6.12.13

Falta-me um poema para ti, Mandela.

09:33


Creio que na tua religião não há santos, Madiba.
Julgo que na tua ciência, Madiba, os heróis são feitos das mesmas partículas e forças que estão na matéria de qualquer outra pessoa.
Hoje, no dia depois do teu passamento, Madiba, tens razão nessas tuas crenças: não há santos nem heróis disponíveis, porque todos os santos e todos os heróis estão hoje ocupados a admirar-te e a tentar ainda compreender quem és. Com saudades de seres único.
Quando eu crescer, Madiba, quando eu crescer o suficiente para saber quem és, quero compreender o segredo íntimo da humanidade: como é ser como tu, Mandela. Como um dia vai ser possível sermos como tu. Mandela, não te rias: deixa-nos sonhar. Tu, aquele que sonhou melhor e mais forte do que todos nós.
Obrigado.

4.12.13

Monstros Antigos.

15:54


Só vai estar nas livrarias em Janeiro.
Mas já tenho uns exemplares aqui comigo, que posso fazer chegar em mão (a combinar, em Lisboa) a quem queira dar uma prenda de Natal absolutamente exclusiva (porque o feliz contemplado não terá maneira de receber este livro por outra via nesta quadra).

3.12.13

Investigador FCT - Resultados 2013. O caso da Filosofia.


A lista global está aqui.
Terão ficado de fora uns 1000.

Segundo o João Gomes André, «Em Filosofia ganharam... dois estrangeiros. E ambos na área da Filosofia da Linguagem. Portugueses, népia. Restantes áreas da filosofia, népia.»

Na Filosofia, a imigração haverá de compensar a emigração, não é?

o Papa Francisco pela calada da noite.



A Exortação Apostólica "A Alegria do Evangelho", do Papa Francisco, vem relançar um debate importante. Para católicos e não-católicos, para crentes e não-crentes. Até já há gente do mundo da finança que se dá ao trabalho de tentar responder ao Papa. Algumas esquerdas, designadamente aquela esquerda a que pertenço, também vê este documento com interesse. Aspectos como a rejeição da tentativa de reduzir a justiça social ao assistencialismo darão muito que pensar - e são bem-vindos. São bem-vindos, particularmente em tempos em que alguns sectores do catolicismo conservador ganhavam um certo fôlego para reivindicarem a sua visão como a verdade da sua religião, contra os "maus" que olhavam para o problema com outros olhos. Refrescante, pois.

Como saberão os que me lêem, este é um assunto que me interessa. De qualquer modo, julgo que é precipitado tentar alinhar leituras estritamente políticas com as palavras do Papa Francisco. Não é que as suas palavras não tenham sentido político, na acepção mais ampla (que é a mais nobre). Elas têm sentido político. E é importante este debate, para que os fariseus aninhados nas hierarquias das igrejas não consigam (tão) facilmente anestesiar as palavras do Papa para as acomodar à sua cómoda instalação no habitual. Contudo, do lado da Igreja Católica, e deste Papa em particular, não se pode reduzir tudo à doutrina; é preciso contar com a dimensão pastoral: como fazer para andar no meio das gentes. E, aí, por muito clara que seja a rejeição do assistencialismo, há uma valorização da dimensão pessoal, da empatia entre pessoa e pessoa, que nunca será abandonada. Direi até, para fazer pensar, que a rejeição do assistencialismo não implica o abandono da caridade, embora implique a rejeição da caridadezinha.

Para este ponto, vale a pena pensar no que poderão significar, se forem reais, os rumores de que o Papa Francisco anda a praticar, às escondidas, uma espécie de convívio fraterno com os sem-abrigo da sua cidade. Pela calada da noite. Não com fanfarras e TV, como fazem alguns praticantes da caridadezinha. Lembrando o Evangelho a mandar que não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita. Em vez das fanfarras da caridadezinha oficialóide, claro.


ainda o "Investigador FCT".

10:47

Já ontem demos aqui conta de uma nota sobre o concurso para "Investigador FCT". É um concurso para escolher os poucos que ficam entre os muitos que são postos no olho da rua.

Quero voltar a insistir num ponto.

A propaganda oficial (da Fundação para a Ciência e Tecnologia) diz que tudo isto é feito com base na avaliação criteriosa de um júri internacional, que é como quem diz, "seguimos os melhores critérios e só fica quem é mesmo bom", sendo que o "internacional" é a legitimação: isto não tem nada a ver com capelinhas cá dentro.

