28.5.09

em Léon...



... para Cognição Comparada (animais, robots, humanos: o que é que comunicam, como é que comunicam; cooperação, motivação, interacção entre diferentes "reinos".) E, de momento, é o que se pode dizer.
Entretanto, espreitadelas a uma das vias do Caminho de Santiago, que por aqui passa.



26.5.09

Darwin contra o darwnismo


A 12 de Fevereiro de 2009, o mundo comemorou os 200 anos de Charles Darwin. Se a importância de Darwin é universalmente reconhecida pelos biólogos, em economia o seu nome está associado à visão de uma concorrência feroz, impiedosa e omnipresente. Mas Darwin, ele próprio, não teria necessariamente aderido a este "darwinismo" económico e social.

Em A Origem das Espécies, Darwin quase nada escreveu sobre o homem. Mas, noutra obra, The Descent of Man, a sua visão das sociedades humanas dá um lugar importante à cooperação. Não apenas, pensava ele, esta cooperação era necessária e sã, mas além disso ela foi favorecida pelo processo ... de selecção natural. "Quando duas tribos estavam em concorrência," escreveu ele, "se uma delas tivesse uma elevada proporção de pessoas corajosas, altruístas e leais, sempre prontas a avisar os seus companheiros da presença de perigo, e para se defenderem mutuamente, esta tribo teria mais sucesso. "

Num livro publicado em Janeiro de 2009 em Londres (Darwin's Sacred Cause, ed. Houghton Mifflin Harcourt), os seus biógrafos, Adrian Desmond e James Moore, mostram que a paixão que levou Darwin a desenvolver a teoria da selecção natural devia menos a um compromisso estritamente científico do que à sua participação nos grandes debates da época sobre a escravatura. Os seus dois avôs, Erasmus Darwin e Josiah Wedgwood, eram militantes anti-esclavagistas. O próprio Darwin viu o comércio de escravos durante a sua viagem à volta do mundo a bordo do Beagle. Ele queria provar que todas as raças vieram de um antepassado comum, membro da espécie Homo sapiens. A selecção natural era um argumento na sua defesa da cooperação humana.

Com efeito, enquanto a concorrência está presente em todos os discursos económicos, cada um de nós cruza-se todos os dias com muito mais pessoas das quais depende e a quem pode dar o seu apoio, do que com verdadeiros concorrentes. Desde o padeiro, que nos vende o seu pão, até à equipa que nos rodeia no escritório, passando pelo motorista do autocarro, ficamos satisfeitos quando cada um faz o seu trabalho bem feito, e decepcionados quando o fazem mal. Seria exactamente o oposto se eles fossem nossos concorrentes!

Mas Darwin também admitia que os grupos solidários estão muitas vezes em concorrência com outros grupos igualmente solidários. Esta concorrência era, para ele, o berço do altruísmo e do apoio recíproco, que são centrais para a nossa sociedade moderna. Que a solidariedade humana seja forte nas situações difíceis, não é uma imagem poética, mas um facto científico. Na crise económica que toma conta do nosso planeta, estamos mais do que nunca precisados das lições de Darwin.


Paul Seabright
Escola de Economia de Toulouse
Le Monde Économie, 17 de Fevereiro de 2009
(versão portuguesa de Porfírio Silva)


haja quem defenda as instituições...

no problem, man


Comissão de inquérito ao BPN: PCP quer levar Banco de Portugal a tribunal por desobediência qualificada.

«O PCP vai propor esta tarde à comissão de inquérito ao caso BPN, depois da audição de Oliveira e Costa, a apresentação de uma queixa-crime contra o Banco de Portugal (BdP) por desobediência qualificada, por se ter recusado entregar ao Parlamento documentos considerados essenciais para o apuramento dos factos.»

PS considera proposta do PCP inútil.


«O deputado socialista Ricardo Rodrigues afirmou que a proposta do PCP "é inútil, porque não resolve problema algum", considerando que o mais importante é "alterar a lei dos regimes de inquérito, de forma a possibilitar o acesso a todos os documentos necessários".»

Deixemos-nos de histórias: o Parlamento não pode pensar (só) com o pragmatismo de um polícia. Se o Banco de Portugal tiver desrespeitado os poderes do Parlamento, aqueles que ele já tem actualmente e não os futuros, o Parlamento não pode acomodar-se a isso, tem de agir para se fazer respeitar. Ou, pelo menos, para clarificar a situação do ponto de vista jurídico. A ideia de que "deixa estar, não faz mal, a gente vai resolver isto de outra maneira", é uma ideia tola de um parlamentar que não tem a noção do que é um regime democrático e de quais são as suas responsabilidades como representante do povo. Não são causídicos a defender um merceeiro contra uma peixeira. São deputados. E o regime é que deve ser o "problema" deles. Ou estou errado?

grandes músicas


É pena não ter só refrão...
(É só um piscar de olho aos que julgam que eu tenho um "Querido Líder".)



Roubado no Womenage à Trois

25.5.09

as pequenas memórias (*)




Só temos pequenas memórias de coisas que importam grandemente.

(*) Estou certo de que roubei este título a algum Nobel. Mas não me lembro qual. (**)

(**) Certo, mentir é pecado. E daí? Se a harmonia do universo contempla os títulos "objectivamente bons", é natural que eles sejam descobertos de forma independente por vários indivíduos em tempos e lugares distintos.


tipos de cegueira


Regresso de imigrantes está a deixar o país mais pobre e envelhecido.

«Portugal está a perder capacidade de atracção para os imigrantes. E, se o país não for capaz de segurar os imigrantes que tem e atrair novos, vai ficar mais velho e mais pobre, alertam vários especialistas ouvidos pelo PÚBLICO, segundo os quais é urgente colocar um travão à tentação xenófoba que ameaça em tempos de crise.»

Nuno Melo quer política de imigração "menos flexível".


Isto do Nuno Melo é uma cegueira branca, do tipo Ensaio sobre a Cegueira, do Saramago, ou é mesmo e apenas uma cegueira daquelas banais?