16.5.09

cidade de formigas

15.5.09

ainda o financiamento dos partidos


Há uns dias foram aprovadas por unanimidade na Assembleia da República umas alterações à lei do financiamento dos partidos. A primeira reacção foi um coro de damas escandalizadas porque supostamente os partidos estariam de novo a fazer mão baixa à massa de todos nós. Desde os habituais comentários nos sítios dos jornais na internet, pejados de tolices, até vários políticos na reserva que estão à espera da sua oportunidade para cavalgarem a desgraça alheia (alheia, quer dizer: dos seus "companheiros" ou "camaradas"). A essa onda vários esforçados apoiantes da lei têm reagido vindo explicar que muito do que se diz por aí é pura mentira, não correspondendo a nada do que lá está escrito. Já aqui chamámos a atenção para um escrito de Rogério Moreira nessa linha.
Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP, escreve hoje no Público um artigo que se insere nesse esforço. Lembra, por exemplo, quanto à questão das receitas em numerário, que «além de terem de ser depositadas em conta própria, sujeita à fiscalização da entidade competente, estas contribuições não podem exceder (...) cerca de 104 euros, o que não se compadece com as insistentes referências às "malas de dinheiro".» Portanto, se ouviu o seu comentador de serviço com essa conversa, já sabe: esse comentador anda a comer-lhe as papas na cabeça, não fazendo o trabalho de casa.
Outro aspecto interessante desta novela é que, tendo as alterações sido votadas por unanimidade, cedo alguns partidos enfrentaram a polémica tentando sair da chuva de forma pouco elegante, dando a entender que afinal as coisas más não tinham nada da sua lavra. Também Bernardino Soares entra nesse jogo, dizendo, a páginas tantas, que o aumento da subvenção aos partidos para as segundas voltas das eleições presidenciais foi decidido com a oposição do PCP. Claro, claro, claro: o PCP está contra esses gastadores! Malandros! Ou será, antes, que o PCP não espera nunca mais colocar um candidato seu na segunda volta de umas eleições presidenciais?! Acha, em consequência, que pode aproveitar esse elemento para limpar as mãos de um pacote de alterações que, numa medida importante, era também para dar satisfação ao PCP.
Dizia a minha Avó que "quem não tem vergonha todo o mundo é seu".


não desvalorizem


Manuel Alegre sai das listas eleitorais mas fica no PS. Membros do MIC deverão integrá-las.


Andam já para aí os comentadores a dizer que Alegre conseguiu decidir sem decidir, ficar na mesma entre cá e lá, mantendo-se no nevoeiro do Encoberto. Estão redondamente enganados. Dizer isso é uma profunda injustiça. Alegre conseguiu fazer uma coisa que já não fazia há dezenas de anos: deixar de ser deputado. Talvez, quem sabe, procurar outro trabalho. Fazer-se à vida. Pela primeira vez puxou tanto a corda de fazer-render-a-divergência que percebeu que tinha mesmo de deixar os Passos Perdidos. É obra. Parabéns, camarada Manuel Alegre: foi d'homem, esta.

(Outro ponto é este: faz tanta falta ao PS uma esquerda mais esquerda! Mas isso é outro assunto completamente diferente.)

parem de falar no desemprego, vocês aí...


Portugal tem quase 500 mil desempregados.

Excelências, que antes da "crise" éreis sempre contra qualquer pensamento da economia centrado no emprego, porque permanecíeis fiéis à ideia da "taxa de desemprego natural", que dá mais fluência à economia real e mantém a maralha sob um certo controlo - Excelências, parem de falar no desemprego agora. A não ser que seja para começar a pensar de outra maneira para além da crise. No longo prazo, que é o prazo de que os economistas mais teóricos gostam, estaremos todos mortos. A prazo de dez anos, que é o prazo em que se sentem confortáveis os economistas que gostavam de ser governantes mas não têm unhas para isso, podemos não estar mortos mas estar muito amachucados. Voltem a falar no flagelo do desemprego só quando estiverem decididos a pensar em termos da desgraça imensa que uma pequena faúlha da economia pode representar para um homem ou uma mulher ou uma família concreta.


isto sim, é uma campanha europeia com interesse ...


Welcome to the Youtube space of the European Union




14.5.09

acareações


Sócrates compreende e respeita posição de Vital mas mantém silêncio sobre Lopes da Mota .


