Mostrar mensagens com a etiqueta investigação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta investigação. Mostrar todas as mensagens

24.1.14

Quererá Miguel Seabra ser o Lysenko português ?


Miguel Seabra: avaliadores não souberam das alterações para evitar mais atrasos nas bolsas da FCT.

Será que o desejo secreto de Miguel Seabra é ser o Lysenko português ?

É que os pontapés na legalidade que ele parece praticar sem remorsos nem vergonha não podem ser apenas irracionalidade. Têm ar de traduzir um desígnio qualquer. Sendo um cientista ao serviço de uma visão estreito-ideológica, esse desígnio pode bem ser do tipo "político-científico". Dai lembrar-me Trofim Lysenko.

(Lysenko Seabra)

23.1.14

ciência aplicada: desenvolver estudos na área do engarrafamento.



Carlos Fiolhais no Público: Educação, ciência e economia: um ministro pouco sábio. Deixo alguns recortes:

Pires de Lima, no seu mundo Superbock, acha que a escola tem de formar muitos meninos e meninas para alimentar os quadros empresariais. Olha para uma criança do 1.º ciclo e vê nela um gestor em potência. Não lhe interessa se ela vai dominar o Português, a Matemática ou a Física, para as quais as actuais horas lectivas parecem não chegar: tem é de dominar o Empreendedorismo.

Percebemos agora a razão dos cortes na ciência, com a redução drástica do número de bolsas: os investigadores não estão virados para o mundo das empresas. Estão a estudar linguística, topologia ou óptica quântica, em vez de se virarem para o fomento da indústria cervejeira. O ministro Pires de Lima vê um doutorando e acha um desperdício ele não estar a desenvolver estudos na área do engarrafamento.

Em 1995, quando se discutia nos Estados Unidos uma diminuição do financiamento público à investigação científica, os CEO de 15 das principais empresas de base científico-tecnológica, como a IBM e a General Electric, subscreveram uma carta aberta pedindo o reforço da ciência fundamental. Queriam que o Congresso continuasse o apoio "a um vibrante programa de investigação universitária com visão de futuro".

Acontece que o futuro costuma chegar pela mão de cientistas inovadores, em geral muito longe da “economia real”. Não faltam exemplos. O laser foi inventado há mais de 50 anos, numa equipa de ciência fundamental (ora cá está: a óptica quântica!) que trabalhava nos Bell Labs. Na altura foi chamado uma invenção à procura de aplicações. Hoje é o que se sabe: está por todo o lado, nos cabos ópticos, nos CD, nas cirurgias, no corte de materiais, nas luzes das discotecas e até nas caixas de supermercados, por onde passam os códigos de barras das cervejas. Com a orientação de Pires de Lima jamais teria havido lasers.

Fiolhais diz que Crato sabe disto tudo e quer que Crato explique tudo a Pires de Lima. Não. Crato sabe bem para que serve o que se está a fazer sob a sua tutela. Ouçam-se os seus guarda-costas ideológicos.


22.1.14

começa a perceber-se melhor como funciona esta FCT.


Do comunicado da Coordenadora e membros do Júri do Painel de Sociologia da FCT destaco este ponto:

Vimos por este meio comunicar a V. Exa. o nosso profundo desagrado e indignação em relação a alguns aspectos relativos ao processo de avaliação e à respectiva publicação dos resultados das bolsas atribuídas em 2013, que nos dizem respeito como membros do Júri:
(...)

2 - A alteração do resultado da avaliação por nós efectuada e aprovada em Ata a 6 de Dezembro de 2013. A ordenação das candidaturas assinada no dia 6 de Dezembro de 2013 não corresponde à ordenação dos candidatos divulgada pela FCT. Na etapa Pós-avaliação (período compreendido entre o fim da reunião e a divulgação dos resultados aos candidatos), foram introduzidas alterações irregulares à ordenação discutida e consensualizada durante a reunião final do júri, a qual foi feita em presença de duas técnicas da FCT. Esta alteração tem consequências graves porque o Júri não pode ser responsabilizado por uma avaliação que não realizou, para além de eventuais prejuízos ou injustiças daí recorrentes. Por outro lado, o Coordenador não pôde assumir uma das suas responsabilidades, tal como indicado no Guião, “Colaborar com a FCT na resolução de possíveis problemas e/ou imprevistos que possam ocorrer antes, durante ou após a reunião de Painel de Avaliação.”, visto que não foi chamado a participar em eventuais dúvidas ou problemas e é alheio a posteriores decisões à reunião final do Júri.

