coisas maiores do que detalhes, sei de alguns que estão mais no caso de grandes crocodilos a rondar...). Deixo, porque a viagem foi longa e há aqui outras voltas a dar, apenas algumas fotos a mostrar que estes robots não se compram na loja.


Há tanta coisa a discutir ainda...


E tanta gente tão diferente entre si...


E os robots que são criaturas tão delicadas...

... que às vezes até parecem cercar os seus criadores.

Criadores que não deixam a sua história em casa lá por virem para o RoboCup...

...onde se aprende a cooperar para melhor competir.


Equipas Portuguesas (A caminho do RoboCup 2009, em Graz – 5/5)



Este conjunto de cinco apontamento é uma actividade preparatória para a reportagem diária e em directo que aqui faremos do RoboCup 2009, em Graz (Áustria). A cobertura local começará a 1 de Julho e terminará a 5 de Julho, acompanhando assim todo o período de competições.


Agora que já estamos a voar para Graz, terminamos esta introdução com a lista das equipas portuguesas que estarão presentes. E, atenção, não seremos só nós a estar com o olho em cima das equipas portuguesas: é que, lembremos os eventuais distraídos – ou esquecidos: foi uma equipa portuguesa que venceu uma das principais ligas na anterior edição. Efectivamente, no RoboCup 2008, que teve lugar na China, a equipa CAMBADA, da Universidade de Aveiro, sagrou-se campeã da Liga de Robots Médios na modalidade central (futebol).

Veremos, então, por lá...

Na principal modalidade, competições de futebol, estão qualificadas as seguintes equipas portuguesas:

Liga de Simulação 2D
  • FCPortugal2D, de LIACC (Universidade do Porto) e IEETA (Universidade de Aveiro)

Liga de Simulação 3D
  • FCPortugal3D, Universidade de Aveiro e Universidade do Porto

Liga de Robots Médios
  • CAMBADA, Universidade de Aveiro (Campeã do Mundo em 2008!)
  • ISocRob, Instituto de Sistemas e Robótica (Instituto Superior Técnico)
  • ISePorto, Instituto Superior de Engenharia do Porto


Para o RoboCup Júnior estão qualificadas as seguintes equipas portuguesas:

Futebol
  • APCS Guarda/ VidroEstor (Pólo da Guarda da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas)
  • AGSG (Agrupamento de Escolas de São Gonçalo, Torres Vedras)
  • Cenatex 1 (Escola Profissional Cenatex, Guimarães)
  • Cenatex 2 (Escola Profissional Cenatex, Guimarães)

Busca e Salvamento
  • Vivinho Team (Agrupamento de Escolas de São Gonçalo, Torres Vedras)
  • APCS Guarda – Montepio (Pólo da Guarda da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas)
  • Escola Profissional de Braga
  • EPF Rescue (Escola Profissional de Felgueiras)

Dança

  • Naturateam, Agrupamento de Escolas de S. Gonçalo
  • Os Passinhas, Agrupamento de Escolas Pêro de Alenquer (Alenquer)
  • Roll Bots, Escola E.B. 2, 3/S Vieira de Araújo (Vieira do Minho)
  • The Birth of a Dragon, Cooptécnica - Gustave Eiffel


Vá pensando no significado de todos estes robots futebolistas e, depois, participe na consulta orientada pela pergunta "As máquinas pensam?". Como? Votando ao cimo da página ou comentando estes apontamentos.

Reportagem a partir de Graz, aqui neste blogue, amanhã.



29.6.09

robots que se fazem cá na casa


Chama-se Raposa, é um robô e foi desenvolvido no Técnico com o objectivo de ajudar bombeiros a localizar vítimas de sismos ou outras catástrofes.





O desenvolvimento do robô Raposa contou com o contributo de investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica, da empresa idMind e dos Bombeiros Voluntários de Lisboa.

O robô, que tem no currículo a participação numa missão de simulacro em Itália, já começou a despertar a atenção no estrangeiro, tendo sido vendido um protótipo para os Emiratos Árabes.

