24/11/10

saia um periscópio


A Juíza Desembargadora Adelina Barradas de Oliveira publica no seu blogue do Expresso, Ré em Causa Própria, um texto do Dr. Victor Calvete, Assistente da Faculdade de Direito de Coimbra, intitulado Da inconstitucionalidade dos cortes salariais previstos no OE. Não tenho competência, nem a mais pequena, para discutir com um Assistente de Direito em Coimbra, nem com quem quer que seja, tão interessante questão jurídica. Apenas diria que, independentemente de concordar ou não com o tal corte neste caso concreto, se a Constituição não permite medidas que podem em certas circunstâncias ser incontornáveis - mude-se a Constituição.
Mas não é isso que me arrasta para aqui. É somente um excerto do parágrafo inicial do tal texto. Reza assim:
Os nossos governantes parecem especialmente atreitos a acreditar nesse nominalismo: plantam-se aero-geradores a esmo - e isso é uma "revolução energética"; resolve-se aspergir as escolas com computadores de brincar - e isso é um "choque tecnológico"; distribuem-se diplomas a eito a quem os queira - e isso é "requalificação profissional".
Coimbra tem muito encanto. Mas, manifestamente, há por lá sítios onde se vê pouco e mal a realidade. Já descontando a obscura referência ao programa Novas Oportunidades, que tende a ser visto por uma certa "elite" (que teve a sorte de ter a sua oportunidade a tempo e horas) como dar "pérolas a porcos", restam duas referências mais: os "aero-geradores a esmo" e os "computadores de brincar". Esses dois brincos de retórica, a abrir uma "tese" sobre matéria constitucional, mostram à saciedade até onde pode ir a arrogância da ignorância. Está aqui está aí a senhora Sarah Palin a convidar o ilustre Assistente para a assessorar na próxima corrida à Casa Branca.

(Sugestão de leitura, só para aero-geradores a esmo: aqui.)

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