02/06/12

o PCP no mundo.


O PCP, na sua tomada de posição sobre a Síria, é fiel a si mesmo em questões internacionais: não percebe que acabou a União Soviética e continua a reagir como se continuasse obrigado, por "internacionalismo proletário", a colocar-se sempre sempre ao lado de toda a espécie de ditadores e assassinos que supõe que seriam aliados do Partido Comunista da União Soviética se este ainda governasse o gulag. Se tiverem que inventar coisas, do género de os autores dos massacres não serem os autores dos massacres, mas malandros da NATO, ou de qualquer forma de "Ocidente", disfarçados, não hesitam em inventar o que seja necessário. Politicamente, além de julgar que nos pode tratar a todos como idiotas, o PCP tem as mãos sujas em política internacional. E isso é grave.


5 comentários:

Anónimo disse...

O PCP simplesmente não se dá ao luxo de com uma mão apoiar ditadores sanguinários e com a outra condenar, como é hábito na política internacional dos seus amigos. Como sabe, só haverá intervenção ocidental na Síria se for do interesse ocidental intervir.

João.

Porfirio Silva disse...

João, não sei quem, para si, são os meus amigos. Mas sei uma coisa: a posição do PCP, neste caso como noutros, é de ser amigo dos assassinos. E a quem defende os amigos dos assassinos só me apetece uma coisa: vomitar-lhe em cima. Acho que não posso ser mais claro, nem mais sincero.

Anónimo disse...

Sei que você é uma pessoa ocupada mas em todo o caso solicitaria que me dissesse onde, no comunicado do PCP, você se justifica na acusação que faz ao PCP de defender assassinos?

E se a intervenção militar externa despoletar uma violência ainda maior do que a que já ocorre? Será que você se responsabilizará quanto à parte que lhe cabe se uma intervenção militar externa redundar num conflito de maiores proporções? Ou será que se conforta com "a intenção era boa..."?

João.

João.

Porfirio Silva disse...

João, deixo-lhe a si esse exercício de leitura. Mas não caia na tentação de tomar os outros por parvos.

O outro ponto: uma intervenção militar pode aumentar a violência, claro que pode. Como qualquer revolta, revolução ou insurreição normalmente provoca aumento de violência, pelo menos temporariamente. Mas julgo que usar isso como argumento para que se calem os que estão mal, seria uma saída bastante tonta. E poderia até parecer um apelo a que depositemos as nossas esperanças na bondade dos tiranos. Espero que não seja essa a sua opção.

Anónimo disse...

Porfírio, veja que no caso do Egipto o PCP manifestou-se a favor da queda de Mubarak enquanto eram as potências ocidentais que tentaram preservar Mubarak o mais possível sob o argumento da instabilidade que poderia gerar a sua queda. Depois não é ainda claro o que está a acontecer na Síria, ou seja, quem são as forças da oposição, onde se estão a armar, com que propósitos e com que alianças.

Julgo que o PCP suspeita que, ao contrário do que aconteceu no Egipto em que a oposição ao regime veio decididamente do povo, na Síria há mão estrangeira aliada aos interesses ocidentais e dentro dessa suspeita advoga a perseguição de meios diplomáticos para a resolução da crise.

Naturalmente que o PCP corre o risco de estar enganado, mas o que podemos perguntar é porque razão o ocidente foi tão hesitante no que respeita a Mubarak e tão assertivo no que respeita a Assad?

Tal como podemos perguntar o mesmo ao PCP, ou seja, porque razão foi tão assertivo na defesa da queda de Mubarak e contra qualquer intervenção externa para a sua preservação e mais hesitante quanto a uma intervenção externa focada na remoção de Assad?

E ainda é preciso ao menos notar que o PCP, na nota que você "linkou", repudiou os massacres de civís, mulheres e crianças, mas não dá como demonstrado que foram levados a cabo pelo regime de Assad - é uma posição arriscada dada a posição ocidental que dá essa responsabilidade como apurada.

Sabemos no entanto como as certezas ocidentais não são assim tão certas como aconteceu no caso das armas de destruição maciça no Iraque onde existiam também fotos de satélite quanto à sua localização que, no entanto, nunca foi determinada no terreno.

A questão, julgo, não é, para o PCP a de defender o regime de Assad mas de defender que o processo político na Síria seja o mais livre possível de instrumentalização ocidental, nomeadamente americana.

Claro que não são apenas os americanos, a UE e Israel que jogam os seus interesses na Síria, o Irão, concerteza também o faz de modo que tal como na Guerra Fria onde os EUA e a URSS nunca se enfrentaram directamente mas por interpostos países, podemos estar perto de um caso semelhante entre os EUA e o Irão.

Esforços diplomáticos o mais possível isentos poderão ajudar a dar voz aos diferentes actores de oposição ao regime enquanto esforços militares directos poderão servir para impor na Síria um governo fantoche que, por sua vez, poderá gerar divisões internas que levem a uma guerra civíl.

No fundo é preciso, julgo eu, apurar o grau de apoio que Assad ainda tem entre o povo antes de tomar por certo que, tal como Mubarak, esse apoio seja manifestamente minoritário. Porque o risco de guerra civil está, a meu ver, aqui, ou seja, caso Assad tenha mais apoio popular do que se julga.

João.