12.6.10

divulgação


G.N.R - Portugal Na CEE


Ao vivo, no Coliseu.



25 anos da assinatura

18:43

Sócrates diz que resposta europeia à crise é “condição indispensável do futuro da integração".

Hoje comemoram-se 25 anos da assinatura do tratado de adesão de Portugal (e Espanha) à União Europeia, então CEE. José Sócrates lembrou ontem os que, na altura, duvidavam desse passo. Eram muitos, para dizer a verdade. Pelo menos no início do processo, muitos aconselharam Mário Soares a não fazer o pedido de adesão. Entre esses, estivessem certos ou errados, primavam opiniões políticas e económicas de fundo, ligadas à avaliação que faziam do interesse nacional. Respeitável. Mas também houve quem, à última da hora, e por questões de puro jogo partidário, tivesse tentado boicotar a assinatura.

Na entrevista biográfica que Maria João Avillez fez a Mário Soares, em três volumes, pode ler-se no volume intitulado Democracia (1996), na parte respeitante às consequências da chegada de Cavaco Silva à presidência do PSD, (p. 251 e seguintes):

Maria João Avillez - A própria assinatura do Tratado de Adesão de Portugal às Comunidades ficou tremida. O PSD ameaçou que não assinava. Como reagiu?

Mário Soares - Para além de pretenderem estragar-me a festa (o que admito poder considerar-se uma reacção natural), tiveram um comportamento mais grave: puseram em risco, por questões estritamente partidárias, o interesse nacional. A entrada de Portugal no Mercado Comum - como depois reconheceram, amplamente - significava, sem sombra de dúvida, a defesa estrita desse interesse nacional. Deveria ter sido colocado acima de todas as outras preocupações. Não o foi! Nas vésperas, ainda não se sabia se o assinavam ou não! Foi preciso fazer uma cedência de última hora, ridícula, que não tinha qualquer razão de ser: aceitar que Rui Machete, na altura Vice-Primeiro-ministro, assinasse também. Quem negociara tudo, no meu Governo, fora uma equipa coesa constituída pelo Ministro das Finanças, Ernâni Lopes, por Jaime Gama, titular dos Negócios Estrangeiros, e, finalmente, António Marta. Eram estes que deviam, portanto, assinar comigo. Segundo as regras da CEE, por Portugal só poderiam figurar quatro assinaturas, no máximo. Assim, para meter Rui Machete, foi necessário eliminar António Marta, o que considerei uma injustiça. (...)
Convém lembrar.

a memória incomoda muita gente


O Câmara Corporativa, volta e meia, lembra as flagrantes contradições que representam as declarações de certos responsáveis políticos. Assim do género mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo. Alguns, incluindo comentadores que lá vão, não gostam. Só posso dizer: Caro Miguel, ainda bem que alguém tem memória e a usa, como fazes. Não apenas por a memória incomodar uns comentadores que gostariam que só nos lembrássemos de ontem e já nada soubéssemos de anteontem. Mas também por isso. A memória é essencial à civilização. Sem essa memória profunda e organizada seríamos, colectivamente, como uma colónia de insectos sociais. Assim, tipo formigas.

nascer



11.6.10

o teste do algodão


Relatório PT/TVI: Sócrates diz que relator fez "uma completa distorção dos factos".

José Sócrates teve de responder a umas dezenas de perguntas da Comissão de Inquérito. Fê-lo por escrito, o que quer dizer que não tem modo de fugir agora ao que respondeu na altura: está escrito, pode ser citado rigorosamente. Se a Comissão de Inquérito tivesse, ao fim de semanas (e de outra comissão parlamentar a trabalhar para o mesmo) encontrado algum facto que contradissesse o PM, seria fácil mostrar isso mesmo: seria só juntar 2 e 2. Citar o facto e a afirmação do PM que era desmentida por esse facto. Se, mesmo assim e ao fim de toda esta tourada, João Semedo vem dizer (vi eu na TV) que não escreveu que Sócrates mentiu, mas escreveu que ele disse o contrário do que se tinha passado, só podemos concluir duas coisas. Uma, que já se sabia, outra que se vinha adivinhando. Já se sabia que Semedo queria arranjar palco para uma tese, que já trazia de casa, e que não partiu para isto por amor à verdade e de mente aberta. Vinha-se adivinhando, e agora confirma-se, que Semedo, além do mais, é cobarde: gasta 250 páginas para dizer que não diz mas afinal diz ou se não disse podia ter dito e patati patatá. Que gente!

