26.4.08

O cérebro em acção - interacção com o ambiente


O ciclo "Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais", organizado pelo Instituto de Sistemas e Robótica (Instituto Superior Técnico), continua na próxima segunda-feira, 28 de Abril, pelas 17:30, com a conferência “O cérebro em acção - interacção com o ambiente”.

A conferência será proferida por Fernando Lopes da Silva, Professor Emérito da Universidade de Amsterdam e Professor Convidado do Instituto Superior Técnico e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

A conferência terá lugar no Anfiteatro do Complexo Interdisciplinar, Instituto Superior Técnico (campus da Alameda). Mais informação sobre localização clicando aqui .

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Mais informações sobre o Ciclo de Conferências neste sítio .


Resumo da Conferência
O cérebro em acção - interacção com o ambiente


O cérebro recebe, regista e processa informação proveniente do ambiente e comunica com o ambiente através de actos que, em geral, têm uma expressão motora. Nesta conferência passaremos brevemente em revista alguns aspectos fundamentais do processamento das funções receptivas do cérebro, mas focaremos em especial descobertas recentes que mostram como actividades cerebrais codificam a preparação de actividades motoras específicas, quer estas sejam executadas ou apenas imaginadas.

Isto é, analisaremos como no cérebro a intenção de realizar uma determinada acção se reflecte num determinado tipo de actividade neuronal. Em pormenor passaremos em revista os resultados experimentais que mostram as propriedades dos sinais electroencefalográficos (EEGs) obtidos enquanto um individuo imagina movimentos diferentes, i.e. da mão direita ou esquerda ou do pé. Estes novos dados permitem identificar “estados funcionais” do cérebro de curta duração com características específicas, consoante a natureza do programa motor imaginado.

Este tipo de resultados, e outros semelhantes, levam a pensar que estes “estados funcionais” podem ser utilizados para construir interfaces entre o cérebro e um computador (Brain-Computer Interfaces, BCIs) de modo a aumentar a capacidade de comunicação de indivíduos incapacitados de o fazer por paralisia dos membros com o ambiente. As vantagens e desvantagens da utilização de sinais do EEG (tanto actividade espontânea como evocada por estímulos sensoriais) em comparação com outros sinais neuronais registados directamente de dentro do córtex cerebral em BCI’s serão discutidas.

25.4.08

hipocrisia


25 de Abril: Cavaco Silva "impressionado" com ignorância dos jovens sobre o "Dia da Liberdade".

Cavaco Silva comemora o 25 de Abril a passar raspanetes aos "políticos". Como se ele não fosse um político. Abre muito a boca para falar das responsabilidades dos outros. Como se tivesse caído agora do céu aos trambolhões e não tivesse nada a ver com nada. Deve ter escrito o discurso enquanto andava pela Madeira de braço dado com Jardim, esse herói da democracia, a praticar mais uma modalidade da sua cada vez mais multifacetada hipocrisia. Haja vergonha, senhor presidente. Já chegou o tempo em que o regime assentava na ideia de que os outros eram políticos e o "homem providencial" estava acima disso.

24.4.08

leia isto


35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!

Roubado a Que cena fixe!.
Contudo, este truque é diferente de algo que já mostrámos aqui. Neste caso o que se tenta preservar é a semelhança de formas entre as letras retiradas e os algarismos que as substituiram.

a construção de um candidato

23.4.08

modernizar as relações laborais

16:59

Este é um assunto que muito nos interessa. O governo acaba de tomar novas iniciativas nesta matéria. Haveremos de dizer aqui alguma coisa sobre isso, mas só depois de nos informarmos melhor. Entretanto, como introdução, reproduzimos a seguir um texto publicado a 3/11/2002 no Público. Aparece subscrito na qualidade de ex-Conselheiro para os Assuntos Sociais na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia. Uma vez que andam por aí alguns a dizer que estes e aqueles defendem hoje o que atacaram ontem, exponho aqui o que disse há uns anos e não me importo que se compare o que escrevi então com o que hei-de dizer agora. Um destes dias, à medida que o debate na concertação social for avançando.


