14.7.12

resultado do passatempo.


Esteve aberto até ontem à meia-noite um passatempo que abri há dias aqui no blogue. Vou agora lembrar o passatempo, dar a resposta correcta que se pedia aos participantes e divulgar os resultados.

Estava assim formulado o passatempo:

Os primeiros cinco leitores que identifiquem correctamente e de forma suficientemente exacta, através de mensagem para o endereço de correio electrónico deste blogue, qual é a obra que aparece neste pequeno vídeo... receberão em oferta um exemplar do meu livro Podemos matar um sinal de trânsito? - no endereço que venham a indicar, desde que no território nacional (continente e ilhas). A oferta expira às 24 horas da próxima sexta-feira.


A resposta correcta era a seguinte: trata-se da instalação "La Siesta", de Antoni Muntadas, inserida na exposição do artista - Entre/Between - actualmente patente ao público no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa.
A instalação remete para uma sesta, com o assento onde ela decorre, com imagens do corpo que dorme - e com imagens com que sonha o corpo adormecido. Assinalar a origem de algumas dessas imagens não é identificar correctamente a obra em causa, pelo que nenhum dos leitores que enviou e-mail respondeu como se pedia ao passatempo. Mesmo assim, vou enviar livros aos três primeiros leitores que me fizeram chegar a sua participação. Agradeço aos que deram atenção ao passatempo.

(Claro que só agora posso mudar o título ao vídeo...)


um tratado de política à portuguesa.

18:39

Menezes avisa vice-presidente da Câmara para não repetir críticas a Relvas.

As declarações de Luís Filipe Menezes que constam desta notícia dão uma imagem pálida do que são os corredores da política à portuguesa. (Infelizmente, não estamos sós nessa matéria.)
Em resumo: as bocas que eu alimento não podem estar instaladas em cabeças que pensem autonomamente; quem não reconhece o protector acaba mal; como sou bonzinho, não mato à primeira. Este é o sentido real do que disse Menezes e o Público relata. Uma vergonha esta forma de fazer política, misturando partido, Estado, autarquia, dependências pessoais. E não rolam cabeças - a não ser, quem sabe, a do tipo que falou pela sua própria boca num momento de desvario (pensava que podia ter opinião própria).


13.7.12

pequenas lembranças aos esquecidos.

12:23

O presidente do Tribunal Constitucional afirma que se olhou de forma errada para o acórdão que considerou inconstitucional o corte dos subsídios de férias e de Natal aos trabalhadores da função pública e pensionistas. Como alternativas, sugere que se taxe não apenas os rendimentos trabalho, mas também os do capital.

Limito-me a citar um pouco mais Rui Moura Ramos, porque nem precisa comentários:

«A crítica parte de um postulado errado. O acórdão não se baseia na comparação entre titulares de rendimentos de origem pública ou privada. Quando se está a chamar a atenção para a comparação entre público e privado está-se a fazer uma leitura redutora do acórdão. O acórdão fala de titulares de rendimento. Ora os rendimentos não são só públicos ou privados, porque antes de mais, esses são os rendimentos do trabalho e há outros rendimentos que estão em causa também, como os rendimentos do capital.»



12.7.12

os óculos da Google.

postal para os soberanistas.


Acerca de dois campos de opinião que, quanto à possibilidade de o Euro ser viável sem estar suportado num Estado-Nação, asseguram uma de duas coisas absolutamente opostas (“Nunca funcionará!” ou “Certamente funcionará!”), Tommaso Padoa-Schioppa escreveu (*):
Inimigos como são, os dois campos compartilham o mesmo artigo principal da fé: que o Estado-nação é e continuará a ser o soberano absoluto dentro das suas fronteiras. Ambos acreditam que as relações internacionais continuarão a basear-se no duplo postulado da homogeneidade interna e da independência externa, um modelo inventado pelo Tratado de Vestfália de 1648. Ora, por um lado, a fortificação da cidadela é impossível, pelo outro, é desnecessária. Ambos falham em ver que nós já vivemos num mundo diferente, no qual o poder político já não pode ser monopolizado por um único titular. Em vez disso, é distribuído ao longo de uma escala vertical que vai desde o municipal ao nacional, do continental ao global. Ambos os campos parecem ignorar que a história é um processo dinâmico impulsionado por contradições.

