28/04/10

só não percebo por que Sócrates apoiou Barroso

Em muitos aspectos da política-política, Sócrates é melhor do que foi Guterres. Sócrates brilha menos mas firma mais a cabeça quando investe. (Quando marra, se quiserem.) E isso importa num país de malditas falinhas mansas. Às vezes dou comigo a pensar o que Sócrates não teria feito se lhe tivesse calhado o tempo que calhou a Guterres.
Só que, por outro lado, Guterres voa muito mais alto. Com visão global e de precisão. Como a águia. Como se vê/lê agora. O antigo primeiro ministro António Guterres considerou hoje em Bruxelas que tem faltado "clareza" à Europa na forma de lidar com a crise financeira e económica, apontando que é essa incerteza que se tem reflectido no comportamento dos mercados. Se Guterres fosse agora PM teria, provavelmente, uma oportunidade de ouro para mostrar a sua visão de fundo, sempre muito bem informada, sempre global, sempre focada nas tendências pesadas. Esse é o palco onde ele é bom. Faz-nos falta agora, enquanto a tropa fandanga anda por aí a fazer oposição ao governo com base na tola ideia de ser o governo de Portugal o culpado de uma forte crise institucional da Europa. Crise de que são principalmente responsáveis: (1) o egoísmo de vistas curtas da Grande Alemanha, guiada por uma Merkel que aparentemente atingiu o limite da sua capacidade de compreensão; (2) a paralisia do sapo, que em geral só abre a boca para balbuciar aquilo que já lhe encomendaram antes, e que continua incapaz de uma única ideia a sério para este barco.
Pode pensar-se que as pessoas passam e as instituições ficam. Mas uma pessoa do tipo nem c*** nem desocupa a moita pode dar cabo de uma instituição que devia ser liderante. Liderante para além da letra dos Tratados, porque a liderança que conta assenta nas ideias.

1 comentário:

Anónimo disse...

Um dia contar-te-ei a história com detalhe.Começa em 1973, nas RGAs de Direito e nos grupúsculos políticos, depois passa-se na Suíça e posteriormente numa Universidade americana . O capítulo seguinte é nas Fundações de Portugal ligadas aos partidos políticos.Depois há uma cena que se passa nos Açores. Finalmente chega-se aos corredores do Berlaymont.