3.6.11

declaração de voto

18:29


Não, hoje a Europa não está connosco. A Europa da crise é a Europa governada, na esmagadora maioria dos países, pela direita. A Europa com pressa de cometer disparates e muito lenta a perceber o mundo. A Europa dos egoísmos nacionais e regionais, a Europa dos governantes dos países "centrais" que se esqueceram do que nos devem a todos. A pressa da Alemanha a apontar o dedo aos pepinos espanhóis, com se viu sem ter fundamento para isso, prejudicando gravemente a economia espanhola, é um retrato ridículo da torpe miopia dos que já não percebem nada do projecto europeu para lá do tamanho do seu próprio nariz. A Europa europeísta faz, contudo, cada vez mais falta. Ninguém da Europa pode vencer nesta globalização desregrada sem que a Europa volte a ser europeísta, volte a ter noção do "interesse comum" para lá do mero somatório de interesses nacionais. Sair da crise só vai ser possível no quadro de uma solução europeia.
É por isso que o voto nas eleições de domingo tem de ser o voto em quem tem mostrado saber agir a nível europeu. Votar na direita, votar no PSD e no CDS, é votar na corrente política europeia que se tem multiplicado em disparates que aprofundam passo a passo a crise comum, com a sucessiva aplicação de receitas mal sucedidas. Votar na esquerda que pensa que a renegociação da dívida é uma saída cor de rosa para a crise, que pensa que Portugal pode trilhar esse caminho sozinho, é votar na esquerda que continua a ser essencialmente anti-europeia e não compreende que é no barco europeu que temos de remar para encontrar um caminho marítimo acolhedor para todos. Votarei PS por ser o partido que, mesmo com erros de avaliação, está certo no essencial: apostou no passado, e continuará a apostar, numa solução europeia de conjunto, a única onde Portugal pode estar confortável. Esse caminho não será sem espinhos, é certo. Mas é o único caminho viável. Por isso voto no Partido Socialista no próximo domingo.

mundo novo

1.6.11

a política dos interesses

19:07

quando o verdadeiro Passos Coelho ainda existia

18:42

Passos Coelho, e alguns dos seus companheiros, estão em pleno tempo de disfarce. Hoje não defendem nada do que já defenderam. Escondem-se atrás de palavras obscuras. Quando Passos Coelho, num discurso de ontem ou anteontem, dizia que os médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico - "eles", na expressão de Passos - é que, organizando-se, iriam salvar o Serviço Nacional de Saúde, estava apenas a mostrar gato escondido com o rabo de fora. "Eles", organizando-se, é que vão salvar o SNS?! Claro, "eles" - não o Estado - é que vão tratar do assunto; "organizando-se", quer dizer, criando alternativas fora do SNS. Tudo embrulhado, a ver se ninguém entende muito bem o que ele diz, no meio do barulho da luzes - mas Passos Coelho vai deixando cair o seu real programa. Embora, com sumo descaramento, vá dizendo que isso é que é o "Estado social".
Tudo se percebe olhando para o que ele dizia quando não estava em campanha eleitoral: «Ferreira Leite e Passos Coelho querem fim do SNS gratuito para todos». Tudo no jornal oficial do militante nº 1 do PSD.

a política do ódio, outra vez, agora por todos os meios

18:12

Parece que a direita está mais assustada do que podíamos perceber com o andar da campanha eleitoral: só assim se pode entender o extremar do esterco por parte de certa imprensa.

O caso Freeport, que nasceu de uma conspiração entre políticos de direita, polícias e jornalistas (como foi provado em tribunal), já tinha servido para duas campanhas eleitorais. Apesar de, na justiça, nunca ter dado nada, esse processo foi, durante anos, a arma principal da política de ódio contra Sócrates. Foi um verdadeiro regabofe. Só por desespero se pode querer revalidar a mesma novela e usá-la contra Sócrates numa terceira campanha eleitoral. O jornal i presta-se a isso.


Como não podia deixar de ser - como sempre foi neste processo - o ataque a Sócrates por via deste processo só funciona com base na mentira e na manipulação. O título que podemos ver acima, com aquele destaque todo, sugere que o "ex-ministro de Guterres" aponta o dedo acusador a Sócrates. Só que, quando vamos a ver, não foi nada disso que disse Júlio Castro Caldas: o que ele diz é que, já que colocaram Sócrates sob suspeita, teriam garantido melhor o seu direito a defender-se se o tivessem constituído arguido. Sim, porque, tal como fizeram, Sócrates foi mais mal tratado do que se tivesse sido arguido: tinha todas as desvantagens da "suspeita sem rosto", velha de anos, sem ter os direitos processuais próprios de um arguido.

O Correio da Manhã dá outro exemplo: usa a primeira página para fazer campanha pelos partidos da direita. Não interessa qual: o que interessa é que vote num deles.


