23.7.10

podemos aprender coisas com a Angelina Jolie, sim senhores

Sociedades Humanas, Sociedades Artificiais: Perspectivas da Convergência


Um dos resultados da minha estadia como investigador visitante na Faculdade de Filosofia da Universidade Complutense, em Madrid, acaba de ser publicado na Trajectos. Trata-se de um artigo, a quatro mãos com Javier Bustamante, intitulado "Sociedades Humanas, Sociedades Artificiais: Perspectivas da Convergência".
O resumo é como segue:
Historicamente, as ciências do artificial têm explorado as possibilidades de máquinas inteligentes serem intercaladas nas interacções sociais dos humanos e de interagirmos com elas com um tipo de postura que signifique a sua admissão à relação social. Sem nos determos nos aspectos tecnológicos desse cenário, consideramos um obstáculo fundamental que ele enfrenta: as instituições, como marca distintiva das sociedades humanas, continuam a não ser compreendidas pelas ciências do artificial. Contudo, a convergência das sociedades humanas para sociedades artificiais pode ser conseguida, não pelos avanços das máquinas inteligentes, mas pelo empobrecimento das próprias sociedades humanas. Esse seria o resultado da limitação das possibilidades de construção institucional à disposição dos humanos. Esse processo de “naturalização” da sociedade tenderia a encerrar-nos num mundo de uma só camada, negando a possibilidade essencial de modificarmos o enquadramento institucional como modo de mudar o mundo e a estrutura dos problemas que nos concernem. Essas duas vias são neste texto consideradas como perspectivas da convergência entre sociedades humanas e sociedades artificiais.
Pode ser lido aqui:

Porfírio Silva e Javier Bustamante Donas, "Sociedades Humanas, Sociedades Artificiais: Perspectivas da Convergência", in Trajectos, 16, pp. 7-18

trabalhos hercúleos para o verão, verão




arte com mundos dentro

11:08

A propósito da inauguração (ontem) e da abertura ao público (hoje) da grande exposição retrospectiva de 30 anos de carreira da artista Ana Vidigal,Menina Limpa Menina Suja, no Centro de Arte Moderna (da Gulbenkian), com uma proposta que entra nos esconderijos das nossas memórias para nos dar a repensar aquilo que anda arrumado como se estivesse resolvido, deixo um pequeno vídeo (de Cristina Ferreira Gomes) sobre a montagem da exposição. E sugiro uma visita ao blogue-repositório da Ana Vidigal, onde podemos espreitar um pouco das coisas que lhe passam pela cabeça e pelas mãos.




22.7.10

um eventual governo do PSD terá uma grande vantagem


Não ter o PSD na oposição.

a europa connosco



(Cartoon de Marc S.)

uma lição de jornalismo


O jornal i, que acho que ainda está nas bancas, tem um sítio em linha. É bom que isso exista, permitindo-me ainda ir vendo ao estado a que aquilo chegou. Vejam esta "notícia": Adolescente troca telemóvel por Porsche. Além de ser um exemplo das coisas interessantes que a folha tem para nos contar, tem outros aspectos curiosos. Desde logo, o conteúdo desmente categoricamente o título. Quanto a isso, nada a assinalar: é procedimento hoje em dia habitual em vários "jornais de referência". Se podem fazer isso para falar de Sócrates, por que não fazê-lo para um puto americano igual a tantos outro? Mas a peça tem verdadeiras notícias: nos EUA um Porsche (não sei se o Porsche Boxster S mostrado na foto que ilustra a notícia) custa 7 mil euros. E eu a pensar que o dólar estava valorizado face ao euro...

lições básicas de tentativas de manipulação do árbitro

a menina boa


Exposição MENINA LIMPA MENINA SUJA, de ANA VIDIGAL, a partir de amanhã no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian.

Ana Vidigal é pintora e fala.



Céu




conversa indirecta: e a doce meiguice desse teu olhar


Aviso de recepção para a posta restante, sff.



Por sugestão de branco no branco.

21.7.10

paradigmas, mas não com o cheiro relativista que costuma ter a noção


Propostas do PS e do PSD sobre Scut chumbam, portagens permanecem.

