06/03/11

Os"homens da luta" ganharam a 47ª edição do festival da canção


Só há poucos minutos percebi, lendo um apontamento publicado por um dos meus irmãos, que os "Homens da Luta" ganharam ontem o Festival da Canção. Esse facto sugere-me duas breves reflexões.
Primeira. Parece que há quem ache que aquilo é uma canção de intervenção. Isso, a ser verdade, quereria dizer que a canção de intervenção regrediu décadas, quer em termos de mensagem, quer esteticamente. A "canção" que venceu o festival é um insulto a tudo aquilo que me habituei a apreciar como música de intervenção, quer pelas "ideias" quer pelo barulho que as acompanha.
Segunda. Para quem, como eu, viveu toda a sua vida consciente imerso em interesse pela política, o que mais surpreende (e incomoda) é que, hoje em dia, tudo seja visto pelos óculos da política mais imediata. O espaço público está tomado por uma fúria de confronto generalizado, servido por todo o tipo de tácticas em todas as frentes. O festival da canção foi agora tomado por uns tipos que, ainda recentemente, se acharam no direito de sabotar a campanha eleitoral de partidos que não lhes vão no goto.
Os aplausos que por aí vão são uma clarificadora assinatura de quem os profere. "Proferir aplausos" como "proferir impropérios" - daí a expressão usada.



Votos do “povo” dão vitória aos Homens da Luta no Festival RTP da Canção.

19 comentários:

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Exacto, Porfírio.

Ruaz disse...

Caramba, vamos com isto a Dusseldorf!!! agora é que os alemães não nos emprestam o dinheirito!!!

Ruaz disse...

Não concordo nada com o Porfírio.
Este é o link da canção que a espanha enviou em 2009 à Eurovisão
:
http://www.youtube.com/watch?v=8RviZkSdMes&playnext=1&list=PLC88E8A928C1E6F8E

Como podem ver uma canção humorística, que brinca com as coisas de Espanha.
Será que a "instituição " festival da canção não permite que Portugal brinque? tem o estatuto do Bolchoi???
ou será que tudo dos anos de abril é sagrado e não se pode brincar? Talvez que sim , para alguns, mas não para todos.

MFerrer disse...

O êxito da "national-xungaria" apenas reflete a falta de elevação e de cultura que sempre caracterizou a direita.
Aliás quanto mais à direita menos cultura.
Bem nos lembramos do ditador sul-americano que dizia, "sempre que oiço a palavra cultura puxo da pistola"...

Anónimo disse...

Canção de intervenção? Eu não posso deixar de me rir à gargalhada com isto...

É assustadora a falta de compreensão das elites. E tomo o Porfírio como uma elite que aparentemente se interessa por Portugal e suas opções politicas.

"Homens da Luta" e as suas canções, são uma forma de humor e sátira.

O que devia interessar, e já agora incomodar, o Porfírio é o porquê da classe politica estar já à mercê de acções humorísticas deste nível. Os políticos (e já agora foram todas as campanhas alvo do humor dos "homens de luta" e não apenas algumas que não lhes caíram no goto) simplesmente perderam o respeito à população e a eles próprios. O sistema está realmente em falência. "Isto" é apenas um sintoma. Devia-lhe preocupar a causa...

Atentamente,

AAS

Porfirio Silva disse...

AAS,
Agradeço encarecidamente os seus conselhos. Quando, do fundo da minha profunda ignorância, conseguir perceber o sentido desses conselhos, vou certamente tomá-los na devida conta. O que não prometo que seja fácil, dado o aroma a oráculo que sobe da distinta prosa - e as minhas limitações intrínsecas, que Vexa. tão bem parece ter topado.
Se, entretanto, me der algum motivo para eu me convencer de que Vexa. é pessoa qualificada para dar conselhos, ficarei (como soe escrever-se nos cemitérios) eternamente grato.
Saudações elitistas e votos de boa saúde.

Zé da Minda sempre disse...

Porfirio, um pouco de humildade não fica mal.Vai concordar comigo, se lhe disser que até do homem mais humilde estamos sujeitos aos seus conselhos...

Porfirio Silva disse...

Zé, claro que sim. Até a Minda concordaria consigo. Agora, a vida é mesmo assim: eu não sou capaz de seguir um conselho se o não compreender. É preciso que me expliquem devagarinho, para eu poder acompanhar.
(Já agora, Zé da Minda, gosta mais da minha humildade do que da dos outros?)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Também só soube há momentos e fui ouvir a canção. Embuchei. Quando soube que tinha sido escolhida pelo voto do povo, fquei desarmado.
Afinal, este povo merece o que tem.

Porfirio Silva disse...

Povo? Bom, uma fatia do povo. Como dizia um dos "homens da luta", uma fatia da fatia de povo que paga 60 cêntimos + IVA para votar no festival da canção...

António P. disse...