O inefável Público não podia ficar de fora: se alguém manobra para boicotar as acções de campanha do PS, não se critica os que boicotam, critica-se o PS. Vejamos a história. O Externato de Penafirme faz, institucionalmente, campanha contra o PS e contra o BE (como se vê no panfleto abaixo, que o Miguel encontrou).


O Externato de Penafirme não tem dinheiro para pagar a professores (ou faz de conta que não tem, para se fazer de mártir face ao governo), mas tem dinheiro para alugar aviões para interferir na campanha eleitoral (vídeo abaixo).



Dentro do estilo de "educação esmerada" que o dito colégio privado promove, o Externato de Penafirme promoveu a infiltração num almoço de campanha do PS: «quatro pessoas ligadas ao Externato (dois pais e dois jovens alunos), que tinham reservado uma mesa para oito pessoas, estavam sentados à espera de Sócrates. (...) "A ideia seria levantarmo-nos quando Sócrates começasse a falar".» Devem ter sido convencidos da bondade de boicotar actividades de campanha do PS pelas palavras compreensivas de Passos Coelho, que manifestamente dirige os seus pensamentos piedosos mais para quem boicota do que para quem é boicotado.
Os jornalistas do Público seguem a moda: «Enquanto Sócrates falava dentro de um restaurante, em Torres Vedras, vários “jotinhas” e dois autarcas locais rodeavam e berravam contra quatro manifestantes de uma escola com contrato de associação.»
Quer dizer, não lavaram os pés com água de malvas nem ofereceram licorosos aos penetras que se infiltraram numa actividade de campanha eleitoral do PS para a boicotar, parecem lamentar-se os repórteres do Público. Já para não falar da boçalidade, bastante espalhada, de tratar por "jotinhas" os jovens que participam na campanha: quer dizer, que não participam nas campanhas que os jornalistas de serviço idealizam como sendo as campanhas que deviam existir.

Tristemente, anda gente espalhada pelos órgãos de comunicação social que não usa um mínimo de coluna vertebral.

Mais tristemente ainda, certas forças políticas prosseguem a sua campanha de ódio, cada vez mais por todos os meios (por todos os media) - que não se torna menos repugnante por haver "boas almas" que tudo desculpam com o "calor da batalha".

31.5.11

natureza




agora no Porto


O meu livro Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais será apresentado, na próxima quinta-feira, dia 2 de Junho, pelas 18 horas, na Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, à Rua de Rodrigues Sampaio, 140.
A apresentação estará a cargo da Professora Maria Manuel Araújo Jorge, do Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A sessão será presidida pela Professora Conceição Soares, da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica Portuguesa (Porto).
Estão todos convidados: basta dizerem à entrada que são convidados do blogue Machina Speculatrix.
Na mesma ocasião, poderão comprar o livro. Em alternativa (não sabem o que perdem), podem simplesmente adquirir o livro na Feira (localização do stand da Âncora Editora na imagem abaixo).



formas de fazer política


A demagogia nem sempre é genuína vontade de enganar o povo. Às vezes é apenas ignorância. Falta de compreensão das próprias palavras.

8 quecas por 5 euros ?!

(Foto daqui)

ai, que não cumprimos o acordo e estamos desgraçados

13:26

Comentadores de todas as formas e feitios (desde obtusos a oblongos) estão, dizem eles, preocupados por a campanha eleitoral estar a empecilhar a execução do memorando de entendimento com os emprestadores. Querem que os partidos que apoiaram o memorando nomeiem "alguém" (um comissário) para ir adiantando trabalho.
Espanto-me.
Espanto-me, porque dão de barato que as eleições não servem para nada. E se o BE e o PCP ganharem as eleições? É impossível, dir-me-ão. Mas as eleições servem para impossíveis desses poderem concretizar-se, caso contrário não vivemos em democracia. Em todo o caso, não será indiferente que ganhe o PS ou ganhe o PSD, segundo afiançam tanto PS como PSD. Mas os comentadores referidos dispensam bem a democracia: a suspensão da democracia por seis meses (a "ideia" de MFL) só pecava pela alínea dos seis meses...
Espanto-me, porque vêem com tão grandes olhos que não dava jeito nenhum estar a gerir uma crise política no meio de tão grande turbulência económica, mas, curiosamente, esquecem-se de dizer quem provocou esta crise política. Esquecem-se de dizer que Passos Coelho quis eleições no país para não ser apeado de presidente do seu partido. Se supõem que PS, PSD e CDS podiam estar a trabalhar em conjunto para executar o memorando, por que razão não disseram na altura que PS, PSD e CDS podiam ter trabalhado juntos para concretizar o PEC IV?

Definitivamente, o partido dos comentadores entrou para a coligação FMI-PSD, mas esqueceram-se de avisar...