O comunicado completo pode ser lido aqui (pdf).

não seremos cúmplices.


João Teixeira Lopes, Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, publicou há pouco na sua página no Facebook uma transcrição de carta que enviou à Fundação para a Ciência e Tecnologia. Copio para aqui.

Ex.mo Senhor Presidente da FCT

As anomalias várias registadas no último concurso de atribuição de bolsas de doutoramento e de pós-doutoramento configuram um atentado grave à transparência e mesmo ao princípio de reconhecimento do mérito em igualdade de circunstâncias.
Para além dos resultados desmentirem o que foi oficialmente transmitido aos avaliadores de ciências sociais, letras e humanidades, pela anterior responsável do departamento de avaliação da FCT, em reunião plenária no Hotel Altis (nomeadamente a de que a linha de aprovação seria, em todas as áreas, correspondente a 10% do total de candidaturas apresentadas), constatou-se uma disparidade por domínios que penaliza claramente as ciências sociais, incluindo a sociologia, em cujo painel de avaliação estava inserido.
Mais grave ainda, vários resultados foram alterados pela FCT (conforme se poderá verificar pelo contraponto entre a ata assinada por todos os membros do painel e os resultados oficiais), prejudicando gravemente inúmeros candidatos.
Entendo que a política científica tenha referenciais e orientações que se alteram com o quadro do poder. Mas não posso ser cúmplice de processos de atropelo à transparência, ainda que legitimados por um qualquer fanatismo ideológico que perpassa o discurso da FCT.

Assim, enquanto a atual direção da FCT se mantiver em funções, recuso-me a desempenhar o papel de avaliador, por aquela não me merecer as condições mínimas de confiança.

Com os melhores cumprimentos
--
João Teixeira Lopes
Professor Catedrático da FLUP

(fonte)

CARTA ABERTA SOBRE A CIÊNCIA.


Disponibilizo aqui a CARTA ABERTA SOBRE A CIÊNCIA divulgada ontem pela Comissão Executiva do Conselho dos Laboratórios Associados. 2. O Conselho dos Laboratórios Associados reúne 26 laboratórios de investigação científica classificados como excelentes em avaliações internacionais e aos quais foi atribuído o estatuto de laboratório associado pela sua função de referência no sistema científico nacional. Os Laboratórios Associados reúnem cerca de 4300 doutorados.

CARTA ABERTA SOBRE A CIÊNCIA

Os resultados do concurso nacional de bolsas de doutoramento e pós doutoramento lançado em 2013 pela FCT foram agora tornados públicos.

Por decisão da FCT e do governo, foram atribuídas apenas metade das bolsas de doutoramento habitualmente concedidas, e menos de um terço das bolsas de pós-doutoramento. Depois de há poucas semanas de terem sido excluídos mais de 1000 investigadores doutorados enviando-os para o desemprego ou para o exílio forçado, esta nova decisão apenas parece confirmar a vontade de reduzir a comunidade científica portuguesa.

Tais medidas não resultam de cortes no orçamento da FCT, que se mantém quase idêntico ao do ano anterior. A questão não está pois na falta de recursos financeiros mas sim numa absoluta falta de conhecimento das regras elementares do desenvolvimento científico.

Reduzir drasticamente, como se pretende, a formação avançada de recursos humanos em ciência, e mandar embora grande número de cientistas qualificados, tem como consequência imediata reduzir a capacidade científica do País e a sua cultura científica e conduz ainda, inevitavelmente, à quebra de capacidade tecnológica do tecido empresarial português, atrasando a sua renovação e penalizando a sua competitividade.

Dois argumentos foram finalmente apresentados em defesa destas medidas, tomadas à revelia das instituições científicas e académicas.

O primeiro argumento, ditatorial, afirma sem vergonha que, tendo o sistema científico crescido muito haveria que “podá-lo”, isto é, mandar para o desemprego e para o exílio, a maioria dos mais jovens e mais capazes, há poucos anos recrutados por concurso público internacional.

