27.6.09

RoboCup, um teste de Turing de nova geração (A caminho do RoboCup 2009, em Graz – 2/5)




Este conjunto de cinco apontamento é uma actividade preparatória para a reportagem diária e em directo que aqui faremos do RoboCup 2009, em Graz (Áustria). A cobertura local começará a 1 de Julho e terminará a 5 de Julho, acompanhando assim todo o período de competições.

O conceito dos modernos computadores digitais (a “máquina de Turing”) foi "inventado" por Alan Turing num artigo de 1936. Num outro artigo, de 1950, Turing lança outra "pedrada no charco" da reflexão acerca da relação entre mente e máquina.
Querendo considerar a questão "as máquinas pensam?", mas considerando-a, nessa forma, uma questão "demasiado desprovida de sentido para merecer discussão", Turing propõe-se expressá-la noutra forma. Para isso introduz o "jogo da imitação".
Sejam três pessoas: A, um homem; B, uma mulher; C, um interrogador humano que permanece numa sala separada de A e B. O objectivo do jogo é:
- para o interrogador, determinar, com base nas perguntas que dirige a A e a B e nas respostas obtidas, qual é o homem e qual é a mulher;
- para a mulher, ajudar o interrogador (dizendo a verdade);
- para o homem, enganar o interrogador, fazendo-o crer ser ele a mulher. Para que o tom de voz de A ou de B não ajude o interrogador, as respostas ser-lhe-ão transmitidas por telétipo.



Agora, a questão "as máquinas pensam?" pode ser substituída pela questão seguinte, relativa a um particular computador digital C: "É verdade que, modificando esse computador para ter uma capacidade de memória adequada, aumentando satisfatoriamente a sua velocidade de trabalho e fornecendo-lhe um programa apropriado, podemos fazer com que C desempenhe satisfatoriamente o papel de A no jogo da imitação, sendo o papel de B desempenhado por um homem?". De acordo com a distribuição de papéis no jogo, o desempenho satisfatório do computador diz respeito à capacidade para evitar que o interrogador o identifique como tal.
Nesta segunda fase do jogo, tanto o homem como o computador imitam uma mulher. No entanto, tanto Turing no resto do artigo, como a maioria dos comentadores, ignoram o aspecto "género" da questão. Em geral, o jogo é entendido de uma forma simplificada como dizendo respeito à capacidade de uma máquina para, quanto à sua inteligência, se fazer passar por um humano quando apreciado precisamente por um humano. Acreditamos que a correcta interpretação da situação é a seguinte: não nos parece que a questão do género seja essencial ao que Turing nos propõe considerar (nada nos leva a crer que Turing adoptasse qualquer forma de sexismo na concepção desta experiência); mas não nos parece possível eliminar o facto de que tanto o homem como a máquina estão a tentar fazer-se passar por algo que não são. O homem está a tentar imitar uma mulher; a máquina está a tentar imitar um humano. A capacidade de imitar, de simular, mesmo de enganar, está no centro do exercício.
A "aposta" de Turing é então explicitada: por volta do ano 2000 haverá computadores que jogarão tão bem o jogo da imitação que um interrogador humano médio não terá mais do que 70% de hipóteses de fazer uma identificação correcta após 5 minutos de interrogatório, de tal modo que alguém que fale em máquinas pensantes não correrá o risco de ser contraditado. Nos próximos episódios veremos o rebuliço que causou esta aposta de Turing. É a história do que se passou a chamar "o teste de Turing".
Portanto, em 1950 o britânico Alan Turing apostou que em 2000 seria pacífica a ideia de que as máquinas são capazes de pensar. No caso do futebol robótico há uma aposta parecida. Os investigadores japoneses Minoru Asada e Hiroaki Kitano escreveram em 1999: "Até meados do século XXI, uma equipa de robots humanóides autónomos baterá a equipa humana campeã do mundo de futebol, segundo os regulamentos oficiais da FIFA". O RoboCup é a principal linha de investimento na tentativa de ganhar essa aposta.

(Para um desenvolvimento destas questões: SILVA, Porfírio, "Por uma robótica institucionalista: um olhar sobre as novas metáforas da inteligência artificial", in Trajectos, 5 (Outono 2004), pp. 91-102 pdf aqui)

Vá pensando no significado de todos estes robots futebolistas e, depois, participe na consulta orientada pela pergunta "As máquinas pensam?". Como? Votando ao cimo da página ou comentando estes apontamentos.

