15/02/12

no reino da Dinamarca.


No passado fim-de-semana, na Dinamarca, organizações dos parceiros sociais, relevantes para uns 250.000 trabalhadores em cerca de 6.000 empresas industriais, chegaram a acordo para um novo acordo colectivo para 2012 e 2013. Está em causa um aumento modesto do salário mínimo (1,27% em 2012 e 1,26% em 2013), que poderá traduzir-se numa queda efectiva dos salários reais em mais de um ponto percentual. A contrapartida foi um acesso acrescido dos trabalhadores a formação profissional. Normalmente, o acordo na indústria influencia os subsequentes acordos noutros sectores. Contudo, o sector público continua sem acordo.
Porque será que os trabalhadores aceitaram este acordo? (Na Dinamarca, a taxa de sindicalização ronda os 70%).
Pressionados pela perda de competitividade do país (nomeadamente face à Alemanha), talvez tenham alguma esperança nos planos do governo para consolidar as finanças públicas até 2013 (a partir de um défice actual de 4%). Espantados? É que desse plano consta de forma proeminente o projecto de um acordo tripartido para aumentar o emprego. O Governo quer que o país alcance um aumento líquido da oferta de emprego em cerca de 20.000 trabalhadores até 2020, o que, calcula-se, daria às finanças públicas uma entrada suplementar de 500 milhões de euros anualmente - dinheiro esse que permitiria sustentar no tempo fortes políticas activas de emprego.
Os empregadores não queriam começar as conversações para este grande acordo antes de concluírem o acordo colectivo bipartido, que agora se alcançou.
Há acordos que valem a pena, não há?


6 comentários:

Zuruspa disse...

Os acordos em que häo vantagens para ambas as partes valem a pena.

O que näo se passa em portugal, onde o Patronato diz "ora bem, têm à escolha:
- livre despedimento voluntário
- livre despedimento forçado"

E depois querem que os trabalhadores aceitem... pois claro, é um favor que lhes fazem dar-lhes um trabalho!

No Norte da Europa näo há patröes, há empresários, e esses percebem que há uma relaçäo simbiótica entre o empresário-vendedor e o trabalhador-comprador.

(wir sind nicht die roboter)

Porfirio Silva disse...

Se o comentário é para discordar de alguma coisa que esteja escrita no post, agradeço explicitação.

Zuruspa disse...

Näo acabas o artigo com uma pergunta?
Eu respondi. Há algo mais a explicar?

Porfirio Silva disse...

Zuruspa,
Não é a primeira vez que escrevo sobre acordos. O que escrevo neste post tem antecedentes, p. ex. o que escrevi recentemente sobre o acordo em Portugal, mas não só. Claro que isso a si nada interessa, porque está imbuído da missão de me explicar montes de coisas acerca das quais está convencido que eu desconheço. Divirta-se (mas considere a hipótese de estar a falhar o alvo).

Zuruspa disse...

Porfírio,
Não é a primeira vez que escrevo sobre acordos. O que escrevo comentários tem antecedentes, p. ex. o que escrevi recentemente sobre o acordo em Portugal, mas não só. Claro que isso a ti nada interessa, porque estás imbuído da missão de me explicar montes de coisas acerca das quais está convencido que eu desconheço. Diverte-te (mas considera a hipótese de estar a falhar o alvo).

Porfirio Silva disse...

Um comentador que não percebe a diferença entre a sua posição e a posição de quem publica no blogue...
O que eu penso pode ser escrutinado continuamente, de forma pública, aqui. Nada na manga, tudo publicado. Posso ser, por aí, acusado de incoerência, por exemplo. Mas, por essa mesma posição, não tenho de me repetir em todos os posts.
Um comentador que vem, diz o que lhe parece, pontualmente, está numa posição diferente, não pode querer que eu "considere a hipótese de eu falhar o alvo": o "alvo" é um dado comentário, num dado momento, não é a sua "posição global".
Ou é suposto eu conhecer Zuruspa? Como?
Perceber estas coisas simples do funcionamento de uma plataforma como esta facilitaria muito a sua capacidade de entender como a sua última "cartada retórica" é vazia.