O segundo argumento, contudo, tenta convencer-nos que nada mudou. O desemprego e emigração forçada de cientistas agora impostos pela FCT seria apenas, como ouvimos estupefactos, “uma mudança de paradigma”. O que eram dantes bolsas e contratos pagos pela FCT seriam doravante bolsas e contratos pagos por projectos científicos dos laboratórios, a financiar pela FCT. A ser verdadeira essa intenção teriam sido, primeiro, financiados projectos com fundos suficientes para contratar investigadores e, seguidamente, se alteraria o financiamento de bolsas e contratos. Mas nada disso aconteceu. Aconteceu, sim, termos hoje grupos científicos decapitados e muitos mais investigadores à procura de emprego no estrangeiro.

O CLA não quer acreditar que estas medidas tenham sido aprovadas pelo primeiro-ministro, ou pelo governo no seu conjunto, nem que tenham a concordância do parlamento ou o apoio do Presidente da República.

Acreditamos sim que todos os quadrantes políticos, sem excepção, designadamente os partidos hoje responsáveis pelo governo, estão unidos na aposta no desenvolvimento científico do País.

Por isso apelamos hoje de forma veemente a todos os responsáveis para a urgentíssima e indispensável inversão das medidas tomadas.

Comissão Executiva do Conselho dos Laboratórios Associados (CLA)
21 de Janeiro de 2014



NOTA (incluída na carta). Para além do facto de, no caso das 298 bolsas de doutoramento agora atribuídas, se destinarem a programas de doutoramento (nacionais e internacionais) que se iniciaram em Setembro/Outubro de 2013 e que se arriscam a ficar sem alunos, o que de mais grave decorre da análise rigorosa dos números é o brutal desinvestimento na formação avançada de recursos humanos (doutoramento e pós-doutoramento), sector em que o país é ainda fortemente deficitário. Se às 298 bolsas de doutoramento atribuídas no concurso nacional (3433 candidatos) adicionarmos as 431 bolsas de doutoramento dos novos Programas de Doutoramento FCT, resulta o número de 729 a comparar por exemplo com 872 em 2002, 2031 em 2007, 1640 em 2010 ou 1378 em 2011. Quanto às bolsas de pós-doutoramento que no presente concurso se ficaram pelas cerca de 210 (2100 candidatos), só em 1999 tiveram valor igual, pois de então para cá foram sempre atribuídas em número superior, mesmo muito superior como em 2006 (737), 2007 (914), 2008 (634), 2009 (690), 2010 (718), 2011 (mais de 670). Também os 1200 contratos de investigadores recrutados por concurso público internacional há 5 anos, já terminados ou em vias de terminar, foram até agora substituídos por apenas cerca de 400 contratos novos.

17.1.14

a distância entre a ciência e as empresas.


Pires de Lima lamenta distância entre a ciência e as empresas. Pires de Lima disse não ser possível “alimentar um modelo que permita à investigação e à ciência viverem no conforto de estar longe das empresas e da vida real”, referindo o elevado nível de doutorados “per capita” em Portugal por oposição ao baixo número de doutorados nas empresas.

Claro que, falando de casos ainda mais graves, e perigosos para a calmaria nacional, como a Filosofia - mas a Filosofia não é ciência! é "conversa", razão pela qual nem nos devia fazer perder tempo... tal como a História, ou o Latim ou Grego...

Segundo André Barata (na sua página o FB), "A nível nacional, foram aprovadas apenas 4 bolsas de doutoramento em filosofia."

Quando ao episódio anterior do Investigador FCT, João Gomes André contou as cabeças e afirmou: «Em Filosofia ganharam... dois estrangeiros. E ambos na área da Filosofia da Linguagem. Portugueses, népia. Restantes áreas da filosofia, népia.»

E o Ministro da Economia, em socorro do Ministro Crato, quer mandar-nos para as empresas: que tal formar filósofos em sistema dual, entre a escola e a empresa, para se habituarem ao mundo da realidade?


Deixo-vos um texto que publiquei aqui há algum tempo, antecipando este discurso dos "empreendedores" para nos calcar a pedra em cima.