A SIC Notícias acaba de fazer uma montagem colocando lado a lado Sócrates e Vital Moreira a falar sobre este caso, dando depois a palavra a Paulo Rangel para este dizer que havia contradição entre a direcção do PS e os seus candidatos. Se não fosse desonestidade intelectual, seria falta de entendimento. Porque: (1) as responsabilidades do PM não correspondem exactamente às de líder de um partido, porque o PM deve respeitar os poderes dos diferentes órgãos do Estado - embora pareça que Rangel não faz ideia dessa distinção; (2) o PM falou do que o governo entende dever fazer, Vital falou do que faria se estivesse no lugar do visado pelas suspeitas - mas Rangel não percebe que haja diferentes pessoas num caso; (3) Vital falou em suspensão de funções durante o decorrer do processo, não falou de demissão - sendo que o governo poderia eventualmente demitir o tal senhor, mas provavelmente não poderia aplicar-lhe uma "suspensão à cautela" - subtilezas que parecem muito complicadas para Rangel. Até admito que Rangel faça um estilo agradável a muitos: mas lá que anda a exagerar na aldrabice, isso anda. É bom para ele, de qualquer modo, que a SIC Notícias monte as peças a jeito das suas diatribes, como foi este o caso: o emparelhamento de declarações lado a lado no ecrã tem, desde logo, o efeito psicológico de sugerir confronto, discórdia, desentendimento - e acareação para mostrar tudo isso. Não parece muito subtil, mas é capaz de funcionar.


contos de fadas / sociedade de comunicação

túmulos caiados de branco e outras artes


Rangel acusa PS de estar dividido sobre Lopes da Mota no Eurojust.


Quando só há uma opinião unânime dentro do PS sobre qualquer assunto, o PS é acusado de ser um partido monolítico. Uma espécie de remake da longa noite fascista em tempo acelerado. Quando na área do PS (Vital é independente, candidato às europeias e não a dirigente do PS) - digo, quando na área do PS há mais do que um ponto de vista sobre algum assunto, o PS está dividido. O PS só pode, pois, ser um túmulo caiado de branco (só mortos lá dentro) ou uma orgia romana de opiniões desencontradas (todos gritam e ninguém se entende): é essa a visão "equilibrada" de certos comentadores. (Desculpem, Rangel não é comentador, mas dirigente, candidato, porventura salvador.)
Ao menos no PSD não há problemas desses: Paulo Rangel, quando não gostou do que Manuela disse, vem a público interpretá-la (dizer que Manuela o que queria dizer era isto e não aquilo). Assim, nunca há mais do que uma opinião nesse partido. Oficiosamente, claro.

algumas das minhas impressões




Impressão AcidentalImpressão Ocidental






13.5.09

pela boca morre o peixe

umas verdades sobre a redução dos salários


Convém ler João Ferreira do Amaral, no Económico:
«Face ao aumento brutal da dívida externa portuguesa, já não é a primeira vez que surgem vozes a advogar a descida dos salários nominais como forma de fazer a nossa economia ganhar de novo competitividade e poder vir a reentrar num caminho de crescimento sustentável do ponto de vista da balança de pagamentos. [...] Considero que a descida dos salários nominais, mesmo que fosse legalmente possível, seria uma má solução. Não só porque não resolveria o problema do desequilíbrio externo como porque iria provavelmente criar ou agravar outros desequilíbrios já existentes.»

Ler o argumento na íntegra aqui. Útil por causa dos sofismas.

A pista veio pelo Câmara Corporativa. O que se agradece.

vamos lá voltar a discutir quais são os "sectores estratégicos"


Governo compra companhia de seguros de crédito à exportação. A medida era reclamada pelas associações empresariais que se queixavam de que a actividade exportadora portuguesa estava a ser condicionada pelo facto das seguradoras de crédito à exportação colocarem muitos entraves para avalizarem as vendas ao estrangeiro.



AEP defende renacionalização de uma seguradora de crédito para salvar as exportações.


Bom, está na hora de começar a discutir os sectores estratégicos que devem estar em "mãos públicas". Caso contrário, qualquer dia nacionaliza-se a loja de quem conseguir berrar suficientemente alto.

Nota 1. Isto não é, só por si, uma crítica à iniciativa do governo. Às vezes a aflição ajuda a improvisar, coisa que dizem que os portugueses até fazem bem. Mas vai sendo tempo de pensar as coisas mais globalmente.

Nota 2. O jornal do sr. Fernandes não distingue entre "o Estado comprar" e "o governo comprar". Como diz que o governo é que vai comprar, devia dizer com quantos por cento fica cada ministro e secretário de estado.


pensar é uma coisa tramada


Nas ruas de Lisboa.
(Foto: disparo e manipulação digital de Porfírio Silva.)

ai não?!

uma democracia parlamentar madura...


