30.4.11

uma beatificação política

11:00



Política vaticana, mas política.

Amanhã, Domingo, 1 de Maio, o Papa João Paulo II será beatificado. Atropelando as normas, como parece que admite o próprio Vaticano. Para quê? Para ungir com o estrelato eclesial um Papa político no mais alto grau.

João Paulo II fez muitas proclamações sociais que até podem ser, tomadas à letra, consideradas de esquerda. Mas, naquilo em que realmente tinha poder para mudar, a conversa foi outra.
Alimentou uma "moral sexual" indiferente às consequências sociais nefastas de dogmas sem qualquer conteúdo significante no mundo concreto onde supostamente a Igreja anda.
Insistiu no celibato dos padres e na reserva da função para os homens.
Censurou episcopados nacionais e ordens religiosas por terem leituras diferentes da sua oficial leitura.
Fez uma campanha sem dó nem piedade contra a "teologia da libertação", talvez marcado demais pelo seu passado de luta anticomunista, talvez por isso com um enviesamento que os verdadeiramente grandes são capazes de evitar.
Silenciou vozes que pensavam diferente, reduziu teólogos ao silêncio ou a reescrever os seus livros, ou proibiu-os de ensinar, ou isso tudo junto. Falamos de intelectuais como Bernard Häring, Hans Küng, Leonardo Boff, Tyssa Balasuriya, Eugen Drewermann ou Jacques Dupuis.
Meios demasiado humanos para tanta beatitude.
Vaticana política, servida por uma extraordinária máquina de comunicação e pelo jeito pessoal de Karol Wojtyla para o espectáculo.
Vaticana política que amanhã promove mais uma estrela para ter mais um instrumento de propaganda da sua própria visão do mundo, da igreja, da fé, de Deus ou dos deuses.
Eu, que nem me movo por nenhum particular ódio às religiões, nem às igrejas, e que até tenho grande falta de paciência para a militância anti-religião, tenho de confessar que sinto alguma repugnância por este espectáculo mundano da beatificação. Parece-me truque demasiado evidente, demasiado ao jeito da espuma dos dias, mesmo que meta beato e futuro santo e tudo isso.

(A imagem é de um grafito de Madrid. Bento XVI, o actual Papa, beatificador do antecessor, é o grafitado. A foto é de Porfírio Silva.)


29.4.11

os rapazes chegaram perto do seu objecto de desejo mas ficaram sem jeito, sem saber o que fazer


Política para infantes.

«Eu vi-as primeiro!» - diz o tolo.


Do filme "O Brother, Where Art Thou?". Uma sugestão de E Deus criou a Mulher.

sinais para a troika

15:00

Paulo Rangel, eurodeputado do PSD: Sócrates deu sinal à troika de que não confia em Teixeira dos Santos, por não o incluir nas listas de candidatos a deputados do PS.

Em contrapartida, deu à troika o sinal positivo de não incluir Paulo Rangel como candidato pelo PS.

(Quando é que os dirigentes do PSD percebem que não lhes cabe decidir pelo PS nas suas próprias escolhas? Até agora queriam escolher o SG, agora querem escolher os deputados. Será que acreditam mesmo em Passos Coelho quando ele confunde "unidade" com "união nacional" e já se acham a "tomar conta" dos outros partidos?)

Interacção Social com Robôs: do Mito à Realidade


Está quase a começar a edição 2011 do Ciclo de Conferências "Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais", organizado desde 2008 pelo Instituto de Sistemas e Robótica (pólo do Instituto Superior Técnico). Este ano será nas três primeiras quartas-feiras de Maio.

A primeira conferência será a 4 de Maio, pelas 17h30m: INTERACÇÃO SOCIAL COM ROBÔS:
DO MITO À REALIDADE, pela Professora Ana Paiva, Líder do Grupo de Agentes Inteligentes e Personagens Sintéticas, no Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores: Investigação e Desenvolvimento (INESC-ID).



