12.2.11

Rachmaninov tinha mãos grandes, este tipo tem mãos pequenas, mas diz que é a única coisa que tem em tamanho small


Aposto que este "pianista" não apresentaria uma moção de censura só para fazer um número de circunstância.





paisagens


As esculturas submarinas de Jason de Caires Taylor criam uma paisagem original, já que as suas obras se tornam recifes artificiais, atraindo a vida marinha e entrando no jogo de mudanças do que está exposto às influências do meio. É beleza que deixo no fim de semana dos passantes.

Jason de Caires Taylor, A evolução silenciosa,
400 figuras em tamanho real, a 9 metros de profundidade, Isla Mujeres, México

Jason de Caires Taylor, A evolução silenciosa, detalhe

Jason de Caires Taylor, A evolução silenciosa, detalhe

Jason de Caires Taylor, Vicissitudes
26 figuras em tamanho real, a 5 metros de profundidade, Granada, Índias Ocidentais

Jason de Caires Taylor, O correspondente perdido
a 5 metros de profundidade, Granada, Índias Ocidentais


11.2.11

estas não são as ruínas do bloco de esquerda

é possível escrever em blogues e contudo não saber ler?


Uma vez que há pessoas que não sabem ler, sublinho que nunca escrevi que os partidos da oposição não podem apresentar moções de censura por causa da dívida soberana. Escrevi que fazer o anúncio com um mês de antecedência é, só por si, um acto irresponsável. E acrescento que todos os partidos, em democracia, devem fazer tudo por aquilo que acham bom para o país. O que é curioso é que se possa conceber que o BE e o PSD (também o CDS e o PCP?) tenham a mesma opinião acerca do que é bom para o país.

a beleza da dignidade


Noticia o Público: «O retrato de uma mulher afegã, mutilada no nariz, valeu ao repórter fotográfico sul-africano Jodi Beiber o grande prémio do concurso internacional World Press Photo 2010. O vencedor foi hoje anunciado em Amesterdão. A fotografia, que foi capa da revista “Time” a 1 de Agosto de 2010, revela uma jovem afegã de 18 anos, Bibi Aisha, a quem o marido cortou o nariz e as orelhas por ela ter voltado para a família, depois de o acusar de maus tratos.»

10.2.11

a fuga para o Egipto

21:33

Bloco de Esquerda vai avançar com moção de censura.

A estratégia presidencial de Louçã meteu o Bloco, mais o resto das esquerdas, no beco da reeleição de Cavaco Silva. O grande profeta tinha que tirar da cartola qualquer coisa que permitisse o velho expediente da fuga em frente, a ver se não se fala mais dessa desastrosa estratégia. Dias depois de ter explicado que isso era fazer o frete à direita, o BE anuncia uma moção de censura, com um mês de antecedência. Nada podia ser mais trágico para o financiamento da República nos mercados internacionais, e respectivas consequências económicas, do que um mês de fervura lenta. Mas isso não interessa nada a Louçã. O batido dirigente trotskista já só pensa numas merecidas (pensa ele) férias num país em estado de insurreição. O Egipto, por exemplo. Vamos ver se o BE tinha razão e o PSD agradece.

[Adenda: Já o PSD parece estar a pedir por favor que o pressionem: um grande partido esponja, que toma a forma que os apertões lhe imprimirem.]

(Na imagem: Jesus, Maria e José fogem para o Egipto.)

o problema do debate sobre a despesa pública em Portugal é que as contas são sempre as de merceeiro e não as das grandes opções políticas


Daniel Oliveira a explicar bem explicadinho por qual razão as vistas curtas saem muito caro a todos nós. O passe de Coelho. Leitura que recomendo vivamente.

quando as instituições se põem a pensar (ou um certo mea culpa do FMI)