***

PEÇO IMENSA DESCULPA DE NÃO SERVIR DEVIDAMENTE O EMPREENDEDORISMO

Peço imensa desculpa de não ser operário qualificado. Sei lá, metalúrgico, talvez. Ainda há empregos para metalúrgicos? Não sei, mas metalúrgico parece-me uma profissão sólida, um operário à séria, um aristocrata da classe operária.

Pois, mas eu não sou metalúrgico. Um metalúrgico deve fazer falta à economia, não é? Já um médico, provavelmente não. Um médico é apenas uma ocasião de despesa: pessoas que querem cuidar da saúde, ou tratar a doença, ou minorar as penas, acabam por ocasionar mais despesa, coisa que só podem concretizar com a ajuda de médicos, enfermeiros, especialistas nisto e naquilo. Mas, enfim, apesar da despesa, há sempre quem não dispense um profissional da saúde, talvez médico ou enfermeiro seja uma boa profissão para fazer pela vida.

Só que eu, além de não ser metalúrgico, também não sou médico, nem enfermeiro, nem operador de nenhuma daquelas máquinas que fazem parte da parafernália dos meios auxiliares de diagnóstico. Podia ser advogado, que fazem sempre falta, nem que seja contra a nossa vontade, porque há sempre contendas e necessidade de nos desembaraçarmos delas. E um advogado é um especialista nas partes mais recônditas do Estado, uma espécie de meio médico e meio engenheiro da grande máquina da vida colectiva. Coisa em grande, portanto, além de ser coisa a que temos de recorrer em tanta tralha miúda.

Má sorte a minha: também não sou advogado. E, a esta altura, além dos advogados que pensam que eu não faço ideia do que eles sofrem (mas faço), e dos arquitectos que queriam construir o mundo e estão todos desempregados porque não há dinheiro para colar dois tijolos, e dos metalúrgicos que pensam que eu penso que a vida deles é fácil, e dos médicos e dos enfermeiros que pensam que eu brinco com a saúde, há uns tantos outros que imaginam que eu sou um inútil para a sociedade.

E pensam bem. Um tipo que diz que é filósofo, mas o que vem a ser isto. Para já, em Portugal ninguém é filósofo. Um tipo que estudou engenharia e se inscreveu na Ordem é engenheiro. Que estudou medicina e deu os passinhos necessários até estar nos registos centrais do império, é médico. E por aí adiante. Um tipo que estudou filosofia e se dedicou à filosofia é… “doutorado em filosofia”, ou “professor de filosofia”, mas não filósofo. Filósofo é só para os mortos de respeito. Só um delirante diz que é “filósofo”. É isso mesmo que eu sou e digo que sou. Mau, decerto, mas filósofo.

E é esse o problema. Como filósofo – e apesar de respeitar os colegas que fazem pela vida e tentam arranjar ocupações que sejam vendáveis – não me dá jeito nenhum criar uma empresa para vender filosofia. O empreendedorismo, comigo, está tramado. Aí tenho logo um diploma de inútil. Nada do que eu faço dá exactamente para ganhar dinheiro na praça – e quem não serve para “mexer a economia” é um parasita. Já o outro dizia que os historiadores não servem para nada. Mas a filosofia ainda serve menos para coisa alguma. É pior ser filósofo do que ser teólogo, porque pelo menos o teólogo trabalha com um assunto graúdo: mesmo que não exista, o assunto é graúdo. Já o filósofo trabalha com assuntos com que qualquer comentador televisivo se desembaraça bem sem mais demora. Se o outro tivesse escolhido fazer o curso por equivalências em filosofia, faria uma lista de discursos como material de equivalência e encontraria alguém para lhe dar razão.

Talvez eu devesse enviar currículos a propor-me para empregos na economia real. Se não fizer isso, nem sequer posso mostrar que estou interessado na vida activa e sou considerado um parasita sem emenda. Estou a percorrer a lista telefónica à procura de empresas que me pareçam potencialmente interessadas em recrutar filósofos. Já vou na letra Z e ainda não catei nada que me cheire. Faltará muito para chegar ao fim da lista?