Mais informação aqui: http://institutionalrobotics2011.isr.ist.utl.pt .

28.4.11

auto-retrato...


... de um redactor principal do diário Correio da Manhã.


Fonte.



Espantados?! Por quê, não se lembram disto?


Se não se lembram, podem ler isto. Para ficarem a saber quem é filho de quem.

caro conselheiro benévolo dos socialistas portugueses

17:31

No Ladrões de Bicicletas, um blogue com cuja leitura aprendo muito, João Rodrigues chama a atenção para a entrevista que o presidente do Partido Socialista Europeu, Poul Rasmussen, deu à Lusa.
João Rodrigues faz jus ao paternalismo serôdio que uma certa esquerda usa para com o PS - nos dias em que, tão esquerda que essa esquerda é, não está a votar de braço dado com a direita. Esse paternalismo explica o título Ainda há social-democratas no PS?, bem como o conselho: "os socialista portugueses devem prestar atenção" à dita entrevista.

Claro que os socialistas portugueses dão atenção à dita entrevista. Mas também dão atenção a outras coisas. Por exemplo, os socialistas portugueses sabem que Poul Rasmussen, enquanto primeiro-ministro da Dinamarca, lançou a chamada flexi-segurança no mercado de trabalho: mais flexibilidade, quando necessária ao melhor desempenho económico das empresas (não é liberdade para despedir quando o "patrão acorda mal disposto", mas sim poder variar certos ritmos de trabalho para responder às variações das encomendas, por exemplo) combinada com mais segurança para os trabalhadores (menor precariedade no emprego). Quer dizer, uma solução em que todos ganham algo: os trabalhadores acompanham melhor a dinâmica produtiva das empresas, o que implica certos sacrifícios, mas isso, além de reverter para a saúde da economia, reverte também para a protecção dos seus postos de trabalho. Ora, quando os tais malandros dos socialistas portugueses quiseram discutir isso em Portugal, a esquerda da esquerda levantou-se em polvorosa gritando que era mais uma manigância contra os direitos dos trabalhadores.
Portanto, caro conselheiro benévolo dos socialistas portugueses, os socialistas portugueses sabem quem é Poul Rasmussen. A esquerda da esquerda, mais o sector irresponsável do sindicalismo, é que deveriam ser os destinatários desse conselho de "ouvir Rasmussen". Pela muito simples razão de que louvar agora Poul Rasmussen é fraco consolo para a cegueira com que no passado se mataram as possibilidades de uma nova maneira de regulação do mercado de trabalho em Portugal. E também por aí passou a crise deste país e da esquerda que temos.

Isto não impede que seja importante ler o que Rasmussen diz nessa entrevista. Pai da flexi-segurança diz que Troika vai demolir protecção dos trabalhadores portugueses. E diz mais: "o antigo primeiro-ministro dinamarquês afirmou que cabe agora a Portugal lutar para conseguir os melhores resultados das negociações". (Infelizmente, alguns dos que supostamente jogam pela "equipa Portugal" nem sequer vão às reuniões para mostrar os caminhos aceitáveis, o que, como método de luta, é questionável.)
É que, ainda por cima, o tema da flexi-segurança é muito apropriado para mostrar os prejuízos resultantes da combinação de conservadorismos de sinal contrário. É que importa, continuando a ouvir Rasmussen, assinalar também a parte de responsabilidade que tem a direita e o patronato na distorção desse caminho: Rasmussen disse que a flexi-segurança falhou porque os governos conservadores europeus manipularam o conceito para prejudicar os trabalhadores.