Neste vídeo realizado durante as 4ª Jornadas da Inovação, que se realizaram a meados de Junho na Feira Internacional de Lisboa, pode ver tudo o que o Raposa é capaz, quando se trata de salvar vidas humanas.

(Texto e vídeo da Exame Informática Online)

Parabéns, Rodrigo!

RoboCup: as diferentes ligas da modalidade Futebol (A caminho do RoboCup 2009, em Graz – 4/5)




Este conjunto de cinco apontamento é uma actividade preparatória para a reportagem diária e em directo que aqui faremos do RoboCup 2009, em Graz (Áustria). A cobertura local começará a 1 de Julho e terminará a 5 de Julho, acompanhando assim todo o período de competições.

Como dissemos anteriormente, a principal modalidade do RoboCup, o futebol de competição, organiza-se em várias “Ligas”, que passamos a descrever brevemente.


Liga de Simulação



Na "Liga de Futebol em Simulação" os investigadores não têm de se preocupar com o hardware (com a plataforma robótica física) e podem concentrar-se nos aspectos mais “imateriais” da inteligência artificial e na concepção da estratégia de equipa. Na Liga de Simulação 2D há duas equipas de onze jogadores virtuais e independentes (agentes) a jogar num estádio de futebol virtual representado por um servidor central (SoccerServer). Este servidor sabe tudo sobre o jogo, ou seja, designadamente, a posição actual de todos os jogadores e da bola, bem como a física daquele mundo simulado. O jogo depende muito da comunicação entre o servidor e cada agente, bem como das captações dos sensores virtuais (visuais, acústicos e físicos) dos agentes. Os agentes podem realizar várias “acções”, tais como virar-se ou chutar. Há também uma Liga de Simulação 3D (em que é maior o realismo do ambiente, o que implica, designadamente, uma física mais complexa) e uma Liga de Simulação 3DD (desenvolvimento). Cada jogo dura dez minutos.

Liga de Pequenos Robots




Na "Liga de Pequenos Robots", duas equipas de cinco robots cada, não podendo exceder os 18cm de diâmetro nem os 15 cm de altura (a menos que usem um sistema de visão a bordo), jogam uma contra outra num campo de aproximadamente 5 metros de comprimento por 3,5 de largura, com uma bola de golfe cor de laranja. Os jogos têm duas partes de 10 minutos cada. A maior parte das equipas usa um sistema de visão global do campo, colocado 4 metros acima dele.

Liga de Robots Médios



Na "Liga de Robots de Tamanho Médio", equipas de 5 robots com cerca de 50 cm de diâmetro jogam futebol num campo de 12 x 8 m. Os jogos têm duas partes de 10 minutos cada. Todos os sensores utilizados por estes robots na sua operação vão a bordo dos próprios robots. Pode haver comunicação entre robots, mas sem fios. Não é permitida qualquer intervenção dos humanos durante o jogo, a não ser para colocar ou retirar os robots no/do campo. Um dos principais truques usados há alguns anos para facilitar a vida aos robots, consistente em os objectos relevantes (como balizas, marcas delimitadoras de campo e posições especiais como os cantos, bola) terem cores distintivas previamente determinadas, está progressivamente a ser modificado para aumentar o grau de dificuldade: cada vez mais as equipas terão de se orientar sem essas “ajudas”. Este ano já só um elemento terá uma cor distintiva: a bola. E mesmo isso deve mudar em futuras edições.

Liga de Plataforma Padrão



Nesta liga todas as equipas usam a mesma plataforma (o mesmo tipo de robot físico, o mesmo hardware de base), de modo a que a competição se desenrola em torno da programação, do software. No passado, nesta liga brilhavam os cães-robotos AIBO, da Sony. Agora, temos equipas constituídas por robots humanóides NAO, da Aldebaran Robotics. O jogo (duas partes de 10 minutos cada) desenrola-se num campo com cerca de 7,5 m de comprimento e cerca de 5,4 de largura.