Próximo apontamento desta série - aqui neste blogue, amanhã.



olhai o calendário, por favor



Carreira docente: quotas para classificações de mérito afinal são transitórias.


«A ministra da Educação admite que as quotas para as classificações de mérito atribuídas a docentes, que a tutela sempre disse serem fundamentais para garantir a diferenciação entre professores, podem afinal deixar de existir a prazo.»

Não sabia que havia ministros deste governo a planear a apresentação de candidaturas próprias às próximas eleições legislativas! Mas parece que há. De outro modo, como se compreende que, em final de legislatura (e, portanto, de mandato), anunciem planos e/ou intenções para o futuro? O futuro pertence aos seguintes. Mesmo que os seguintes sejam os socialistas, o que então se fará depende do programa eleitoral (que ainda não foi apresentado) e do consequente programa de governo. E não deverá depender da inércia das actuais políticas - mesmo quando elas tenham sido boas. Ou a ideia de ciclo não diz nada a estes ministros? É que, se não se calam, como pode aquele que é ao mesmo tempo PM e SG do PS conseguir apresentar um "novo rumo" que não seja visto como mera masquerade do que já se conhece?



26.6.09

A caminho do RoboCup 2009, em Graz (1/5)



Este conjunto de cinco apontamento é uma actividade preparatória para a reportagem diária e em directo que aqui faremos do RoboCup 2009, em Graz (Áustria). A cobertura local começará a 1 de Julho e terminará a 5 de Julho, acompanhando assim todo o período de competições. A seu tempo daremos conta de outro local, mais espaçoso, onde estaremos também a reportar de Graz.


Acima e abaixo: imagens do jogo de demonstração Humanos vs. Robots, no RoboCup 2007.
(Imagens: Prof. Tucker Balch, General chair of RoboCup 2007)




O RoboCup é o Campeonato do Mundo de Futebol para Robots. Trata-se de uma iniciativa internacional que visa fomentar a investigação e a educação na área da Inteligência Artificial e da Robótica. Em cada ano realizam-se competições e um simpósio científico para analisar a evolução desta área de investigação.

Como tudo começou. Em 1991, o Dr. Hiroaki Kitano (um investigador japonês em Inteligência Artificial) assistiu a demonstrações de grupos de robots nos E.U.A. e achou-as monótonas devido à lentidão e imperfeição dos movimentos dos robots. Kitano estava também preocupado com o facto de a Inteligência Artificial continuar a dedicar-se a “problemas brinquedo”, isto é, desligados de problemas reais. O workshop designado Grand Challenge of AI, que teve lugar aquando da International Joint Conference on Artificial Intelligence de 1993 (IJCAI-93, em Chambery, França), foi um dos marcos da reflexão destinada a identificar os problemas da Inteligência Artificial no futuro. Na sequência dos seus resultados, realizou-se durante dois anos um estudo de viabilidade e, em 1995, tiveram lugar os primeiros jogos de futebol robótico e conferências internacionais no IJCAI-95, em Montreal. Em 1996 teve lugar um evento preliminar em Osaka. A primeira edição "a sério" teve lugar em 1997.

Qual é o interesse? Há vários factores que tornam o RoboCup interessante do ponto de vista da investigação. Desde logo, trata-se de robótica colectiva: não temos um robot isolado, temos equipas - o que suscita muitos problemas (de coordenação e de orientação, por exemplo). Além disso, temos equipas contra equipas, competição. Temos (em algumas das competições) robots físicos autónomos (são deixados entregues aos seus próprios recursos durante o jogo, sem auxílio humano). Dada a complexidade das tarefas (e a diversidade das competições que compõem cada RoboCup), há sempre vários problemas para resolver e que exigem o recurso a uma grande variedade de novas tecnologias. Há, ainda, o facto de ser futebol: trata-se de uma actividade com grande visibilidade e que o público leigo julga por critérios de senso comum. Desse modo, os cientistas são confrontados com a apreciação de credibilidade do seu trabalho.