DIREITO DO TRABALHO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL


1. É normal que seja disputável qual a melhor forma de articular, num dado momento, os valores protegidos pela legislação do trabalho com outros valores socialmente importantes. Admito, pois, que certos aspectos da legislação do trabalho vigente sejam considerados limitativos do desenvolvimento da produtividade e da competitividade das empresas - e rejeito que esse seja um problema "dos patrões". Mas há uma diferença importante entre a óptica da articulação dos valores a proteger e a tentação de usar uma reforma para reforçar fautores de conservantismo imobilista. Sendo a empresa uma comunidade de pessoas, está sempre presente a questão do poder, a qual, crucial em qualquer organização, o é de forma mais premente naquelas cuja racionalidade endógena é relativamente limitada. Ora, muitas empresas são território onde o "patrão" (e não o empresário ou o empreendedor) domina apenas pela "força", não gozando daquela fonte de autoridade que consiste em saber o que fazer para promover o bem comum - nomeadamente, ignora o que fazer para aumentar a produtividade (sua e dos outros) e a competitividade (real, a longo prazo).
Se, aqui, as intenções iniciais do ministro da tutela parece terem sido esquecidas, isso deve-se ao facto de esta direita continuar a achar que o poder de quem sempre o teve é "natural", enquanto as pretensões de ultrapassar o "modelo do salve-se quem puder" carecem de legitimação casuística. Como é nas relações de trabalho onde a questão do poder se apresenta da forma mais crua para a maioria das pessoas (das pessoas concretas cuja vida pode ser destroçada por acontecimentos que resultam da realidade da submissão no local de trabalho), o país precisa da inteligência e da determinação da esquerda - porque esta direita quer o caminho mais simplista e mais imediatista.

2. Que resposta dará a esquerda à questão do equilíbrio do poder dentro da empresa e no mundo do trabalho? Se falarmos em participação dos trabalhadores na gestão ou no controlo da gestão, os arautos da "modernidade" dirão imediatamente que o tempo da revolução já lá vai (confusão simples entre "reforma " e "revolução"). Imaginemos uma organização ligada a interesses empresariais alemães a opinar que a legislação laboral portuguesa devia ser flexibilizada para melhorar a nossa competitividade. Como interpretá-la? Um convite à importação do modelo alemão de co-gestão, onde trabalhadores e suas organizações têm um poder real na gestão das empresas e na regulação global do mercado de trabalho? Um convite a reflectir na utilidade de algum dos modelos de participação dos trabalhadores existentes em países europeus, visando dar conteúdo estratégico à noção de interesses comuns entre empregadores e trabalhadores e, por essa via, elevar o nível de racionalidade endógena do sistema?
Falando de aumentar a racionalidade endógena das empresas, significamos o desenvolvimento nessas empresas dos meios para compreender a situação de mercado em que se encontram, para definir objectivos ambiciosos mas realizáveis susceptíveis de mobilizar todos os agentes cujo interessamento importa, para organizar os caminhos materiais e imateriais de consecução desses objectivos, para manter um equilíbrio evolutivo entre esforço e retorno que satisfaça as condições de sustentabilidade do todo. Ora, um dos nossos problemas é a falta de agentes de racionalidade em largos estratos da actividade económica, enquanto certos "patrões" se constituem em factores privilegiados de delapidação dos meios de racionalização - em parte porque tardam(os) em compreender que os trabalhadores e as suas organizações podem ser agentes de racionalização.
Mas a resposta aos problemas que aí se colocam não pode ser alcançada sem a força do colectivo. Se a palavra "colectivo" assusta, pode dizer-se "mostremos todos maior responsabilidade em prol dos objectivos comuns, como produzir mais com os mesmos recursos, porque isso a todos convém". Mas isso, insisto, quer apenas dizer: reforçar o colectivo e o seu papel. O que passa por reforçar o poder dos trabalhadores organizados dentro da empresa.

