2.3.12

finalmente o BCE está a imprimir papel-moeda...

edição futebolística do Público só para Lisboa.

Depois do fim do jogo.
Jornais de referência.




máquinas.






o milagre segundo Salomé.


Ontem choveu dez minutos. Hoje está sol. A fé da ministra da agricultura é uma fé muito pequenina, coitadinha. Assim mais ou menos como aconselha o romance de José Rodrigues Miguéis.

(Mas logo vai chover mais, de certo.)


os duros.


Li no Público em papel (mas não encontro a notícia em linha) que a Holanda, que tanto vozeou contra os despesistas do Sul, está em risco de não cumprir as metas do défice e começa a pensar alto na flexibilização dos objectivos a que se tinha comprometido. Enquanto não houver mais galantes com as calças na mão, a Europa não vai perceber.

a democracia não vive de cardos.


E isto, assim tão bem explicado, não merecia uma comissão parlamentar, um debate de urgência, uma interpelação? Se não vale nada disso, nem sequer para o partido dos socialistas, é por a nossa democracia estar pior do que pode parecer.

1.3.12

o peso do passado.


Seca agrava-se depois de Fevereiro mais seco dos últimos 80 anos.

O antigo primeiro-ministro José Sócrates vai ser chamado a depor numa comissão parlamentar de inquérito para esclarecer o motivo pelo qual o país passou tantos meses sem chuva. Entre as questões que a maioria quer ver esclarecidas estão a falta de contributo da ciência nacional para a pluviosidade, a eventual responsabilidade das torres eólicas no espantamento das nuvens, bem como uma eventual exposição do país ao descrédito internacional que resulta de uma aproximação climatérica a desertos dominados por regimes abomináveis.

(Peço desculpa aos leitores, mas perdi o link para a agência noticiosa que deu esta notícia. Também, é o que acontece ao que é dado...)

29.2.12

robôs voadores musicais.



retrato de Portugal.



Aquela que poderia ser uma das mais impressionantes casas barrocas do país é... só fachada. A Casa das Obras, também conhecida por Obras do Fidalgo, fica em Vila Boa de Quires, próximo de Marco de Canaveses, e se é verdade que não passa de uma dramática e imponente ruína, não deixa também de fazer adivinhar o ambicioso projecto pensado para o local há 250 anos.






(Fotos de Porfírio Silva. Janeiro de 2009)




Tivesse sido concluído e, hoje, não haveria grandes dúvidas em considerar o palácio mandado edificar pelo fidalgo António de Vasconcelos Carvalho e Menezes em Vila Boa de Quires, por volta de 1750, como uma das mais belas e imponentes casas construídas em Portugal durante o período barroco. Ficou-se, no entanto, pela fachada. Monumental. Grandiosa. Cenográfica...Mas, mesmo tendo em conta que nos encontramos perante “uma das mais impressionantes construções barrocas do país”, é dramática e inverosimilmente apenas uma fachada...

Conhece-se pouco sobre a história deste insólito monumento. As suas características artísticas, entre as quais se salienta a riquíssima decoração rocaille das portas e janelas, não deixam grandes dúvidas quanto ao arranque da construção em meados do século XVIII. Sabe-se, de resto, que aquando do terramoto de 1755 já decorria a construção.

O fidalgo responsável pela edificação da mansão pensou, seguramente, numa construção de dimensões consideráveis. Tal é evidente não só no impacto que ainda hoje a frontaria transmite, mas também na invulgar espessura das paredes que não raramente atinge os sete palmos. Adivinha-se, portanto, com alguma facilidade o ambicioso projecto pensado para o palácio. A verdade porém é que a edificação se ficou pela fachada.

Mas, que motivos terão levado António de Vasconcelos Carvalho e Menezes, Fidalgo da Casa Real, a suspender a construção?

Não há também respostas para esta questão e as explicações misturam muitas vezes factos reais com outros que possuem já o estatuto de lendários.

Afastada está a hipótese das obras terem terminado por morte do fidalgo uma vez que este faleceu apenas em finais de 1799 numa altura em que a construção há muito estaria parada. Popularmente conta-se que o promotor da obra se teria desinteressado do projecto quando, culminando uma série de acidentes que se vinham registando na construção (e há, de facto, referências à morte de pelo menos um operário por queda “abaixo das obras”), é o próprio arquitecto que, durante uma visita, perde a vida na sequência também de uma queda. Não há, no entanto, qualquer prova histórica da ocorrência deste episódio.

