16.12.11

uma questão de fé.






Europa: Informação e reflexão, diversificada nas fontes  e nas ópticas, actual e actualizada.
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uma lista de pecados do New Labour.

14:53

no es posible el keynesianismo en un solo país.

14:25

Cesáreo Rodríguez Aguilera, em artigo de opinião no El País, pergunta ¿Existen los europartidos?. Começa assim:
En medio de la peor crisis vivida por la UE, se ha señalado —probablemente con acierto— que no es posible el keynesianismo en un solo país: en este caso, la única respuesta viable frente al neoliberalismo hegemónico debería tener una dimensión paneuropea. Para poner en marcha una estrategia neokeynesiana a nivel europeo haría falta, en primer lugar, que el centro-izquierda recupere el Gobierno en algunos de los principales Estados de la UE (Alemania, Francia e Italia) y, a continuación, que el conjunto de las izquierdas —moderadas y radicales (socialdemócratas, verdes, poscomunistas y comunistas demócratas)— se coordine a fondo y propugne recetas de aquel tenor sin medias tintas.

Vale a pena ler o resto.

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a esquerda e a dívida.

11:37

Não é só em Portugal, mas é também em Portugal. Há sinais evidentes de que a esquerda não está a encontrar a sua via para responder à crise. Não estou a falar dos partidários do "não pagamos": só começo a pensar a sério no "não pagamos" quando os seus proponentes explicarem ao povo o que isso nos custaria - e o que custaria, em primeiro lugar, aos mais desprotegidos. Estou a falar dos que acreditam na vantagem de não nos isolarmos, de tentarmos manter-nos no concerto das nações, de mantermos laços com a economia internacional que existe - por muito que queiramos mudá-la. Essa esquerda, convicta de que só pela Europa isto se resolve, mas consciente de que não podemos parar à espera da Europa (quando se está montado na bicicleta, tem de continuar-se a pedalar), essa esquerda está à procura e não está a ser fácil encontrar a sua resposta. Não é só cá, é por todo o lado. Mas, entre nós, essa evidência tem sido bastante ruidosa.

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15.12.11

isto aplica-se em geral ao conhecimento humano.


Imagine um círculo contendo todos o conhecimento humano:


Quando acaba a primária, sabe alguma coisa:


Quando acaba o secundário, sabe um pouco mais:


Com uma licenciatura, tem uma especialização:


Com um mestrado, aprofunda essa especialização:


A leitura de papers de investigação aproxima-o dos limites do conhecimento humano:


Chegado à fronteira, foca-se verdadeiramente numa questão:


Durante uns anos empurra a fronteira:


Um belo dia, a fronteira cede:



Esse entalhe é um doutoramento:



Claro, agora o mundo parece diferente:



Mas convém não esquecer a paisagem global:


(Fonte)

como método de acção política...

17:46

... não aceito que se insulte publicamente um PM, nem que se organize uma vaia ou um abandono de sala num congresso de freguesias, nem que se qualifique uma má política como "roubo". Não aceitei antes, não aceito agora. Isso são métodos primitivos. E não me digam que políticas primitivas merecem oposição primitiva. Não; quanto mais séria for a necessidade de seguir outro caminho, menos inteligente é tentar desenhar o mapa ao pontapé.

simplificação jornalística, dizem eles.

14:21

O Público de ontem destacou em título que Rui Rio discordaria da redução do número de freguesias. Hoje, o mesmo jornal publica uma missiva de Rui Rio a mostrar que todas as suas declarações desmentem esse título. A direcção do Público dá-lhe razão e passa a uma narrativa sobre os intestinos do jornal: publica o título que a jornalista tinha proposto, aparentemente sem pudor de mostrar que uma jornalista possa ter proposto um título com um estilo próximo das redacções da Guidinha; assume que o título foi modificado no fecho da edição (o título ficou conveniente mais curto, mas errado); e diz que o erro resultou de uma «necessária simplificação jornalística».
Quer dizer: a direcção do jornal, em vez de assumir o erro em nome do jornal, aponta o dedo à jornalista, num gesto que a mim me parece de pura falta de solidariedade funcional, numa espécie de passa-culpas que fica mal a qualquer direcção; a direcção do jornal confunde uma notícia objectivamente falsa sobre uma figura pública, que por isso é prejudicada por essa notícia falsa, com «a necessária simplificação jornalística».
Acho que assim se percebe muita coisa do que se passa por essa comunicação social. Afinal, é tudo parte d'«a necessária simplificação jornalística».

crime e política.

