livraria.

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Porque é que os autores do blogue 31 da Armada, quando, a 10 de Agosto de 2009, subiram à varanda dos Paços do Concelho de Lisboa e hastearam a bandeira azul e branca, não restauraram a monarquia, como disseram ter feito, reclamando que foi precisamente com esse gesto que em 1910 foi proclamada a República?
O que explica que Obama tenha repetido o juramento como presidente, no dia seguinte à cerimónia de tomada de posse assistida por milhões de pessoas, desta feita sem anúncio prévio, num ambiente recatado e perante um restrito número de testemunhas?
O que terá uma câmara municipal feito para ser acusada de colocar falsos polícias na rua?
É mais fácil falsificar notas ou falsificar instituições?
Quando cai um sinal de sentido proibido, por esse facto desaparece a proibição de circular nesse sentido naquela rua?
Este livro, com um título que à primeira impressão soa estranho, “Podemos matar um sinal de trânsito?”, convoca um conjunto de factos da nossa vida colectiva, que passam nos jornais e nas televisões como episódios anedóticos, mas que descobrimos serem muito mais sérios do que parecem, desde que nos demos ao trabalho de os olharmos com olhos de ver.
O subtítulo ajuda a esclarecer o que aqui está em causa: “Um divertimento político-filosófico acerca da profundidade do quotidiano”. Neste livro, tentei que esse trabalho de perceber a profundidade do quotidiano se transformasse num prazer, pela forma desprendida como somos levados a descobrir o que pensávamos estar cansados de saber.
Sem ser um romance, este livro é como um romance: no fundo, conta uma história que queremos saber como acaba. Sem ter a forma de um ensaio, é um ensaio: tem uma tese, mas não a impõe, nem arregimenta os argumentos em ordem clássica, deixando ao leitor o trabalho, que aqui é um gosto, de descobrir o seu próprio caminho marítimo para a Índia. É um divertimento, porque divertirá o leitor tanto ou mais do que divertiu o autor, mas é filosofia por ser pensamento estruturado para lá das fronteiras das disciplinas, e é política por questionar dinâmicas profundas da nossa vida colectiva.

Editado pela Esfera do Caos. Nas livrarias a partir de 23 de Janeiro.


18 comments

Francisco Clamote 22 Janeiro, 2012

vamos lá ver se o consigo encontrar, pois, lido o post, vontade de o ler não me falta. Abraço, e parabéns,Porfírio.

Porfirio Silva 22 Janeiro, 2012

Caro Francisco,
Obrigado.
Pelo menos na FNAC do Chiado já lá vi ontem uma molhada deles.
Um abraço.

Francisco Clamote 23 Janeiro, 2012

Não irei ao Chiado, mas vou à FNAC que fica aqui pelas minhas bandas. Abraço.

Anónimo 24 Janeiro, 2012

Alguma vez ouviu esta expressao?
"Entendi perfeitamente o que disse, só nao sei onde me enganei ao seguir o seu raciocinio"
Se sim, diga-me onde e comprarei o seu livro.

Porfirio Silva 24 Janeiro, 2012

Responderia à pergunta se não fosse em troca de um rebuçado: mesmo um autor menor como eu não faz gracinhas em público por tão pouco.

Olinda 25 Janeiro, 2012

e pelo norte, há molhada?

(fiquei curiosa. parabéns) :-)

Porfirio Silva 25 Janeiro, 2012

Acho que sim. Mas, por favor, pergunte numa boa livraria. Ah, uma livraria que não venda o meu livro não é boa!!! (estou a brincar...)

Olinda 25 Janeiro, 2012

mas então devo procurar em todas, penso. :-)

Porfirio Silva 25 Janeiro, 2012

Eh eh eh... Comece pela que gosta mais. Eu fico aqui a cruzar os dedos... (mas como não sou supersticioso, se calhar não resulta).

Olinda 25 Janeiro, 2012

ah pois não resulta - recebemos na exacta medida que damos. (ou, pelo menos, é assim que condiz a natureza):-)

Francisco Clamote 25 Janeiro, 2012

Comprado já está, Porfírio. Hoje na Fnac, no Forum Almada. Agora falta lê-lo. Prometo dar notícias depois. Abraço.

Porfirio Silva 26 Janeiro, 2012

Olinda, cruzar os dedos já é um esforço. Então para mim, que não acredito no efeito... Oxalá o encontre, o leia e depois diga coisas.

Porfirio Silva 26 Janeiro, 2012

Francisco, tenho constatado que a distribuição deste está muito melhor que a do anterior.
Fico à espera das tuas impiedosas críticas.
Abraço.

Rosa Oliveira 30 Janeiro, 2012

Porfirio, penso q «fiquei anónima» no meu comentário anterior (o da encomenda via net); esqueci o login.sorry

Porfirio Silva 30 Janeiro, 2012

Rosa, tão anónima que nem vejo cá comentário nenhum sobre isso. Perdeu-se o dito no comboio entre ilhas e "contenente" ?!

Rosa Oliveira 30 Janeiro, 2012

Provavelmente... pior seria se se perdessem os livros tb.

António Souto 17 Fevereiro, 2012

Falhei, por vontade alheia, a apresentação do livro, mas não falharei a leitura.
Parabéns, por mais um! E um grande abraço.

Porfirio Silva 18 Fevereiro, 2012

Obrigado, caro António. Abraço.