Mesmo para aqueles que a consideram canção de intervenção tenho o dirieto de apupá-la..ou não ??
Parece que agora está na moda gostar de todo e qualquert que quer ser o Zeca Afonso ou o Ary dos Santos do século XXI.
Esquecemo-nos que muito da dita canção de intervenção dos idos de 60, 70 e 80 passaram à história e que hoje só nos lembramos dos melhores.
Sim porque como em tudo na vida há os bons, os assim-assim, os medíocres e os maus.
Os "Homens da luta2 fazem canção de intervenção não digo o contrário, digo é que é uma grande merda ( desculpa Porfírio...podes apagar 9...e eu agora vou ouvir o Zeca.
Cumprimentos e brinquem muito ao Carnaval.

Porfirio Silva disse...

António, apago coisa nenhuma! Além de concordar contigo, a pequena extravagância do "grande merda" ainda te faz ganhar algum festival mesmo sem quereres!

Kruzes Kanhoto disse...

Isto é que vai uma azia...

Porfirio Silva disse...

Razia, mesmo !

ariel disse...

Na mouche, Porfírio. Só me apetece dizer, em resumo: tudo isto é triste, tudo isto existe, tudo isto é fado!.

Anónimo disse...

Desta vez o público nada truncou. O democrata Porfírio Silva acha que o festival da canção foi tomado, apesar da eleição pelo voto popular do vitorioso. O voto vale o que o vale para a democracia musculada de Sócrates, espécie de putinismo em que silenciam as vozes discordantes. E já agora a tal acção partidária foi objecto de intervenção da PSP. Era isso que esperava no Sábado? O povo que votou, votou. O Porfírio não. Como diria o Dr. Vitorino: habituem-se!

Porfirio Silva disse...

Oh Anónimo das 14:05, deixe-se de patetices que até lhe fica mal! O povo votou? Qual povo? Votou o quê? Os telefonemas para um canal de tv agora já são o povo a votar? O povo vota em eleições - lembra-se de quem ganhou as últimas? Não sei que estória é essa da PSP numa acção partidária: refere-se àquela antidemocrática tentativa, em Viseu, de boicotar uma reunião partidária? PSP é "Partido Socialista Português"? Nesse caso tire o último P, fica mais correcto. Mas o Anónimo das 14:05 não está nada interessado em ser correcto, pois não? Só está interessado em destilar ódio e arrogância. A coberto do anonimato, claro.

Anónimo disse...

O anónimo das 14h05 agradece que lhe diga se em Portugal é obrigatório votar? Da última vez que verifiquei, tanto em eleições "ditas sérias", como em televoto em concursos, vota quem quer. E o escrutínio em apreço estava sujeito a um número de telefone apenas valer um voto. Por isso votou quem quis. O Porfírio não quis. Aceita as consequências.

Quanto às últimas eleições, julgo que terá a sua actual presidente da república a vencê-las.

Aquelas a que me referia eram as legislativas, onde numa acção de campanha legítima do PS em Setúbal (voilá!), estes mesmos "homens da luta" interromperam a chegada gloriosa do PM recandidato ao cargo. E foram travados pela Polícia de Segurança Pública. Deu algum brado nas televisões. É pena. Porque era tão legítima a acção de campanha como a acção de protesto. Mas a PSP ainda obedece ao MAI.
Aliás os sindicalistas identificados em manifestações de professores, e os identificados à porta do PM também estavam em acções legítimas.

Sabe, não foi só o PS em Viseu que desenvolveu uma acção política legítima em Portugal.

E já agora, em que é que a ausência de uma conta google, de que decorre o anonimato, difere de eu assinar Ruaz ou outra coisa qualquer? Se assinar António Antunes, sou mais legítimo aos seus olhos?
Substância, caro Porfírio, substância....

Porfirio Silva disse...

O Anónimo das 17:21 continua a confundir voto para um programa de tv com eleições. Também não sou eu que lhe vou explicar a diferença.
Aliás, como o Anónimo das 17:21 defende que é legítimo boicotar a campanha eleitoral de um partido, tal como defende que é legítima a intrusão numa reunião desse mesmo partido, o que temos de fazer a esses anónimos não é explicar-lhes nada: é defendermo-nos deles, porque defendem os métodos clássicos do fascismo ascendente. Sim, na Europa ocidental cristã e civilizada e essas tretas todas, quem inventou esse método foram os fascistas. Têm bons alunos, pelos vistos.
Quanto ao anonimato, em si mesmo: cada um usa o que quer. Ruaz, por exemplo, aponta para sítios públicos na blogosfera, pelo que sei que é uma pessoa que pode ser identificada, por exemplo se me ameaçar fisicamente como outros já fizeram. Não é o caso do Anónimo das 17:21. De qualquer modo, estou aqui a responder-lhe, sendo que uma coisa é certa: eu dou a cara. Mas, dando a cara, não deixo de chamar os bois pelos nomes.