24.2.10

pois pois


Léon Ferrari, Declaración de la Academia Pontificia, da série L'Osservatore Romano, 18/03/2001

(colagem de papel impresso sobre papel impresso)

[Fotografado no Museo e Centro de Arte Rainha Sofia, Madrid, Dezembro de 2009]




gente que não se esconde / para que conste



Eduardo responde a Pacheco: Cada macaco no seu galho.


Sofia responde a Pacheco: Os novos Guardiões do Templo.


Obrigado, Eduardo. Obrigado, Sofia. Em vós saúdo o facto de que haja gente que não se esconde.

23.2.10

às vezes precisamos respirar um pouco

18:23
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clicar na imagem para ir.
este mundo explora-se com o discreto botão "anterior" que se encontra lá bem ao fundo. 
obrigado, f.


outras coisas: relatório e contas

Sócrates nos Sinais de Fogo

09:22


O jornal i escolhe três comentadores isentos e objectivos para se pronunciarem sobre a entrevista de José Sócrates, ontem na SIC, a Miguel Sousa Tavares. Há lá pérolas de análise política. Vejamos.
Maria Filomena Mónica, que confessa ter entrado a certa altura em estado de hibernação, diz de Rui Pedro Soares: "É possível que quem vê caras não veja... competências, mas olhando o rosto do rapazinho, alguém é capaz de justificar o salário que recebia?". Esta senhora assina um "depoimento" destes e apõe ao seu nome, nesse lugar, a condição de "socióloga". Há por aí patrões que também decidem o salário pela cara... da menina a contratar. É a esse nível que se coloca Maria Filomena Mónica neste sapiente comentário.
Vasco Graça Moura, que assina como escritor, o que é pena por como escritor ter valia, escreve: "Aquilo que ele faz para apresentar a situação económica do país em relação aos números que ele considera ser mais positivos que nos outros países da zona euro - Espanha, Grécia - é desmentido diariamente pela experiência de todos os portugueses". O senhor escritor não discute números, por isso não lhe interessar. O senhor escritor acha que as economias comparadas dos vários países são sentidas diariamente pelos portugueses. Quer dizer: ou os portugueses viajam diariamente por toda a zona euro, ou o senhor escritor leva o "achadismo" ao cúmulo ("eu acho que...") ou o senhor Moura não percebeu nada do que ouviu e pensa que os dados económicos são inventados da mesma maneira que ele escreve romances.
Maria João Avillez, outra peça deste trio de comentadores isentos e objectivos, diz que Sócrates foi "mais do mesmo, devolução obsessiva de acusações, negações, vitimizações. Tudo o que o país dispensava, nada do que o país necessita." A senhora Avillez gostaria que o PM se calasse à tormenta de mentiras de que tem sido alvo. É um gosto dela, ela lá sabe, deve fazer parte da sua isenção de jornalista e comentadora. Mas devia, pelo menos, lembrar-se de quem fez as perguntas a que Sócrates respondeu: o jornalista, não o entrevistado. E, já agora, ser pessoa suficiente para ter ouvido o PM falar do país quando lhe foi dada oportunidade. Mas Avillez, nessa altura, já devia estar a dormir. Talvez ela "ache" que é disso que o país precisa.
Estes três acima são aquilo a que o i chama "o nosso painel". Palmas para o i. As recentes aquisições para colunistas estão conformes com o elevado nível deste painel. Sem dúvida.


22.2.10

notícias corporativas

Assessores do Governo usam meios do Estado para encomendar pizzas e chamar táxis


Não resisto a roubar esta "notícia" ao Imprensa Falsa:
Depois de vir a público que há assessores do Governo a utilizar os computadores do Estado para enviar e-mails, chega agora a notícia de que também há assessores do Governo a encomendar pizzas e a chamar táxis através de telefones do Estado.

Segundo um blogger que só uma vez teve relações sexuais mas que não quer falar sobre isso porque ainda hoje sente o hálito quente do chimpazé no pescoço, há uma rede tentacular de pessoas que usam meios do Estado para encomendar pizzas e chamar táxis.

«Eu ontem ia no táxi e ouvi no rádio “chamada ao palácio de são bento, chamada ao palácio de são bento, retalis”. Nem queria acreditar… um funcionário do Estado a chamar um táxi à conta do contribuinte! Lá tive de me abraçar ao taxista para me confortar. Mas o senhor Aníbal contou-me que o filho, que trabalha nas Telepizza da Estrela, também é muitas vezes chamado a São Bento» comentou o blogger.

O Imprensa Falsa tentou durante toda a tarde contactar alguns assessores do Governo, mas foi-nos dito que “à tarde não vale a pena ligar porque está quase tudo a ligar para os concursos da TVI, sobretudo agora que há uns que dão cinco mil euros para se adivinhar que fruto é este: ban_na”.


a apresentação da candidatura de Fernando Nobre



A apresentação da candidatura de Fernando Nobre provocou reacções engraçadas.
Há quem, tendo estado mudo e quedo perante tanta coisa grave para o país, se lembre de falar quando Nobre se apresenta. Como se se sentisse ameaçado, não propriamente pelo estado do país, mas por uma intenção de candidatura presidencial.
Há quem acuse logo Nobre de vir "dividir". Dividir o quê? Tinha sido feito algum esforço de unir alguma coisa, a tal ponto de se falar, por contraponto, em dividir? Será que alguém pensa que o espaço das candidaturas presidenciais está reservado por batalhas passadas?
Há quem manifeste enormes esperanças em Nobre, à conta do seu passado em outras guerras. Coisa que me custa a compreender: o valor não se transfere automaticamente de umas guerras para outras. E Nobre, em tão poucos dias, já falou o suficiente para se perceber que ele pensa que banalidades velhas se transformam em novas mensagens só por saírem da sua boca.
O ponto, para mim, é o seguinte. A situação moral do país é tão complicada que precisamos de uma batalha política em campo aberto, que coloque todas as cartas na mesa e obrigue a tudo discutir. Fazer caixinha para tentar garantir vitórias antecipadas (ilusões, portanto) só pode adiar e agravar os problemas. Precisamos, provavelmente, de algo como aquela eleição presidencial em que Freitas do Amaral, pela direita, enfrentou uma esquerda multipolar (Zenha, Pintasilgo, Soares) - tendo sido dessa multipolaridade aberta, e não do conluio táctico, que resultou uma clarificação. Não estamos outra vez a precisar de uma clarificação?
A ideia de que vale tudo para destronar Cavaco Silva, que alguma esquerda parece comprar, é uma ideia perigosa - porque puramente negativa. Estou certo de que pode haver vitórias "de esquerda" mais perigosas para o "povo de esquerda" do que a própria reeleição de Cavaco Silva. Os piores adversários raramente chegam a ser tão perigosos como os maus aliados.



exportações: o estilo Durão Barroso