07/04/11

ai Joana, Joana, se até a Senhora vai por esse caminho, isto está mesmo tudo em cacos


Os políticos de hoje têm de atender à comunicação. Todos. Em todas as circunstâncias. As palavras não mudam por causa da imagem, mas esta não pode ser descuidada, sob pena de se sobrepor às próprias palavras. Ignorar isso, ou fazer de conta que se ignora, como se os políticos pudessem ignorar isso, é populismo do mais rasteiro. No dia em que o PM foi forçado a pedir ajuda externa, empurrado pela coligação negativa, uma TV, por lapso ou por maldade, transmitiu uns segundos de Sócrates a preparar-se para uma comunicação ao país. Houve quem pegasse no "assunto" como se estivesse a dizer algo de realmente importante. Como se o normal fosse que Sócrates aparecesse já com a tanga há muito anunciada por Barroso quando PM. Mais um episódio do fluxo do pequeno ódio rasteiro que por aí anda. Coisa que não me estranha em muitos comentadores da praça. Que o tique tenha chegado à Joana, mostra a virulência do desnorte.

7 comentários:

ariel disse...

É lamentável, mas não estranho, no fundo é o quanto pior melhor a funcionar...
Abraço

Joana Lopes disse...

Porfírio,
Obrigada pelo elogio implícito no fim do seu texto.
Fosse outro o seu posicionamento político e concordaria comigo - estou certa.

Há momentos tão graves que o acessório perde / deve perder importância e não foi o caso. Sobretudo porque ainda não li nenhuma explicação (pode ser lapso meu) para o facto de, depois deste «ensaio» de estilo, Sócrates ter começado a falar com mais de 30 minutos de atraso sobre a hora oficialmente anunciada. E os portugueses estavam à espera de um anúncio importante...

Porfirio Silva disse...

Joana, é uma boa tentativa de saída, pelo lado do humor. Mas, a meu ver, não funciona: o facto de a Joana ser uma intelectual não torna o seu destaque à gaffe de JS menos participante na tontaria que aí vai acerca desse assunto. Custa-me vê-la a fazer o papel do professor martelo, que diz que "os outros disseram" para dizer o que quer dizer sem o assumir.
(Já agora: o meu posicionamento político é de liberdade, não sou incondicional de ninguém, como se vê lendo o que escrevo. Também essa tentativa de me desenhar como um sectário, incapaz de a perceber por causa das minhas opiniões, não me parece muito elegante. Mas deve ser de eu só ler o Diário da República.)

Joana Lopes disse...

«Custa-me vê-la a fazer o papel do professor martelo, que diz que "os outros disseram" para dizer o que quer dizer sem o assumir.»
Isto significa o quê? O que é que eu não assumi???? Quais foram os outros que disseram e o quê?

Porfirio Silva disse...

A Joana colocou o tal vídeo de "Sócrates a ensaiar" com este comentário: "Num dia trágico para a história deste país, num momento dramático, coisas realmente importantes:" - e depois faz de conta que está a criticar a confusão entre o acessório e o importante. Mas não está a criticar essa confusão: está a praticar essa confusão. Está a apelar à ignorância dos que não sabem que as "figuras públicas" ensaiam os momentos de aparecer em situações críticas. Foi exactamente isto que eu quis dizer. Mas pode deixar à inteligência dos nossos leitores a apreciação do que a Joana e eu escrevemos.

mdsol disse...

Desapontada, faço minhas as palavras da Ariel.

António P. disse...

Estou contigo, caro Porfírio.
E passemos à frentes dos 16 segundos de um vídeo que já mereceu umas dezenas de bostas de bloggers da direita e da esquerda da esquerda ( seja lá o que isso queira dizer ).
Já agora e para a Joana, não a imaginava tão amadora e moralista.
Cumprimentos aos dois