3. Reforçar o papel do colectivo é reconhecer que as soluções têm de ser encontradas em conjunto - e que não caiem do céu directamente para a cabeça de empregadores impreparados. Para isso é preciso reforçar a negociação colectiva. Por exemplo, pelo alargamento das partes envolvidas. Os sindicatos terão razão em temer que se inventem "partes negociais" moldáveis para os substituir, mas, em muitos casos, a sua representatividade não cobre, por exemplo, os muitos que por malabarismos vários foram atirados fora do barco dos assalariados. E, assim, não se justifica o monopólio sindical da representação - até porque a diversificação dos actores talvez consiga diversificar os tópicos de negociação (outra forma de reforçar a negociação colectiva). Não parece, contudo, que favorecer o estreitamento do horizonte negocial (do sector para a empresa, por exemplo) contribua para reforçar o carácter racionalizador da negociação colectiva.
Reforçar o papel do colectivo é também admitir que o Estado age legitimamente se intervir para proteger os interesses legítimos que têm poucos meios para se fazer valer "espontaneamente". Quando a competitividade exigiria maior autonomia operacional do trabalhador, "o mercado" respondeu com o aumento do peso da subordinação por via de pressões informais (precarização nas suas múltiplas formas, internas às empresas ou derivadas do facto de a rede de empresas se ter tornado o verdadeiro quadro das relações de trabalho). Porque não alargar o campo de eficácia do direito de trabalho, dando aos tribunais um poder reforçado para requalificar o contrato de trabalho, quando ele (ou a ausência dele) tenha resultado de uma imposição da parte mais forte à parte mais fraca, numa forma infiel à relação efectivamente existente?
Conviria também alargar as possibilidades de gestão individual da flexibilidade, ligadas (por exemplo) ao desenvolvimento do direito à formação e à conciliação entre vida familiar e vida profissional. Talvez se pudesse fazer melhor para proteger a continuidade de uma trajectória de estatuto profissional, sem perda de direitos, quando essa trajectória inclui interrupções de carreira, formas atípicas de emprego, mudanças de emprego ou mesmo de carreira, regresso à escola, etc.
É ainda necessário ter em conta que o tempo disponível não é necessariamente tempo de repouso, que o trabalho projecta a sua sombra sobre o tempo disponível e que as obrigações da pessoa enquanto trabalhador não são as suas únicas responsabilidades. Se a flexibilidade é uma ameaça de subordinação acrescida - que é, por muito importante que ela seja para a competitividade das empresas - como se protegem os mais fracos em tudo isto? Talvez seja necessário reforçar as garantias processuais da parte mais fraca, para os casos em que as coisas podem correr mal, e não aligeirá-las, como se tem dito que é preferível.

4. Infelizmente, esta direita parece não perceber como seria importante para o país uma boa reforma da legislação do trabalho. Se percebesse, não desperdiçava a oportunidade fundamental que foi criada por iniciativa do anterior governo (sistematização que, além do seu valor intrínseco em termos de efectividade do direito, facilitaria um debate mais ordenado acerca das mudanças necessárias). Mas esta direita não percebe que uma boa reforma da legislação do trabalho nunca poderá ser aquela com que se identificam os que anseiam por uma "révanche" do capital contra o trabalho. Porque os que se alimentam dessa saudade não têm nada a dar à sustentabilidade real da economia portuguesa - porque nunca saberiam integrar-se na necessária coligação de vontades reformadoras dos que compreendem que a solução tem um traço comum com o problema: não será unilateral nem unidimensional.

[Sobre esta matéria, o Público brinda-nos com um título absolutamente mau, quer dizer, anti-jornalístico: UGT, CGTP e CIP contra e a favor de algumas das propostas de reforma da legislação laboral . Isto é mais ou menos como titular: "o SLB e o SCP ou empataram ou não empataram"...]

22.4.08

combustíveis verdes


(Clicar para ampliar. Cartoon de Marc S.)

a dama de ferro à portuguesa



PSD: Manuela Ferreira Leite vai candidatar-se à liderança .

Aguiar Branco desiste da corrida para apoiar Manuela Ferreira Leite .

