5.3.11

afinal há censura em Portugal, há sim senhora


Leitura:
O jornalista Joaquim Vieira escreveu um livro sobre o jornal Público que deveria ir amanhã [hoje] para as bancas para celebrar os 20 anos do diário. Mas a publicação foi adiada porque «havia passagens que não seriam convenientes numa obra desta natureza».(...) o adiamento da edição foi decidido pela actual directora do jornal, Bárbara Reis.
Na íntegra aqui.

(surrupiado ao Miguel)

4.3.11

deu um susto na palavra e voaram corpos





"LIVROS VIVOS", de ALEXANDRA MESQUITA
Livraria Babel
de 20 de Janeiro a 15 de Março
Rua da Misericórdia, 68, Lisboa
Segunda a sábado, das 10h às 20h


a ambiguidade gramatical é um prato muito apetecido pelos especuladores e pelo bota-abaixismo


Merkel não disse que as reformas em Portugal “têm de ir mais longe”, rectificou a Reuters.

Prossegue o Público: «Paul Taylor, editor associado da agência, precisou ao PÚBLICO que a chanceler não disse que as reformas económicas em Portugal “têm de ir mais longe”, como afirmavam as notícias emitidas na quarta-feira, mas antes que “irão continuar”. O editor explicou que, segundo o relato feito pelos jornalistas que cobriram o encontro, a frase de Merkel, que se exprimia em alemão, continha uma ambiguidade gramatical que gerou um longo debate interno sobre a tradução mais correcta em Inglês.»

Entre a tarde de quarta-feira e hoje, sexta-feira, a malta da Reuters esteve na praia? A estudar alemão? A tentar leitura labial de Merkel? Ou a comparar as declarações da chancelerina com a transcrição em linguagem gestual? Ou será que ninguém lhes perguntou antes? Estou cheio de dúvidas...

o BE considerará também comprar umas bombas de gasolina para fazer comércio justo?


BE quer fixar preço máximo para combustíveis.

O pecado foi a liberalização, diz o Bloco. Liberalização resulta em especulação, diz o Bloco. Ora, se isso é verdade para os combustíveis, deve ser verdade para o resto. Ou "pode ser", pelo que, se adoptarmos um regime de preços controlados nos combustíveis, deveríamos considerar regimes de preços controlados para o resto dos bens. Considerar, quer dizer, começar a olhar à volta e pensar onde mais poderíamos intervir. Já vimos isto em qualquer lado, não vimos?
Mas há aqui um ponto: o Bloco diz que pagamos mais do que os outros países europeus. Mas eles também têm "liberalização" dos preços dos combustíveis, não têm? Quais são os outros países europeus que têm regimes de controlo dos preços pelo Estado? Pergunto, não sei. Mas o Bloco deve saber. E essa questão é importante. É que se nós pagamos mais do que outros, mas esses outros também têm preços liberalizados, em vez de preços controlados pelo Estado, a explicação não pode ser aquela que avança o Bloco. Nesse caso, a iniciativa do Bloco poderia ser vista como uma tentativa de vender controlo do Estado sobre o mercado à boleia da popularidade da questão do preço dos combustíveis.
O BE, com a aproximação da moção de censura, tem de inventar qualquer coisa. Receio bem que o próximo passo seja comprar uma bomba de gasolina para demonstrar a boa razão da sua luta contra a especulação nos combustíveis. Se a bomba do Bloco vender mais barato, e criar mais emprego, esse argumento vai pesar terrivelmente no equilíbrio político do país.

copyrights X copywrongs


Coisas da ciência que são coisas da democracia.
I've written here before about the way certain major technical societies use regressive, coercive copyright policies to obtain from authors exclusive rights to the papers that appear at the conferences and in the journals that they organize. These organizations, rooted in a rapidly disappearing print-based publishing economy, believe that they naturally "own" the writings that (unpaid) authors, editors and reviewers produce. They insist on copyright control as a condition of publication, arguing that the sale of conference proceedings and journal subscriptions provides an essential revenue stream that subsidizes their other good works. But this income, however well it might be used, has evolved into an ill-gotten entitlement. We write scientific papers first and last because we want them read.
Vale a pena ler na íntegra. Shaking Down Science, por Matt Blaze.

uma notícia realmente importante (sem ironia)


Mudança na publicação de comentários online no Público.

