8.6.12

Rio é um substantivo próprio que significa um curso de água.




Câmara do Porto retira guias com insulto a Rui Rio e processa editora.

Fazer publicar uma revista com uma fotografia de capa onde consta a inscrição "Rio és um fdp" (mesmo que a foto não seja falsa, como alguns afirmam que é) mostra absoluta falta de sentido do que seja a dignidade devida à vida pública. Vir depois, como quem se explica, dizer que "Rio" é um substantivo próprio que significa um curso de água e o resto são três iniciais, um verbo e um artigo - é querer fazer-nos passar por tolos. Trata-se certamente de alguém que, por ter acesso a decisões editoriais num órgão de comunicação, se acha no direito de sujar as instituições e, ainda por cima, chamar-nos parvos.
Não gosto de Rui Rio, mas gosto ainda menos que haja disto à solta.

a fala do bispo e a imprensa da raiva.

14:40
Um bispo critica o governo.
Muitos aplaudem: por ser um bispo, como se ser bispo lhe desse mais sabedoria, ou mais autoridade - mesmo quando alguns dos que aplaudem as palavras critiquem que um bispo possa fazer tais declarações.
Acho que um bispo não pode ser impedido de fazer declarações políticas, seja a título pessoal seja como membro ou representante da Igreja. Ao mesmo tempo duvido que seja apropriado para um bispo fazer declarações do tipo "PPC faz lembrar Salazar", porque espero que membros de uma Igreja que se reclama de estar acima da vida política sejam capazes de falar do essencial e evitar as picardias. Não respeitei os padres que usavam o altar para apelar contra o voto no PCP, não apoio a entrada na luta política menor e esperava que os bispos falassem só de coisas sérias e sem entrar na politiquice. E isto nem sequer quer dizer que eu discorde do que o bispo disse.
Depois um jornal vem publicitar quanto ganha o bispo. Trata-se de uma forma miserável de atacar quem fez uma declaração política - e espanto por haver quem apoie a atitude do jornal. O bispo ganha aquilo que cabe à sua posição profissional (incluindo o seu trabalho nas forças armadas): deveria ele prescindir? Ganha 8 ou 9 salários mínimos; fico à espera que o mesmo jornal faça manchetes com toda a gente que ganha mais do que isso neste país. Mas o bispo não ganha nenhuma fortuna, ser bispo não o condena a ser pobre (parece que há quem julgue que ser de uma igreja implica um voto de pobreza; se calhar também acham que ser comunista, ou mesmo de esquerda, implica um voto de pobreza).
Contudo o ataque funciona pela razão simples de haver muita gente disposta a explorar a pobreza deste país, tanto a pobreza material (uns 3 ou 4 mil euros por mês parecem suficientes para ser tratado como um explorador do povo) como a pobreza espiritual (a inveja por qualquer um que seja mais do que eu, sem querer saber dos méritos relativos, do esforço e de muitas outras diferenças que merecem crédito). A maior pobreza espiritual, de qualquer modo, está em sermos tolerantes com uma imprensa que cria alvos desta maneira para tentar intimidar quem critica. E dessa forma de pobreza somos participantes quando arranjamos qualquer desculpa que seja para dourar o comportamento dessa imprensa.

Maria da Conceição Tavares.

Recados para economistas.


(Ladrão que rouba a ladrões tem cem anos de perdões.)

7.6.12

o sonho da razão.




Luis Miguel Cintra faz uma colagem de textos de Diderot, Voltaire, Marquês de Sade e Voisenon, rouba o título à famosa gravura de Goya, monta um jogo cénico para três actores e põe-se a discorrer sobre questões como a Civilização face à Barbárie, a hipocrisia Social, o Casamento, a Igreja Católica, os privilégios de classe, o valor subversivo da libertinagem, a conquista da Liberdade - e ainda diz que são abordadas em tom de brincadeira! Mas como pode isso ser, se denuncia que se esconde nestes textos a vontade de uma mudança social pré-revolucionária?

Partes práticas: De 28 de Junho a 8 de Julho e de 17 a 29 de Julho, no Teatro do Bairro Alto. De 3ª a Sábado às 21.00h e Domingo às 16.00h. Nos dias 5, 6, 7 e 8 de Julho integrado na programação do Festival de Almada. Toda a informação aqui.