A história das SCUT é exemplar na política portuguesa. Como diria Thomas Kuhn, no seu melhor, é um paradigma: um caso concreto muito representativo, que mostra o essencial de uma família de entes no mundo, uma família de acontecimentos que podem ser estudados através desse exemplar. Colocando esse caso na mesa de operações e dissecando-o.
Do lado do governo, é exemplar de como se deixam apodrecer situações: por serem, podres, mais embrulhadinhas e mais difíceis de engolir.
Do lado do PSD, é exemplar de um novo significado para "responsabilidade". O maior partido da oposição faz voz grossa e apresenta uma proposta. Como é responsável, faz o que chama uma proposta "difícil": que se cobrem portagens em todo o lado. Mas, na outra face da moeda da responsabilidade, gostaria imenso que o governo fosse apedrejado nas ruas por cobrar portagens. Para isso tem, evidentemente, de se colocar de fora.
Claro, portagens é assunto para governos em funções. Assunto pequeno, por não ser coisa de festa. Para candidatos, limpinhos dessas miudezas e grandiloquentes na pose, constituições é que interessam. Grandes ideias. Pois.

dar um passo em frente


A máxima leninista "um passo em frente, dois passos atrás", frequentemente revista por gente cautelosa e de muita aritmética para "dois passos em frente, um passo atrás", tem muitas variantes. A variante anything goes é mais ou menos assim: o que é preciso é dar passos, seja lá para onde for. É a máxima da "política dinâmica", aquela cujo único efeito que lhe interessa é o efeito ventoinha.

Isto, a propósito do artigo de Marco António Costa, no Económico: O imobilismo do PS.

eu tembém tenho um projecto de revisão constutucional



Também alarga os poderes de alguns e também torna mais pequenos outros. E também insiste numa série de ideias feitas com muitos anos. A única diferença é que leva esta forma gráfica. Mas, tal como outros, também não é um original meu.


Roubado a Rainha Profana.

conversa indirecta, inversa, oblíqua, ortogonal e ...imaginária, claro está


Aviso de recepção para a posta restante, sff.



sinto-me desconfortável nesta companhia


Paulo Rangel tem "sérias reservas" à reforma do sistema político de Passos Coelho.

Mesmo assim, mau mau é mesmo que estamos a partir para o próximo ciclo politico com duas ferramentas básicas: nevoeiro e ventoinhas. O nevoeiro é para ocultar as reais questões da moral cidadã em falta. As ventoinhas... não, não são para dissipar o nevoeiro. Apenas para refrescar. Distrair. Para irmos andando e rindo a desenterrar as velhas bandeiras que nunca deram frutos nenhuns. Mas, também, se calhar as bandeiras não são para dar frutos...

Shaun-Tan, no álbum The Arrival

rever a moral cidadã, antes de rever a constituição

09:48

Vitor Costa, Subdirector do Diário Económico, na edição de hoje:
A história não é nova e não era muito difícil perceber que se iria repetir. O aumento do salário mínimo nacional para 2011 que está acordado entre os parceiros sociais e o Governo não se irá concretizar sem uma enorme dose de polémica.
Foi assim no ano passado. Será assim este ano. Tudo para que algumas poucas centenas de milhar de trabalhadores consigam ter um salário de 500 euros mensais.
(...)
Num país onde tão raramente se conseguem acordos em concertação, não cumprir este deixará um rasto de desconfiança para o futuro que será impossível de gerir.
Vale a pena ler na íntegra: Os acordos têm de se cumprir.

19.7.10

notícias da Irlanda


Dan Boyle, presidente dos Verdes, o parceiro mais pequeno da coligação governante na Irlanda, disse ontem ao Sunday Tribune que talvez tenha de se repensar a meta de reduzir o défice para menos de 3% em 2014. Segundo Boyle, se calhar não é socialmente sustentável passar de 14% do défice em 2009 para um valor que respeite o PEC em tão pouco tempo. Volta assim a ser colocada a questão da presença do seu partido no actual governo.

Menina Limpa, Menina Suja


Exposição antológica de Ana Vidigal, "Menina Limpa, Menina Suja", no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, a partir de 23 de Julho.



Clicar na imagem a ver se vê com maior nitidez...