30/10/07

O verbo "absortar"

O Absorto fez-me há tempos, com a deferência que tem mostrado outras vezes, um convite.
A primeira vez que tentei estava à beira da minha longa estante de banda desenhada e a coisa abortou: mesmo que os álbuns de BD tivessem essas páginas todas (alguns têm, muitos não), era complicado reproduzir todas as imagens que, realmente, são a frase num livro de BD.
Depois fiquei a pensar que, afinal, para mim o acaso não me diz assim tanto para eu me ir entregar de mão beijada nas suas mãos.
E, depois ainda, andava a pensar que era tolice complicar tanto a coisa e que havia de encontrar maneira de responder ao Eduardo, que ele merece.
Contudo, leio hoje, com um dia de atraso, no hoje há conquilhas, amanhã não sabemos, este postal. E constato que as minhas dificuldades tinham um sentido, também na experiência de outros: dar tanto azo ao acaso é algo que só lá vai com muita preparação e artifício, verdadeiramente trocando as voltas ao aleatório, fugindo com toda a força ao sentido original do exercício. E, aí, está decidido: desculpa lá, Eduardo, mas desta passo. A minha tentativa de te responder, afinal, abortou.
Como o convite vinha do Absorto, digamos que "absortou".

2 comentários:

tomas vasques disse...

Caro Porfíro: eu conheço aquele livro (o zero e o infinito) como as minhas mãos. Nem precisava olhar para a estante para saber onde ele estava.A vida está cheia de acasos controlados. Um abraço.

Porfirio Silva disse...

Por isso digo que "dar tanto azo ao acaso é algo que só lá vai com muita preparação e artifício". Um abraço.