5.5.11

feira do livro de lisboa


Passo a citar:
O Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência convida todos os colegas, estudantes e funcionários da Universidade de Évora, demais interessados a assistirem ao lançamento do livro "Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais", de Porfírio Silva, apresentado pela Professora Olga Pombo (CFC, UL) no dia 6 de Maio às 19h na sala dos docentes do Colégio Espírito Santo.
Este lançamento ocorre no âmbito do 3.º Simpósio Internacional de Filosofia da Ciência, dias 6 e 7 de Maio.


Por enquanto, este livro só se encontra à venda na Feira do Livro de Lisboa. Mas, para que ninguém tenha dificuldade em o encontrar, aqui fica a indicação:






um pitagórico do Norte



Isto é capaz de ser uma versão apressada de um ensinamento pitagórico recuperado à pressa. O desgraçado do Pitágoras de Samos já foi sujeito a tanta lenda que mais uma não fará diferença.
De cabalística não percebo nada, mas acho que por esse lado talvez fossem preferíveis sete anos.
Ou será que passar de 4 para 5 é apenas uma aproximação demasiado "politicamente correcta" ao número mágico de 48, esse referencial de "governabilidade"?

Ai estes políticos que ainda não perceberam que a forma, sendo essencial, não resolve a vida por nós... 

o pintam tem as costas largas

13:20
Estou cheio de trabalho e, para tentar perceber as reacções ao que se tem passado desde o anúncio de um acordo de princípio entre a troika e o governo, não tenho podido mais do que dar umas espreitadelas a alguns blogues e alguns sítios de jornais. É hilariante a quantidade de triplos saltos mortais que a direita anda a fazer para tentar disfarçar a dor - mas isso agora não interessa. (A esquerda da esquerda, essa, emigrou. Há-de agora reentrar em cena: para dizer mal dos actores e da peça a que fugiu, por cobardia política: por não sentir o dever de representar, em todas as circunstâncias necessárias, os que nela votaram.)
O que acho extraordinário é que alguns se espantem por o governo, apesar de ter querido evitar a "ajuda externa", ter conseguido, chegado a esse ponto, negociar um acordo onde alguns dos sustos mais anunciados na imprensa tremendista simplesmente não se fizeram acontecer. Dizem eles algo assim: afinal o FMI não é tão mau como o pintam. O "pintam" tem as costas largas. Oh, deuses da estepe, expliquem lá a esses senhores para que serve a política. A política não é um filme que já está filmado desde o princípio do mundo. A política é a arte e o saber de agir nas circunstâncias concretas, nas que realmente existem, tanto as favoráveis como as adversas, em vista do possível e não do ideal.
Quer dizer: o empurrão que a esquerda da esquerda e a direita, juntas, deram ao governo, tinha um objectivo: tornar as coisas tão más, ainda com Sócrates em gestão e a dar a cara pelo país, que as pessoas votassem com a fúria e levassem os empurradores (ou rasteiradores, na versão Capucho) para S. Bento. Esperavam, para que o plano desse certo, que Sócrates amuasse e se rendesse à inevitabilidade do programa de coligação PSD-FMI (o que Passos um dia sonhou mas lhe falta coragem para assumir). Não foi nada disso que o governo fez: o governo foi à luta e procurou as melhoras saídas que a situação permitia. Enquanto outros primavam pela ausência, mesmo assim causando talvez menos estragos do que aqueles que passaram o tempo a tentar convencer a troika que os governantes deste país eram uns piratas que tinham os cadáveres da coisa pública encondidos em armários.
Será fácil o que aí vem? Não creio. Mas talvez agora mais alguns dirigentes políticos portugueses estejam a meditar no valor da determinação. O plano, sendo melhor - em tudo - do que o da Grécia ou o da Irlanda, é o resultado da luta política: o governo de Portugal esteve sempre do lado certo no debate europeu, disposto ao rigor mas reclamando sempre a necessidade de uma acção conjunta europeia sólida e estratégica. Aqueles que dizem que isto (a "ajuda") teria sido melhor se tivesse vindo mais cedo, esquecem duas coisas. Esquecem que o esperado efeito recessivo destas medidas teria começado mais cedo se mais cedo tivéssemos ido por esse caminho. Esquecem que a relativa "bondade" deste plano, quando comparado com os da Grécia e da Irlanda, foi possível depois de todos terem percebido os erros dos planos impostos a esses países. O país ganhou com a persistência de Sócrates em resistir - e é provável que tivesse ganho ainda mais se uma crise perfeitamente instrumental para os desejos imediatos da oposição não tivesse vindo dizer ao mundo que os indígenas do extremo ocidental da península europeia estavam loucos varridos.
Contudo, como vamos vendo pouco a pouco, a marca ideológica dos que pensam mais como o PSD do que como o PS, que afinal mandam na Europa, está impressa no plano que aí vem. O traço mais evidente dessa inspiração são privatizações várias, e feitas à pressa, que agora se anunciam. Quer dizer: o Estado vai vender sob pressão, em muitos casos vai vender o que é mais saboroso e vai ficar com o que dá prejuízo, vai vender actividades cujo controlo é estratégico para o país, vai empobrecer-se para ganhar algum dinheiro no imediato. Isso não são boas notícias. Mas são as notícias que quiseram provocar os que falam à sombra das costas largas do "pintam". Porque "o FMI não é tão mau como o pintam".