Parece-me, com franqueza, João Rodrigues, que esse conselho aos socialistas portugueses para ouvirem Rasmussen é uma história muito mal contada. E continuar a contar mal essas histórias faz parte da fraca novela que é o estado a que chegou a esquerda em Portugal.

a filha rebelde | ou | façam fila os defensores da liberdade de expressão, de informação, de criação e de outros ãos

16:45

Sobrinhos de último director da PIDE processam ex-responsáveis do D. Maria II.
Os sobrinhos de Silva Pais, último director da PIDE/DGS, apresentaram uma acção em tribunal contra a autora da peça 'A Filha Rebelde' e os ex-directores do Nacional D. Maria II, que será julgada a 3 de Maio.
Fontes ligadas ao processo disseram à Lusa que está em causa uma alegada insinuação na peça de que o ex-director da polícia política foi um dos responsáveis pelo assassinato de Humberto Delgado, que os queixosos consideram difamatória e ofensiva da memória do tio.
Os sobrinhos de Silva Pais, falecido em Janeiro de 1981, acusam a autora da peça, Margarida Fonseca Santos, bem como o então director artístico do teatro do Rossio, Carlos Fragateiro, e o seu adjunto, José Manuel Castanheira, e pedem uma indemnização de 30.000 euros.
A peça, com encenação de Helena Pimenta, esteve em cena no Teatro Nacional D. Maria II em 2007 e baseia-se no livro homónimo dos jornalistas Valdemar Cruz e José Pedro Castanheira.

Falámos da peça anteriormente. Agora esperamos que levantem a voz os que falam muito da liberdade de falar por dá cá aquela palha - para depois se fazerem distraídos em casos destes.


perguntem a Pedro Passos Coelho...


... o que ele acharia de ser vice-primeiro-ministro de Paulo Portas.

Quando ele tiver respondido, tenho outra pergunta para sugerir. (E não foi Teresa Caeiro quem me encomendou o sermão.)

a poluição mata


Não aprecio este tipo de postas. Se há coisa que não faz mal nenhum em Pedro Passos Coelho - e provavelmente até é saudável - é o que aqui se relata. O mau mesmo é a impreparação do homem e o tacticismo sem alma. Mas criticar isso não tem nada a ver com meter-se com a sua vida pessoal, onde até acredito que seja simpático. E, mesmo que não seja, não tem nada a ver com as virtudes públicas que lhe sobejem ou lhe faltem.

Detesto poluição, é o que é. Porque a poluição mata.


um vice-presidente do PSD explica o que é a miséria





27.4.11

quererá Passos que lhe dêem o que ele pede? quererá?!


Passos pede que dêem ao PSD a mesma oportunidade que teve o PS.

É difícil. Para isso seria preciso dar ao PSD... o PSD como oposição. Quer dizer: um partido que detesta convergências democráticas (chama-lhes "união nacional") se for para construir, mas aprecia meter-se em coligações negativas para derrubar governos em momentos de crise. Sejamos francos: nem o PSD merece a fraca sorte de ter o PSD como oposição.


outras razões


Acho que vale a pena ler este post: Porque pretendo votar BE.
Lê-lo e reflectir sobre ele.
Começo por aqui. Não votarei BE (votarei PS), acho que há elementos de balanço muito acertados naquele texto (incluindo no capítulo das críticas ao PS), acho que este tipo de análise faz falta à esquerda toda em Portugal.
Faltam naquele texto, contudo, algumas coisas; principalmente, parece-me que falta uma análise do "problema Europa". Uma das razões pelas quais um voto no BE ou no PCP é, actualmente, a meu ver, inconsequente, é a falta de reflexão séria acerca do que deve fazer um país como Portugal na UE. Fazer muito barulho não chega; mesmo os sociais-democratas (PS e amigos por essa Europa fora) estão um pouco à nora quanto a isso (alguns até têm ideias, mas não se vê grande estratégia para as fazer viNgar). O que não se compreende, à esquerda, é que essa questão seja ignorada ou menorizada.

é preciso sujar as mãos, camaradas

16:45

PCP não reconhece “legitimidade” ao FMI.
«O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) explicou esta noite [ontem], numa entrevista à RTP 1, a razão porque aquele partido recusou reunir-se com a troika de instituições internacionais que está em Portugal. “As nossas relações institucionais são com as instituições da República [Portuguesa]. Não credenciamos legitimidade a instituições estrangeiras”, afirmou Jerónimo de Sousa.»

