12/07/10

onde o senhor Semeta e de lá não saia

Os ministros das finanças da Alemanha e da França, perigosos comunistas representando dois Estados notoriamente soviéticos, divulgaram na sexta-feira passada uma carta (dirigida à Presidência Belga, na pessoa do respectivo ministro das finanças) apelando a que a EU avance com os planos para introduzir a taxa sobre as transacções financeiras. O comissário europeu Algirdas Semeta, em declarações hoje ao Frankfurter Allgemeine Zeitung (link para pagantes), para explicar por que não se nota que tenha feito o trabalho de casa nessa matéria, diz que é preciso ter cuidado, não nos apressarmos com tal iniciativa, pois que é muito fácil pedir tais coisas mas a Comissão Europeia tem de se assegurar de que não se tomam decisões absurdas. O argumento é, como sempre, que isso pode afectar a competitividade dos centros financeiros europeus. A chantagem do costume, feita para dar argumentos aos que, do lado da política, estão sempre assustados em fazer qualquer coisa que discipline os mercados – por gostarem mais que sejam os mercados a “disciplinar” os países (nos intervalos de estarem a receber massivos apoios financeiros dos respectivos orçamentos). Parece que lá para os lados da Lituânia, de onde vem o senhor Semeta, a ideia parece nova e nunca estudada. Daí que, claro, seja preciso ter muito cuidado. Estas declarações vêm mesmo a tempo para sublinhar a boca muito aberta de Durão Barroso quanto à acusação de estar a Comissão Europeia numa linha ultraliberal. Uma acusação descabidíssima, claro está.

(Este é mais um apontamentos da série O protão é mais pequeno do que se pensava e por enquanto ninguém sabe porquê.)

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