4.5.11

Passos Coelho não vai assinar de cruz

Porque ainda não conseguiu perceber o plano da cruz.



devia ser proibido fazer hara-kiri em directo na tv

lançar livros sem ser pela janela

Graças à Ana Vidigal, podemos ver algumas imagens em movimento do lançamento do meu último livro, Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais, ontem à tarde, no Centro Nacional de Cultura (CNC).
Neste vídeo, palavras introdutórias do presidente do CNC, Dr. Guilherme d'Oliveira Martins. Deixamos também o link para um excerto da apresentação do livro, que esteve a cargo do Prof. Pedro Lima (Instituto de Sistemas e Robótica, Instituto Superior Técnico).



passatempo


A ver quem descobre nesta capa de jornal onde está uma notícia verdadeira.




se este julgamento não está nas manchetes, o país só pode estar doente

09:55
Afinal, a verdade-verdadinha, a liberdade de informar, de expressão, a liberdade criativa e essas coisas todas... eram só conversa da treta para tempos eleitorais.
Afinal, podem perseguir-se criadores, com a estranha colaboração da "Justiça" (com aspas e com maiúsculas, ao mesmo tempo, vejam bem que não há só gaivotas em terra) - e não cai o Carmo nem cai a Trindade. E não há já nenhum "Tareco" de megafone em punho a improvisar explicações e paralelos com 1640 (ou, talvez mais propriamente, com 1580).
Afinal, o fascismo nunca existiu, mesmo, como ironizava há tantos anos Eduardo Lourenço - e, mais do que isso, mesmo que ele não tenha existido nós se calhar ainda temos de lhe estar agradecidos. E quem matou e mandou matar Delgado devo ter sido eu. Talvez por isso alguns pensem que devemos pensar que Silva Pais trabalhava na Cruz Vermelha Portuguesa ou na Sopa dos Pobres e distribuía lanches às vítimas... às vítimas de quem, caramba?, se não havia fascismo e o Silva Pais só assinava papéis em branco, de quem podiam as vítimas ser vítimas? Nesse caso, não houve vítima nenhumas, pronto.
Afinal, tantos anos depois de Abril, Abril parece que foi um engano: o Salgueiro Maia veio a Lisboa comprar sapatos para os tropas dele e teve um mau encontro no Terreiro do Paço e aquilo deu para o torto e acabaram por derrubar a ditadura... não, a ditadura não se pode chamar ditadura, os pides eram tipos porreiros, os chefes dos pides não sabiam que havia uns pides malandros que matavam pessoas e quem diga agora o contrário está sujeito a ir para tribunal "responder".
Afinal, tantos anos depois, ainda precisamos ser solidários com as vítimas: neste caso, solidários com os criadores que são vítimas de uma conspiração de tolos perigosos, porque metem agentes da "Justiça" e revisionistas da história, que nem em teatro querem ouvir falar dos crimes que se cometeram neste país. Que o Carlos Fragateiro, José Manuel Castanheira e Margarida Fonseca Santos sejam levados a tribunal, por crime de difamação e ofensa da honra de pessoa falecida, o antigo director da PIDE, Silva Pais, embora esse "crime" tenha sido cometido numa obra ficcional - e isso não seja manchete em todos os jornais, para escândalo nacional, mostra que Portugal só pode estar doente.
 
(Para uma reflexão mais cuidada - que este meu texto é apenas um grito de revolta e de solidariedade - recomendo a leitura de quem sabe do que fala, sem estar sentado no banco dos "réus": JPN, aqui.)

3.5.11

valores nacionais

Barcelona e Real Madrid encerram hoje um ciclo de quatro encontros que será lembrado pela polémica e não pelo futebol jogado em campo. Mourinho longe do banco mas no centro das críticas.

Que um grande banco escolha esta cara para seu rosto - diz muito dos valores que os grandes deste país entendem ser apelativos para os portugueses.

Infelizmente são capazes de ter razão.

Ser arrogante continua a ser visto por muitos como uma qualidade. E entre nós despreza-se muito que se trabalhe e se tenha paixão sem tratar mal os outros, sem falar no modo do berro. Como bem têm mostrado "politólogos" em grande quantidade, o respeito é tratado depreciativamente como "respeitinho".



um caldinho...

Desentendimento na troika sobre o montante da ajuda a Portugal “está a atrasar o acordo”.