(*) Financial Times, 13 de Maio de 2010

11.7.12

fazer humanos.


Por razões profissionais, tenho andado nos últimos dias numa relativamente intensa troca de mensagens com o Professor Kohji Ishihara, do Centro de Filosofia da Universidade de Tóquio. Há dias enviou-me um texto dele, a que não poderia de outro modo ter acesso por estar à espera de ser publicado ainda este ano num volume colectivo numa editora alemã. O texto intitula-se “Roboethics and the Synthetic Approach: A Perspective on Roboethics from Japanese Robotics Research”. Muito interessante (provavelmente, ainda falaremos disto aqui noutra ocasião).

Estando a apresentar várias abordagens japonesas à relação entre robôs e humanos, esse texto cita Masahiro Mori, uma figura de proa da Sociedade Japonesa para os Biomecanismos, num texto de 1968, escrevendo o seguinte: “A mera análise de humanos não é suficiente para compreender os humanos. Fazer humanos é o caminho para compreender os humanos (...). Isto é verdade não só no que diz respeito à inteligência, mas também para um olho ou um dedo.”

Notar que "fazer humanos", neste contexto, não se refere ao "método clássico" ...

Pensem nisto. E pensem que foi escrito em 1968.


os lobos.

14:14

Passo a citar.

Depois do 25 de Abril muita coisa melhorou. Basta ver os números e conhecer o País. Mas ficámos a meio. E estamos a regressar ao passado. A classe média oriunda de famílias pobres está a ser preparada para regressar ao seu lugar de origem. Os pobres a ser preparados para se habituarem, sem esperança, à sua condição. Sem os "privilégios" do Estado Social e sem qualquer condição para entrarem no elevador social que o Estado Providência lhes começou, há tão pouco tempo, a garantir. Enquanto os donos de Portugal e os seus avençados tratam das suas privatizações e das suas parcerias, dizem a quem vive do seu salário: "Não há dinheiro. Qual destas três palavras não percebeu?"
O homem honesto voltou a ser o que trabalha sem direitos, se cala e tudo consente. Esta é a propaganda que nos vendem todos os dias em doses cavalares: tudo o que fizerem será ainda pior para vocês. Empobrecer é inevitável. Resignados na sua pobreza obediente, tudo se pode fazer a quem apenas depende do seu trabalho. O milionário Warren Buffet disse, em 2006: "há guerra de classes, com certeza, mas é a minha classe, a classe rica, que faz a guerra, e estamos a ganhar". Não é só em Portugal que assistimos a este retrocesso.

Autor: Daniel Oliveira. Na íntegra: A pobreza calada.

o estado da nação.

13:11

O estado da nação é que não somos capazes de nos entender, colectivamente, acerca de quais são as opções possíveis para o nosso futuro comum (para deitarmos fora as opções que só o são no plano da retórica), não fomos ainda capazes de ver claro como nos organizarmos de forma equitativa (para não andarem uns a comer fartamente à conta dos outros) e não somos capazes de negociar um caminho em que todos possamos beneficiar de alguma maneira. O vírus do individualismo radical é a marca civilizacional do nosso tempo: há-o para todos os gostos, desde a direita mais direita à esquerda mais esquerda, com roupagens de liberalismo ou roupagens de anarquismo. Não há verdadeiramente ideias novas acerca de como fazermos comunidades políticas participadas, sólidas desde os alicerces, onde toda a gente tenha voz, sem descurar a necessidade de uma condução organizada do todo. Numa palavra: os físicos conseguiram pôr-nos a usar instrumentos que dão alguma utilidade prática às suas descobertas, os cientistas e os filósofos da sociedade não conseguiram pôr-nos a funcionar melhor como colectivo. E o estado da nossa nação é bem um exemplo disso.

são estas as opções políticas que nos restam?


Catálogo de Merkeles.



(Imagens recolhidas por Noortje van Eekelen no âmbito do projecto Spectacle of Tragedy)

10.7.12

there are many ways to get into the EU institutions.

