24.11.07

Porque hoje é sábado...



Hey, Jude, don't make it bad
Take a sad song and make it better
Remember to let her into your heart
Then you can start to make it better

Hey, Jude, don't be afraid
You were made to go out and get her
The minute you let her under your skin
Then you begin to make it better.

And any time you feel the pain, hey, Jude, refrain
Don't carry the world upon your shoulders
Well don't you know that its a fool who plays it cool
By making his world a little colder

Hey, Jude! Don't let her down
You have found her, now go and get her
Remember, to let her into your heart
Then you can start to make it better.

So let it out and let it in, hey, Jude, begin
You're waiting for someone to perform with
And don't you know that it's just you, hey, Jude,
You'll do, the movement you need is on your shoulder

Hey, Jude, don't make it bad
Take a sad song and make it better
Remember to let her into your heart
Then you can start to make it better

Na na na na na ,na na na, hey Jude...

23.11.07

A ciência não é um bicho de sete cabeças...

Après les Palais de la République, celui de la Justice?

(Cartoon de Marc S.)

Uma moralidade (novela gráfica a quatro mãos - 3/6)


"Senhor guarda… eu não atropelei mulher nenhuma. Está no hospital? Mas foi ela que se atirou ao carro! Foi ela que me virou, como se eu fosse uma sardinha dentro da lata! Se eu estou a gozar? Mas como posso eu estar a gozar com uma coisa destas? Ela está muito ferida? Mas eu não fiz nada! Nada! Preso? Preso, como?!"
(continua)




Desenho: Ruaz / texto: Porfírio Silva. Clicar para aumentar.

22.11.07

Uma moralidade (novela gráfica a quatro mãos - 2/6)


Foi tudo muito brusco. A mulher de vermelho, afogueada, aparecida de um buraco qualquer, salta-me ao caminho pela esquerda. Esbaforida, corre contra o carro, grita-me qualquer coisa que não entendo (mas é de raiva), empurra o carro com uma só mão, não posso crer, o carro vira-se, estou de cabeça para baixo dentro do carro, a mulher grita "socorro! socorro! este malandro atropelou-me! estou desgraçada!". Desgraçada, ela?! Ora essa…
(continua)



Desenho: Ruaz / texto: Porfírio Silva. Clicar para aumentar.

21.11.07

Uma moralidade (novela gráfica a quatro mãos - 1/6)

Novela gráfica. Começa hoje e continua durante seis dias úteis consecutivos: desenhos de Ruaz e texto de Porfírio Silva.


6 da manhã. Conduzo, vagamente acordado, depois de uma noite de copos. Desço a rua dos eléctricos, carreiro metálico escorregadio que nos puxa para o rio ao fundo. O sol matinal cega-me os olhos pestanejantes. Não se vê vivalma. Apenas uma matilha de cães excitados vagabundeia.
(continua)




Desenho: Ruaz / texto: Porfírio Silva. Clicar para aumentar.

20.11.07

Acerca dos efeitos não intencionados de acções deliberadas

«Há decisões que se tomam e que se lamentam a vida toda e há decisões que se amarga o resto da vida não ter tomado. E há ainda ocasiões em que uma decisão menor, quase banal, acaba por se transformar, por força do destino, numa decisão imensa, que não se buscava mas que vem ter connosco, mudando para sempre os dias que se imaginava ter pela frente.»
Miguel Sousa Tavares, Rio das Flores, Oficina do Livro, Outubro de 2007, p. 527

Tempo de romãs

Selenite dixit: "novembro avança / em direcção à luz / mais breve". Ao alcance de um clique, aqui, no seu contexto.

Testar a hipótese da ordem social espontânea (1/5)

A nossa anterior série de postais, “Compreender o papel das instituições na vida social (para lá da teoria económica neoclássica)”, leva-nos a considerar as instituições.

Se admitirmos a existência das instituições e que elas, e não apenas os indivíduos, desempenham um papel na ordem social, na vida dos colectivos – ainda podemos admitir que as instituições sejam, simplesmente, o produto emergente da interacção espontânea entre agentes individuais. José Maria Castro Caldas, a certo passo de uma investigação desenvolvida no quadro da Economia com ferramentas da Inteligência Artificial, realiza um conjunto de experiências com a hipótese da ordem social espontânea. Essas experiências não são realizadas com robots físicos encorpados, mas com agentes de software, na linha da Simulação Multi-Agentes. Veremos aqui alguns aspectos desse contributo, até porque ele nos aproxima da estranha convivência entre ciências do artificial e pensamento económico.



