26/04/11

mais depresssa se apanha um falso moralista - ou um invertebrado?


Há dias, Eduardo Pitta publicou no seu blogue, a ilustrar um apontamento político, uma fotografia de Passos Coelho com mulher e filhos. Nuno Gouveia reagiu com ar escandalizado, a sugerir (embora sem coragem para o dizer com todas as letras) que era uma porcaria de atitude, a do Eduardo Pitta. Agora que Passos Coelho se multiplica em aparecimentos públicos, com a mulher, no que parece ser uma nova estratégia de mistura intensiva de vida privada com vida pública, Nuno Gouveia já não tem nada a dizer. Parece que o "escândalo" para ele não estava no acto de misturar a família do político com a actividade do político, mas apenas em saber quem dava as respectivas fotos à estampa. Se a coisa for uma estratégia eleitoral de políticos que ele acha necessário apreciar, a moralidade desaparece logo debaixo do tapete.
A propósito desta americanização da vida política portuguesa, por iniciativa de Passos Coelho, o Câmara Corporativa faz o seguinte título: Uma fronteira sem retorno. Trata-se, como se pode constatar, de verificar a estratégia aparentemente determinada pelo próprio líder social-democrata.
No mesmo blogue do tal moralista que só se lembra de moralidade quando a coisa lhe convém politicamente, um tal PPM "responde" ao Câmara Corporativa desta forma. Quanto ao tal PPM, nada de estranhar: já vimos o suficiente de quanto lixo esse político metido a jornalista é capaz. Ficamos é à espera que o moralista Nuno Gouveia se atire às canelas do tal PPM, seu parceiro de blogue. E que aproveite para lhe explicar que há uma grande diferença entre um político procurar a exposição da família a ver se ganha uns votos - e um político que sempre tentou preservar a família (caso de Sócrates) ser objecto de coscuvilhice para gozo de invertebrados que por aí andam.


4 comentários:

Anónimo disse...

Eu suponho que tem a noção do absurdo que representa o que escreveu: a fotografia, no caso do texto do Eduardo Pitta, é totalmente desconexa relativamente ao teor da apreciação política que ele procura fazer. Entretanto, facto, que subliminarmente o PSilva omite, já blogues "próximos do PS" como a jugular, tinham ridicularizado a sobreexposição da família de Passos Coelho.
O Paulo Pinto Mascarenhas (ao que sei, contratado pela pouca imprensa independente do poder que ainda existe em Portugal como Grande Repórter) apenas ilustra como, contrariamente ao tom do post do Porfírio Silva, Sócrates nunca fez questão de esconder coisíssima nenhuma (a novela da "não-assumida" ex-namorada encheu comunicados de associações de jornalistas e posts de blogosfera!!).
Sejamos sérios: nem PPC, nem JS é uma virgem púdica e imaculada nesta matéria. Não está em causa o meu gosto. Antes, a duplicidade de critérios que, desculpe, aparenta presidir ao seu post.
Rodrigo

Porfirio Silva disse...

Rodrigo,
Vamos por partes.
A foto que o Eduardo Pitta publicou era perfeitamente respeitadora: não induzia nem alimentava nenhuma especulação, não continha nenhuma sugestão minimizadora de ninguém, não tentava mostrar nada que os interessados tentassem esconder, efectiva ou pretensamente. Ao misturar isso com a capa publicitada por PPM, que é mais uma das golpadas "jornalísticas" que tentaram achincalhar Sócrates, o Rodrigo está a tentar atirar areia para os olhos de quem lê.

Quanto ao PPM, a independência dele está à vista de quem quer ver. Já escrevi o suficiente, no passado, sobre as porcarias que ele fez, perfeitamente públicas e documentadas. Não tenciono voltar a isso. Agora, é preciso ser muito vesgo para colocar PPM na "pouca imprensa independente do poder". Será que o Rodrigo também pertence ao grupo dos que, apesar da evidência do que a imprensa tem trabalhado sistemática e arduamente contra Sócrates, o governo e o PS, ainda acham que a imprensa é dominada pelo PS? Parece-me cegueira a mais.

Acusar Sócrates por outros fazerem barulho com a sua (ex-)namorada, é de um ridículo excessivo. Mas resume bem a falácia do seu comentário: Sócrates é culpado por "a boa imprensa" ter coscuvilhado sem pudor algum a sua vida privada, apesar de Sócrates ser um dos políticos que mais tentou proteger a sua vida privada; Passos Coelho usa a vida privada como matéria publicitária e acha-se bem (na sua visão, que critica os que criticam isso).
Só posso concluir que, quando o Rodrigo escreve que é absurdo o que eu escrevi, o Rodrigo não entende o significado da palavra "absurdo". Já agora, vou explicar devagarzinho para o Rodrigo entender: o meu post é sobre o "duplo padrão de avaliação" praticado por um certo blogueiro. Um blogueiro que rasga as vestes ou fica silencioso perante os mesmos factos, dependendo da conveniência política ou da simpatia política pelos autores do acto.
Assim sendo, devolvo-lhe o apelo: sejamos sérios.

Anónimo disse...

Respondendo directamente à sua pergunta: sim, desde o "amigo Joaquim", a pressões sobre o Grupo Lena (porque acha que saíram Avillez Figueiredo e Mascarenhas?), ao irmão de António Costa a director do Expresso, ao púdico cuidado de Pedro Santos Guerreiro em massacrar Passos Coelho com a crise que o governo de Sócrates causou nas finanças públicas [fez algum post sobre os 9,1%?] parece claro a um cego que a imprensa trabalha meticulosamente, como certos blogueiros, para a aclamação da vítima "José Sócrates". O grupo Cofina é nesse domínio uma excepção (ou ainda não leu a Câmara Corporativa de hoje?). Se tem problemas passados com Paulo Pinto Mascarenhas desconheço. Sei que ele é Grande Repórter de um jornal que o poder não favorece mas o povo compra.
Se calhar porque o poder não favorece....
Cumprimentos,
Rodrigo
(O seu problema com Nuno Gouveia diz-me pouco: a reacção que ele tem ao post de Eduardo Pitta é a que eu teria - foto desadequada e mal intencionada face ao tema).

Porfirio Silva disse...

Rodrigo,
Para quem saiba ler, basta esta sua frase: «ao irmão de António Costa a director do Expresso». Dar isso como exemplo do domínio da imprensa pelo PS poderia ser uma piada negra. Como não chega a esse patamar, serve apenas para mostrar o "bom fundamento" do seu argumento.
Questões laterais: não tenho questões pessoais com ninguém. Vejo algumas coisas que se passam no espaço público e ajuizo.