Depois não digam que não avisei.

6.6.12

Carta ao Guilherme.


Caro Guilherme,

Vejo que a Galp Energia te levou ao estágio da selecção nacional para que lesses aos jogadores a carta que lhes escreveste (e que aparece no vídeo que deixo abaixo). A julgar por uma fotografia que aparece no sítio « 11 por todos, todos por 11», terás sido tu mesmo a escrever a carta, à mão e tudo. A carta está num bom português e isso é de sublinhar, em tom positivo, porque é importante que na tua idade já se saiba escrever português de forma escorreita. Além do mais, estar de bem com a nossa língua é uma competência importante para facilitar outras aprendizagens, escolares e não só. Deves ser um rapaz aprumado e inteligente, o que sempre gostamos de ver. Assim sendo, achei que podia tratar-te como um cidadão, capaz de ouvir opiniões - mesmo sendo divergentes da tua.

Queria, por isso, dizer-te que discordo de aspectos importantes do conteúdo da tua carta.
Não concordo nada com essa ideia de que a selecção nacional de futebol terá "a oportunidade de mudar em campo a opinião que o mundo tem de nós; de mostrar que não somos fracos e preguiçosos, que sempre fomos e continuamos a ser um povo honesto, lutador e corajoso". A meu ver, a opinião que o mundo tem de nós não depende do que vai fazer a selecção nacional - e, se fosse esse o caso, "o mundo" estaria errado. A nossa diligência, honestidade e coragem dependem do que fizermos todos - todos e cada um - e não do que fizer um punhado de portugueses, mesmo que sejam bons jogadores de qualquer coisa. Eu diria mesmo mais: tenho dúvidas de que, como povo, tenhamos essas características morais que são próprias dos indivíduos, tais como honestidade e coragem. Pelo menos estou firmemente convencido de uma coisa: não é a soma das qualidades morais de cada pessoa que resulta nas qualidades próprias do colectivo, do povo, do conjunto dos cidadãos ou simplesmente habitantes de um país. Podemos ser todos pessoas excelentes e não sabermos organizar-nos para fazer as coisas como elas devem ser feitas no plano da nossa vida em comum - e isso não se resolve com passes de mágica, tipo campeonato europeu de futebol.
Sabes, Guilherme, a quem nasceu onde eu nasci e teve a vida que eu tive (e não vou estar aqui a queixar-me), faz uma certa confusão esse teu ponto de abordagem às nossas realidades como país. Há muita gente nesta terra que não merece que se diga sequer que sermos ou não considerados preguiçosos depende do desempenho da selecção. Há muita, muita gente neste país que trabalha muito, e sofre muito, apenas para alimentar a sua família. Há muita gente que trabalha arduamente e não obtém a justa retribuição por isso. Isso é que pede coragem, coragem cada dia, luta cada dia - e mesmo muita honestidade cada dia. Longe dos palcos e dos holofotes, essa gente anónima não pode sofrer a injustiça - mais uma - de aceitarmos que o que se pensa dela depende dos jogos da selecção. Temos obrigação de pensar o país de outra maneira, sem ligarmos as nossas às vezes duras realidades à circunstância de um europeu de futebol.
Se aquelas afirmações tivessem sido feitas por algum profissional de discursos inflamados para entreter as pessoas, nem me daria ao trabalho destes comentários. Como tu dás a cara por um grupo etário que tem a oportunidade de pensar Portugal de outra maneira, julguei útil dirigir-te esta minha reflexão, a ver se ela aproveita a alguém. Quero sugerir-te que, quando voltares a ter a oportunidade de escrever assim uma carta a puxar aos grandes sentimentos, não te deixes levar pela aparente grandiosidade do momento e evites fazer o que pode parecer "dar lições" aos teus concidadãos, mesmo que alguns te saúdem pela qualidade do texto. É que o ser fraco ou forte, preguiçoso ou diligente, honesto ou trapaceiro, lutador ou encolhido, corajoso ou cauteloso - depende de muita coisa; não se trata de pecados originais, nem de virtudes caídas do céu. E seria justo pedir-te que essas qualidades todas (as que tu mencionas, não as qualidades menos heróicas que eu trouxe à baila) fossem vistas à luz da vida difícil que muitos levam nesta terra.

