08/03/11

a propósito de um tal João Galamba do PCP e de livros



A propósito deste post de ariel, no Cirandando, prometi explicar donde a minha discordância. É simples. O que os livros nos fazem não depende apenas da sua qualidade literária. Depende de eles entrarem numa conjugação de factores capaz de nos tocar o nervo. Li Um Dia na vida de Ivan Denisovich, de Alexander Soljenitsin, ao mesmo tempo que lia livrinhos de cowboys, tinha para aí uns onze anos, apesar de umas almas boas lá por casa me terem tentado tirar o livro do alcance, que aquilo não era para a minha idade. O livro, literariamente, não é nada do outro mundo, e Soljenitsin continuou a valer mais por aquilo a que se opunha do que por aquilo que defendia, além de que a sua literatura também nunca passou o patamar de valer mais pela política do que pela arte. Nada disso importa. Um Dia na vida de Ivan Denisovich marcou-me por ter deixado em mim uma visão muito nítida do intolerável em política. O horror à violência política ficou-me claro desde aí, nunca mais precisei que me explicassem o ponto. Esse pequeno livro, com uma história tão longe do nosso quotidiano, vale-me, por isso, muito.
Percebe o que digo, ariel?

(Foi mesmo esta a edição que li.)

3 comentários:

ariel disse...

Porfírio, começo por lhe agradecer a paciência e a visita ao Cirandando. É óbvio que estou completamente de acordo consigo. O meu post pretende ser irónico,só a incapacidade e insuficiências da autora podem explicar que não tenha sido resolvido completamente o efeito pretendido. Claro que a consciência política de cada um pode ser despoletada por obras que nada tenham de literário. No meu caso foi foram dois livros sobre os campos de concentração nazi que se encontravam lá em casa e que li às escondidas, "os médicos do impossível e os médicos malditos", deveria ter 13/14 anos. A partir daí passei a ler tudo à luz de um anti-fascismo militante.

Abraço.

Porfirio Silva disse...

ariel, se eu não percebo a ironia, o pecado tem de ser meu!
Bom, eu acho que a sua era uma meia ironia, apenas ;-)

mdsol disse...

[Quem bem se quer bem se encontra.]

Percebi a ironia da Ariel, mas concordo concordo com o Porfírio. Fiz mesmo bem quando disse no Cirandando que vinha aqui ler, antes de me pronunciar... Caminho facilitado!

:))))