o Público tem razão

18:32

O deputado João Semedo apresentou o seu relatório sobre o "caso TVI". O Câmara Corporativa e o Jugular mostram que, sobre o relatório, é possível dois jornais fazerem manchetes completamente opostas e contraditórias. O Público titula que o relatório prova que Sócrates mentiu; o Expresso titula que o relatório não atinge Sócrates. Mas os que estão errados são o José Magalhães e o João Galamba. Como a Comissão não provou coisa nenhuma, e servia apenas para alimentar o fogo em torno de Sócrates, e nunca foi intenção dos seus principais mentores que ela fizesse luz sobre nada, o que conta é a intenção. E aí, obviamente, o Público interpreta muito melhor a intenção de Semedo e Pacheco do que o Expresso. Por que será?

o relato

17:25

Relatório PT/TVI: Primeiro-ministro mentiu ao Parlamento. (Público)

Ilustração recortada de Le Capitaine Écarlate (de Guibert & David B.)

O deputado João Semedo já sabia, antes de começarem os trabalhos da Comissão, o que se iria concluir. Em traços grossos, claro: a Comissão de Inquérito era só para apurar os detalhes. O deputado João Semedo não tem noção nenhuma da diferença entre um papel institucional e uma pessoa privada: Sócrates ter ouvido uns zunzuns ou o governo estar informado em boa e devida forma, para Semedo não tem diferença nenhuma. Confere com o respeito que estes "revolucionários" têm das instituições e revela, realmente, a noção que têm da vida privada numa democracia. O deputado João Semedo argumenta, para "provar" qualquer coisa contra Sócrates, com notícias que na altura já tinham sido publicadas nos jornais: para isso, não era preciso andar meses numa comissão de inquérito. O deputado João Semedo insinua qualquer coisa sobre a suposta fonte da suposta informação privada que Sócrates teria: pagam a relatores parlamentares para fazer insinuações?
(Comentário escrito após a leitura apenas da notícia do Público. As 250 páginas do relatório ficam para depois.)

mundial de futebol | ele há muitos futebóis


Parece que hoje começa o Mundial de Futebol. Ora vejam lá estes robots humanóides. Estarão eles a jogar futebol?
Fiz estes vídeos, que mostram robots humanóides (NAO), numa partida da fase final do RoboCup (Campeonato Mundial de Futebol Robótico) 2009 (em Graz, Áustria), do qual fiz a cobertura para o Ciência Hoje.




Um exemplo da dinâmica do jogo.


Um golo interessante.

dizias-me tu


(...)
I´ll break your heart
To keep you far from where
All dangers start
(...)

Warpaint, "Elephants" (de Exquisite Corpse)

9.6.10

Philip Glass, Einstein on the Beach, Knee 5





mocidades

14:41
Professora garante que "ninguém" vai "recriar Mocidade Portuguesa". (Jornal de Notícias)
«No passado mês de maio, o deputado do Bloco de Esquerda Pedro Soares apresentou um requerimento na Assembleia da República a questionar o Ministério da Educação sobre se tinha conhecimento desta iniciativa que, segundo sustentou, "obriga alunos menores de idade a serem actores num ato laudatório e acrítico de uma página negra da História de Portugal". Em resposta, a professora afirmou à Lusa que "o BE contestou aquilo que não existe" e "afirmou que iria acontecer uma coisa que não vai acontecer".»
A notícia completa (linkada acima) explica o que vai acontecer e o que não vai acontecer.

Isto, de que se fala acima, é educação. História, para que as crianças conheçam o seu país. E possam exercer a sua cidadania.

E isto ...
Se gostava de ver o seu filho a marchar vestindo a farda da Mocidade Portuguesa, é melhor não ler o texto que se segue. Se não gostar, lamento ter de torná-lo convertido por um momento, é assim a vida. O conselho que dou ao primeiro grupo é fazer uma excursão a Aveiro quando acontecer o tal desfile alusivo ao 5 de Outubro e relembrar – quem sabe se de lágrimas nos olhos – os tempos em que aquela fatiota janota e o efeminado gesto com curva hitleriana que a juventude esboçava estavam na moda. Atenção, longe de mim achar que o saudosismo é uma indesculpável fraqueza: ninguém consegue viver bem no presente se dele não fizer parte o passado. Mas recriar o passado de forma acrítica, esquecendo os erros e as imprecisões, fantasiando uma realidade que nunca existiu, já me parece menos sensato.
o que é?