Liga Humanóide


Nesta liga competem robots com uma aparência física que, na sua estrutura global, pretende imitar a das pessoas. Há duas classes nesta liga: KidSize, para robots de 30 a 60 cm de altura; TeenSize, para robots de 100 a 160 cm de altura. Além dos “jogos”, nesta liga há também desafios técnicos


Vá pensando no significado de todos estes robots futebolistas e, depois, participe na consulta orientada pela pergunta "As máquinas pensam?". Como? Votando ao cimo da página ou comentando estes apontamentos.

Próximo apontamento desta série - aqui neste blogue, amanhã.



28.6.09

As modalidades do RoboCup (A caminho do RoboCup 2009, em Graz – 3/5)


Este conjunto de cinco apontamento é uma actividade preparatória para a reportagem diária e em directo que aqui faremos do RoboCup 2009, em Graz (Áustria). A cobertura local começará a 1 de Julho e terminará a 5 de Julho, acompanhando assim todo o período de competições.

Uma das grandes vantagens do formato do RoboCup é que tem um "problema padrão": jogar futebol. Desse modo concentram-se recursos e esforços num mesmo tipo de actividade, segundo regras comuns que todos conhecem e avaliam - em vez de pura e simplesmente andar cada um para seu lado. A medida do sucesso também é simples: os melhores ganham os jogos. Contudo, há muita diversidade no RoboCup: há diferentes modalidades e nem sequer são todas "futebol". Damos aqui um resumo das actividades englobadas pelo RoboCup no actual formato (tal como acontecerá em Graz).

Futebol de Competição (RoboCup Soccer)
É a estrela da companhia, a actividade mais importante do conjunto. Futebol, futebol, futebol. Inclui cinco competições (“ligas”): simulação, pequenos robots, robots médios, plataforma-padrão, humanóides. (Dedicaremos um apontamento específico a detalhar um pouco as diferentes ligas da competição em futebol.)


RoboCup@Home



RoboCup@Home é uma relativa novidade neste universo. Centra-se na interacção humano-máquina envolvendo robots autónomos, em aplicações que tenham vocação para se generalizarem em ambientes “normais” do quotidiano. Um ambiente caseiro é o cenário básico desta modalidade. Este ano inclui uma sala de estar e uma cozinha – mas prevê-se que em edições futuras inclua zonas de jardim, lojas e outros espaços públicos como ruas.


Busca e Salvamento (RoboCup Rescue)


Na modalidade de Salvamento as competições desenvolvem-se em torno do desenvolvimento de robots que venham a ser capazes de efectuar salvamentos em situações de desastre. Inclui uma competição de simulação e uma competição com robots reais. A Liga de Simulação de Salvamento pretende desenvolver os sistemas de apoio à decisão em situações de emergência e concentra-se em aspectos como a integração de informação sobre cenários de desastre, previsão, planeamento e interface entre robots e humanos. A Liga de Robots de Salvamento desenvolve-se em torno de robots capazes de realizar tarefas úteis à detecção e apoio a vítimas em zonas acidentadas de acesso difícil para humanos.


RoboCup Junior



É fundamentalmente uma iniciativa educativa e de sensibilização, que combina cooperação com competição. Todos sabemos que o cenário típico dos nossos dias no que diz respeito ao envolvimento dos adolescentes com computadores é um adolescente frente a um computador, numa actividade isolada e isolante, muitas vezes numa atitude basicamente consumidora. Aqui, o cenário é outro: equipas de humanos, equipas de robots, actividade, aprendizagem, envolvimento. Há várias actividades previstas nesta modalidade: futebol, salvamento, dança.

Demonstrações
Há sempre muito mais para ver em cada edição do RoboCup. Desta vez, teremos, por exemplo, veículos autónomos em ambiente urbano: que tal o seu automóvel ir buscá-lo à praia sem motorista nem nada?

Vá pensando no significado de todos estes robots futebolistas e, depois, participe na consulta orientada pela pergunta "As máquinas pensam?". Como? Votando ao cimo da página ou comentando estes apontamentos.

Próximo apontamento desta série - aqui neste blogue, amanhã.