11:08

Os políticos podem cometer crimes. Quer dizer, no exercício de funções podem agir em desrespeito por preceitos legais. Devem ser punidos por isso. Isso não é criminalizar a política: é aplicar aos políticos o primado da lei, que deve valer para todos. A condenação do ex-Presidente francês Jacques Chirac por corrupção inclui-se nesse campo.
Criminalizar a política é coisa muito diferente: é querer tratar escolhas políticas e de governo como crimes, em geral apelando a "crimes" que não estão assim definidos em lei nenhuma. Tentar criminalizar a política é uma forma particularmente abjecta da política do ódio, expediente que Hitler já conhecia - e que, infelizmente, continua a ser usado por alguns exaltados de serviço hoje em dia.
Convém não confundir as coisas. É que, se há "crime político" que devia ser perseguido, é a instigação ao ódio irracional. Esse crime de instigação ao ódio irracional é moeda corrente hoje entre nós, mas, se o ódio é irracional, a instigação é muito consciente: os políticos e comentadores que apelam à criminalização da política estão a trabalhar o lado irracional das pessoas, que é a metade da lua onde trabalha o ódio; mas eles, esses políticos e comentadores, estão conscientes disso e é mesmo essa irracionalização da vida pública que querem obter e assim buscam. Isso sim é criminoso.

14.12.11

grandes ideias.

17:44

Rui Tavares, hoje no Público, lembra o discurso de Hitler a 11 de Dezembro de 1941, perante os deputados no Reichstag, no qual declarou guerra aos Estados Unidos.
Um dos aspectos desse discurso lembrados por Rui Tavares é a comparação que Hitler faz de si próprio com o presidente Franklin Delano Roosevelt. Hitler lembra que ambos chegaram ao poder no mesmo dia - mas as semelhanças acabam aí. Hitler diz que Roosevelt sempre fora um menino bonito da elite, rico, estudante nas melhores universidades, com bons empregos; Hitler diz de si próprio que fora um zé-ninguém, soldado raso, morto de fome. Quanto às políticas, Hitler gaba-se de ter resolvido os problemas do desemprego e da desordem das contas públicas, enquanto acusa Roosevelt de, com o New Deal, ter perturbado ainda mais a economia, aumentado a dívida do seu país, desvalorizado o dólar.
Dado esse diagnóstico, Hitler pronuncia a acusação, falando da política de Roosevelt: "o New Deal deste homem foi o maior erro jamais cometido por alguém... num país europeu a carreira deste homem teria terminado num tribunal por desperdiçar o tesouro público, e dificilmente evitaria uma pena por gestão criminosa e incompetente".
Voilá. A ideia da criminalização dos políticas com que discordamos, de tratar como criminosos os políticos a que nos opomos apesar de eles não terem praticado nenhum acto previsto nas leis como crime, essa ideia de criminalização da política, tão em voga hoje em dia, é uma ideia com grandes patronos.

perguntas.

05:42



rua do loureiro.


Coimbra, Rua do Loureiro (e arredores).








A última imagem é da República das Marias do Loureiro.

Tudo isto estava lá ontem. Em ponto.

12.12.11

milplanaltos.




Resumo:
Estávamos habituados a que as máquinas saíam feitas das mãos dos humanos. Entretanto, certas experiências em Nova Robótica terão talvez a potencialidade de nos surpreender neste ponto, espoletando processos que resultem em robôs que os seus criadores não conhecem tão intimamente como se espera que o engenheiro conheça o controlo das suas máquinas. Referimo-nos aos robôs que resultam de processos de evolução artificial ou de desenvolvimento “pós-natal” artificial. Daremos, como exemplo, o robô iCub, desenvolvido por uma equipa internacional de que o ISR/IST é um dos parceiros. Se pode vir daí grande novidade, teremos de contar com os que temem – ou anseiam – o momento em que os robôs possam ser agentes entre humanos ao mesmo título que os humanos. A esses diremos que, para esses robôs serem tal, terão de ser capazes de instituição – de viver em ambientes institucionais com humanos. Seguimos John Searle para dizer o que é “instituição” e acompanhamo-lo na ideia de que só há instituições, na forma em que as caracteriza, nas sociedades humanas. Exploramos essa possível divergência com estudiosos de sociedades de outros primatas com a ajuda de um episódio notável do século XX português, o “caso Alves dos Reis”, cujo nome empregamos num “teste de inteligência” muito diferente do teste de Turing.