Desinformação, insulto, falta de respeito pelo trabalho dos outros, apelo à censura e ao policiamento das formas de ensinar, demagogia, uma forma de pensar a política que faz lembrar o Adobe Photoshop para tótós.

Fascista é a tua tia, pá
.

se calhar vai haver eleições antecipadas


INE revê em alta crescimento da economia portuguesa
. (Público)
«O INE reviu hoje em alta o crescimento da economia portuguesa no primeiro trimestre do ano, com o PIB a crescer 1,8 por cento face ao trimestre homólogo e de 1,1 por cento face ao quarto trimestre de 2009. A evolução positiva deu-se graças ao aumento da procura interna, do consumo privado e das exportações.»

A continuar assim, as oposições vão ter de provocar eleições antecipadas - para evitar que as coisas lhes corram mal.
Alternativamente, podem sempre esperar que as medidas recessivas "gentilmente aconselhadas" pela UE travem a retoma do crescimento.

agenda | Biosemiotics


Biosemiotics: A Naturalistic Approach to the Question of Meaning
por Jesper Hoffmeyer (Universidade de Copenhaga, Presidente da International Society for Biosemiotic Studies)

21 de Junho 2010, 16:00 H
Faculdade de Letras de Lisboa
Sala Mattos Romão (Departamento de Filosofia)


Resumo:
Signs, whether of natural or cultural origin, act by provoking receptive systems - human or non-human - to form interpretants (e.g. a movement or a brain activity) that somehow relates the system to this "something else". Semiotics sees meaning as connected to the formation of interpretants. In a biosemiotic understanding living systems are basically engaged in semiotic interactions, i.e. interpretative processes, and organic evolution exhibits an inherent tendency toward an increase in semiotic freedom. Mammals are generally equipped with more semiotic freedom than are their reptilian ancestor species, and fishes are more semiotically sophisticated than are invertebrates. The evolutionary trend towards the production of life forms with an increasing interpretative capacity or semiotic freedom implies that the production of meaning has become an essential survival parameter in later stages of evolution.



confesso que começo a ter medo

10:52

Ou, melhor dizendo, receio.

Será que começo a sentir-me num país em que escrever isto é assim algo como um acto de coragem?
Será que é tempo de começar a ter medo de gente que anda por aí a dizer-se de esquerda?

O que isto quer dizer, mais isto e isto, é que anda por aí muita "esquerda" a ponderar estes métodos: Cavaco, Estaline, Soares, Trotsky e o Adobe Photoshop.

Gaita.

8.6.10

ai a crise

17:00

João Pinto e Castro, no jugular:
O endividamento público é, apesar de tudo, o único que se sabe como estancar. Já quanto ao privado, o dos particulares e das empresas, o maior e aquele que mais tem crescido nos últimos anos, ninguém faz a mínima ideia sobre o que deve ser feito.
A receita da maioria dos comentadores tem sido alinhar na farsa de que a culpa é do Estado. Aliás, em consonância com a moda de infantilizar os portugueses: dizer-lhes o que eles querem ouvir e apenas isso. Pena que não se lembrem mais vezes de certas declarações de Álvaro Cunhal.

a Comissão Europeia e os foras de jogo


Ministra do Trabalho diz que declarações do comissário europeu se devem a “desconhecimento” das reformas em Portugal. (Público)

Acrescenta o jornal: «A ministra do Trabalho, Helena André, disse hoje que as declarações do comissário europeu da Economia, Olli Rehn, a pedir reformas no mercado laboral e na segurança social de Portugal e Espanha se devem a “desconhecimento” da reforma já levada a cabo. (..) Helena André [acrescentou que] seria interessante saber quais são os detalhes daquilo que o comissário tem em mente. Enquanto não tivermos mais especificações, não posso dar mais detalhes”.»

Ficamos, de facto, à espera dos "detalhes". É que parece que há alguns comissários europeus a seguir o estilo do seu Presidente, que consiste em chutar para o lado que estão virado no momento (ou, se preferirem, consoante o sopro do vento). E, na verdade, ter comissários a falar de cor não parece ser grande contributo nem para a estabilidade nem para o crescimento. Só se for para o crescimento dos lucros dos especuladores.

a ginástica que eles fazem para chamar a Bruna Real ao barulho

10:42

Crianças vestem-se com fardas da Mocidade para reviver 100 anos de República (Sérgio Lavos, no Arrastão).

Assim sendo, repito-me: fascista é a tua tia, pá.