Muitas vezes tenho criticado o Público. Não o costumo fazer com outros jornais: as tolices das antigas namoradas têm sempre um sabor diferente das mazelas das outras meninas. Assim sendo, julgo de elementar justiça, agora, sublinhar aqui que é de grande relevância a mudança que o Público vai fazer ao seu sistema de comentários. Não será fácil, como já notou o Provedor do Leitor, até por se abandonar um sistema de total irresponsabilidade - como o actual, onde se escreve no sítio em linha o que se diz na taberna, ou pior - para um sistema de moderação que não será isento de críticas. Mesmo assim, ou precisamente por isso, trata-se de um passo de gigante, não só para a comunicação social, mas para a cidadania. Claro, os que acham que temos o direito de dizer qualquer coisa de qualquer um de qualquer maneira, que julgam que o respeito é um conceito conservador, devem pensar nisto como uma restrição à liberdade de expressão. Deixá-los achar.
Desta vez, parabéns ao Público!

3.3.11

não culpem o PSD por isto


Isabel Alçada acusa PSD de fazer aumentar a despesa em 43 milhões de euros.

Não culpem o PSD por isto.
Aliás, não culpem "o" PSD por coisa nenhuma.
É que não há um PSD. Há muitos. Há o PSD que exige que o governo baixe a despesa. E há outro que tem sempre a assinatura afiada para leis que sobem a despesa. Há o PSD que tem muita pena das dores que a crise provoca em muitos portugueses. E há o PSD que suspira pela vinda do FMI, que, na Grécia e na Irlanda, não resolveu coisa nenhuma e não melhorou a situação social de ninguém. Há o PSD patriota. E há o PSD que diz ao mundo tudo o que possa prejudicar a imagem de Portugal. Há o PSD que quereria governar Portugal e, portanto, tenta dizer coisas ajuizadas para quando lá chegar. E há o PSD que diz qualquer coisa em qualquer momento, desde que isso possa aumentar a confusão. Há o PSD reformista, uma direita civilizada e pragmática que pensa que o país tem de livrar-se de atavismos e fazer-se à vida (foi o PSD de Sá Carneiro, mesmo que este nem sempre soubesse muito bem para que lado devia virar-se para ir nesse sentido). E há o PSD do vale tudo, dos videirinhos, que tanto estão bem com o CDS como com o PCP, desde que isso mantenha a cova aberta. Há muitos PSD por aí.
E o país que se aguente.

está um rapaz a arder


No lançamento de Desobediência (Poemas Escolhidos), de Eduardo Pitta, valter hugo mãe, que apresentou o livro, escolheu este poema para recitar par coeur:

Está um rapaz a arder
em cima do muro,
as mãos apaziguadas.
Arde indiferente à neve que o encharca.

Outros foram capazes
de lhe sabotar o corpo,
archote glaciar.
Nunca ninguém apagou esse lume.

Eu desconhecia que este poema estava musicado, à responsabilidade d'A Naifa. Fiquei a saber nesta sessão e deixo aqui para se ouvir.


2.3.11

afinal para que servem os jornais?


O jornalista do Público que vira as setas consoante o vento não sabe se o presidente da Associação Sindical dos Juízes está contra o Citius por boas razões ou por estar sempre contra tudo. Portanto, a seta fica na horizontal, virada para a frente. A bem dizer, a seta até podia ficar na horizontal, mas virada para trás, para o passado. Assim servia para o sindicalista de titulares de órgãos de soberania - mas também para o jornalista que coloca setas indecisas por lhe faltar pachorra para dar uma resposta fundamentada. "Já não se sabe quando ele tem ou não razão"? Não se sabe? Faça o seu trabalho, que já sabe. Fundadamente. E tire lá a seta do limbo. Ou o meritíssimo assusta-o?


agenda para hoje

11:00

Ir ao lançamento de Desobediência, poemas escolhidos (e revistos) de Eduardo Pitta, na Livraria Barata de Lisboa, pelas 19h. Com apresentação de valter hugo mãe.



28.2.11

congresso do PS: há qualquer coisa que me está a escapar

12:03

Talvez eu esteja enganado, talvez não tenha percebido bem. Mas parece-me haver qualquer coisa estranha na preparação do próximo congresso do PS. Parece que para apresentar uma moção política global (sobre o rumo do país e do partido) é preciso ter um candidato a secretário-geral. Talvez por isso pululam candidatos a secretários-gerais, alguns dos quais já fizeram notar que só o são por a isso serem obrigados por causa daquela regra - caso contrário teriam de prescindir das suas moções. Mas ao mesmo tempo parece haver quem diga que, dados os momentos difíceis que se atravessam, é preciso unidade e estabilidade. Em torno do secretário-geral. Isto quer dizer o quê? Que a unidade e a estabilidade se poderiam alcançar por via da não-discussão? Ou pela redução das alternativas a notas de rodapé à moção do actual secretário-geral? Há de certeza algo que me está a escapar. Não é possível que alguém dentro do PS pense que o melhor seria não haver grandes discussões para o congresso.