Porta-te bem e desculpa lá esta impertinência de velho, vir com remoques à carta de que deves estar tão orgulhoso. Aproveita e guarda-a, para a releres daqui a uns dez campeonatos europeus de futebol - a ver se nessa altura ainda pensas assim as coisas. Será um exercício interessante, quero crer.



um postal dirigido aos austeritários.

negócios.




A Visão de hoje traz um trabalho intitulado "O que é a Finertec?".
Abre assim: "A empresa que Miguel Relvas administrou, até maio do ano passado, foi investigada na Operação Furacão. O banco de Cabo Verde que aparece nos registos como proprietário da Finertec tem três arguidos por suspeitas de branqueamento de capitais, fraude e evasão fiscal. A VISÃO reconstitui os meandros complexos de uma empresa, sediada em Lisboa, com ligações a Angola. A reunião que Relvas manteve com a Ongoing, onde estava Jorge Silva Carvalho, conhecida na semana passada, puxou o fio à meada."

(clicar na imagem)

Um dos aspectos a seguir para futuro são as perguntas que a Visão enviou a Miguel Relvas e ainda não obtiveram resposta. Por enquanto, claro.

Embora, aparentemente, alguns cuidados estejam a ser tomados:





é um querer, dizem eles.

O Público hoje traz esta notícia na primeira página.



Então, as empresas que não queiram suportar certos custos salariais podem, digamos, fazer o quê?
Tenho de estudar bem as respostas possíveis, já que andam por aí certos custos que eu tão-pouco quereria suportar. Por exemplo, preferia ir ao supermercado e poder não suportar os custos.
A Troika adora satisfazer desejos...


5.6.12

comunicado aos publicitários de caixas de comentários.


Não, não é censura. É que a caixa de comentários deste blogue não se confunde com nenhuma página de anúncios gratuitos. Mesmo que a publicidade seja a outros blogues.

o dia da libertação dos impostos.


Passo a citar João Pinto e Castro:
É fácil perceber-se a eficácia propagandística da coisa falando com os cidadãos comuns (ou mesmo com alguns não tão comuns), os quais imaginam que o grosso dos impostos serve para pagar os salários dos políticos, ou, no melhor dos casos, os dos funcionários públicos.
E que tal se a Universidade Nova passasse a assinalar também o "dia da libertação do Serviço Nacional de Saúde", o "dia da libertação da educação", o "dia da libertação dos tribunais", o "dia da libertação das infraestruturas de transportes e comunicações" e o "dia da libertação da segurança pública"? Talvez fosse mais educativo, não?
Outra ideia: registar o "dia da libertação do crédito imobiliário", o "dia da libertação do retalho alimentar" e o "dia da libertação da água, do gás e da electricidade".
Sabem onde é que o "dia da libertação dos impostos ocorre mais cedo"? É em países como o Gana, o Afeganistão e o Bangladesh. Pois.

Ainda bem que ainda há quem tenha pachorra para desmontar estes truques de demagogia fácil - os quais, objectivamente, são fraudes intelectuais e ataques terroristas à nossa vida em comum. Chegámos onde estamos por causa destas ideias simples que são erradas - e perigosas - mas se vendem com a roupagens das virgens e a "autoridade" da "ciência".

Na íntegra aqui.

a verdade a que temos direito, claro.

austeridade e pequenos sinais de fumo.

Ana Vidigal, sempre a bulir.





(Ana, desculpa ter cortado o teu convite ao meio... mas é para dar para dois. Não é nada: é para se ler melhor!)

o nosso corta-fitas.

O grande destaque noticioso do Público de hoje.

Uma magistratura de influência... ou lá o que é. Assuntos de Estado, isso é que não. Safa.






4.6.12

um sintoma de uma doença grave.

16:57

Nesta história dos espiões que continuam a ser espiões quando saem das secretas, mantendo-se em comércio carnal com os colegas que ficaram para trás a fazer parcerias público-privadas com o segredo de Estado, estão a descobrir-se muitas carecas. Claro que alguns julgam tapar a calva com uns capachinhos de segunda mão, mas espero que tarde ou cedo uma revoada de vento deixe ao léu o que já se cheira com grande intensidade. E fede.

