23.12.11

a greve dos maquinistas.

13:46

Sempre fui - e continuo a ser - um claro defensor do direito à greve. Sempre recusei aqueles ataques às greves justificados com os prejuízos e incómodos que as greves provocam - pois esse é o único modo de elas se fazerem sentir. Sempre entendi que apoiar ou não uma greve deveria depender de um juízo acerca da sua justeza própria.
Ora, no caso da presente greve dos maquinistas, essa acção parece-me francamente condenável. Os maquinistas querem impedir que a empresa proceda à averiguação das responsabilidades que alguns deles terão tido no incumprimento dos serviços mínimos em greves anteriores. O que o sindicato pede, portanto, é a impunidade para os maquinistas: fazem greve para não terem de respeitar o Estado de direito e os seus deveres laborais. Isso é completamente inadmissível. Aliás, acho bizarro que possa ser legal uma greve que tem como objectivo promover a impunidade dos que furam a legalidade. Mais ainda: um sindicato que promove o desrespeito pelas regras do exercício do direito à greve é um sindicato que está a minar a solidez do edifício legal que envolve essa arma dos trabalhadores.
Por isso, a actual greve dos maquinistas é repugnante. Não por nos causar transtorno ou prejuízo, mas por ser um abuso às regras que regulam o próprio direito à greve.

privatizações.

13:34

O Estado português vendeu a sua parte na EDP ao Estado chinês. Até é melhor entrar em negócios com quem tem dinheiro e vontade de o fazer render - e a China tem - do que fazer negócios com pobretanas que andam a contar os tostões e querem vender os móveis na primeira oportunidade. Até é melhor entrar em negócios com quem não vai aproveitar a sua participação na empresa para proteger os seus outros negócios, em prejuízo da EDP, o que poderia ser o caso dos alemães, por exemplo - mas não é o caso dos chineses, que não têm interesses conflituais com a EDP. Contudo, isto não é uma privatização: é uma venda Estado a Estado. Nada que pareça preocupar muito os ideólogos liberais, que inventam maravilhosas teorias acerca das vantagens de largar as empresas aos mercados.
Mas, claro, os mercados não nascem na natureza, tudo nele são criações institucionais. Como se vê neste caso: o principal interesse dos chineses na EDP estará, provavelmente, nas renováveis - e a grandeza da EDP nas renováveis é largamente um produto das políticas "voluntaristas" e "irresponsáveis" de governantes que sonharam colocar-nos entre os melhores a nível mundial nas indústrias do futuro. Foi isso que deu o "preço simpático" a que se referia a senhora secretária de estado, não foi o espontâneo moinho dos mercados.

22.12.11

"le ha tocado bailar con el más feo".



O novo ministro da Economia e da Competitividade de Espanha, Luis de Guindos, depois de receber o testemunho da sua antecessora, Elena Salgado, vice-presidente de Zapatero, disse dela: "le ha tocado bailar con el más feo" (calhou-lhe dançar com o mais feio). Quer dizer: ela teve a tarefa mais difícil. E explicitou: reconheceu o esforço da senhora Salgado e disse dela que "soube sempre estar à altura das circunstâncias", que "nunca foram fáceis".
Ainda há gente com um pingo de educação em política.

tinta da China.


Manuela Veloso, professora portuguesa na Universidade de Carnegie Mellon (CMU), nos Estados Unidos, está entre as 20 cientistas internacionais premiadas pela Academia de Ciências Chinesa. A investigadora é a criadora dos robôs-futebolistas e também dos robôs “CoBts” e é a única distinguida na área de inteligência artificial e robótica.

Saber mais aqui.




prefiro viver num país governado por PPC...

17:00

... do que num país governado por esta gente: PCP contra voto de pesar por Havel.
Jerónimo de Sousa saiu do hemiciclo durante a votação. Seria para mandar escrever um voto de pesar pelo "Querido Líder"?

plano de acção para um 2012 melhor do que "tão bom quanto possível".

Com os cumprimentos da CFDT (Confédération française démocratique du travail).





