22.7.11

o ministro das finanças ainda não leu as notícias


Imposto extraordinário: Parlamento aprova sobretaxa, mas deputados do PSD e CDS têm dúvidas.

«No debate com os deputados, o ministro das Finanças, Vitor Gaspar, justificou o novo imposto afirmando que é indispensável para a consolidação orçamental. Em resposta a Sónia Feruzinhos, do PS, que criticou a medida como de “último recurso”, Vítor Gaspar contrapôs que a decisão é “sinal de uma estratégia falhada”, do Governo do PS. Essas medidas de “último recurso” significam “tomar medidas demasiado tarde, e tímidas”, e caminhar “de PEC em PEC até ao desastre final”, afirmou.»

Parece que o ministro das finanças de Portugal ainda não sabe da cimeira do eurogrupo de ontem. Pelo menos, continua na velha teoria de que cada país seria capaz de se desenrascar sozinho, sem acção europeia - e que, se as coisas correm mal neste ou naquele país, isso se deve exclusivamente à inépcia desse país a lidar com o mundo. Se a senhora Merkel tivesse explicado ao senhor Passos Coelho que até já ela percebeu que isto é um fenómeno internacional e sistémico, e que só uma acção ao nível da zona monetária pode dar resultados, o doutor Gaspar poderia largar as velhas teorias. E até poderia agradecer ao anterior governo de Portugal ter sido dos que mais se bateram pelo realismo necessário (a nível europeu) para assumir isso. Ou o ministro Gaspar ainda pensa que as decisões do eurogrupo, ontem, foram um ataque súbito de caridade face à Grécia e outros aflitos?


21.7.11

o homem que pintava almas

não é comigo que falas, pois não?

19:17

A um Jovem Poeta

Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser

que em prosa ela floresça
ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças

como diante de uma infância
inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.

Talvez possas então
escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê.

Manuel António Pina, in "Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança"

a Europa acordou?

Não somos iguais até termos tirado a pele uns aos outros.

16:00

Tínhamos chegado à Jamaica, três emissários da Convenção Francesa. Os nossos nomes: Debuisson, Galloudec, Sasportas. A nossa missão, uma revolta de escravos contra a soberania da coroa britânica em nome da República de França. Que é a pátria da revolução, o pavor dos tronos, a esperança dos pobres. Na qual todos os homens são iguais sob o machado da justiça. Que não tem pão para aplacar a fome às massas, mas mãos em número suficiente para levar o estandarte da liberdade, igualdade, fraternidade a todos os países. Estávamos na praça junto ao porto.


RECORDAÇÕES DE UMA REVOLUÇÃO
um espectáculo de Mónica Calle
a partir de "A Missão" de Heiner Müller

com
Mário Fernandes, Mónica Calle e René Vidal

de 21 a 31 de Julho de 2011
todos os dias - sessões duplas (20h e 22h)


“Os mortos estão em esmagadora maioria relativamente aos vivos.”
(in Dezanove respostas de Heiner Müller – Perguntas colocadas por Carl Weber, 1984)
























Casa Conveniente
Rua Nova do Carvalho, 11 (ao Cais do Sodré) - Lisboa
info / reservas: 96 3511971 e 91 7705762

As fotos são de Bruno Simão. (A primeira, acima, é um detalhe de uma foto original.)

20.7.11

alguém explica isto a Passos Coelho, sff ?


"Nos primeiros seis meses de 2011, a despesa efectiva do Estado emagreceu 3,4%, face a igual período do ano transacto, e a despesa primária caiu 4%, informou hoje a Direcção-Geral do Orçamento. A despesa com pessoal desceu 8%, sobretudo por causa do corte de salários dos funcionários públicos." Contudo,  «Redução da despesa no Estado abranda por causa dos juros da dívida». Juros que ficaram muito piores com o empurrão no governo anterior. Mas é mais giro dizer que há um desvio colossal, não é?


Passos Coelho desautoriza Cavaco Silva

Barroso tira um cisco do olho



A propósito do encontro de presidentes de junta de freguesia amanhã em Bruxelas (que me perdoem os presidentes de junta, mas quem pode chamar àquilo uma reunião de líderes?), Barroso faz prognósticos antes do jogo (Fracasso da cimeira será sentido em toda a Europa), mas sacode a água do capote: Os Estados-membros "disseram que fariam o que fosse preciso para assegurar a estabilidade da Zona Euro. Bom, agora é a altura de cumprirem essa promessa", afirmou o presidente da Comissão. Ou seja: eu não tenho nada a ver com isso, vim para Bruxelas só para me safar de Portugal, isto afinal dá uma trabalheira e está tudo de pantanas, não tenho a mais pequena ideia acerca do que é ser presidente da Comissão Europeia, vocês façam lá as contas e decidam qualquer coisa, eu não sei bem o quê.
Um Delors indicaria o rumo que a sua visão lhe ditasse. Barroso, que costuma perguntar ao directório o que pode propor sem ferir susceptibilidades, habituou-se a não ter ideia nenhuma própria - e está muito aborrecido porque os outros desta vez não se entendem acerca do que ele, Barroso, deve pensar. E ele, consequentemente, não pensa nada. Estava tão contente, porque agora os socialistas foram varridos de praticamente tudo o que é poder na Europa e isso deveria resolver todos os problemas do mundo, mas não, não está a funcionar mesmo nada bem. Até a ideia de regressar em glória para ocupar o lugar de Cavaco, pode, por este andar, sem um beco sem saída.
Quem teve a ideia de dar a nacionalidade portuguesa a este jogador que é só frangos, quando não está lesionado?

19.7.11

Cavaco faz o pino no topo de uma azeda


O Ministro das Finanças, na necessidade de tentar evitar ao país os pesados custos que teriam as palavras de Passos Coelho se alguém "lá fora" as levasse a sério, inventou uma peça de teatro para tapar o disparate. Com isso, o Ministro das Finanças cobriu a grossa irresponsabilidade do PM com a sua própria pirueta em directo e a cores. A ideia parece que era "enquanto gozam com o MF, esquecem o PM". Esquecer o PM era mesmo a necessidade do momento.
Só que parece que não mandaram a fita toda para Belém. O PR fala como se o MF tivesse dado alguma explicação para o "desvio colossal". Mas não deu. Da boca de Vítor Gaspar: «“Esta versão é da minha pura responsabilidade. Eu não tenho nenhuma informação autêntica sobre as palavras que terão sido proferidas entre “desvio” e “colossal”. Mas esta versão agrada-me particularmente.”»  Cavaco, das duas três: ou está a gozar com o pagode; ou não percebeu mesmo o MF. Alguém explica ao MF que um ministro não deve abusar das fragilidades do PR?


faltam-me os adjectivos


Macário dá como “inevitável” introdução de portagens na Via do Infante.
Cito o quotidiano: «Depois de ter sido um feroz opositor da introdução de portagens na Via do Infante no âmbito do programa de alteração do projecto, Macário Correia afirmou hoje, em declarações à TSF, que compreende o ponto de vista do Governo e que as portagens naquela via que cruza o Algarve são “inevitáveis”.»

Diz Macário: «"Compreendemos aquilo que o Governo actual e o anterior vinham defendendo a respeito deste ponto de vista, ainda que não seja o nosso".» É curioso é que a compreensão tenha chegado em tão propícia maré.

De facto, a política não tem de ser uma porcaria. Mas pode ser, se isso fizermos dela. Fizermos, salvo seja.

18.7.11

estágios na Madeira