Antigamente os computadores jogavam xadrez... Já todos ouvimos falar de computadores que jogam xadrez e que até ganham nessa modalidade aos humanos. Não vamos entrar aqui numa apreciação crítica dessas afirmações, mas queremos lembrar apenas um ponto. A actividade de "jogar xadrez", tal como é praticada por computadores, é algo que se passa apenas "dentro da cabeça", é puro "raciocínio" ou cálculo, é meramente "intelectual". Pelo contrário, os robots "andam no mundo" físico, encontram obstáculos reais - e encontram outros robots, com os quais devem "colaborar" ou "competir". Desse modo, os desafios suscitados pela robótica - e em particular pela robótica colectiva - são muito mais complexos e muito mais ricos. Daí o grande interesse do RoboCup para a sempre renovada ambição da Inteligência Artificial.


Vá pensando no significado de todos estes robots futebolistas e, depois, participe na consulta orientada pela pergunta "As máquinas pensam?". Como? Votando ao cimo da página ou comentando estes apontamentos.

Próximo apontamento desta série - aqui neste blogue, amanhã.



dado haver por aí muita falta de memória...


... é altamente recomendável ler um apontamento de Eduardo Graça, no seu Absorto, intitulado A «Nova Esquerda» que eu conheci morrreu – Uff! . Trata-se de um relato, por dentro, de um episódio da história da democracia portuguesa - o qual, ao espelho, dá a ver a ignorância chapada (ou então a arrogância) de alguns sábios renovadores da esquerda que chegaram no último minuto junto ao balcão de serviço e começaram logo a pedir bebidas que não sabem o que sejam só por vagamente lhes terem ouvido chamar o nome.
Do texto do Eduardo, atrevo-me a recortar apenas isto: «Convenhamos que o caminho da renovação da esquerda carece de um pouco mais de estudo e imaginação.» Aplaudo. Doendo-me as mãos só de pensar no que a vida é, mas aplaudo.

ópera bufa



Governo vai vetar o negócio da compra da TVI pela PT.


Grupo não está interessado nos 30 por cento deixados pela PT. Cofina quer comprar participação maioritária na Media Capital.


Neste país, o eleitoralismo da oposição consegue interferir na gestão de empresas privadas. E não se envergonham por isso.
Quando a Prisa entrou na TVI, clamaram que a Prisa ía controlar a TVI para ela se tornar uma estação rosa. Foi o que se viu. Agora, reclamam que se a Prisa vender, a TVI pode tornar-se uma estação rosa. Em que ficamos? Em nada, porque não há memória pública neste país. Lambram-se quando Oliveira Martins foi para presidente do Tribunal de Contas? Diziam que seria, lá, um muchacho dos rosas. E é o que se vê. Nesta ópera bufa continuam alguns a clamar pelo lobo, sem haver lobo nenhum, mas ninguém aprende a lição. Até porque na enchurrada não se respeita ninguém.


vendo um exemplar


Tenho um exemplar do Público de hoje para venda. Mas só o vendo mutilado. Confesso: às sextas-feiras não dispenso o ípsilon. Tem mesmo de ser. Vendo, portanto, o "caderno principal", já limpo de suplementos publicitários. Bom, nesse caso, tenho de o oferecer. A quem passe aqui pelo gabinete. Se o vendesse estaria a cometer qualquer crime contra o consumidor.
(O i , entretanto, começou furiosamente a imitar o Público num aspecto crucial: erros tipográficos por todo o lado.)

um bom exemplo (em três andamentos)


Lê-se no Mar Salgado, sob o título Bobbio dá voltas no túmulo: «O programa da esquerda italiana consiste em enfiar o nariz nas cuecas de protistutas [sic] e em recolher restos de branquinha. E em baixar a cabeça, respeitosamente, quando ouve as reprimendas do Vaticano a Berlusconi.» [Mantive o "protistutas" na citação, já que pode representar uma mensagem específica que a minha falta de cultura em geral me impede de entender - e não quero privar os leitores de gozarem as delícias de que as minhas limitações me privam.]
Este post é um bom exemplo de várias coisas. Primeiro, anda por aí muita gente preocupada com a desorientação programática da esquerda. Em que companhia me havia eu de encontrar... Segundo, anda por aí muita gente para quem o estatuto social da mulher é coisa de somenos, não valendo para muito mais do que para graçolas de taberna (perdão: de bar fino em fim de tarde pós-escritório). Terceiro, anda por aí muita gente para quem qualquer coisa dita pelo Vaticano é ridícula só por ser dita pelo Vaticano (quase tanta gente como aquela outra que ouve o Vaticano com o mesmo zelo que outros ouviam a Rádio Moscovo.)
Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. (Não, não sou religioso...)