Pois, também nesse ponto a propaganda oficial é uma pura mentira. Na verdade, há uma pré-selecção interna que elimina muitos candidatos antes que tenham qualquer hipótese de verem os seus processos avaliados pelo júri internacional. Os eliminados não sabem sequer quem os eliminou. E, na verdade, são atirados para a rua por um processo com a chancela "júri internacional" - mas foram eliminados por alguém, cá da terra, que só serve ao altar do "júri internacional" aquilo que (bem?) entendeu.

Desta vez terão ficado de fora uns 1000. E de dentro uns 200. Tradicionalmente, quase ninguém diz nada, porque ninguém quer colocar a cabeça de fora quando as balas estão a passar. E a angústia de ser atirado para o estatuto de pária é grande. Desta vez, sendo grossa a coluna, talvez a voz também engrosse. Oxalá.

um país onde nunca ninguém fez nada, claro.

2.12.13

Mais uma machadada no ensino e na investigação.



Prepara hoje a FCT [Fundação para a Ciência e Tecnologia] uma cerimónia de pompa e circunstância para a assinatura dos contratos de investigador FCT. Tanto quanto se sabe, cerca de 200 investigadores terão sido contemplados com um contrato de financiamento.

Aparentemente, tudo estaria bem e o Ministério poderia alardear que prossegue uma política de seleção dos “mais talentosos e promissores cientistas, em todas as áreas científicas e nacionalidades”. Mas a pressa de mostrar qualquer ação para esconder a política de destruição do sistema de ensino superior público e da investigação revela a política desnorteada deste ministro, que atropela as mais elementares regras de transparência e justiça.

Assim, vejamos:

1) Foi publicada a lista de investigadores, mas sem qualquer ordenação com base nas suas classificações.

2) Não se conhece a composição do júri nacional que fez a pré-seleção que, obviamente, determina os candidatos que foram classificados pela equipa internacional, cuja composição é conhecida.

3) Não são conhecidas as avaliações das candidaturas selecionadas, nem o seu número nem as classificações obtidas por todos os candidatos. Importa lembrar que o regulamento dispunha que seriam aprovadas as candidaturas cuja classificação fosse igual ou superior a 7 valores.

4) Esta cerimónia é realizada sem que se tenha observado o tempo necessário ao exercício do direito de audiência prévia de eventuais candidatos excluídos.

Em resumo, o chamado “ministro do rigor” baseia a sua política em processos pouco transparentes, injustos e não sujeitos ao escrutínio público, o que é particularmente grave, pois trata-se do uso de dinheiros públicos.

Esta cerimónia pública tem como objetivo lançar uma cortina de fumo sobre a política de destruição do ensino superior público e da investigação, escondendo uma estratégia que vai lançar centenas de investigadores no desemprego e destruir a qualidade de ensino e investigação que Portugal alcançou ao fim de muitos anos de esforço dos seus investigadores e professores.

(Este texto foi divulgado pelo Departamento do Ensino Superior e Investigação da FENPROF. O texto divulgado inclui ainda o seguinte apelo: "A FENPROF apela a todos os investigadores que nos façam chegar toda a informação relevante sobre os seus concursos individuais e disponibiliza-se para apoiar quem queira interpor ações contra as ilegalidades encontradas.")


1.12.13

O que acontece se um país sujeito a um programa de resgate decidir finalmente dizer Não?

governos comunistas. Ah, não? de direita?!


Islândia corta até 24.000 euros nas hipotecas de cada família com empréstimos à habitação.

Acrescenta o Público: «O Governo islandês anunciou sábado ir cortar até 24.000 euros na hipoteca de cada família com empréstimos à habitação, uma promessa da campanha eleitoral apesar das advertências internacionais contra o plano. O custo da medida está estimado em cerca de 900 milhões de euros e será financiado com impostos sobre os bancos e fundos de gestão de activos dos bancos que faliram durante a crise financeira de 2008, salientou o Governo. (...) O anúncio do corte da hipoteca levantou as vozes críticas de várias organizações internacionais como o Fundo Monetário Internacional, mas as autoridades do país estão determinadas em levar o projecto em frente.»
Ler mais aqui.

Já, por cá, só há coragem contra o mexilhão.