25.2.09

apologia da crendice


Eu nem sequer sou um polemizador anti-religioso. Os ateus de hoje em dia até costumam achar que os agnósticos (que é o que sou em matéria de divindades) são uns moles, uns falhos de coragem, ou mesmo colaboracionistas. Pois, talvez. Mas não me excita a faca na liga dos ateus, nem a dos crentes. E sou contra tudo o que me parece excessivamente idiota.
A pérola que hoje vos proponho é uma citação do cardeal José Saraiva Martins, português que há muitos anos vive naquela quintarola ali no meio de Roma (não é a Avenida de Roma, é Roma mesmo), que foi até há pouco tempo Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. É da versão portuguesa do livro "Como se faz um santo". (Um grande título!)
E lê-se assim a páginas 41-42:
«Nas minhas orações dirijo-me com mais frequência, não aos santos, mas à Virgem Santíssima. Desde pequeno que a minha mãe me infundiu uma profunda e terna devoção por Nossa Senhora, de modo muito eficaz para uma criança. Mandava-me ajoelhar diante de um quadro mariano e dizia-me que, se eu rezasse com o coração, Ela me daria aquilo de que eu mais gostava. Era de rebuçados que eu mais gostava. E de facto, mal eu começava a rezar, caía-me uma mão cheia de rebuçados pela cabeça abaixo. Naturalmente, eu estava convencido de que era Nossa Senhora que os mandava, não a minha mãe, que estava atrás de mim. Como é maravilhosa e eficaz a pedagogia materna!»
É isto religião? Alguém me esclarece?



O senhor cardeal não devia comer tantos rebuçados.