01/07/10

Será que eles pensam que "a Telefónica" é a menina dos telefones?


Imprensa espanhola critica duramente utilização da golden share.



O mercado, o mercado, o mercado. Tanta gente escandalizada com a oposição do Estado a que a Telefónica leve a Vivo tranquilamente. Quando a Vivo era um problema, a PT fazia jeito - sempre era bom ter um companheiro para enterrar lá dinheiro. Quando a Vivo vai de vento em popa, a PT deve largar o osso e deixar a Telefónica descansada. Tanta gente incomodada, não com a fragilidade da posição portuguesa (que é um facto), mas com a tentativa de fazer algo quanto aos custos dessa fragilidade. Importavam-se, por favor, os pregadores do mercado acima de tudo, de nos fazer um pequeno historial de como outros Estados-Membros da UE têm arranjado as coisas para proteger os seus "campeões"?

Não me espanta tão grande "internacionalismo" (que nem é "proletário" nem nada). É mais ou menos como a questão do défice e da dívida. Quando a Alemanha e a França andavam em terrenos de incumprimento, e manobraram para que as regras europeias não manchassem a honra de tão magnos parceiros, os "internacionalistas" de serviço viam nisso um uso normal da força dos grandes. Quando os "pequenos" estão aflitos, os mesmos "internacionalistas" aplaudem o músculo dos grandes a mostrar rigor quando toca aos outros - a ver se ninguém se lembra das suas manobras passadas. E não é que essa falta de memória funciona - pelo menos a julgar pelo comportamento dos "internacionalistas", que tanta pena têm da pobre Telefónica? Será que eles pensam que "a Telefónica" é a menina dos telefones?

Actualização (ou nem por isso): Porreiro, pá!

5 comentários:

mdsol disse...

Este território dos negócios escapa-me completamente (se fosse só este... mas, adiante). Mas não resisto a deixar aqui o reparo no título do post: muito bom! E acrescento: às tantas julgam que é a Marta!

:)))

Anónimo disse...

Não podia explicar melhor o que acho. E, sem qualquer ponta de patriotismo saloio, Espanha é dos países que mais defende "os seus" com todos os argumentos e artifícios que se possa imaginar. Não estamos a caminhar demasiado depressa para uma Europa a 2 tempos? Aos grandes nada se pode contrariar, os pequenos tudo têm que cumprir, especialmente se dá jeito aos grandes.

catinga disse...

Bastaria lembrar aqui que o protecionismo espanhol é tal que até motivou o antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, a pedir, num discurso feito em Espanha, que nos deixassem "ganhar um concurso, ao menos um concurso"...

Želimir disse...

…de Estado (balcânico, para ser ainda pior)e quando o Sarkozy se mete e mete o dinheiro na Renault, é uma decisão de Estado tout court.
Portanto, a regra é: a construção do projecto europeu faz-se mediante sábia sensatez dos grandes, sem que os pequenos baralhem as contas suas, dos grandes.

Želiimir disse...

São assim, meu caro Porfírio, as regras ou as bitolas do jogo. Quod licet Iovi, non licet bovi, como dizem os alentejanos (aqueles que sabem latim, claro). 
Quando a Croácia procura salvar os estaleiros navais, i.e. cerca de 12.000 trabalhadores, é uma inaceitável intervenção…