25.7.09

lugares de Estado



Louçã acusa Sócrates de tráfico de influências.


Louçã acha que um militante do BE é essencialmente incapaz de exercer um "lugar de Estado"? Louçã acha que qualquer "lugar de Estado" que venha a ser exercido por um militante do BE deve contar primeiro com ele próprio? Louçã acha que é dono dos militantes do BE, cabendo-lhe autorizar que eles aceitem lugares públicos? Ou Louçã acha que certos militantes em concreto são incompetentes para certos lugares em concreto, para os quais tenham sido convidados? Neste último caso, Louçã podia explicar que pessoas e lugares concretos são esses - e porquê a imputada incompetência. Em todos os outros casos, Louçã comporta-se como um cacique. Fico à espera de perceber melhor.
Entretanto, enquanto Louçã critica os que vêm para ocupar lugares, eu sempre digo que piores são os partidos que se fartam de criticar mas nunca querem lugar nenhum. Daqueles lugares onde é preciso fazer. Por esses partidos assim mostrarem só quererem desfazer, não construir.
Quanto à terminologia do tráfico de influências, ela é típica do bispo Louçã: entende a política como o seu "reino de Deus", onde cabe a ele excomungar, amaldiçoar e enviar para o inferno os que não seguem os seus mandamentos. A esquerda portuguesa não merecia melhor do que esta nova espécie de censor? (Ou será "sensor", por andar só a detectar o que melhor impressiona os ouvidos disponíveis para a demagogia?)


24.7.09

os políticos não são todos iguais






dantes


Polémica sobre peça satírica “mostra que não avançámos muito” desde o “Manifesto Anti-Dantas”.

Eu gostava de viver num país onde não se pedissem desculpas ao Dantas por dizer o manifesto anti-Dantas. Qualquer que seja o Dantas, quaisquer que sejam os merecimentos do Dantas. Eu gostava de viver num país onde não se ponderasse suspender preventivamente um espectáculo para poupar o Dantas. E onde não se gastasse dinheiro em publicidade nos jornais a pedir desculpas ao Dantas por se ter deixado dizer em público o manifesto anti-Dantas. E eu que pensava que isso era dantes.




23.7.09

il y a

14:33


Há o estranho nome do teu cão, Job,
Há o mar na tua janela em Vila do Conde
E que não é nenhum dos mares conhecidos
Quando entra de manhã nos teus dias.
Há o fogo fino, acobreado, do teu cabelo.
Há o sorriso que te perpassa nos lábios
Com a graça de um gato,
Com o traço de um gume aceradíssimo.
Há a menina que, às vezes,
Os teus olhos ainda são.
Há os teus dedos imaginando o que tocam.
Há as fotografias de toda a gente na tua vida.
Há as fotografias que não há de ti e de mim.
Há o incêndio, o tumulto, o cansaço
Que não sabes onde e como arrumar.
Há a sombra que eu sou
E o amor a cada dia mais novo em mim.

Nuno Morais, in Últimos Poemas, Quasi, 2009



20.7.09

alunagem

(Cartoon de Marc S.)


A oposição portuguesa não desdenharia ilustrar deste modo a chegada da Humanidade à Lua. Porque esse é o sentido das proporções com que essa oposição mostra encarar a realidade. É como se tudo fosse a brincar.

já só há revoluções em banda larga

09:51

Não é que devamos pôr os ovos todos no mesmo cesto. É que um ovo solitário nunca fará uma ninhada. E já não vale a pena partir ovos sem fazer omeletes. As igrejas dos santos perfeitos dos últimos dias podem servir para entreter as tardes de fim de semana, ou até para esperar sentado pelo reino dos céus. Mas não servem de nada para fazer avançar as nossas repúblicas de cidadãos. Essas, de futuro, só vêm em banda larga: saber preservar a diversidade, engenhando a força de nos juntarmos para os momentos de fazer.
Estamos nessa: «A vida tem destas coisas, juntar pessoas que não se conhecem, homens e mulheres, jovens e menos jovens, gente consagrada e por consagrar, gente divertida e sisuda, oriunda das mais diversas áreas profissionais e políticas, sem outra afinidade que não uma declaração de voto comum: nas próximas eleições legislativas vamos todos votar no... [ler lá


um

dois

três

19.7.09

citações às vezes



Pergunta-se em O Divagador: «Gostava de saber como é que a Ordem dos Médicos conjuga isto [citação] com isto [outra citação].» A coisa bem explicadinha encontra-se aqui.