Diz-nos Castro Caldas, em Escolha e Instituições: Análise Económica e Simulação Multiagentes (Castro Caldas 2001), que nem mesmo os economistas neoclássicos consideram que o “mercado livre” exista num vazio de regras: antes atribuem as regularidades comportamentais observáveis na sociedade exclusivamente à tendência para o equilíbrio e (como o equilíbrio resultaria das escolhas racionais, ou de processos de aprendizagem que convergiriam para estados estacionários compatíveis com estas escolhas), em última análise, à própria racionalidade. A explicação alternativa para as regularidades na acção social existe: regras partilhadas, normas e convenções sociais. Na tradição institucionalista próxima de Hayek, é reconhecida a importância das regras partilhadas sobre as quais assenta a ordem social. Mas é feita uma distinção entre regras concebidas deliberadamente (produção legislativa, por exemplo) e regras geradas de forma espontânea, que resultam do agregado das acções desenvolvidas por cada um dos indivíduos na prossecução do seu interesse próprio, acções essas e indivíduos esses que não teriam qualquer intenção de por essa via produzir regras. Hayek consideraria que as regras resultantes de um crescimento espontâneo são as regras próprias de uma ordem social benéfica (Castro Caldas 2001:175-176).



Castro Caldas, recorrendo ao Algoritmo Genético (uma técnica de evolução artificial) e dando-lhe uma interpretação própria (a que chama “interpretação comportamental”), vai realizar experiências de Simulação Multi-Agentes que pretendem fornecer elementos para discutir esta hipótese da ordem social espontânea: será que a mera interacção de agentes que prosseguem exclusivamente o seu interesse individual, tal como ele é percepcionado individualmente, resulta necessariamente em soluções eficientes para os problemas colectivos?

A isto nos dedicaremos nos próximos dias, nesta série de postais.



REFERÊNCIA
(Castro Caldas 2001) CASTRO CALDAS, José Maria, Escolha e Instituições – Análise Económica e Simulação Multiagentes, Celta Editora, Oeiras, 2001


19.11.07

Os iluminados

10:15

Peter Brueghel, A Queda dos Anjos, 1562



O século XX foi um século contraditório.
O mundo progrediu muito nesse século, tanto em termos materiais como em termos "espirituais".
Há menos gente a morrer de fome ou de doenças, trabalha-se menos horas e em melhores condições de conforto e de segurança, há melhores habitações e melhores infraestruturas dos espaços públicos, há mais generalizado acesso à educação e à cultura, etc., etc. Mesmo que muitos continuem a viver abaixo dos limiares mínimos em todos estes aspectos e em outros - e continuam - houve um real progresso por muitos terem passado a ter melhores condições.
Em termos "espirituais" também se progrediu: a discriminação de género já não é o que era, a discriminação racial tornou-se mais discreta, os trabalhadores têm hoje direitos que não tinham em 1900, a censura regrediu, a pena de morte aplica-se em menores áreas geográficas, etc., etc.
Todas as nuvens negras, bem como alguns retrocessos, não desmentem que os avanços foram enormes.
Contudo, o século XX foi também um século de grandes desgraças provocadas por factores propriamente políticos. As ditaduras mais ou menos fascistas ou mais ou menos comunistas estão entre os grandes flagelos. Fizeram muito mal a muita gente. Mas, o que é pior, fizeram muito mal em nome de grandes causas.
O que é curioso é que o mecanismo subjacente a esses flagelos é simples e constante. É o mecanismo dos iluminados.
O "mecanismo dos iluminados" é aquele mecanismo que consiste em alguns tomarem o poder e dizerem: nós vamos salvar os desgraçados. Sabemos quem eles são, qual é o problema deles, e vamos resolver o problema deles quer eles queiram quer não. Se eles não compreendem que nós somos a salvação deles, vamos salvá-los mesmo que seja contra a vontade deles. Vamos fazê-los felizes à força. E esse mecanismo matou milhões.
O problema do mecanismo dos iluminados continua a existir hoje. É o problema dos que pensam poder dispensar a colaboração dos cidadãos na salvação da pátria. O problema dos que pensam poder impôr, ainda por cima em democracia, a felicidade por decreto. Independentemente de os "alvos" compreenderem e partilharem, ou não, as salvíficas metas propostas.
Com uma dificuldade suplementar: em democracia esse método, além de mau, nunca chega ao fim da receita. E o cozinhado sai esturricado.
Pobre país que caia na ilusão dos iluminados.

(Faço deste postal um sinal de apreço por um conjunto de amigos com quem costumo discutir estas coisas.)


18.11.07

A espuma dos dias no Espelho dos Sentidos

O blogue Espelho dos Sentidos toca outra frase da mesma música que nos movia quando publicámos há dias o textimagem A espuma dos dias. Refiro-me, no Espelho dos Sentidos, ao post o essencial, trazendo Boris Vian ao baile (à baila).