O FMI tem um serviço para fazer avaliações independentes do funcionamento do próprio FMI. Ontem, esse serviço publicou um relatório acerca das razões pelas quais a organização não antecipou apropriadamente a crise financeira e económica em que estamos mergulhados. (Está aqui.)
Dominique Strauss-Kahn, o patrão, já admitiu as boas razões do relatório e enuncia em que sentido as coisas poderão caminhar para acolher as recomedações.
Não tendo tido tempo sequer para dar uma vista de olhos ao relatório, li o editorial de ontem do Finantial Times sobre o assunto. Um dos aspectos aí realçados é o das "falhas intelectuais" do funcionamento do FMI como causa da "cegueira". Essas falhas intelectuais consistem, essencialmente, em dogmatismo e ortodoxia. Dito de forma diplomática, como o FT prefere, claro. Mas não deixa de ficar claro que nessas "falhas intelectuais" consta o facto de muitos dos analistas do Fundo estarem "agarrados" por um único paradigma, ignorarem a contaminação que as "aventuras" financeiras poderiam trazer ao resto da economia, e serem "convidados" a seguir o rebanho: os que viam as coisas de forma diferente eram sujeitos aos "incentivos" apropriados para baixarem a voz.
O FMI estuda porque falhou como instituição, ao não ver o que aí vinha. Em Portugal, quando os reguladores falham, há uma chusma de vozes baratas que pensam calar a realidade tentando culpar um só homem pela fracasso do sistema. Lembram-se do que falo: aquela ideia de culpar Vítor Constâncio por não ter comprado uma bola de cristal suficientemente esperta. Quando, no máximo, ele era a expressão de um sistema de pensamento pouco habituado às duras espertezas do capitalismo corrente. O que não o desculpa, intelectualmente - mas não tem nada a ver com incompetência profissional. Mas obriga a ver o seu exercício no quadro dos muitos "companheiros de estrada" que, pensando o mesmo que ele antes da borrasca se declarar, depois o quiseram sacrificar para tentar esconder a sua dívida intelectual e política para com o país.

9.2.11

confirma-se que passou à história aquele luxo de termos um presidente de todos os portugueses

descoberto o segredo da crise da dívida soberana

rodriguinhos ajeitam as cadeiras

trabalhos temporários

09:52
Renee Rouillier, Lost Innocence

Passos Coelho queria o FMI. O FMI oferecia os "estudos da situação" que ele não tem tempo para fazer desde que se meteu a presidente do PSD, oferecia a desculpa política para a política que PPC quer fazer mas não tem coragem de confessar. Afinal, o FMI se calhar já não vem - e os únicos que ainda defendem que venha são os que se esqueceram de olhar para os resultados que tal coisa deu na Grécia e na Irlanda. O FMI se calhar já não vem, porque o governo apostou em tudo o que podia apostar, ao mesmo tempo na venda de dívida, na economia que exporta e na política europeia (engrossando a corrente dos que apressam modificações nos mecanismos de defesa do euro). É isso que é governar: definir objectivos, traçar caminhos - e percorrê-los.
O PSD demorou mais tempo do que os próprios "mercados" a perceber que Portugal não se tinha rendido. Mas, agora que percebeu, "caiu na real": se a oposição deixar o governo trabalhar mais uns meses, a governação vai dar resultado e o país não se afundará no cabo das tormentas. O cenário de uma crise ultrapassada enegrece os sonhos da oposição. É por isso que o PSD, de repente, procura todas as maneiras possíveis para meter água para dentro do barco. Já que Cavaco só se ajuda a si próprio, resta a moção de censura. É preciso evitar que Sócrates governe, custe o que custar - assim pensa Pedro Coelho. Isto é o essencial do que se está a passar.
Que o PSD procure no sector esquerdo do Parlamento quem esteja disposto a um trabalho temporário necessário ao seu plano; que haja uns partidos da esquerda revolucionária dispostos a gastarem do seu próprio papel timbrado para escrever a moção de censura do PSD, isso são pormenores. E nem são propriamente surpreendentes. O PSD sonhou com o FMI. O PCP sonhou com o PSD. Com tanto sonho trocado ainda acabam com uma valente dor de corno ao acordar. Está para chegar o dia da verdade da coligação negativa.