Adenda. Daniel Oliveira insiste. Quanto maior é o disparate, mais giro, parece pensar o comentador. Comparar uma tresloucada ida do "Príncipe" à discoteca com uma acção pedagogicamente enquadrada de um agrupamento de escolas, só pode ser leviandade. Ou falta de respeito pelo trabalho dos outros (dos professores, neste caso). Repito-me: "A táctica de vampirizar tudo por motivos políticos é um nojo - não encontro outra palavra para o dizer". Nisso, direita e esquerda parecem entender-se muito bem: o campeonato de lançar lama continua.

muitos dias tem o mês



Chega (finalmente, a 10 de Junho) ao circuito comercial o filme documentário Muitos Dias tem o Mês, de Margarida Leitão. Vimos a obra quando ela andava a circular aí pelo circuito dos festivais, a ganhar prémios e reconhecimento, e só podemos aconselhar vivamente: vão ver, vão ver.
Há várias razões para isso.
O tema é actualíssimo: talvez nos ajude a ver que a crise dói - e, ao mesmo tempo, como é que nós, pessoas concretas e discretas, fazemos parte da crise.
O filme é de uma enorme inteligência: mostra o que não quereríamos ver, mas de uma forma que até somos capazes de compreender. Tem um lado pedagógico, mas sem ter esse tom: o que, numa obra de arte, seria um problema de primeira grandeza.
Da inteligência do documentário faz parte a sua inteligência emocional: mostra-nos ao espelho, o que não nos poupa de ver as figuras que fazemos, mas coloca o espelho em posição tal que ele até consegue ser gentil.
A verdade é que este documentário nem parece um documentário, tal a sua poesia. Mas, com tudo isso, não é um objecto mole. Bem pelo contrário: é um acto profético. Se soubermos dar-nos conta disso, claro, já que as profecias são palavras que só abrem caminhos se nós as soubermos ler. Bem assim as imagens em movimento com vidas dentro. Como este filme documentário.

MUITOS DIAS TEM O MÊS é um documentário sobre uma realidade actual na sociedade portuguesa: o endividamento das famílias. Depois da selecção para a competição nacional e na secção ‘Pulsar do Mundo’ no Festival Indie Lisboa 2009, e do Prémio Especial do Júri em Santa Maria da Feira, chega às salas. No cinema City Classic Alvaldade.
Sessões comentadas a partir de 14 de Junho as 19h:
Segunda (14/06): Presidente do Tribunal de Contas - Guilherme Oliveira Martins
Terça (15/06): Psiquiatra - Afonso Albuquerque
Quarta (16/06): Jornalista e Responsável de economia da RTP -Paulo Ferreira
Quinta (17/06): Padre e Poeta Tolentino Mendonça
Sexta (18/06): Sociólogo – Pedro Vasconcelos

países | Hanna Schygulla


Ontem, numa organização da Embaixada da Alemanha, fui ouvir Hanna Schygulla ler excertos de Uma noite em Lisboa, de Erich Maria Remarque (1962). O objectivo do evento era recordar o importante papel da cidade de Lisboa como porto seguro para muitos refugiados da Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Trata-se da Alemanha a agradecer aos que deram a mão aos que fugiam dos horrores provocados pela Alemanha. Estes actos mostram (sem surpresa, neste caso) como países adultos assumem a sua história sem preconceitos - o que também quer dizer: sem darem máscaras aos seus erros. Pelo menos, os erros passados.


Vídeo: Hanna Schygulla interpreta "Lili Marleen"
no filme de Rainer Werner Fassbinder (de 1980/81) com esse título.

7.6.10

Boa Goa | Ler o Mundo em Português



Os versos do poeta Fernando Pessoa “Deus quis que a Terra fosse toda uma / Que o mar unisse, já não separasse”, dão o mote para este espectáculo de Paula de Vasconcelos.
“Boa Goa”, um espectáculo de teatro dança da companhia canadiana “Pigeons International”, está a 9 e 10 de Junho no Teatro Camões em Lisboa, depois de se apresentar no FITEI, no Porto.
Este espectáculo, dirigido pela encenadora luso-canadiana Paula Vasconcelos, presta homenagem à descoberta, pelos navegadores portugueses, do caminho marítimo para a Índia e à criação da « primeira aldeia global ». Através do teatro e da dança, a encenadora e coreógrafa testemunha a curiosidade e a coragem que levaram milhares de homens a arriscar a sua vida para se aventurar no desconhecido.
Fundada em Montreal, Canadá, em 1987 por Paula Vasconcelos e Paul-Antoine, a Companhia “Pigeons Internacional” distingue-se pela importância que dá à encenação, que considera uma forma de escrita cénica, e à participação de artistas provenientes de diferentes origens que conservam a sua identidade cultural no seio das produções em que participam.