Entretanto, enquanto esperamos para saber se a blogosfera lava-tudo se impõe como o padrão moral desta maioria ou se um arrepio de decência se impõe a algum primeiro-ministro em exercício que sonhe ainda vir a descobrir-se como homem de Estado, enquanto esperamos para saber isso, algumas coisas foram entretanto ficando claras. Pequenos sintomas de graves doenças. Exemplifico, que para isso peguei agora na pena.

Segundo foi noticiado, o espião estatal que, embalado pela ideologia dominante, veio a decidiu empreender ser espião empresarial - embora, como muitos outros "empreendedores" em sectores menos chocantes, achasse conveniente ser empreendedor à custa dos serviços do Estado - tinha umas ideias acerca da relação desejável entre os serviços secretos e a democracia. E escrevia mensagem curtas a esmo espraiando as suas teorias. Segundo notícias, terá enviado uma mensagem a Relvas a queixar-se de que Teresa Morais, então membro do conselho de fiscalização dos serviços de informações, era uma chata e, em consequência, devia ser removida. Quando Relvas foi a ministro, pouco depois, com a tarefa de mandar em Passos Coelho e em mais meio mundo, Teresa Morais subiu a secretária de Estado. Relvas desmente categoricamente que isso tenha sido uma forma de atender ao pedido do espião metediço - e não tenho nenhum dado que me permita afirmar que, aí, Relvas esteja a mentir. (Um mentiroso nem sempre está a mentir, também precisa do seu descanso.)

Assim sendo, aceitamos a palavra de Relvas e vamos descansados? Nem por sombras: aceitamos a palavra de Relvas e não vamos nada descansados. Explico-me.

Que eu tenha tido oportunidade de ler ou ouvir, Relvas negou que tenha levado Teresa Morais para o governo para a remover da fiscalização das secretas, mas não negou que o espião maravilhoso tenha suscitado a chateza da senhora para a pretensão de a ver removida. Segundo alguns relatos, Relvas até terá discutido as datas daquela diligência do espião e a data do convite da sua secretária de Estado, evidenciando assim que o espião fez tal diligência quando Relvas já estava a instalar-se como guarda-chuva do governo. Ora - e é este o meu ponto -, a queixa de que Teresa Morais era uma chata como fiscalizadora, como tentativa de a afastar, teria despertado a desconfiança de qualquer pessoa bem formada. Qualquer pessoa com um módico sentido de Estado perceberia a gravidade de uma tentativa tão clara de afrouxar os mecanismos de fiscalização dos serviços de informação. Isso faria soar todas as campainhas na cabeça de qualquer político democrata. Relvas, face a essa situação, deveria ter logo cheirado o esturro - e, mais, deveria ter ido logo alertar o PM para as situações graves que deveriam ocorrer num serviço que alguém estava a tentar eximir ao controlo democrático. Relvas, pelo contrário, engoliu e seguiu, não fez nada do que devia ter feito. Neste caso, nem é preciso perguntar se fez algo que não devia: basta saber que não denunciou a tentativa de furtar os serviços secretos ao escrutínio dos representantes do soberano.

Não é que Relvas seja a única flor desta estufa onde crescem estes comportamentos anti-institucionais, onde medram estas espertices de furar os controlos democráticos com recurso a palavrinhas pessoais e a amiguismos espúrios. Aliás, Relvas nem se dá conta da gravidade de não ter percebido o sinal. Um sinal tão claro como um tipo telefonar para a esquadra e perguntar faça a fineza senhor guarda diga-me por favor se a ronda hoje passa em tal rua a tal hora que a mim dava-me jeito saber cá por coisas. Relvas não é o único e o grave é que estes fenómenos não são raros fenómenos do Entroncamento e, pelo contrário, parecem bastante espalhados.

Espero que os partidos democráticos, incluindo os partidos da maioria, não tratem assunto tão grave como mais uma refrega mediática em torno de um actor de momento. Espero que percebam que eles começam sempre por levar os outros. Até um dia.


troikar o comunicado por miúdos.