Não é o FMI, nem o BCE nem a Comissão Europeia, que vão decidir o que Portugal terá de fazer. Terão de ser as autoridades nacionais a decidir e a implementar. A questão não é essa. A questão reside em dois outros pontos.
Primeiro, precisamos ou não de dinheiro que seja emprestado fora das condições do "mercado livre"? Se o PCP (e o BE, que também se baldou aos encontros com o FMI) acham que não, expliquem como acham que o país deve funcionar só com o que tem neste momento. Seria possível? Seria, mas não seria a mesma coisa. Têm é de assumir o que seria preciso cortar sem financiamento externo e tendo que pagar o que devemos. Ou, então, que expliquem as consequências de não pagarmos o que devemos e ficarmos isolados do mercado de financiamento internacional. E atenção, não se trata só de financiar o Estado: trata-se de financiar a actividade económica e trata-se da desconfiança generalizada que recairia sobre as empresas portuguesas que têm presença (importadora e exportadora) no mercado externo.
Segundo, quais partidos estão dispostos a ajudar a parte portuguesa a obter as melhores condições possíveis? O PSD, por exemplo, tem feito tudo para que a troika desconfie de Portugal, desconfie da sustentabilidade interna de qualquer acordo - e, consequentemente, empurre os emprestadores para condições leoninas, destinadas a descansar os respectivos eleitorados. O PSD está na estratégia de enfraquecer a posição negocial portuguesa; está na política de quanto pior, melhor - para poder atribuir culpas ao governo e tentar ganhar votos. A esquerda da esquerda poderia estar a negociar: exigir a máxima equidade social na distribuição do esforço, prometendo guerra social contra as velhas técnicas do FMI e oferecendo perspectivas de paz social em troco de políticas mais equilibradas e mais justas. Mas coloca-se na pior posição negocial de todas: promete fazer sempre o mesmo, quaisquer que sejam as soluções. Essa é a posição negocial da inutilidade.
Será que o PCP (e o BE) contam com Passos Coelho para dourar a pílula? Ou supõem que quem precisa do empréstimo pode colocar-se na posição de quem pede o dinheiro e ainda impõe as condições - sem precisar sequer de negociar? Ou será que a esquerda da esquerda, simplesmente, quer passar directamente para a "sociedade socialista" sem ter de se misturar nestas minudências da vida concreta dos povos?

os pobres que paguem a crise

12:05

Não sou muito de copiar textos dos outros para aqui, mas desta vez trago o Daniel Oliveira inteirinho:

Claro que Diogo Leite Campos não é aldrabão

O senhor Diogo Leite Campos quer acabar com os subsídios - subsídio de renda ou abono de família - sem saber onde realmente gastam os beneficiários o dinheiro. Não deixa de ser um raciocínio económico estranho, já que a despesa - os filhos ou a casa - estão lá. Para resolver o problema, quer fazer como se faz com os mendigos: dá-se-lhes uma sandes em vez do dinheiro. Através de um cartão de débito e recorrendo a instituições de caridade, como "albergues" ou a "sopa dos pobres". A leitura de Oliver Twist, de Charles Dickens, pode ajudar a perceber o modelo social de Leite Campo.
Num excelente almoço organizado pela Câmara do Comércio e Indústria Luso Francesa, onde perorou sobre a pobreza, Leite Campos explicou que "quem recebe os benefícios sociais são os mais espertos e os aldrabões e não quem mais precisa".
Seria impensável eu dizer que o senhor Leite Campos é um "aldrabão". Longe de mim pôr em causa a honorabilidade de tão distinta figura. Os insultos, já se sabe, são coisa que deixamos para os miseráveis. O direito ao bom nome vem com o cartão de crédito e quem não o traz na carteira só pode deixar de ser suspeito se lhe derem um cartão de débito. Os pobres são, até prova em contrário, mentirosos. Como não insulto o senhor, fica apenas este facto: estando ainda a trabalhar, já recebe uma reforma do Banco de Portugal. Quando se retirar da Universidade de Coimbra, juntará o que recebe já hoje ao que receberá dali. Acumulará duas reformas vindas do Estado.
Seria um argumento "ad hominem" atacar o professor Leite Campos, competente fiscalista, por causa das suas duas reformas. Dizer que ele é "esperto" e que gasta recursos do Estado que podiam ir "para quem mais precisa". Espertos são os pobres que ficam com os trocos. Quem consegue acumular reformas por pouco trabalho é inteligente. Os pobres enganam o Estado, os outros têm direitos. Os pobres roubam o contribuinte, os outros têm carreiras. Fico-me por isso pelos factos: a reforma que o senhor Leite Campos recebe do Banco de Portugal resulta de apenas seis anos de trabalho naquela instituição.
Cheira-me que se a generalidade dos portugueses recebesse reformas, estando ainda no ativo, por seis anos de trabalho e as pudesse acumular com outras dispensaria bem o abono de família e até o cartão de débito para ir à sopa dos pobres.
Aquilo que realmente está esgotar o crédito da minha paciência é ver tanto "esperto" que vive pendurado nas mordomias do Estado a dar lições de ética aos "aldrabões" que recebem subsídios miseráveis. É mais ou menos como dizia o outro. Já chega. Não gosto de tanto cinismo. É uma coisa que me chateia, pá.
Sobre os subsídios, Leite Campos disse: "O dinheiro não é do Estado, é nosso. Quem paga somos nós. Nós, contribuintes, temos direito a ter a certeza que o nosso dinheiro é bem entregue. Eu estou disposto a pagar 95 por cento do que ganho para subvencionar os outros, mas quero ter a certeza que é bem empregue, e que não vai parar ao bolso de aldrabões". Sobre as escandalosas reformas do Banco de Portugal, faço minhas as palavras do vice-presidente do PSD.
Daqui.

26.4.11

a culpa de João Galamba é ele ser candidato, pois está bem de ver

23:15

Não vi a entrevista de Sócrates. Passei na TVI um bocado depois e havia um programa de fazer render o peixe. Estava Maria João Avillez a dizer ao João Galamba que ele não estava em condições de expressar uma opinião livre por ser candidato a deputado. E insistia a "senhora" que não estava a insinuar isso, estava mesmo a afirmar. E repetia, parece que muito orgulhosa da figura que estava a fazer.
Desliguei-me logo da coisa, porque estou farto de ver jornalistas com a "independência" de Maria João Avillez a abusarem da boa educação do João Galamba, apesar de ele já ter chamado fdp a um moço. Eu, que sou muito menos educado do que o João Galamba, ter-lhe-ia respondido que as pessoas que substituem os argumentos pela tentativa de desqualificar as pessoas, como ela estava a fazer, são muito mais responsáveis pela degradação da vida pública do que todos os políticos juntos. E que, dirigido a um candidato por ele ser candidato, esse truque era mais um dos muitos expedientes de baixa política que estão em moda. E que foram essas modas que fizeram da política do ódio o principal cancro da vida política portuguesa.


os programas eleitorais importam. quem pense que não, vai passar mal

19:27

Sócrates apresenta programa eleitoral do PS na quarta-feira.