(Texto retirado dos materiais de divulgação do espectáculo. Uma iniciativa que se insere no projecto Ler o Mundo em Português.)



lavar as mãos em água suja


Stephen Adams, The Impasse

Fernando Nobre salienta que se distingue por nunca ter feito parte do sistema.

Nobre não tem responsabilidades nenhumas na situação. Andou por aí estes anos todos e não tem responsabilidades nenhumas na situação. Critica o que existe mas diz que não pregou prego nem estopa no que existe. Nobre só pode ser, então, uma de duas coisas: cego ou irresponsável. Cego, se andou por aí e não viu por onde a coisa ía. Irresponsável, se viu por onde a coisa ía e não falou em tempo. Em alternativa, isto pode ser apenas demagogia anti-política. Quanto a pecados que detesto, venha o diabo e escolha. Só me admira que haja gente, daquela que sabe o que é a política, que dê a sua voz por isto. Especialmente quando vêm de "lados" que nunca pactuaram com os toscos disfarces da não-política - mas que, agora, infelizmente, parece terem ficado encravados num impasse. Não mesmo nada quando a política do dia fica presa das pequenas raivas do passado.




6.6.10

o erro de Vieira da Silva

23:51

Parece que Cavaco Silva apelou a que os portugueses passem férias "cá dentro", que “férias passadas no estrangeiro são importações e aumentam a dívida externa portuguesa”.
Vieira da Silva diz que isso é verdade (realmente "a procura interna pode ajudar o sector do turismo, tendo em conta as dificuldades que enfrenta") - mas, MAS... “Só espero que os presidentes de outros países não façam o mesmo apelo, caso contrário perdemos uma fonte de receitas importante para o país. Há muitos turistas estrangeiros que vão a Portugal", acrescentou o ministro da economia.

Qual é o erro de Vieira da Silva? Será pensar que mais algum chefe de estado teria o mesmo sentido das prioridades que o nosso Aníbal? Ou será pensar que alguém "lá fora" ouve as brilhantes ideias do nosso Presidente e se põe a imitá-lo?

de regresso a Lisboa


(Ilustração retirada de Laid, pauvre et malade, de Chomet & De Crecy)


Regressado a Lisboa, com prazer, exercito prazeres de sempre: cinema ("Vencer", uma seca que não se safa por causa da história), teatro ("Olá e Adeusinho, de Athol Fugard, primeira encenação de Beatriz Batarda, no Teatro da Cornucópia; e "Hot Pepper, Air Conditioner, and The Farewell Speech", do japonês Toshiki Okada, no âmbito do Alkantara Festival, no TNDMII); comer com a família; andar a pé pela cidade; passar ao lado sem parar pelo piquenique de despedida da selecção de futebol de partida para o mundial da África do Sul; comprar livros de poesia de autores portugueses recentemente editados. Coisas simples. E, também, deveres higiénicos: tomar conhecimento, por vias travessas, de que na blogosfera continua a haver répteis que escrevem, mas respeitando a decisão de não os visitar nem os ler; censurar sem pensar duas vezes os comentários de moluscos que vêm cá fazer publicidade às suas diatribes e dizer que, enquanto eu chupo o dinheiro do povo, eles se levantam às sete da manhã (deve ser gente jovem, porque, caso contrário, saberiam que, na minha idade, já se dorme pouco e sete da manhã nem sequer é muito cedo); acabar de ler o livro do Carlos Brito e perceber como são pequenos os répteis e os moluscos de agora, se comparados com a coragem dos adversários dos tempos difíceis. Enfim, regressar ao de sempre.

o que mudou?

15:46

Ora aqui está uma afirmação a merecer reflexão:
«O atraso de Portugal é grande. A economia é deficitária. Mesmo que se eliminassem todos os lucros da grande burguesia e se procedesse a uma melhor distribuição da riqueza, o produto nacional não asseguraria, ao nível actual, a acumulação necessária para um desenvolvimento rápido e uma vida desafogada para todos os portugueses. Para o melhoramento das condições de vida gerais será necessário aumentar a produção em ritmo acelerado. E isso obrigará não só a investir como a trabalhar mais e melhor.»

Álvaro Cunhal, discurso ao VII Congresso do PCP, Outubro de 1974, citado por Carlos Brito em Álvaro Cunhal, Sete fôlegos do combatente, Ed. Nelson de Matos, Maio de 2010, p. 112