22/01/12

livraria.




Porque é que os autores do blogue 31 da Armada, quando, a 10 de Agosto de 2009, subiram à varanda dos Paços do Concelho de Lisboa e hastearam a bandeira azul e branca, não restauraram a monarquia, como disseram ter feito, reclamando que foi precisamente com esse gesto que em 1910 foi proclamada a República?
O que explica que Obama tenha repetido o juramento como presidente, no dia seguinte à cerimónia de tomada de posse assistida por milhões de pessoas, desta feita sem anúncio prévio, num ambiente recatado e perante um restrito número de testemunhas?
O que terá uma câmara municipal feito para ser acusada de colocar falsos polícias na rua?
É mais fácil falsificar notas ou falsificar instituições?
Quando cai um sinal de sentido proibido, por esse facto desaparece a proibição de circular nesse sentido naquela rua?
Este livro, com um título que à primeira impressão soa estranho, “Podemos matar um sinal de trânsito?”, convoca um conjunto de factos da nossa vida colectiva, que passam nos jornais e nas televisões como episódios anedóticos, mas que descobrimos serem muito mais sérios do que parecem, desde que nos demos ao trabalho de os olharmos com olhos de ver.
O subtítulo ajuda a esclarecer o que aqui está em causa: “Um divertimento político-filosófico acerca da profundidade do quotidiano”. Neste livro, tentei que esse trabalho de perceber a profundidade do quotidiano se transformasse num prazer, pela forma desprendida como somos levados a descobrir o que pensávamos estar cansados de saber.
Sem ser um romance, este livro é como um romance: no fundo, conta uma história que queremos saber como acaba. Sem ter a forma de um ensaio, é um ensaio: tem uma tese, mas não a impõe, nem arregimenta os argumentos em ordem clássica, deixando ao leitor o trabalho, que aqui é um gosto, de descobrir o seu próprio caminho marítimo para a Índia. É um divertimento, porque divertirá o leitor tanto ou mais do que divertiu o autor, mas é filosofia por ser pensamento estruturado para lá das fronteiras das disciplinas, e é política por questionar dinâmicas profundas da nossa vida colectiva.

Editado pela Esfera do Caos. Nas livrarias a partir de 23 de Janeiro.


18 comentários:

Francisco Clamote disse...

vamos lá ver se o consigo encontrar, pois, lido o post, vontade de o ler não me falta. Abraço, e parabéns,Porfírio.

Porfirio Silva disse...

Caro Francisco,
Obrigado.
Pelo menos na FNAC do Chiado já lá vi ontem uma molhada deles.
Um abraço.

Francisco Clamote disse...

Não irei ao Chiado, mas vou à FNAC que fica aqui pelas minhas bandas. Abraço.

Anónimo disse...

Alguma vez ouviu esta expressao?
"Entendi perfeitamente o que disse, só nao sei onde me enganei ao seguir o seu raciocinio"
Se sim, diga-me onde e comprarei o seu livro.

Porfirio Silva disse...

Responderia à pergunta se não fosse em troca de um rebuçado: mesmo um autor menor como eu não faz gracinhas em público por tão pouco.

Olinda disse...

e pelo norte, há molhada?

(fiquei curiosa. parabéns) :-)

Porfirio Silva disse...

Acho que sim. Mas, por favor, pergunte numa boa livraria. Ah, uma livraria que não venda o meu livro não é boa!!! (estou a brincar...)

Olinda disse...

mas então devo procurar em todas, penso. :-)

Porfirio Silva disse...

Eh eh eh... Comece pela que gosta mais. Eu fico aqui a cruzar os dedos... (mas como não sou supersticioso, se calhar não resulta).

Olinda disse...

ah pois não resulta - recebemos na exacta medida que damos. (ou, pelo menos, é assim que condiz a natureza):-)

Francisco Clamote disse...

Comprado já está, Porfírio. Hoje na Fnac, no Forum Almada. Agora falta lê-lo. Prometo dar notícias depois. Abraço.

Porfirio Silva disse...

Olinda, cruzar os dedos já é um esforço. Então para mim, que não acredito no efeito... Oxalá o encontre, o leia e depois diga coisas.

Porfirio Silva disse...

Francisco, tenho constatado que a distribuição deste está muito melhor que a do anterior.
Fico à espera das tuas impiedosas críticas.
Abraço.

Rosa Oliveira disse...

Porfirio, penso q «fiquei anónima» no meu comentário anterior (o da encomenda via net); esqueci o login.sorry

Porfirio Silva disse...

Rosa, tão anónima que nem vejo cá comentário nenhum sobre isso. Perdeu-se o dito no comboio entre ilhas e "contenente" ?!

Rosa Oliveira disse...

Provavelmente... pior seria se se perdessem os livros tb.

António Souto disse...

Falhei, por vontade alheia, a apresentação do livro, mas não falharei a leitura.
Parabéns, por mais um! E um grande abraço.

Porfirio Silva disse...

Obrigado, caro António. Abraço.