11/02/10

trapalhice


O jornalista PPM publica hoje no i uma peça sobre a petição "Todos Pela Liberdade", que, de passagem, serve para dar a saber da concentração marcada debaixo da mesma bandeira. A peça inclui, no título, uma expressão entre aspas: "O presidente Nixon também não foi preso". O texto não esclarece quem terá proferido essa afirmação, citada entre aspas. Valeria a pena (já lá vamos).
O próprio jornalista parece baralhar um bocado os narizes: apesar de citar Henrique Raposo a dizer que "Nixon não foi preso mas teve de se demitir", o que é verdade, PPM acrescenta que "Nixon foi destituído das suas funções depois do caso Watergate". Afinal, demitiu-se ou foi destituído? Demitiu-se, mas PPM não vê dificuldades nos pormenores.
Voltando ao ponto: "O presidente Nixon também não foi preso", uma citação cuja paternidade não parece claramente atribuída, mas que é capaz de ser devida ao único entrevistado na peça que menciona Nixon, a saber, Henrique Raposo. Ora, esse dizer merece esclarecimento. Nixon não foi preso porque foi perdoado pelo presidente seguinte, Gerald Ford. Ford, sendo o vice-presidente de Nixon, foi presidente graças à demissão de Nixon. E deu-lhe o seu perdão por qualquer crime que tivesse cometido. Na verdade, não fosse esse perdão político, Nixon poderia mesmo ter sido condenado e preso. Porque, ao que se sabe, Nixon cometeu mesmo crimes graves.
É nesse ponto que tudo é diferente. É esse ponto que os peticionários querem obscurecer. E isso não deixa de ser assim por haver por lá militantes do PS zangados por nunca terem sido ministros. A mentira não passa a ser verdade por causa da molhada. Nem por causa de a mentira invocar causas nobres.

3 comentários:

irene pimentel disse...

Porfírio
É isso mesmo. Trata-se de mentira, como é mentira o que um dos candidatos a secretário-geral do PSD disse em Estrasburgo.

Paulo Pinto Mascarenhas disse...

O comentador Porfírio Silva deve decerto saber que escrever que alguém foi destituído das suas funções não quer dizer que tenha sido por outrém. Ou seja, Nixon ao demitir-se foi destituído das suas funções. Mas claro que é mais interessante tentar descobrir erros em casa alheia que na própria. E assim não se discute a substância da questão...

Porfirio Silva disse...

Oh PPM, não diga tolices.
Primeiro, eu não sou comentador. Nem politólogo. Sou um cidadão que escreve num blogue. E não sou pago para isso.
Segundo, eu já escrevi sobre a substância da questão, aqui neste mesmo blogue. Percebo que não lhe interesse, mas o seu desinteresse não o autoriza a sugerir inverdades.
Terceiro, um apelo: seja rigoroso, não invente, não deturpe a história nem participe na deturpação da história (que é o que faz na sua peça de hoje) e, finalmente, não tente também deturpar a língua portuguesa. O que diz (demitir-se é como ser destituído) é pura tolice, fugir com o rabo à seringa (como diz o povo). É como se, tendo eu morrido, alguém dissesse que eu tinha sido assassinado... pela morte natural.