21/07/10

paradigmas, mas não com o cheiro relativista que costuma ter a noção


Propostas do PS e do PSD sobre Scut chumbam, portagens permanecem.

A história das SCUT é exemplar na política portuguesa. Como diria Thomas Kuhn, no seu melhor, é um paradigma: um caso concreto muito representativo, que mostra o essencial de uma família de entes no mundo, uma família de acontecimentos que podem ser estudados através desse exemplar. Colocando esse caso na mesa de operações e dissecando-o.
Do lado do governo, é exemplar de como se deixam apodrecer situações: por serem, podres, mais embrulhadinhas e mais difíceis de engolir.
Do lado do PSD, é exemplar de um novo significado para "responsabilidade". O maior partido da oposição faz voz grossa e apresenta uma proposta. Como é responsável, faz o que chama uma proposta "difícil": que se cobrem portagens em todo o lado. Mas, na outra face da moeda da responsabilidade, gostaria imenso que o governo fosse apedrejado nas ruas por cobrar portagens. Para isso tem, evidentemente, de se colocar de fora.
Claro, portagens é assunto para governos em funções. Assunto pequeno, por não ser coisa de festa. Para candidatos, limpinhos dessas miudezas e grandiloquentes na pose, constituições é que interessam. Grandes ideias. Pois.

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