Outra possibilidade muitas vezes apontada é a do projecto se ter revelado bastante dispendioso, abalando os recursos financeiros de António Carvalho e Menezes. É possível que esta hipótese tenha algum fundamento. Mas não explica tudo. Pensamos, de resto, que a explicação residirá provavelmente numa conjugação de vários factores onde se deverá ter também em linha de conta o facto do fidalgo não ter tido filhos legítimos “nem ilegítimos”, como salienta o seu testamento. Sem descendentes directos a quem deixar o seu sonhado palácio, ter-se-á desinteressado do projecto deixando a fachada ao seu irmão.

O facto de nenhum dos proprietários seguintes ter equacionado a hipótese de completar o palácio fez com que a ruína se tenha perpetuado no tempo como uma obra inacabada estando, de resto, na origem do nome pela qual é tradicionalmente conhecida: Casas das Obras ou Obras do Fidalgo – uma das mais imponentes e belas construções barrocas do país, mas também um dos seus monumentos mais inverosímeis e patéticos. O suficiente para há algumas décadas um milionário norte-americano ter querido comprar a fachada para a desmontar e erguer, posteriormente, numa sua propriedade na América.

(Excertos do texto, de Joel CLETO e Suzana FARO, "A Casa das Obras em Vila Boa de Quires: É só fachada", in O Comércio do Porto. Revista Domingo, 6 Junho 1999, p.21-22.)

(Republicação. Publiquei este texto aqui a 5 de Janeiro de 2009. Mas, vá lá saber-se por quê, tive ganas de o dizer de novo.)

a troika veio avaliar os seus pupilos e achou-os bem.

11:30


A troika acha que Portugal está a ser bem governado. É natural: Portugal está a ser governado com o programa da troika.
Como deixou claro o Presidente do PSD, no final de Janeiro (não passou ainda um mês), esse partido tem um "grau de identificação importante" com o programa acordado com a 'troika' e quer cumpri-lo porque acredita nele. Nas suas palavras: "(...) o programa eleitoral que nós apresentámos no ano passado e aquilo que é o nosso Programa do Governo não têm uma dissintonia muito grande com aquilo que veio a ser o memorando de entendimento celebrado entre Portugal, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional". Ainda segundo o presidente do PSD, "executar esse programa de entendimento não resulta assim de uma espécie de obrigação pesada que se cumpre apenas para se ter a noção de dever cumprido". Nada que espante na "avaliação da troika", portanto: a troika tem os seus entusiastas no governo, felizes e contentes por poderem seguir esta política.
O PSD, apoiado no CDS, no PCP e no BE, derrubou um governo (o segundo governo de Sócrates), que tinha uns meses de mandato, no calor de uma crise. Isso serviu para nos fazer entrar mais resolutamente na crise, criando à direita liberal uma oportunidade de aplicar o seu programa, apoiada na ideologia do troikismo. É isso que está a fazer. Evitam é de estar sempre a fazer de conta que se limitam a fazer o que tem de ser feito, que se sentem condenados a esta receita. Esta é a sua receita, o seu programa, a sua política. Foi para isto que mobilizaram a coligação negativa. Não venham é, intermitentemente, chorar lágrimas de crocodilo pelas consequências: eles sabem quais são as consequências e querem-nas como prova de vida do seu conceito.

28.2.12

Decreto.


O governo da troika manda acrescentar um dia ao mês de Fevereiro. Assim, amanhã será 29. Com o mesmo ordenado, vencimento, remuneração, subsídio, bolsa, ou coisa nenhuma. Ou 300 miseráveis euros, que há muito disso por aí. Este ano é por estarmos no bissexto; para o ano, é para aumentar a produtividade. Sim, para o ano fica assim: aproveita-se o balanço. A Europa que se agarre: não hão-de querer que comecemos a chegar, daqui a algum tempo, com atrasos de dias às reuniões imprescindíveis - históricas - onde se fazem revoluções duas ou três vezes por semestre. Mas isso é lá problema deles, decerto.


uma visão de Napoleão.



"Whose game was empires, and whose stakes were thrones;
Whose table, earth - whose dice were human bones."

Lord Byron,  The Age of Bronze (III)



27.2.12

neste dia em 1933 nasceu Ruy Belo.

11:30

Quanto Morre um Homem

Quando eu um dia decisivamente voltar a face
daquelas coisas que só de perfil contemplei
quem procurará nelas as linhas do teu rosto?
Quem dará o teu nome a todas as ruas
que encontrar no coração e na cidade?
Quem te porá como fruto nas árvores ou como paisagem
no brilho de olhos lavados nas quatro estações?
Quando toda a alegria for clandestina
alguém te dobrará em cada esquina?

Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"