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os traquinas de ferro.

11:04


Legislação laboral: Propostas do Governo dão às empresas 23 dias a mais por ano.

A agenda ideológica do governo continua a ser aplicada. Uma parte dessa agenda está no seu conteúdo: o empobrecimento é apresentado como normal; tudo pode ser cortado, tudo está em causa, tudo é precário. A agenda da austeridade é tornar cada português que viva do seu trabalho um precário. Que ganhemos menos, nem sequer é o objectivo em si mesmo: mais importante é que sejamos eternamente dependentes, porque essa é a receita da submissão.
Outra parte dessa agenda está no método: o sistemático desrespeito pela concertação social representa a mensagem central, a saber, manda quem pode, seja o patrão seja o "Estado", e "os de baixo" que obedeçam. Um Passos Coelho não chega para fazer uma senhora Thatcher, mas um PPC, mais um Vítor Gaspar e um Álvaro, juntos e bem colado, fazem um arremedo de Dama de Ferro. Uns traquinas de ferro. A sua grande ideia de reforma social é a mesma: partir a espinha aos sindicatos - numa acepção abrangente: partir a espinha a tudo que não seja patrão ou chefe, é a receita social destes pequenos de ferro. Não espanta: a "liberalização" da economia resulta muitas vezes dessa "espontânea forma de liberdade" dos que têm poder contra os que o não têm, a liberdade que "os de cima" gostam de ter para esmagar "os de baixo".
Entretanto, a Comissão Europeia, que não consegue de facto produzir um único acto a caminho de uma saída para a crise, vai fazendo a única coisa de que é capaz: falar. Mais propriamente: dizer coisas. Ele é o comissário que diz que empregos de 400 euros é o que a Espanha precisa. Ele é o relatório que diz que há interesses instalados que travam as reformas em Portugal. Tudo, como se vê, ideias concretas, bem fundamentadas e, essencial!, viradas para o interesse geral. Entretanto, o insondável Barroso está definitivamente desaparecido. Um saco de ar que nem um ou outro doutoramento Honoris Causa em terras lusas consegue encher de alguma da substância que se esperaria do chefe do executivo comunitário em tempos de crise. No fundo, o híbrido Merkozy e o senhor Cameron estão a tratar Barroso como presidente da Associação de Estudantes da Escola Básica: deixem-no sentar-se à mesa e falar um pouco, mas não lhe liguem que ele há-de habituar-se.

21.12.11

emigração.