(Claro, não interessa nada a esses senhores que, do lado da troika, se diga que não há sobressalto nenhum quanto ao cumprimento do memorando.)

passos em falso

09:10

Passos Coelho ontem "declarou" que a troika quer outro governo, quer dizer, um governo com outros partidos, quer dizer, um governo dele Passos Coelho. E, segundo ele, a troika só não diz isso preto no branco porque não pode ir tão longe. Tirando o facto de se tratar de mais uma leitura "apressada" que Passos Coelho faz de coisas que "ouve" com pouca atenção (veja-se que estou a ser bastante benévolo, nem o comparo com o mentiroso Marcelo nem nada), cabe perguntar: que ideia faz Passos Coelho de um povo que, julga ele, determina o seu voto pela suposta "opinião" dos emprestadores? Achará que já nos vendemos todos?

30.5.11

ideias demasiado boas

16:30


As ideias demasiado boas às vezes são perigosas. Elas têm pernas e se as deixamos andar por aí podem fazer em cacos muitas coisas importantes. Em boa verdade, historicamente, é mais a esquerda utópica a ter responsabilidades por ter lançado para o mundo ideias demasiado boas que depois deram aborrecimentos. A direita, pelo menos na versão conservadora, é mais de tentar travar qualquer ideia boa, até por normalmente as ideias boas serem especialmente boas para quem não está tão instalado nas coisas boas.
Isto não é da minha parte um puro exercício de lengalenga. Vem a propósito de uma das tais ideias boas que Boaventura Sousa Santos apresenta no seu recente livro "Portugal - Ensaio contra a autoflagelação".
Reza assim, a páginas 104, quando está a dar ideias para fazer florir a democracia participativa, e destaca algumas das que terão dado melhores resultados em outras aragens, outras paragens, entre outros povos:
«(...) fiscalidade participativa em que, acima de um certo patamar de financiamento de serviços do Estado, os contribuintes possam vincular parte dos impostos que pagam ao financiamento de certos serviços (por exemplo, saúde, educação, transportes públicos) ou à proibição de serem utilizados para o financiamento de certos serviços (por exemplo, compra de material de guerra, participação em acções bélicas, energia nuclear).»
Interessante, não é? À luz de certos debates políticos recentes, imagine-se como seria se os contribuintes portugueses pudessem, digamos, exigir que os seus impostos não fossem usados em unidades do SNS onde se faça a interrupção voluntária da gravidez.
Acho que a democracia participativa, aliada à democracia representativa, tem as suas potencialidades - mas, usada como uma espécie de democracia à la carte, em que cada um pode escolher o que quer comer sem cuidar de não atropelar a vida comum, pode ser problemática. Particularmente, pode ser uma forma de promover a permanente guerra civil de todos contra todos.
Acho que vale a pena reflectir com cuidado em tão boas ideias.


29.5.11

mais uma mentirola de Marcelo

21:42

Marcelo Rebelo de Sousa, na sua habitual homilia dominical, prossegue a desinformação, numa espécie de super-tempo de antena (mal) disfarçado. Acabou há poucos minutos de dizer que as propostas do PSD para a Educação vão na linha do que exige o Memorando com a troika e que o PS mente quando dá a ideia de que vai continuar a defender a escola pública.

Vamos lá ler então o ponto pertinente do Memorando de Entendimento:

«1.8.Reduzir custos na área de educação, tendo em vista a poupança de 195 milhões de euros, através da racionalização da rede escolar criando agrupamentos escolares, diminuindo a necessidade de contratação de recursos humanos, centralizando os aprovisionamentos, e reduzindo e racionalizando as transferências para escolas privadas com contratos de associação.»

Marcelo Rebelo de Sousa, tome nota: ser militante do PSD não o devia obrigar a continuar a mentir, como tantas vezes faz no seu regabofe televisivo, mesmo quando isso é manipulação em tempo eleitoral. Diz o povo, com razão: quem não tem vergonha, todo o mundo é seu.

convite para Aveiro




(clicar para ampliar)

uma união nacional de ódios

10:10

Dos jornais:
Já quase no final da sua intervenção, a ex-líder [Manuela Ferreira Leite] dirigiu-se directamente ao presidente do partido: “Passos Coelho vai desculpar-me, mas eu não ando à procura de um outro primeiro-ministro, ando à procura que o engenheiro Sócrates saia de primeiro-ministro e ele só sairá de primeiro-ministro no dia em que o PSD tiver mais votos que o PS”.
“Nem tranquila fico se ele ficar na oposição, porque acho que ele na oposição vai ser tão pernicioso para o país quanto na liderança do país”, disse a ex-líder do PSD.
À Dra. Manuela continua a só interessar o seu pequeno ódio contra Sócrates. A tal ponto que diz na cara a Passos Coelho que ele é apenas instrumental para esse pequeno serviço, que qualquer um servia desde que se tirasse de lá Sócrates. Pudera, ainda há menos de dois anos a Dra. Manuela, então presidente do PSD, nem deixou Passos Coelho ser candidato a deputado, como havia ela de estar entusiasmada com a candidatura do senhor a primeiro-ministro...