12:39

A Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional emitiram hoje um comunicado sobre a quarta avaliação trimestral do programa económico de Portugal. Trocando por miúdos: os funcionários da troika deram o boletim de notas deste período à turma portuguesa, aproveitando para fazer redacções escolares sobre a sua fé ideológico-económica.
O comunicado mostra como são sagazes. Vejamos este exemplo:

«O acentuado aumento do desemprego exige medidas políticas decisivas. O desemprego temporariamente mais elevado faz parte da transição para uma economia mais direccionada para as exportações, mas a sua subida foi exacerbada pela já antiga rigidez do mercado laboral português. A recente aprovação da revisão do Código do Trabalho deverá atenuar a perda de postos de trabalho. O amplo programa de reformas estruturais e o reforço da capacidade de utilização do sector da exportação deverão ajudar a recuperar o emprego, a médio prazo. Contudo, são urgentemente necessárias mais medidas para melhorar o funcionamento do mercado laboral. Estas incluem reformas institucionais que permitam às empresas maior flexibilidade para ajustarem os custos do trabalho e a produtividade.»

Quer dizer: aumentem a precariedade dos trabalhadores para que eles se dêem por satisfeitos pelo simples facto de continuarem vivos; retirem qualquer entrave ao arbítrio dos patrões de vão de escada, porque só quando se sentirem ditadores caseiros de pleno direito é que terão as boas ideias de gestão que nunca mostraram (excepção feita à conversão de fundos públicos em Ferraris privados); transformem o mercado de trabalho - ainda mais, se possível for - numa selva, porque a fé económica que professamos só compreende a selva.
Quer dizer: tudo o que seja qualificar as organizações, condição necessária à produção competitiva, coisa impossível sem trabalho mais digno e mais estimado, tem de ser afastado. A teoria selvagem de que somos todos melhores quando estivermos todos à rasca continua, after all these years, a ser um neurónio isolado a chocalhar nestas cabeças.

Felizmente, este é o trabalho das formiguinhas da troika, mas há quem, apesar de tudo, e em grande medida graças ao impacte da eleição de Hollande, esteja a pensar mais seriamente em aprender com as lições dos erros passados.

3.6.12

Para acabar com a única ditadura que resta em território nacional.

18:22

Todos os partidos da oposição regional, numa iniciativa inédita em 36 anos da autonomia político-administrativa da Madeira, assinam na segunda-feira um “pacto pela democracia” na região.

Um pormenor: «A assinatura do “pacto pela democracia” estava marcada para um salão do parlamento, mas a sua cedência foi recusada pelo presidente da Assembleia, pelo que a cerimónia ocorrerá no exterior do edifício, no largo entre a capela da Mouraria e o comando da GNR, em zona entretanto autorizada pela câmara municipal.»


auto-retrato com Skapinakis.


Finalmente arranjei tempo para ir ver a exposição Nikias Skapinakis, Presente e Passado 2012-1950, que está no CCB. Grande exposição, com muita coisa que eu não conhecia.

Nikias Skapinakis, Ilustração para poema erótico de Vitorino Nemésio, 1977


Auto-retrato com ilustração de Nikias Skapinakis para poema erótico de Vitorino Nemésio, ao jeito do período skapinakisiano do cartazismo 

pode bem ser que os deuses gregos sejam deuses muito comuns na Europa.

Isto não é uma teoria minha. É apenas um divertimento de domingo.



Cosmopolis, um Cronenberg vazio.



Sou um admirador antigo e persistente do realizador David Cronenberg. Já aqui escrevi várias vezes sobre o seu trabalho, nomeadamente: O filósofo Cronenberg, Promessas Perigosas, Um Método Perigoso.

Ontem fui ver Cosmopolis, o mais recente Cronenberg. E só posso dizer que achei uma porcaria. Um filme que, de tanto ser sobre o nihilismo contemporâneo, é ele mesmo um filme nihilista. Um filme que se compraz no vazio. Uma enchente de lugares-comuns, uma correria de banalidades, mal embrulhadas e ditas com a mesma profundidade filosófica de qualquer taxista de Lisboa. Não é de espantar: se tanto cientista social, arregimentado nas melhores cátedras de todo o mundo, não foi capaz de prever a desordem que vivemos na nossa sociedade, e ainda menos capaz é de propor um diagnóstico (já nem digo uma saída), por que carga de água teria um cineasta de ser capaz de o fazer? O que Cronenbeeg poderia era ter-nos poupado ao espectáculo da vacuidade, que não é só sua, mas é dominante quando de trata de falar da cidade contemporânea como arena do nosso esvaziamento civilizacional.