10:58

Neste país não se pode discutir nenhum assunto sério seriamente. (Sérgio Godinho canta: "só neste país é que se diz só neste país"; mas uso a expressão para não ter de arrancar os cabelos.)
Emigração. A forma como se tem andado a discutir a emigração é de uma enorme falta de respeito para com as pessoas concretas. Uns, falam de emigrar como se isso fosse a solução miraculosa, a que só não deita mão quem não quer, mostrando (quem assim fala) leviandade ao referir-se a uma decisão que nunca será leve da parte de ninguém. A forma como o governo tem falado do assunto inscreve-se nesse tom. Outros falam da emigração como se isso fosse uma hipótese diabólica, a condenação aos infernos, algo que só pode ser um mal nacional e pessoal. O tom da oposição difusa tem sido esse - e esse tom também é desrespeito pelas pessoas, na medida em que afasta liminarmente uma possibilidade de agir que, para muitos, pode ser uma saída melhor que outras disponíveis. Seria bom que pudéssemos debater assuntos difíceis sem a manipulação imediata que apenas quer despertar adesão ou repulsa por um determinado grupo político em presença.
A emigração é pior do que obrigar uma pessoa com responsabilidades familiares a viver com menos de 500 euros por mês? A emigração é pior do que ter de sair da escola, mesmo que seja da universidade, por falta de dinheiro? A emigração é pior do que ter de ir viver para o Porto Santo para ser professor? Será a emigração, afinal, o pior de todos os males? Duvido, sinceramente duvido, e lamento que a discussão pública sobre esta matéria tenha pouco em conta as necessidades das pessoas que realmente podem querer - ou podem ser obrigadas a querer - emigrar. Excepção a esse tom foram as declarações de Paulo Rangel, ontem, mas no meio da barulheira elas são tomadas como mais uma manobra para salvar a face dos companheiros que disseram disparate. Quando, seriamente, aquilo que ele disse merecia ser discutido, mesmo que fosse para criticar. Só que isso deixou de ser possível num país onde quem fala são as cadeiras voadoras e o telejornal das vinte.
Emigração. Não aceito grandes lições de vida nesta matéria. Sei por experiência própria o que é a emigração tradicional para fugir à pobreza do país, também sei por experiência própria o que é a emigração de luxo, e sei também por experiência própria o sabor que tem a mobilidade dos "intelectuais assalariados". Não nasci na Maternidade Alfredo da Costa, nem fui amamentado nos salões da capital do império, o que custa a alguns engolir é que eu não falo (nunca) do ponto de vista dos "privilegiados de Lisboa" ou de uma qualquer "classe possidente", que olham para os outros como paisagem. Falo como um tipo igual a tantos outros que anda na rua e se zanga por tratarem todos os temas pesados como motivo de barulheira político-mediática. E não, não estou a defender o governo, estou a defender que as ideias do governo, e as da oposição, e as dos sindicatos, e as dos patrões, têm de ser discutidas, não abafadas.
Já aqui escrevi anteriormente sobre isto. A 5 de Abril de 2011 (portanto, no "tempo da outra senhora"), defendi que a questão da emigração devia ser encarada na óptica da mobilidade, tendo na altura atacado o discurso da "perda de talentos" pela via emigratória. Esse post intitulava-se hoje esperam por si 1.080.565 ofertas de emprego. Nessa altura achavam que eu estava a ser "socrático" e a defender a "situação". Mas não estava. Tal como agora não estou. Estou é cansado de tanto ruído.

20.12.11

'Champagne socialist'.


Eu acho que isto vai dar gozo aos leitores que me acham esquisito. Uns por causa do champagne, outros por causa do socialista...
Sirva, então, de prenda de Natal.


I was just rated 'Champagne socialist' in the Guardian's 'How revolutionary are you?' test. Try it yourself here: http://gu.com/p/347jb


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how revolutionary were you in 2011?



Para um exame de consciência em linha, clicar na imagem.



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pontuação.


Aos meus amigos, conhecidos e desconhecidos, que abominam os escritos (ou os escritores) que, em nome de valores estéticos que se levantam mais alto do que a obediência à norma (ou a uma norma), produzem textos onde as vírgulas e outros sinais são preteridos em favor do ritmo interior, da emoção, ou de um qualquer arremedo de realismo do subconsciente, dedico esta referência. Encontro-a em Maria Leonor Carvalhão Buescu, na obra Gramáticos Portugueses do Século XVI. Segundo a insigne senhora, Isidoro de Sevilha, no Livro das Sentenças, teria ensinado, aos que tinham por obrigação, ou até ofício, compreender o que se escrevia, que deviam, antes de mais nada,
«conhecer satisfatoriamente a gramática para compreender, sem o auxílio da pontuação, onde termina um grupo de palavras, onde a frase fica em suspenso e onde, finalmente, se completa o sentido.»

"Compreender sem o auxílio da pontuação", vêem? Então, não se abespinhem com o exercício de ler mesmo onde falta boa pontuação.

19.12.11

imperialismo.

querido, mudei o regime.

17:59

Kim Jong-il, o "Querido Líder" da Coreia do Norte, um país com um regime comunista hereditário, ainda encontra por cá quem lhe dê a bênção. Para além das defesas de peito feito, também há o humor de mau gosto. Como aquele post que compara a fome na Grécia (quem duvida que haja, até na minha rua há) com a fome na Coreia do Norte. É que nem vou "linkar": não gosto nem de olhar para coisas que andam por aí a meter-se na pele de "esquerda".

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jogos trocados.