02/07/10

negociar | democracia


A recente disposição do PSD para encontrar com o governo certas saídas maioritárias para problemas urgentes - independentemente quer das motivações do PSD para essa atitude, quer das vantagens de o PS optar por esse parceiro - parece-me positiva. A meu ver, é um sinal de atraso do nosso quadro político que os partidos não sejam capazes de negociar de forma estruturada e dinâmica. E disso todos têm culpa, como tenho dito.
Claro que, como alguns têm apontado, o PSD de PPC tem feito um esforço diabólico para dar a ideia de que não está a negociar nada. É que, dada a lógica destrutiva da coligação negativa, o PS é acusado de não negociar enquanto, ao mesmo tempo, qualquer partido da oposição que se chegue à frente é acusado de negociar.
Era bom que a prática de negociar entrasse na normalidade. Apesar de algumas atrapalhações em que os novos dirigentes do PSD se têm metido para tentar que a sua opção por negociar passe despercebida, esta linha é positiva. Aliás, como aqui escrevemos há tempos, isso é especialmente benéfico para o próprio Passos Coelho. E tudo o que é bom para as alternativas deve ser estimulante para o governo - ajudando-o a fazer melhor os trabalhos de casa.

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