A sério?!




debates na (des)União.

18:58

«Only by breaking the link between the refinancing of banks and the solvency of national governments will it be possible to stabilise the supply of credit in crisis countries. If the refinancing of banks – and the insurance of bank deposits – can be made independent of the financial state of the respective domiciling country, national sovereign crises can be decoupled from the private sector financing.»
Excerto desta tomada de posição em resposta a...

... “A letter from 172 German-speaking economists published by the daily Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) lambasts the steps taken towards a banking union by euro-zone leaders at a summit last week in Brussels. It has unleashed a counterblast from government heavyweights and their economic advisers, leaving the public even more confused. (...)The 172 academics are indignant and warn of dire consequences for German citizens when they end up guaranteeing balance-sheets three times the size of all euro-zone public debt.” (aqui)

9.7.12

passatempo.


Os primeiros cinco leitores que identifiquem correctamente e de forma suficientemente exacta, através de mensagem para o endereço de correio electrónico deste blogue, qual é a obra que aparece neste pequeno vídeo... receberão em oferta um exemplar do meu livro Podemos matar um sinal de trânsito? - no endereço que venham a indicar, desde que no território nacional (continente e ilhas). A oferta expira às 24 horas da próxima sexta-feira.


Design com micro-algas.




O Eco Pod é uma proposta de design experimental para a produção de energia limpa e renovável, que deverá funcionar em edifícios velhos e abandonados. Enquanto esperam por uma eventual recuperação, esses edifícios podem tornar-se bio-reactores verticais: suportes de micro-algas que produzem energia para a cidade.

A ideia, desenhada para estimular a economia e ecologia da cidade de Boston, tem origem nos estúdios americanos Höweler+Yoon Architecture e no Squared Design Lab.

(Fonte)


teatro na prisão no parlamento na sua mente.




A Assembleia da República e a Associação PELE, ao abrigo do projecto europeu PEETA (Personal Effectiveness and Employability through the Arts), apresentam a peça de teatro "Inesquecível Emília", pelas reclusas da cadeia de Santa Cruz do Bispo.
É na Sala do Senado, no dia 12 de Julho, após a conclusão do plenário da Assembleia da República, e podem ser feitas reservas para... bom, vejam os detalhes aqui.



robôs biológicos.


Os seus criadores dizem que este robô, Cremino, é o primeira híbrido humano-eletrónico. Desenvolvido pelo Laboratório de Redes Vivas, Departamento de Tecnologias de Informação da Universidade de Milão, Campus de Crema, o "cérebro" do Cremino é feito de neurónios humanos cultivados pela Instituto de Investigação em Células Estaminais (DIBIT, Milão).
O comportamento do robô não é espectacular, como se pode ver pelo vídeo, mas o que importa aqui é que o seu sistema de controlo funciona com os tais neurónios cultivados a partir de neurónios humanos, os quais recebem as nossas ordens, que são descodificadas por uma rede neural artificial que envia comandos para as rodas.


O robô seguinte é controlado por neurónios do cérebro de um rato, o que, segundo os seus criadores, faz dele o primeiro roedor ciborgue.



É disto que falamos quando falamos da "nova carne".

Verificar as fontes:
LiVinG NeTWorkS LaB
IEEE Spectrum Automaton

8.7.12

distopia (again).


Iron Maiden – Brave New World



Dying swans twisted wings, beauty not needed here
Lost my love, lost my life, in this garden of fear
I have seen many things, in a lifetime alone
Mother love is no more, bring this savage back home

Wilderness house of pain, makes no sense of it all
Close this mind dull this brain, Messiah before his fall
What you see is not real, those who know will not tell
All is lost sold your souls to this brave new world

A brave new world, in a brave new world
A brave new world, in a brave new world
In a brave new world, a brave new world
In a brave new world, a brave new world

Dragon kings dying queens, where is salvation now
Lost my life lost my dreams, rip the bones from my flesh
Silent screams laughing here, dying to tell you the truth
You are planned and you are damned in this brave new world

A brave new world, in a brave new world
...
In a brave new world, a brave new world
...

Dying swans twisted wings, bring this savage back home

(uma sugestão Rock com Ciência)