25.6.09

"O amor é um pássaro verde num campo azul no alto da madrugada"



"Aquilo" ali acima foi escrito por Vitor Barroca Moreira, aos nove anos, e Maria Rosa Colaço colheu e plantou, junto com outras obras de precisão de crianças de uma escola de Almada, em "A Criança e a Vida", lá pelos idos de 1970 (salvo erro). E depois foi um cartaz, editado pelo ITAU.
Se as crianças podem escrever (e, o que é mais, pensar) essas coisas, para que queremos poetas profissionais? (Para já não falar de outras classes.)


filosofia da ciência


Pouca gente liga alguma coisa à filosofia da ciência. Já porque pouca gente liga alguma coisa à filosofia. Já porque a maior parte das pessoas pensam que não há nada que pensar sobre a ciência, porque a ciência seria "para seguir o que ela diz e pronto".
Há alguns anos, quando eram outras as minhas ocupações (era na altura emprestado à diplomacia comunitária), uma conviva num jantar, que decorria algures no norte da Europa, perguntou-me qual era o meu interesse profissional fora daquelas funções. À minha resposta "filosofia da ciência", a senhora respondeu "mas isso não existe, são coisas contraditórias, campos opostos". Eu tentei explicar que não. E ela repisava que eu não devia estar bom da cabeça. Já não sabia como desembaraçar-me diplomaticamente de tanta insistência - quando fui salvo por uma das minhas colegas finlandesas, a Paivi, que calou a sua compatriota com um argumento de autoridade (ou empírico?) nestes termos: "a filosofia da ciência existe, sim senhora: o meu marido é professor disso mesmo na universidade". A mulher calou-se, mais por despeito do que por ter acatado a relevância da informação. Mas a tal senhora, na verdade, representava um padrão muito "normal".
E isso é grave, porque há imensas entorses ao bom método de avaliar o que deve ser tido em conta para uma vida boa, nomeadamente na vida de uma comunidade política, por causa de compreensões erradas do que é a ciência e de como podemos aproveitar os seus inúmeros benefícios - sem cairmos como patinhos nas inúmeras falácias dos seus sacerdotes mais exaltados.
Uma bom ponto de partida para voltar a pensar nisso (sem que eu concorde com tudo o que lá se diz) é a posta de Francisco Oneto, intitulada Economia do Conhecimento - Notas, no Ladrões de Bicicletas.



roma não paga a traidores


Socialistas europeus recuam em relação a Barroso.


«O líder do grupo socialista no Parlamento Europeu, Martin Schulz, recuou na sua recusa em apoiar a reeleição de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia e diz que agora que se trata de uma questão em aberto, reforçando as hipóteses de o actual presidente conseguir um segundo mandato.»

Mas este senhor "recuou" em relação a quê? Deixou de apoiar depois de ter apoiado? Ou passou a apoiar depois de se ter recusado? Este senhor Martin Schulz é provavelmente o pai, ou pelo menos o padrinho, ou ao menos o mordomo, da estratégia suicida dos socialistas europeus apoiarem Barroso para presidente da Comissão, quando Barroso se deixava conduzir pela mão do principal concorrente do PSE. Será que Barroso ainda vai oferecer um lugarzinho de comissário ao senhor Schulz? Não, não pode, mas se calhar essa pequena ambição pessoal do senhor Schulz explica muito disparate que por aí tem andado.

a economia de mercado vai ser suspensa por seis meses por MFL?

o pulo do lobo



Cavaco diz que PT deve explicar interesse na TVI.


O "interesse" do Presidente da República parece estar cada vez mais partidariamente orientado. As suas palavras e as palavras de uma certa líder da oposição têm coincidido demais e em assuntos demasiado concretos para isso não significar uma cada vez mais explícita aliança entre o PR e um determinado interesse partidário. Será esta a primeira vez que a PT se interessa pela comunicação social? Ou a comunicação social só é boa quando está em "boas mãos"? E quando serve pertinazmente certas linhas de cabotagem?