Há uma diferença entre "gostar de MFL" e "gostar de que ela seja (ou venha a ser) líder do PSD".
Eu não gosto de MFL. Penso que ela representa uma forma de fazer política assente em princípios que não partilho (uma visão do mundo demasiado limitada pelos mecanicismos das finanças e demasiado distraída de outras dinâmicas) e também penso que ela cede inúmeras vezes ao "politicamente correcto" (dizer em dados momento aquilo que pensa que o seu eleitorado espera ouvir). Os políticos que aprecio são os que ousam dizer aquilo que os seus putativos apoiantes nem sonhavam. Essa é a razão pela qual, apesar de tudo, aprecio Sócrates.
Mas penso que será útil se MFL vier a ser líder do PSD. Porque vai permitir que o PSD ocupe o seu lugar na vida política nacional, começando a discutir coisas com sentido, em vez de passar o tempo a dizer tolices. E, fundamentalmente, porque MFL vai fazer com que o PSD reocupe o seu espaço na política nacional - desse modo obrigando o PS a ser mais rigoroso na sua pretensão de ser "esquerda moderna".
É que, se o PSD voltar aos seus bons tempos, o PS vai precisar de pensar mais, e de articular melhor discurso e prática, para que se perceba o que significa para os socialistas "ser de esquerda" e, ainda mais, ser de "esquerda moderna".
Essas são as dificuldades que dão interesse à democracia.

21.4.08

o canto das sereias e a complexidade do mundo







Homero, no Canto XII da Odisseia, apresenta o episódio do canto das Sereias.
As Sereias, na sua ilha, atraíam com um canto irresistível os marinheiros que navegavam ao largo, que assim se deixavam conduzir a uma armadilha mortal. Ulisses, avisado por Circe, sabendo que também ele e os seus companheiros não resistiriam à tentação, preparou-se para a ocasião explicando a situação à sua tripulação, tapando com cera os ouvidos dos seus marinheiros e ordenando-lhes que o amarrassem ao mastro do navio e que o prendessem ainda com mais cordas quando ele pedisse para o soltarem.
Ulisses não expôs os seus companheiros à tentação e garantiu que ele próprio, concedendo-se a oportunidade de experimentar a situação, seria impedido nessa ocasião de tomar a má decisão que nesse momento haveria de querer tomar: aceder ao armadilhado convite das Sereias.
Esta distribuição do processo de decisão revela uma competência sofisticada para, com antecipação, tornar evitável o que de outro modo (e para os que assim não procedessem) era uma inevitabilidade.

Teremos perdido a prudência inteligente de Ulisses?
Será o mundo já demasiado complicado para nós?


John William Waterhouse, Ulysses and the Sirens (1891)

para perceber melhor a lógica presidencial...

candidato surpresa a presidente do PSD

(Foto de Porfírio Silva. Budapeste, Março de 2006.)


Apesar de todas as movimentações dos do costume, e dos que se preparam agora para no futuro se tornarem os do costume, o que vai desequilibrar a balança é o recém-arribado, e ainda por desembrulhar, candidato-surpresa a presidente do PSD. Nós desvendamos parte do mistério.

[Marcelo exclui-se da candidatura e lança Ferreira Leite como melhor hipótese, isto depois de Patinha Antão também ter anunciado candidatura à liderança do PSD.]

20.4.08

socialistas


Segundo algumas formas de fazer as contas, o PS fez ontem 35 anos.

A propósito, trazemos aqui uma pergunta que, segundo o próprio (*), Mário Cesariny fez um dia a Mário Soares:

«Oh Mário, os socialistas não podem, não sabem ou não querem?».

É necessário reconhecer que muitos de boa fé fazem essa pergunta.

(*) cf. "verso de autografia / mário cesariny", editado por Miguel Gonçalves Mendes, o livro que acompanha o documentário "autografia".


ADENDA: O deputado socialista Vitalino Canas acusou hoje o líder parlamentar do PCP de “má-fé”, ao considerar incompatíveis as suas funções de porta-voz do PS com as de provedor dos trabalhadores temporários. Vitalino Canas diz-se provedor dos trabalhadores e não das empresas. Pode ser. Mas não seria possível evitar confusões entre representação política e representação de interesses, por mais nobres que sejam esses interesses? Aliás, os interesses das empresas, pelo menos em abstracto, são tão nobres como os interesses dos trabalhadores.