8.2.11

os profetas do mercado livre devem estar muito zangados


O carregador único para telemóveis está a chegar à Europa. «Há vários anos que a Comissão Europeia tem vindo a defender a ideia simples de um carregador comum compatível com telemóveis de todas as marcas. Finalmente isso está prestes a transformar-se em realidade, graças a um acordo de cooperação selado entre 14 fabricantes mundiais de telemóveis e a Comissão.»

Então, isto não vai diminuir a minha liberdade de escolha como consumidor? Vou ser obrigado a ter um telemóvel com certas tripas iguais às do telemóvel do meu vizinho? É a ditadura, credo, é a ditadura. Europeia, ainda por cima...

mensagem numa garrafa aos que pensam que o pessoal "da rede" está necessariamente alienado


Comentário de Vitorino Ramos @ Chemoton: «Conclusion: When you shut-down the Internet, people will click on real physical streets...»


7.2.11

The Force | dedicado a um blogue muiiiiiito poderoso que por aí anda


Uma nova epistemologia do fenómeno: procurem o comando a distância.



cisne negro


Black Swan, de Darren Aronofsky, com Natalie Portman, Mila Kunis e Vincent Cassel. Uma história banal cheia de truques esquisitos a tentar convencer-nos que mais tarde chegará um vislumbre de grandeza - mas sem nunca lá chegar. Podia ser sobre dança (ballet), mas não é: o filme não consegue transmitir coisa alguma acerca da arte de dançar vivências diferentes (cisne branco, cisne negro). Finalmente, não passa da história de uma menina pouco empenhada em fazer certos "trabalhos de casa" receitados pelo professor, acabando por deixar a colegas oportunistas grande parte das manobras que lhe estavam prescritas como exercício "espiritual"...


(Adenda: A ideia de que este filme se aproxima do modo de Cronenberg tratar a questão o corpo... esqueçam: nem os seus filmes mais artesanais eram tão superficiais nessa matéria. Cronenberg é um filósofo-realizador.)

coisas sérias


maquiavel de ceroulas

10:51

Marcelo Rebelo de Sousa considera que o Governo “está morto”
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Citando: «Marcelo Rebelo de Sousa considera que este Governo socialista “está morto” e nas mãos do PSD. E se o PCP cumprir com a sua palavra sobre um possível apoio ao PSD numa moção de censura, diz o professor e comentador político que Passos Coelho pode decidir quando é que o executivo de Sócrates deve cair.»
Agora, lendo: MRS, como muitos PSD, não quer, de modo nenhum, que seja PPC a aproveitar a janela de oportunidade para chegar ao poder. Têm, para isso, de fechar os caminhos ao ex-líder da Jota. O primeiro caminho, Belém, está controlado: Cavaco nunca vai provocar uma crise para entregar o país a Passos Coelho, que o cavaquistão detesta. Cavaco esperará até que o PSD esteja em boas mãos. O outro caminho é uma moção de censura no Parlamento, onde o PSD precisa dos votos da esquerda da esquerda para derrubar o governo. Alertar, com antecedência, para o conluio entre a esquerda revolucionária e o PSD nesse desiderato, dificulta politicamente a tarefa: denuncia a conivência de Jerónimo com a direita, aponta a dependência do PSD face aos comunistas. Quanto mais se anunciar a materialização dessa "aliança", mais escrutinada ela será e mais custará concretizá-la. É isso que está a tentar fazer Marcelo. Ele quer mais tempo para que os "seus" façam a limpeza da casa - e para que o PS leve a cruz até ao calvário, outra conveniência táctica que PPC não pode perceber, apressado como está a tentar obstar ao sacrifício de mais um magnífico presidente do PSD.

o disparate é livre


Que o disparate é livre é algo que a ex-secretária de estado da educação ilustra com propriedade.
Ana Benavente: Autoritarismo do PS de Sócrates ultrapassa "centralismo democrático" de Lenine.
Pena é, apenas, que a ignorância histórica do que significam os conceitos também seja livre. Política amassada no ressabiamento dá nisto. E parece que começa a fazer escola. O que não é, evidentemente, o debate sério que é preciso fazer sobre o futuro do país e os seus caminhos.