(É urgente repescar aquelas declarações televisivas de Cavaco a explicar, a posteriori, como tinha "brincado" com os jornalistas dizendo que estava isolado no Pulo do Lobo e por isso não estava informado sobre determinado assunto. Essa declaração televisiva é uma ilustração magnífica da hipocrisia de certos protagonistas vestidos de candura. Como lobos vindos do Pulo do Lobo.)

a liderança dual do PSD do momento



Ferreira Leite diz que seria escandaloso se a PT entrasse na TVI e Moniz saísse.


Manuela Ferreira Leite está a usar politicamente o facto de ser vista por muitos como uma senhora ingénua: diz qualquer tolice que lhe venha à cabeça na certeza de que pensarão que mosca tão morta não tenta enganar ninguém. É como aquelas velhinhas carteiristas que se safam sempre no autocarro por ninguém acreditar que elas roubam - mesmo quando os nossos olhos vêem que elas roubam.
MFL comete os seus crimes a coberto desse tipo de impunidade. Ontem, em entrevista televisiva, acusou directamente Sócrates de mentir sobre uma questão específica: o regresso da PT ao mundo da comunicação social. Falou como se soubesse, empenhando directamente a sua palavra como penhor de verdade, no uso de um tom de certeza que certamente aprendeu com o mestre Silva. Abusou do espectador - do crédito ingénuo que o incauto espectador ainda lhe dá - para acusar outra pessoa, o PM deste país, de mentir.
É razoável supor que MFL estava a mentir. Se o que o presidente da PT veio dizer a seguir é verdade - MFL estava a mentir. Estava a fazer afirmações para as quais não tinha sustentação. Estava, mais uma vez, a abusar da nossa ingenuidade. Estava a usar como argumento político o puro delírio, a pura capacidade de inventar - no modo da calúnia. MFL, convém começar a fazer as contas, tem abusado da técnica da carteirista velhinha. E isso é perigoso.
Durão Barroso vendeu a tanga para se apoderar de um governo com o qual não sabia o que fazer. Mais ou menos conseguiu esconder esse facto rumando a Bruxelas. Pedro Santana Lopes mostrou ao país o que o ex-grande partido português PSD pode deixar que aconteça quando não acredita nos sinais e confia demais nos seus. E MFL, com o seu ar de dama desprotegida, falha a promessa de ser um Cavaco de saias. Isso ainda seria menos mau. O mau mesmo é que MFL se revela cada vez mais como um PSL de saias. É essa a liderança dual que o PSD promete ao país neste momento.


24.6.09

ainda a lemniscata

que fazer?


Previsões da OCDE: Portugal recua 4,5 por cento em 2009 e desemprego atinge os 11,2 por cento em 2010.


Há a crise internacional. E, claro está, há - e já havia antes - a nossa própria crise. A crisezinha portuguesa, com certeza. A que alguns esquecem e outras usam para apontar o dedo. Apontar o dedo, a quem? A quem sinalizou que não enriquecemos trabalhando menos ou pior. Que com a passividade só ficaremos mais pobres.
Andam todos, nas oposições, a evitar dizer que só saímos desta apagada e vil tristeza com sangue, suor e lágrimas. É por isso que, malgré os erros de Sócrates, estas oposições só me parecem prometer as mesmas novelas tristes do passado.
A direita só quer que o rigor caia sempre sobre a cabeça dos mesmos, apesar das iníquas desigualdades que marcam o nosso país com o ferro da vergonha.
A esquerda da esquerda prescindiu do discurso da emulação, do discurso da entrega, esvaziou o discurso da solidariedade - porque acredita que o dinheiro cai do céu. Essa fatal ilusão da "esquerda revolucionária", mesmo disfarçada de "esquerda chique", continua a ser a principal razão da sua aspiração à inutilidade.
"Que fazer?" - já perguntava o outro.

rock in law, again



No Diário Económico de hoje. (Clicar amplia.) A legenda reza assim: «No terraço do escritório, os "One Night Band" da Cuatrecasas, Gonçalves Pereira, ensaiam para o concerto de hoje à noite.» (mais)
Lá estaremos, senhor doutor.


23.6.09

não é só uma questãode economia


Hospitais privados discriminavam doentes beneficiários da ADSE.