Os partidos que aceitam em princípio a "ajuda externa" (PS, PSD, CDS) querem ser "responsáveis" pelo que ela tenha de bom (vem dinheiro), mas querem empurrar para os outros a responsabilidade pelos sacrifícios atrelados.
Os partidos portugueses que não aceitam a dita "invasão" (PCP, BE, Melancias-verdes-por-fora-vermelhos-por-dentro) não querem ter responsabilidade nenhuma no caso, embora nunca tenham chegado a explicar como viveríamos só com o dinheiro que temos em caixa e com o que produzimos.
Para tornar o filme mais interessante, a UE e o FMI lutam pela simpatia dos povos: cada parte quer ficar com os louros das partes boas do acordo que venha a fazer-se e quer atirar para os outros o ónus do que seja mais duro de roer. É assim que chegam aos órgãos de comunicação social "notícias" sobre montantes, taxas de juro, exigências associadas.
A parte complicada é que o que parece simpático aos portugueses é o que será mais difícil de vender a outros eleitorados, como o alemão ou o finlandês. "Felizmente", há alguns portugueses que fazem o que podem para complicar "lá fora" a nossa situação negocial.

convite, pessoal e transmissível





esta é uma mensagem para o réptil


Réptil,
Não te maces mais: já se sabe que continuas por aí, que fazes tudo para seres notado (já que a colunazinha de jornal não te mudou tanto a vida como tu esperavas). Cada vez mais mostras que não sabes ler (e/ou és de uma desonestidade que até a ti confunde), mas não penses que vou cair de novo na armadilha de te responder: não troco decência por publicidade. Muito menos publicidade tua ou vinda de ti. Não te equivoques: o facto de eu te responder quando vens aqui comentar disfarçado (tu, afinal, sempre andaste disfarçado) não se explica por eu não te reconhecer: é o meu respeito genérico pelos anónimos decentes que aqui vêm, que não têm culpa de que tu te mistures. Continuo a achar que és um caso interessante - mas não como escrevinhador a soldo (mesmo que seja apenas a soldo dos teus sonhos de grandeza).
Réptil, nunca pensaste que deve haver qualquer coisa errada contigo para trabalhares tanto e nunca mudares de patamar, tendo de voltar sempre aos mesmos truques?

(Desculpem os leitores que não sabem quem é o réptil. Mas ele existe. É seboso, mas existe.)

2.5.11

os netos de Kadhafi

17:10

Já tive oportunidade, ao de leve, de mostrar que me parece promessa de grossa tolice aquilo que "o Ocidente" está a fazer na Líbia.
Depois, surgem notícias destas:

Não obstante, por muito humanitárias que pareçam, certas condenações de actos militares são ingénuas: nenhum criminoso seria alguma vez apanhado, ferido, morto, bombardeado ou sequer beliscado, se lhe bastasse rodear-se dos netos para ser deixado em paz. Estranho que ninguém condene Kadhafi por se rodear de crianças durante uma guerra, como se ninguém percebesse que isso significa que ele usa as crianças como escudo. Os sentimentos puros são muitas vezes fáceis de sequestrar pelos mais habilidosos.

Contudo, é outro o meu ponto agora. Trago à vossa consideração um comentário de Henrique Monteiro no Facebook: "Um dia, um daqueles que se opôs indignadamente à invasão do Iraque por ser imoral e agora apoia esta intervenção, há de explicar-me a diferença moral entre as duas. Não vale falar do mandato da ONU, que eu pedi a diferença moral, não a política..."
Soa bem, não soa?



A mim não. A mim não me soa bem. Por quê?

A diferença moral introduz uma diferença política - desde que os membros da comunidade não sejam moralmente incapazes. Mas também a diferença política introduz uma diferença moral: a moral não vem do céu, nem vem apenas "do coração" do homem, não é apenas subjectiva, também deve contar com a dimensão do que a comunidade entende ser adequado e proporcionado. A meu ver, isso quer dizer que está muito errado não contar a legitimidade política no plano da moral (embora sem confundir legitimidade com legalidade). Assim sendo, aquele comentário de Henrique Monteiro parece-me moralmente duvidoso: mais uma versão (embora talvez original) da ideia de separar a moral da política.

Posso estar errado - mas onde?

o que há para rir na morte de Bin Laden

10:39

Obama anuncia morte de Bin Laden.

Há várias maneiras de o mundo estar louco.
Matar inocentes como acto político de luta entre civilizações, é uma das formas dessa doença.
Que a "justiça internacional" seja obra de comandos armados, é um correlato da mesma loucura.
Celebrar na rua uma morte violenta é a cereja em cima do mesmo bolo.
O riso dos festejantes é sintoma de um mundo ensandecido.




a beatificação e os beatos de trazer por casa

10:19
A propósito da beatificação de João Paulo II publiquei aqui no sábado passado o apontamento uma beatificação política.
As reacções de alguns blogueiros a esse apontamento confirmam o meu ponto. Por exemplo, este enquadramento político-partidário do meu texto, embora talvez inadvertidamente (não acredito que o autor tenha querido dar-se como exemplar do carácter político que eu, precisamente apontava), é uma ilustração corriqueira do que eu estava a querer dizer.
Note-se que até procurei escrever um texto sereno acerca da questão. Querendo ser provocatório teria optado, por exemplo, por destacar a fotografia de João Paulo II ao lado do sanguinário ditador Pinochet (1987).
Mas há sempre uns beatos de trazer por casa que só sabem debater ideias com fósforos por perto. Esse é, precisamente, o lado terrível da religião: os "crentes" que continuam a ser adeptos da idolatria.