É mais difícil ao PS do que ao PSD. Apresentar programa eleitoral, quero dizer.
O PSD, em princípio, quando empurrou o governo já devia saber o que queria fazer diferente. É certo que entretanto não apresentou programa nenhum - ou melhor, apresentou vários, mutuamente inconsistentes, no estilo disse, não disse, queria dizer. Mas isso deve ser apenas por falta de papel de impressão: estão à espera da enésima oportunidade para causar boa impressão, já que perderam a primeira, a segunda, a... Entretanto, por mor da boa convivência democrática, temos de acreditar que o PSD derrubou o governo em nome de uma ideia alternativa, não apenas para "ir ao pote", na expressão inspirada de Passos Coelho.
Já o PS, pode pensar-se, como ficou a meio de uma legislatura, basta apresentar o que ficou por fazer do seu programa de governo. Mas não: porque os tempos mudaram, porque são precisas respostas novas, embora sem esconder o legado. E, nas actuais circunstâncias, o legado tem coisas boas e coisas más. E é importante, numa relação séria com o eleitorado, que o PS faça um balanço robusto do que fez bem e do que fez mal. Que, além de falar verdade, fale claro. Só isso pode inspirar a necessária confiança.
Finalmente, vamos poder comparar o programa do PS com o programa do PSD e com os programas da esquerda da esquerda. Quero dizer: desde que todos ponham as cartas na mesa, claro.

não há nada de errado com os trabalhadores portugueses


Ricardo Reis, Professor de Economia na Universidade de Columbia:
Aprender mais e melhor é muito importante. Mas nesta tentativa de encontrar razões que expliquem esta fraca produtividade percebi que é preciso apontar o dedo à gestão. Um estudo de dois investigadores ajuda-nos a comparar a gestão portuguesa com a de outros 17 países. Uma multinacional americana baseada em Portugal é muito mais produtiva do que uma congénere nacional. Não há nada de errado com os trabalhadores portugueses - eles são simplesmente mal geridos.
Uma das respostas da entrevista ao suplemento Economia do Expresso, edição de 22 de Abril de 2011.

mais depresssa se apanha um falso moralista - ou um invertebrado?


Há dias, Eduardo Pitta publicou no seu blogue, a ilustrar um apontamento político, uma fotografia de Passos Coelho com mulher e filhos. Nuno Gouveia reagiu com ar escandalizado, a sugerir (embora sem coragem para o dizer com todas as letras) que era uma porcaria de atitude, a do Eduardo Pitta. Agora que Passos Coelho se multiplica em aparecimentos públicos, com a mulher, no que parece ser uma nova estratégia de mistura intensiva de vida privada com vida pública, Nuno Gouveia já não tem nada a dizer. Parece que o "escândalo" para ele não estava no acto de misturar a família do político com a actividade do político, mas apenas em saber quem dava as respectivas fotos à estampa. Se a coisa for uma estratégia eleitoral de políticos que ele acha necessário apreciar, a moralidade desaparece logo debaixo do tapete.
A propósito desta americanização da vida política portuguesa, por iniciativa de Passos Coelho, o Câmara Corporativa faz o seguinte título: Uma fronteira sem retorno. Trata-se, como se pode constatar, de verificar a estratégia aparentemente determinada pelo próprio líder social-democrata.
No mesmo blogue do tal moralista que só se lembra de moralidade quando a coisa lhe convém politicamente, um tal PPM "responde" ao Câmara Corporativa desta forma. Quanto ao tal PPM, nada de estranhar: já vimos o suficiente de quanto lixo esse político metido a jornalista é capaz. Ficamos é à espera que o moralista Nuno Gouveia se atire às canelas do tal PPM, seu parceiro de blogue. E que aproveite para lhe explicar que há uma grande diferença entre um político procurar a exposição da família a ver se ganha uns votos - e um político que sempre tentou preservar a família (caso de Sócrates) ser objecto de coscuvilhice para gozo de invertebrados que por aí andam.


25.4.11

Jorge Sampaio, 25 de Abril 2011

15:15

Sem lamúrias, falar claro: o "compromisso nacional" não é uma forma vazia, nem a absolvição das responsabilidade de cada um - tem de ser uma nova partida; a crise não pode ser um prémio para os que a causaram.

"vitória", junto ao Quartel do Carmo



transmissão de um comunicado do MFA emitido às 15:00 pelo Posto de Comando do MFA




transmissão de um comunicado do MFA emitido às 14:30 pelo Posto de Comando do MFA




primeiro comunicado do MFA, emitido às 04:20