«Depois de há um ano ter denunciado a prática de discriminação de utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) por unidades privadas convencionadas com o Estado, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) concluiu agora que havia hospitais privados que faziam exactamente o mesmo com os beneficiários da ADSE, o subsistema dos funcionários públicos.»

A questão do público e do privado não é só uma questão de economia e de eficiência. É também uma questão de direitos. Como se vê por este caso. Para que os direitos dos cidadãos não sejam espezinhados pelos corsários, estejam eles ao serviço de que coroa estejam, é preciso que os poderes públicos sejam isso mesmo: poderes. Poderes que exerçam o seu poder. A não ser que haja por aí 28 economistas da situação-que-se-arrasta que vejam nisso algum inconveniente ou careçam de mais estudos, claro...


Rock in Law



Clicar para ampliar. Ampliando verá melhor o aspecto "beneficiência" da iniciativa.

o nosso direito a não sermos permanentemente aldrabados pelo sr. Fernandes...


... não está a ser respeitado. Como se vê. É esta a imprensa do regime anunciado?

anúncio editorial


A edição deste ano do Campeonato do Mundo de Futebol para Robots - RoboCup 2009 - terá lugar em Graz, Áustria, entre 29 de Junho e 5 de Julho. Desde 2004, edição que teve lugar em Lisboa, que o encontro mundial do movimento RoboCup não se realiza na Europa. Aproveitarei a relativa proximidade geográfica (e o consequente efeito no orçamento da deslocação) para ir actualizar as minhas observações acerca da Robótica Colectiva que se pratica no RoboCup. E, do mesmo passo, darei aqui no blogue (e talvez em mais algum lado, mas isso diremos depois) reportagem diária do que por lá irá acontecendo. Incluindo o relato do desempenho das equipas portuguesas.

Entretanto, sugiro uma reflexão paralela orientada pela questão "As máquinas pensam?". E sugiro também a consequente participação na consulta sobre essa questão, que se encontra aqui na coluna da direita. Querendo, poderão os leitores participar mais activamente enviando pequenos textos acerca dessa questão, ou relacionando o futebol robótico com essa questão, os quais poderão vir a ser aqui publicados.

22.6.09

paga-se um preço por criticar os intocáveis


Ainda alguns duvidam de que há quem queira controlar os media. Há quem queira isso, há. José Pacheco Pereira, por exemplo, com chantagens publicamente anunciadas. Como se lê aqui.

ideologia, ideologia, ideologia

Prémio Lemniscata



O blog O Valor das Ideias atribuiu ao Machina Speculatrix o Prémio Lemniscata (aqui).
«O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores.»
Dada esta explicação do prémio, qualquer um fica, num primeiro momento, vaidoso pela escolha - especialmente quando a escolha provém de um blogue como O Valor das Ideias, que está longe da superficialidade que tantas vezes praticamos na blogosfera. Contudo, num segundo momento, pensamos como é preciso ser mineiro de minas profundas para descobrir pepitas de talento naquilo que fazemos. Dá vontade de voltar a ler o que fizemos antes para tentar descobrir as razões dessa escolha. E, finalmente, num terceiro momento, esquecemos essas preocupações e ficamos simplesmente satisfeitos com a distinção. E agradecemos. E, como sinal desse agradecimento, damos continuidade, segundo as regras: escolhemos outros 7 para esse prémio. Assim, eis os meus nomeados, blogues que mereciam ainda mais atenção do que aquela que têm:



Fica, entretanto, muito por fazer - depois deste aparente cumprimento das obrigações mínimas. Primeiro, descobrir onde nasceu esta corrente. Resposta: aqui, no blogue Lemniscata, no já longínquo 18 de Abril deste ano. Segundo, verificar as formalidades originalmente associadas à aceitação do prémio. E descobrimos, lá naquele posto de lançamento, um requisito que está há muito esquecido na corrente: «O premiado deverá responder à seguinte pergunta: O que significa para si ser um Homo sapiens
A minha resposta: o específico do Homo sapiens é a sua potencial existência social sofisticada, sendo que: (1) estamos a fazer muito para perder esse potencial; (2) a sofisticação da existência social do Homo sapiens passaria pela redescoberta da política a sério (quase que está longe de estar garantida).
Passo a palavra.

(Já agora: não sejam preguiçosos e façam uma procura para saber um pouco mais acerca de onde vem a tal lemniscata.)