...era algo que eu gostaria muito que tivéssemos por cá. Por exemplo, onde fosse possível discutir os problemas e as soluções abertamente, nomeadamente no Parlamento, sem que a primeira e quase única preocupação dos partidos fosse exibir uma unanimidade de ferro no seio dos seus grupos parlamentares. É assim tão esquisito que haja diferentes opiniões acerca da melhor forma de atingir determinados objectivos? Não pode até ser bom que diversos deputados exponham publicamente as suas posições, para estimular o debate público e os deputados poderem ouvir esse debate? Será que os grupos parlamentares não são suficientemente maduros para poderem depois raciocinar sobre todos os contributos e chegar a uma conclusão?
Será que se pensa que o "povão" quer mesmo partidos monolíticos? Eu, pela minha parte, acho até um pouco esquisito que se dê a ideia de que já está tudo discutido... quando começa a discussão.
Nessa democracia representativa mais aberta poderia até haver lugar para uma razoável liberdade de voto dos deputados, sem drama nem tragédia. Digo eu.

PS votou a favor de proposta do BE sobre sigilo bancário contra vontade das finanças.


outubro




Hoje, a 13 de Maio, comecei a fazer aparições em Outubro.


12.5.09

comunicado aos corajosos anónimos


Há uns quantos comentadores anónimos que continuam a investir muito esforço em vir aqui deixar insultos e prometer muita pancada. Como em geral parecem ser moços com mais músculo no braço (ou na língua) do que neurónios, quero recordar-lhes as vantagens de os comentários serem moderados. As vantagens são as seguintes: primeiro, eu continuo a ser informado da indigência mental que anda à solta; segundo, esses corajosos anónimos continuarão a não poder exibir a sua cobardia aos leitores deste blogue. Ah, e quando crescerem e quiserem mostrar que já são adultos, é simples: identifiquem-se em boa ordem, para ficarmos a saber que ultrapassaram a fase do jardim-escola. É que eu até tenho pena de vossas mercês, mas o vosso anonimato não me permite saber para onde enviar o socorro.

vampirismo

fobias. ou não.


A adesão turca à União Europeia, com o “apoio total” de Portugal, está a marcar a visita de Cavaco Silva à Turquia.


O comboio da Turquia avança. A locomotiva é a burocracia europeia: certos processos, postos a andar, e a partir do momento em que exércitos de zelosos funcionários se esforçam todos os dias para os fazer avançar, dificilmente são parados. Só que, infelizmente, a UE não pode conter dentro de si todo o mundo. E talvez a Turquia não faça mesmo parte das "tradições constitucionais comuns" que são o fundamento legitimador da UE. Mas parece politicamente incorrecto dizer-se isto. E os que dizemos isto somos, usualmente, classificados imediatamente de qualquer-coisa-fobos. E a locomotiva avança. Se o avanço for ladeira abaixo - será difícil pará-la.


deve ser cooperação estratégica


Sevinate Pinto, consultor do PR para o mundo rural, ataca Jaime Silva.

Mais um consultor de Cavaco que ataca violentamente o governo na "sua área": a área em que aconselha o PR e a área em que foi anteriormente ministro da república. Fazem-no para mostrar como funciona a cooperação estratégica ou para defenderem a partir de Belém as orientações políticas que eram as suas enquanto governantes, as quais, naturalmente, não são as mesmas com outra maioria e outro governo?
Ou, neste caso, será por, há alguns anitos já, Jaime Silva ter declinado continuar como chefe da equipa da agricultura na Representação Permanente de Portugal junto da UE, quando Sevinate Pinto era ministro da pasta, forma que Jaime Silva na altura encontrou para não continuar a pactuar com a estratégia completamente errada e condenada ao fracasso que Sevinate estava a seguir na relação com a União?
É lamentável que o Palácio de Belém, o quartel-general do grande timoneiro, sirva de abrigo às pequenas vinganças pessoais de pessoal político que não fez história enquanto teve o leme na mão.


11.5.09

alegre vital


Alegre aconselha Vital a manter-se à margem da vida interna do PS. Cabeça-de-lista às europeias deve preocupar-se com a campanha, diz deputado.

Estou espantado. Alegre é tanto a favor da abertura dos partidos, e do fim da exclusividade dos partidos, e da participação cidadã, e de que os "cidadãos" possam fazer tudo o que está reservado aos partidos - mas, quando lhe convém, "manda calar" o cidadão Vital Moreira, que "por acaso" até é candidato do seu partido. Alegre quer Vital "à margem". Parece que Alegre, além de fazer o que bem lhe apetece, sem nunca achar que deva dar cavaco ao colectivo, ainda quer ser dono da voz dos "companheiros de caminho" do PS - para os mandar calar. Se ao menos se tivesse lembrado de dizer, publicamente, alguma coisa de relevante quando Vital, candidato do seu partido, foi agredido na praça público por razões políticas...

lisboas/várias/ deambulações