(clicar acima para ir a MILPLANALTOS)



Europa a 2 velocidades.



Para não ficar em marcha lenta sobre a Europa, siga o link - e habitue-se!

é oficial: o euro vai ser substituído por nova moeda.


Publicamos aqui pela primeira vez um dos estudos para a nova moeda que circulará entre nós.


«Golgota Picnic» é o quê?


Uma prisão arbitrária?
Uma grande fome?
Uma epidemia que não se combate por causa de um preconceito?

«Golgota Picnic» deve ser algo do género, para mobilizar assim uma manifestação...

Mas não. «Golgota Picnic» é uma peça de teatro. Os censores em nome da religião há semanas que andam nas ruas de França.


(clicar na imagem para a notícia)

11.12.11

líderes europeus gerindo a crise.




Robot Film Festival (5)


Double A - Robot, de Julien Vanhoenacker



(Fonte)

e agora mais uma coisinha para os meus amigos de esquerda me detestarem.

12:24

Candidato republicano Newt Gingrich volta a gerar polémica ao classificar os palestinianos de povo “inventado”.

A boa consciência está contra os meios pouco democráticos que os grupos de pressão pró-Israel usam para controlar a política dos Estados Unidos da América no que toca ao Médio Oriente. Eu também estou contra esses métodos e julgo que eles tornam os EUA virtualmente irrelevantes para a paz nessa parte do mundo, apesar das aparências. Dessa novela, o episódio mais recente é o episódio Gingrich.
Newt Gingrich, ideólogo da direita dura americana, ressuscitado dos escombros do "bem prega Frei Tomás" em matéria de moral sexual e familiar graças aos despistes de uma série de outros proto-candidatos republicanos, não surpreende quem se lembra dele. É um revolucionário de direita, um combatente de ideias, portanto. Um tipo que, por ser ideólogo e revolucionário, sabe o que as palavras valem. E usa as palavras como armas das ideias. Mas essa guerra não começou ontem, nem com Newt Gingrich. Mesmo assim, vai por aí um clamor porque ele disse que os palestinianos são um povo “inventado”.

Só que Gingrich tem toda a razão.

Nessa forma específica de descrever essa parte do problema, Gingrich tem toda a razão. Os palestinianos são um povo “inventado”. No mesmo sentido em que Israel é um país inventado. Tal qual todos os países são inventados.

Povos, países, estados - não são entes de natureza, são realidades institucionais inventadas, criadas de uma forma, quando outras formas seriam perfeitamente possíveis. Onde o homem não tem razão é em estar a usar essa verdade específica - os palestinianos são um povo inventado - para esconder a verdade mais geral de que há, naquela parte do mundo, demasiadas coisas que deviam ser inventadas de outra maneira.
Portugal também é um país inventado, só que foi inventado há muito mais tempo. D. Afonso Henriques inventou um ente político separado e conseguiu que não lhe tirassem o brinquedo. Embora se festeje, ainda, o 1º de Dezembro, é sabido que parte das elites portuguesas trabalharam longamente para juntar o reino de Portugal aos demais reinos ibéricos - e, embora o "espanholismo" seja popularmente abominado entre nós, a opção ibérica não é menos deste mundo do que a opção da independência portuguesa.
Isto é tudo inventado, no sentido em que se podia ter feito de outra maneira - apesar de, em geral, não ser possível voltar com o relógio para trás para desinventar ou desfazer o que já foi gerado pelas dinâmicas históricas. Assim, o homem tem o grão de razão que se pode ter num aspecto do mundo, embora não tenha razão nenhuma em tomar Israel como um "facto natural" e a Palestina como um "facto inventado", quando a verdade é que são, todas, formas que resultam da humana capacidade para a instituição.
Provavelmente, das poucas coisas que são feitos exclusivos da espécie humana, as instituições.

ponto final sem pausas.


Está agora, e até meados de Janeiro, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, uma exposição da paulista Elisa Bracher (n. 1965).
Quando lá passámos, e apesar de "proibido", não resistimos a fotografar a instalação em curso da monumental instalação "Ponto Final Sem Pausas".
Se tiverem de emigrar subitamente, passem por lá.