Então, só me resta, mais uma vez, pedir desculpa por não ser operário metalúrgico. Não, que disparate, operários metalúrgicos são gente que até poderia fazer greve se fosse o caso. Indiferenciado. Indiferenciado é que é: a máxima flexibilidade, a máxima disponibilidade, a máxima liquidez: ir pelo cano é a ocupação preferida do indiferenciado… e como isso é agradável a quem tem de “fazer mexer a economia” (a sua economia). Porque a filosofia, vendo bem, nunca serviu para nada. Claro, podemos suportar o Sócrates e o Platão, o Hobbes e o Hume, o Russell e o Heidegger, e, vá lá, mais meia dúzia, para enfeitar o mundo: mas doze ou treze por milénio chegam bem. Agora, andar por aí e não ser pessoa que possa, ao menos, criar uma PME, isso é que não se compreende.

Má sorte a minha não terem fechado a tempo os cursos de filosofia.

(Publicado originalmente aqui)


15.1.14

se querem investigar, emigrem para as Maurícias.


A Fundação para a Ciência e a Tecnologia divulgou ontem os resultados do concurso nacional de bolsas. Aos poucos vamos percebendo quais são os números agregados e o que significam.

Parece que a mancha geral tem este aspecto:

Quanto a bolsas de doutoramento, dos 3433 candidatos foram aprovados 9% (298).
No que toca a bolsas de pós-doutoramento, de cerca de 2100 candidatos terão sido aprovados 210 (10%).

Para termos a noção do que isto significa: nas bolsas de doutoramento, se for correcta a suposição de que serão este ano atribuídas todas as cerca de 400 bolsas previstas no primeiro concurso para Programas Doutorais (o que não é de todo certo), o resultado global significa um retrocesso a números de 2003. Sem essas bolsas, este é o pior número de sempre (desde 1994).

(Acrescento. O Público tem números ligeiramente diferentes, mas não muda nada na substância.)

2.12.13

Mais uma machadada no ensino e na investigação.



Prepara hoje a FCT [Fundação para a Ciência e Tecnologia] uma cerimónia de pompa e circunstância para a assinatura dos contratos de investigador FCT. Tanto quanto se sabe, cerca de 200 investigadores terão sido contemplados com um contrato de financiamento.

Aparentemente, tudo estaria bem e o Ministério poderia alardear que prossegue uma política de seleção dos “mais talentosos e promissores cientistas, em todas as áreas científicas e nacionalidades”. Mas a pressa de mostrar qualquer ação para esconder a política de destruição do sistema de ensino superior público e da investigação revela a política desnorteada deste ministro, que atropela as mais elementares regras de transparência e justiça.

Assim, vejamos:

1) Foi publicada a lista de investigadores, mas sem qualquer ordenação com base nas suas classificações.

2) Não se conhece a composição do júri nacional que fez a pré-seleção que, obviamente, determina os candidatos que foram classificados pela equipa internacional, cuja composição é conhecida.

3) Não são conhecidas as avaliações das candidaturas selecionadas, nem o seu número nem as classificações obtidas por todos os candidatos. Importa lembrar que o regulamento dispunha que seriam aprovadas as candidaturas cuja classificação fosse igual ou superior a 7 valores.

4) Esta cerimónia é realizada sem que se tenha observado o tempo necessário ao exercício do direito de audiência prévia de eventuais candidatos excluídos.

Em resumo, o chamado “ministro do rigor” baseia a sua política em processos pouco transparentes, injustos e não sujeitos ao escrutínio público, o que é particularmente grave, pois trata-se do uso de dinheiros públicos.

Esta cerimónia pública tem como objetivo lançar uma cortina de fumo sobre a política de destruição do ensino superior público e da investigação, escondendo uma estratégia que vai lançar centenas de investigadores no desemprego e destruir a qualidade de ensino e investigação que Portugal alcançou ao fim de muitos anos de esforço dos seus investigadores e professores.

(Este texto foi divulgado pelo Departamento do Ensino Superior e Investigação da FENPROF. O texto divulgado inclui ainda o seguinte apelo: "A FENPROF apela a todos os investigadores que nos façam chegar toda a informação relevante sobre os seus concursos individuais e disponibiliza-se para apoiar quem queira interpor ações contra as ilegalidades encontradas.")